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CLÁSSICO: Este filme de 1976, proibido na época, promete fantasia sobrenatural e vingança sangrenta
Embora o cartaz prometa exploração trash e violência explícita, The Witch Who Came from the Sea é um drama melancólico sustentado pela atuação hipnótica de Millie Perkins.

O cartaz de 1976 de A Bruxa que Veio do Mar (The Witch Who Came from the Sea) mostra uma mulher de seios fartos e abdômen à mostra, vestindo uma capa escura esvoaçante. Em uma das mãos, ela ergue uma foice ensanguentada sobre a cabeça, enquanto na outra segura a cabeça decepada de um homem. O sangue pinga sobre a ilhota rochosa onde ela está e as ondas quebram ao redor, com seus longos cabelos varridos pelo vento. “Molly realmente sabe como rebaixar os homens!”, diz o slogan em letras amarelas vibrantes, com a palavra *cut* (cortar/reduzir) sublinhada por um traço vermelho. Trata-se de um cartaz excelente, tanto como publicidade *pulp* quanto como pintura, exibindo pinceladas impressionistas que borram a linha entre o mar turbulento e o céu. A imagem promete uma fantasia sobrenatural com nudez gratuita e uma vingança deliciosamente sangrenta, mas The Witch Who Came from the Sea não é esse tipo de filme. É algo muito melhor.
Millie Perkins interpreta Molly, uma garçonete que passa o tempo livre bebendo e assistindo à televisão em excesso, além de cuidar dos sobrinhos enquanto sua irmã, Cathy (Vanessa Brown), costura roupas para tentar complementar a renda entre um cheque de assistência social e outro. Molly entretém os garotos com histórias sobre o pai deles, um capitão de navio cujo corpo, segundo ela, foi levado pelo oceano. “Só o cérebro dele se perdeu no mar”, retruca Cathy, cujas lembranças reais sobre o pai contrastam com o romantismo de Molly: “Ele era um filho da puta. E, mais do que ninguém, você sabe disso.” Molly está simultaneamente traumatizada, em negação e consumida pela culpa devido aos abusos do pai, que, nos flashbacks, são abafados pelo som das ondas rugindo. Romantizar o passado é uma forma de lidar com a dor; beber é outra. A terceira é o assassinato.
Diversos homens que esperam ter relações com Molly acabam castrados e mortos. As mortes evitam a fórmula de violência cinematográfica pós-Psicose com aquela tensão crescente que explode em close-ups e cortes rápidos, abraçando uma atmosfera lenta e irreal, que utiliza lentes anamórficas oníricas e efeitos sonoros para distorcer as vozes dos personagens. O sangue já está jorrando quando o espectador percebe que a cena não é um sonho ou uma fantasia, mas algo que realmente está acontecendo. Isso cria um efeito de choque totalmente atípico, que não surge do aspecto grotesco das mortes, mas sim da harmonia delas com a melancolia que permeia a obra. O filme deve esse coração melancólico à extraordinária atuação de Millie Perkins. Ela se mostra ao mesmo tempo infantil e materna, frágil e assustadora, delicada e irada, sendo fascinante testemunhar o trabalho de uma verdadeira mestra em cena.
No final dos anos 1950, Perkins trabalhava como modelo quando George Stevens viu sua foto e decidiu que ela deveria interpretar a protagonista em sua adaptação de O Diário de Anne Frank. Ela relutou em fazer o teste de câmera, até porque nunca havia atuado antes. Em uma entrevista de 2007, a atriz relembrou que, quando o diretor a escolheu, ficou claro que ele não a ensinaria a atuar, de modo que tudo teria que ser feito por puro instinto. Essa entrega instintiva, somada à sua beleza etérea, lhe dava todas as características de uma estrela de cinema — ou teria dado, caso ela tivesse surgido uma década mais tarde.
Em vez de se tornar uma queridinha da Nova Hollywood nos anos 1970, ela se viu em conflito com os limites do sistema de estúdios, recusando papéis enquanto estava sob contrato. Stevens comentou mais tarde que Millie não se encaixava na época porque estava dez anos adiantada. Embora ela e seu vizinho Jack Nicholson tivessem idades semelhantes quando coestrelaram os westerns de Monte Hellman em 1966, The Shooting e Ride in the Whirlwind, as carreiras dos dois já caminhavam em trajetórias opostas.
Informação publicada originalmente por www.fangoria.com.
Crédito: conteúdo adaptado a partir de publicação original de www.fangoria.com.
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FULL MOON RISING: A Vida Selvagem de Charles Band, uma Lenda dos Filmes-B
Documentário sobre Charles Band, produtor por trás da Full Moon Features e de mais de 400 obras, terá estreia mundial no London FrightFest em agosto. Filme conta com depoimentos de figuras como Barbara Crampton e John Carpenter.

