Críticas
CRÍTICA: Dia dos Mortos (1985) x Day of the Dead: Bloodline (2018)

[Por Jarmeson de Lima]
Por curiosidade mórbida, um dia após reassistir ao clássico oitentista de George Romero, resolvi encarar o remake que vinha protelando há um tempo e com razão. Sei que é covardia comparar, mas fazer o que, né?! Sem coragem de admitir ser totalmente uma refilmagem, “Day of the Dead: Bloodline” deixa claro que é apenas “baseado em Day of the Dead“. Sei sei… sendo que ele pega emprestado do original duas coisinhas básicas: a ambientação numa base militar e o zumbi “Bub”, que aqui ganha o nome de “Max”.
- Day of the Dead: Bloodline (2018)
- Day of the Dead (1985)
Pra quem já viu ou ainda vai ver, saiba que o filme de 1985 não tem muito arrodeio. O mundo está um caos, os sobreviventes em um bunker do exército dividem suas atividades com uma equipe de cientistas e eventualmente saem para procurar outros vivos com a ajuda de um helicóptero. O que ocorre nos seus 96 minutos é de um primor com um tom de claustrofobia e pessimismo incomparável na história do cinema de horror.
A produção mais atual, no entanto, não possui qualquer tipo sutileza e cai naquele clichê de querer explicar tudo nos mínimos detalhes pra que o espectador incauto não se perca. “Bloodline” ainda força a barra para manter uma fotografia mais escura em contraste com a obra na qual se baseia, em que apesar de ser encenado em cenários fechados, é sempre mais claro.
- Day of the Dead (1985)
- Day of the Dead: Bloodline (2018)
Nesta nova versão, como já deve imaginar, os mortos-vivos deste filme não andam, correm! E muito! Não bastasse isso, com alguns minutos de tela já sabemos que os zumbis, apelidados de “rottens” foram vítimas de uma infecção generalizada e que tem gente atrás da cura. Esta parte da pesquisa científica que também é um traço em comum das duas obras deixa claro as intenções de seus idealizadores. Enquanto Romero procurava mostrar os experimentos do doutor Logan “Frankenstein” como uma coisa grotesca que transcende qualquer tipo de ética médica, este remake trata tudo como uma anomalia que pode ser revertida a qualquer momento.
A doutora Zoe (Sophie Skelton) que faz parte do núcleo científico não perde a esperança na cura e se arrisca até a manter um ex-paciente abusador como cobaia de seus testes. Acredite se puder, mas o diretor achou por bem colocar este sujeito de atitudes asquerosas que aparece rapidamente no início do filme como o novo “Bub” dando a ele este background. E não basta ser um zumbi, ele tem que ser mais esperto que a maioria dos zumbis pra pegar carona em um jipe, subir num duto de ventilação e manusear chaves.
- Day of the Dead: Bloodline (2018)
- Day of the Dead (1985)
Com um elenco numeroso e sem muita necessidade, todo mundo em cena esbanja canastrice em “Bloodline“, a começar dos principais oficiais militares Miguel (Jeff Gum) e Baca (Mascus Vanco). Diferente da obra de Romero, onde temos personagens mais velhos, a média de faixa etária dos novos personagens é entre 20 e 30 anos. O conflito de autoridade neste caso não é muito convincente ao contrário da obra original, onde há um confronto nos diálogos e que segura a trama até o final.
Resumindo… “Bloodline” traz o que há de pior nos filmes atuais de zumbis com personagens estúpidos, cenas ridículas de dar raiva, sustos gratuitos e uma trama derivativa que poderia fazer parte de uma temporada de The Walking Dead, por exemplo. Com foco no gore e na ação pra compensar a falta de tensão e suspense, só quem nunca assistiu a um filme de mortos vivos pode se impressionar com essa obra. Não perca seu tempo. Nunca é demais repetir, então está dado o recado: confira o original e as demais produções de George A. Romero.
* “Dia dos Mortos” (1985) está disponível em versões legendada e dublada na Amazon Prime Video enquanto “Day of the Dead: Bloodline” encontra-se no catálogo da Netflix.
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Críticas
CRÍTICA: Ataque Brutal (2026)

A Netflix ataca mais uma vez com um filme de tubarão: “Ataque Brutal” (Thrash). Anunciado meio que de surpresa no mês passado, a gigante do streaming tenta novamente emplacar um sucesso com o terror dos mares e rios. Depois de ter lançado, em 2024, “Sob as Águas do Sena“, agora ela traz o diretor do divertido “Zumbis na Neve” (2009) para comandar essa empreitada.
Vamos à história… Uma pequena cidade na costa dos EUA tem sua rotina drasticamente mudada quando um furacão de escala 5 avança em sua direção. A grande maioria dos moradores decide evacuar, mas alguns desafortunados acabam ficando e terão de lidar com algo pior que a destruição causada pelo fenômeno da natureza: famintos tubarões que aparecem nas ruas inundadas.

