Críticas
CRÍTICA: Pânico VI (2023)

A longeva franquia Pânico acaba de receber mais um capítulo… mais especificamente a parte 6. Depois do enorme sucesso de crítica e bilheteria do filme anterior, quase um ano depois, “Pânico VI” (Scream VI) chega aos cinemas.
Mas é aí, será que deu tempo de criar uma nova trama boa e coesa? Deu pra inovar considerando o estilo e se manter fiel ao cânone? Eu já adianto que gostei muito do longa. Achei divertido e intenso, além de haver momentos fofos de amizade e amor entre os protagonistas.

Bem, logo após os eventos da parte 5, os sobreviventes tentam seguir suas vidas em outra cidade e outro lugar bem longe de Woodsboro. No caso, nossos personagens agora estão em Nova York. Cada um está lidando com seus traumas do jeito que pode, principalmente Sam (Melissa Barrera), a nova protagonista ao lado de sua irmã Tara (Jenna Ortega), que infelizmente entraram num jogo de gato e rato com o “novo” Ghostface.
Aqui lembrei de uma coisa… algo que senti muita falta nas partes 4 e 5 da franquia foram umas cenas mais elaboradas de perseguição. Por sorte aqui em “Pânico VI“, temos algumas sequências que figuram facilmente como algumas das melhores e mais memoráveis desta série.
A versão novaiorquina de Ghostface é bem mais afoita e violenta, tanto é que esse foi o primeiro desta franquia que recebe uma classificação indicativa de 18 anos. Parte é exagero porque não chega ao ponto de ser um “Terrifier 2” (2022) que diz que fez as pessoas vomitarem no cinema, mas para um filme de grande estúdio, o gore está bem generoso.

O elenco se mostra bem entrosado, principalmente o quarteto sobrevivente do filme anterior que transborda romance e amizade, rendendo até uma cena bem melosa, porém bonitinha.
E para quem não esperava… agora uma surpresa: “Pânico VI” ainda conta com o retorno de Gale Weathers (Courteney Cox) com direito a uma cena de perseguição bem intensa. E como uma franquia dessas vive de fanservice, quem também faz uma participação é Kirby (Hayden Panettiere), uma das sobreviventes da parte 4. As duas personagens, no entanto, estão bem subaproveitadas.
Agora nem tudo são flores, o longa tem conveniências de roteiro bem irritantes e a revelação da identidade do novo vilão é bem qualquer coisa. A motivação dele também é forçada, mas o que vale na parte final é mesmo o embate de protagonistas. Talvez seja a sequência de perseguição mais vibrante e mais movimentada da saga, rendendo ultra momentos de gore.

No fim das contas, “Pânico VI” é um slasher que poderia se aproveitar mais da ambientação de uma grande metrópole como NY, mas que prefere se apoiar em cenas em ambientes confinados. E inevitavelmente acabei me lembrando de “Sexta- Feira 13 – Parte 8: Jason ataca em Manhattan” (1989) que sofre do mesmo problema.
E pra finalizar, como fã de longa data da franquia, confesso que me diverti horrores, assim como as pessoas que estavam na sessão. Elas vibravam e gritavam, batiam palmas.. uma experiência de sessão de cinema bem divertida. E acaba sendo sobre isso… Um slasher que lhe puxa pela memória afetiva pra você esquecer da vida por uns momentos e se deixar levar.
Título original: Scream VI
Diretores: Matt Berttinelli-Olpin e Tyler Gillett
Roteiro: James Vanderblit e Guy Busick
Elenco: Melissa Barrera, Couterney Cox,Jenna Ortega e outros
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Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).
Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantine” meets “Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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“Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.
E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.
Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.
No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.
Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife
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Críticas
CRÍTICA: Passageiro do Mal (2026)
O trailer de “Passageiro do Mal” já avisava que vinha clichê por aí, mas a minha mente insistiu no clássico “vai que é bom”. Não era.

“Passageiro do Mal” (Passenger) surgiu do nada (pelo menos para mim) nos últimos meses e, mesmo achando o trailer extremamente genérico e clichê, fiquei tentado a dar uma conferida. No fundo da minha mente ecoava: “vai que é bom e você está só sendo chato”. Então, com a estreia, decidi me arriscar no cinema e tirar minhas conclusões, que veremos a seguir.
A história segue um jovem casal que decide trocar a vida em um grande centro urbano pela aventura de viver pelo campo. Só que eles encontram o terror quando viram alvos de uma entidade demoníaca que caça vidas pelas rodovias. A questão é se eles vão seguir o caminho certo ou acabar dirigindo para a morte certa.

Olha, eu até gosto de filmes ruins quando eles se assumem dessa maneira. Acho, no geral, os filmes da The Asylum divertidíssimos, mas em “Passageiro do Mal” os realizadores foram para a direção mais clichê e imbecil possível, além de se levarem a sério demais. Eu me senti de volta ao início dos anos 2000, época em que filmes de assombração como este apareciam a rodo nos cinemas.
Os protagonistas são sem sal, com pouco carisma e desenvolvimento, enquanto os coadjuvantes são folhas em branco de tão rasos. A ameaça tem um visual bem questionável e pertence àquela categoria de vilões sobrenaturais que, assim que aparecem na tela, soltam um grito “assustador”.

A direção e o roteiro estão de mãos dadas na tentativa de assustar de uma forma que virou piada há décadas. Todas as tentativas de susto são extremamente telegrafadas, e as cenas de gore com CGI ruim enterraram de vez o longa. O diretor que tinha mostrado seu talento nos longas “A Autópsia” e “A Última Viagem do Deméter“, pareceu que aqui só estava interessado no contracheque mesmo.

Um filme claramente descartável que deveria ser uma sobra de streaming, mas que jogaram no cinema para pegar besta e masoquista. Neste caso, fui os dois. Aconselho você a respeitar o seu dinheiro e fazer outra coisa com o valor do ingresso.
Título original: Passenger
Direção: André Øvredal
Roteiro: Zachary Donohue e T.W. Burgess
Elenco: Melissa Leo, Lou Llobell, Jacob Scipio e outros
Duração: 94 min
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