No universo do cinema independente — não apenas do horror — são raros os que podem afirmar ter realizado tanto quanto Charles Band. À frente da Full Moon Features, ele produziu literalmente centenas de filmes ao longo de quase quatro décadas. Agora, a trajetória do homem por trás de tudo isso vira documentário: Full Moon Rising: The Charles Band Story.
Full Moon Rising foi confirmada na programação do London FrightFest deste ano, com estreia mundial marcada para agosto. Para quem estiver em Londres ou nas proximidades, é hora de anotar na agenda. O documentário foi dirigido por Sarah Appleton (The Found Footage Phenomenon) e produzido por Chris Alexander, e traz diversas entrevistas com nomes como Barbara Crampton (Castle Freak), John Carpenter (Halloween) e outros.
A sinopse do filme diz: “Um documentário que traça a ascensão do excêntrico e lendário produtor/diretor de B-movies Charles Band e sua companhia Full Moon Features. Estruturado como um estudo de personagem — através de sua obra e de depoimentos de pessoas ao seu redor — o filme considera como um empreendedor individual pode sobreviver com sucesso por mais de 50 anos fazendo filmes em Hollywood, nos seus próprios termos.”

O documentário começa com a formação de Charlie, criado pelo pai diretor de cinema Albert Band, e como crescer em sets de filmagem moldou o magnata do cinema que ele se tornaria. A obra aborda seu envolvimento com o surgimento do vídeo no início dos anos 1980 e acompanha como ele acompanhou tendências em tecnologia cinematográfica para manter a Full Moon Features ativa até hoje.
Band soma mais de 400 créditos como produtor e mais de 100 como diretor, desde clássicos como “Armadilha para Turistas” (Tourist Trap) até produções previstas para 2026, como Models vs. Werewolves. Ele criou diversas franquias, incluindo Subspecies e Puppet Master, entre outras. Os participantes do doc não poupam elogios, usando termos como “gênio” e “excêntrico” para descrevê-lo — uma figura que claramente merece um mergulho aprofundado em sua vida.
Sarah Appleton é diretora/produtora, conhecida pelo documentário original da Shudder The Found Footage Phenomenon (2022) e por J-Horror Virus (2023). Appleton realizou vários documentários de longa-metragem centrados no cinema e nas artes, e passou mais de uma década à frente da produtora Caprisar Productions Ltd, com base em Londres.
Full Moon Rising: The Charles Band Story estreia no London FrightFest em agosto.
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ELE VAI VOLTAR: Paramount quer Freddy Krueger de novo nos cinemas. Mas com que ator?
A Paramount garantiu os direitos para fazer um novo filme da franquia “A Hora do Pesadelo” com o espólio de Wes Craven. Com Robert Englund aposentado, fica a dúvida pra saber quem vai ser o novo intérprete de Freddy Krueger

Demorou 16 anos, mas o momento finalmente chegou. A Paramount assegurou os direitos para fazer um novo filme da franquia “A Hora do Pesadelo” junto ao espólio de Wes Craven. O retorno de Freddy Krueger às telonas é real — embora muitos detalhes ainda sejam obscuros, sabemos com certeza que o invasor de sonhos fará seu aguardado retorno e que será necessário um novo ator para vestir o suéter listrado e as lâminas.
Desde o clássico de 1984, Robert Englund interpretou Freddy até 2003, em Freddy vs. Jason. Jackie Earle Haley assumiu o personagem na refilmagem de 2010. Englund, já na casa dos 70 anos, deixou claro que a época dele como Freddy passou — portanto, um novo ator terá de assumir o manto.
Sejamos francos sobre Freddy Krueger: em algum ponto — mais cedo do que talvez admitamos — começamos a torcer pelo assassino de luva com lâminas. É louvável que cineastas queiram levá‑lo às suas raízes e torná‑lo novamente uma ameaça séria e assustadora, mas a “marca” de Freddy é que os fãs de horror gostavam dele.
Isso moldou sua evolução, consolidando‑o como um assassino espirituoso, eufórico e camp — divertidíssimo de assistir. Um reboot precisa entender ISSO, não se esforçar para reinventar a roda.
Os devotos de Elm Street querem um Freddy de que gostem, e isso começa pela escolha certa do elenco. De acordo com a turma do Fangoria: o favorito dos fãs é Kyle Gallner. Segundo os editores do site/revista, o ator tem o que é preciso para ser encantador, ameaçador e hilário; vê‑lo cortar seu caminho pelos sonhos de Springwood depois de ser falsamente acusado e queimado vivo (sim, é hora de retomar isso — é a única forma de fazer a origem de Krueger funcionar nos dias de hoje) fará os fãs de horror vibrarem como se fosse 1987 (Phil Nobile Jr.).
Com 35 anos, Jack O’Connell pode parecer jovem demais para interpretar um gentleman tão refinado quanto Freddy, mas não esqueçamos que, segundo o cânone, Mr. Krueger ainda estava na casa dos 20 quando se tornou o demônio dos sonhos que conhecemos — portanto há margem de manobra. Em vários papéis de horror, especialmente recentemente em Pecadores e Extermínio: O Templo dos Ossos, O’Connell mostrou habilidade para encarnar um tipo de vilão distorcido, que carrega um charme inegável em sua loucura.
Se o novo Nightmare on Elm Street optar por acentuar o aspecto camp, O’Connell também tem veia cômica (veja sua interpretação como o carismático Cook em Skins), enquanto sua atuação como um psicopata adolescente aterrorizante em Eden Lake comprova que ele pode entregar um sadismo sombrio, caso o remake siga esse tom.
Por hora, esperemos que o casting e o roteiro respeitem o legado de Freddy Krueger, nem que seja em sonho.
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De HELLRAISER a GODZILLA: 46 novos quadrinhos de horror para estas férias
Uma nova safra de quadrinhos de horror promete entregar sangue e monstros clássicos e inéditos. Confira 46 títulos que chegam entre julho e setembro.