Logo de cara, não dá para não lembrar do bem superior “Predadores Assassinos” (2019), cuja premissa é bem similar. A diferença maior entre os longas é que o filme dos crocodilos é uma aula de tensão e horror, enquanto este exemplar com tubarões serve mais como uma paródia.
Os personagens são rasos e as situações vivenciadas por eles são bem clichês e previsíveis; não criei vínculo com nenhum. O fato de saber o destino dos protagonistas tira qualquer chance de criar tensão, além de o roteiro ser muito didático e ter alguns diálogos bem ruins.

As cenas de ataques são fracas; geralmente, as águas ficam vermelhas e as pessoas são jogadas e arrastadas de um canto a outro. Poderia ser mais gore.
Os efeitos são, no geral, aceitáveis, mas há momentos onde o fundo verde grita. Isso pode tirar a imersão de muitos, mas não tirou a minha porque já estou acostumado a cada tosquice de filme de tubarão que me sinto meio “vacinado”. “Ataque Brutal” é um filme fraco que poderia ter sido muito mais, só que, por ser bem curto, talvez entregue uma possibilidade de diversão rasteira.
Título original: Thrash
Direção: Tommy Wirkola
Roteiro: Tommy Wirkola
Elenco: Phoebe Dynevor, Dijimon Hounsou e outros
Ano de lançamento: 2026
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CRÍTICA: Eles Vão Te Matar (2026)

Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).
Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantine” meets “Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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CRÍTICA: A Noiva! (2026)

Passados dois séculos, Frankenstein segue vivaço na cultura pop. Menos de seis meses depois do lançamento do filme de Guillermo del Toro, chega aos cinemas A Noiva! (The Bride!). O longa, escrito e dirigido por Maggie Gyllenhaal, revisita o universo de Mary Shelley em um thriller noir carregado de empoderamento feminino.
Longe das montanhas e castelos decadentes do horror gótico, a história de A Noiva! começa na glamurosa Chicago da década de 1930. Ao aprontar umas e outras em um jantar repleto de homens perigosos, a jovem Ida (Jessie Buckley) acaba assassinada pelos capangas do chefe da máfia local.

Nesse mesmo espaço de tempo, o monstro de Frankenstein (Christian Bale) chega à cidade em busca da Dra. Euphronius (Annette Bening), renomada especialista em “reanimação”. Com várias súplicas e chantagens sentimentais, Frank convence a cientista a lhe ajudar na missão de conseguir uma companhia amorosa.
Assim, Ida acaba desenterrada e trazida de volta à vida, sem memória, predestinada a subir ao altar. A noiva, porém, é fodona e não está muito disposta a ser bela, recatada e do lar. Sua não submissão, no entanto, desperta ainda mais o interesse de Frank. Infelizmente, após brigarem em um inferninho local, o casal passa a ser perseguido pela polícia e embarca numa fuga pelos EUA.
Como esperado, Maggie Gyllenhaal usa os monstros de Shelley (e seus, agora) para montar uma fábula sobre os rejeitados pela sociedade, sobretudo os do sexo feminino. Seria piegas, se não fosse pelo roteiro esperto, que não deixa nada cair no melodrama. A protagonista não quer favor de ninguém, ela quer exatamente o que lhe pertence: o protagonismo.

Com esse papel, Jessie Buckley entra de vez no panteão das atrizes de destaque da atualidade. Arrastando tudo nesta temporada de premiações, por seu trabalho em Hamnet, a irlandesa está totalmente elétrica (com o perdão do trocadilho), dos trejeitos do que seria uma morta-viva reanimada, passando pelo visual e sotaque carregado. Em pouco mais de duas horas de filme, sua personagem vai de desapegada, à amante amorosa e a líder revolucionária, sem perder a personalidade do caos em pessoa.
Ao seu lado, Christian Bale entende perfeitamente seu status de coadjuvante e entrega um Frankenstein apaixonado e porradeiro na medida certa. Outra figura secundária de destaque é a detetive Myrna Mallow (Penélope Cruz), que serve para escancarar como o machismo não persegue apenas os feios e marginalizados.

Da metalinguagem, com a própria Mary Shelley dando as caras na trama, até diversas referências a clássicos de terror, Gyllenhaal se joga de cabeça no cinema de gênero como uma fã apaixonada. Em um determinado momento, Frank e Ida entram em uma sessão que exibe um longa com Bela Lugosi e saem correndo de lá, perseguidos por uma multidão que carrega tochas. Absolute fan service!
A Noiva tem pouca presença no livro de 1818 (nem chega a ganhar vida), mas conquistou notoriedade com a figura de Elsa Lanchester, no clássico de 1935. De lá para cá, ganhou versões alternativas, como em A Prometida (1985) e Penny Dreadful (2014). Já seu visual dos Monstros da Universal inspirou personagens de algumas animações ao longo dos anos, tendo Comando das Criaturas como o exemplo mais recente.
Com Jessie Buckley, ela tem agora sua variante mais marcante depois de quase um século. Interessante esse filme chegar aos cinema quando os Epstein Files e inúmeros casos de violência contra mulheres estampam as manchetes do Brasil e do Mundo. Queremos e precisamos de uma Noiva caçadora de red pills.
NDE: Tem uma cena pós-crédito
Direção: Maggie Gyllenhaal
Roteiro: Maggie Gyllenhaal
Elenco: Jessie Buckley, Christian Bale e Penélope Cruz
Origem: EUA
* Filme assistido na Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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