Nas férias de julho, vale se perder em quadrinhos de horror e, felizmente, esta temporada traz muitos títulos novos, com personagens inéditos e rostos conhecidos, como Predator, Buffy Summers, Godzilla, a entidade dos filmes Smile e os Cenobitas de Hellraiser.
Interessado? Abaixo, um apanhado de lançamentos de horror, novos e acessíveis para leitores iniciantes, programados para julho a setembro. Se algum chamar sua atenção, avise sua loja de quadrinhos com antecedência — eles podem pré-encomendar para você. Diga que a FANGORIA recomendou.
Fãs da FANGORIA tiveram um vislumbre das capas desta minissérie de cinco edições da Dark Horse Comics, escrita por Julio Anta (Frontera) e com arte de Daniel IriZarri (Cemetery Kids Don’t Die). O título integra a linha True Weird da Dark Horse, produzida pela Tiny Onion de James Tynion IV, que explora mitologias de criptídeos. Nesta minissérie, uma ativista que luta contra o superdesenvolvimento em Porto Rico encontra a criatura titular, conhecida mundialmente por outro nome: el Chupacabra.
A Bad Idea Comics lança o Manix Monsterverse, um novo universo de quadrinhos que mistura horror e humor, com este título do artista Manix Abrera (Thundercats) e dos roteiristas Robert Vendetti (Survive) e Brockton McKinney (Charles Band’s Deadly Ten Presents: Blade the Iron Cross). A história acompanha uma equipe de policiais atrapalhados encarregada de prender um chefe do tráfico local — missão que os coloca frente a frente com a besta monstruosa e multifocal conhecida como Dingoliath.
O ator John Cusack (1408) faz sua estreia como roteirista em quadrinhos neste romance gráfico original ilustrado por Ignacio Noé (Lovecraft: The Call of Cthulhu) e publicado pela Mad Cave Studios. Misturando horror cósmico e absurdo, a obra acompanha dois criminosos em uma viagem por estradas do país para recuperar um artefato estranho para o lendário ator de TV Jackie Gleason. Pelo caminho, eles se envolvem em confrontos com forças monstruosas, ocultas e cósmicas.
Antes do vilão metamorfo do Batman estrear nas telonas no filme body horror da DC Studios, Clayface, ele estrela esta minissérie de cinco edições da DC Comics escrita por Jude Ellison S. Doyle (Dead Teenagers) e com arte de Fran Galán (Predator: Black, White & Blood). A trama mistura body horror, terror psicológico e sátira de Hollywood: um ator de Hollywood que se transforma em um monstro de argila e lama foge da Arkham Tower para recuperar sua antiga fama. Ao sair à rua, porém, descobre que alguém lhe roubou o nome, o rosto e o estrelato.
Lembre-se do que eu disse sobre quadrinhos e espetáculo? A série do roteirista Fred Van Lente (Murder Kingdom), do artista Luca Pizzari (Thanos) e da Boom! Studios não entrega apenas duelos de espada a bordo de navios e os nosferatus prometidos pelo título — ela se passa em um mundo alienígena totalmente realizado onde vampiros são a potência dominante. A história acompanha um monarca deposto que encontra aventura e refúgio a bordo de um navio pirata.
Informação publicada originalmente por www.fangoria.com.

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