conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: Operação Overlord (2018)

Publicados

em

Overlord

[Por Jarmeson de Lima]

Convenhamos que filmes de guerra e filmes de terror não são lá muito populares. Às vezes um ou outro fura a bolha de público e passam a ter sucesso, mas não é sempre que isso acontece. Assim sendo, imagine que “Operação Overlord” foi pensado para ser uma mistura de “O Resgate do Soldado Ryan” com “Resident Evil“.

Mas não se assuste com esta minha forçadinha de barra. O novo longa produzido por J.J. Abrahams chega realmente junto e quer unir os elementos em comum dos horrores da guerra com a profundidade dramática de alguns filmes de terror mais sérios. É uma pena que seu desempenho nas bilheterias não tenha sido tudo o que se espera, mas se você não liga pra isso, terá uma oportunidade de ver uma super produção que não deixa a dever.

Na sua primeira metade, “Operação Overlord” se assemelha a um filme ‘comum’ sobre a II Guerra Mundial em um contexto historicamente próximo ao “Dia D”, ou seja, a retomada do continente europeu pelo exército norte-americano junto aos franceses. Nisso ae temos personagens que encarnam bem os soldados prontos para morrer em uma missão e os que não queriam de forma alguma estar ali. Sendo que ‘guerra é guerra’ e os ataques inimigos não mandam recado e nem escolhem alvo.

E como é um filme de guerra, os militares tanto podem ser mocinhos quanto vilões. Só muda o lado. Pra quem estudou história, neste caso, sabe que os vilões obviamente são os nazistas, mas o longa aqui não tenta reescrever a narrativa como tentou Tarantino em “Bastardos Inglórios“. A diferença é só um tom acima nas experiências bizarras de uma tropa acompanhada por um cientista alemão do Reich.

Temos em “Operação Overlord” um discípulo do mal de Josef Mengele ainda mais sem escrúpulos (será?) que captura aldeões franceses como cobaias para experiências de pós-morte. Bem, é nesta hora que você percebe que está adentrando em um filme de terror e que a guerra lá fora se tornou algo menor.

Com um elenco semi-conhecido e um ritmo próprio que não apela para jumpscares e uma edição frenética, o filme de Julius Avery se sai bem como filme de zumbi, ficção científica e trama bélica. Destaque para as cenas de ação e para os efeitos práticos que intensificam o gore em um filme mais ousado do que a média que vai para os cinemas.

Escala de tocância de terror:

Direção: Julius Avery
Roteiro: Billy Ray e Mark L. Smith
Elenco: Jovan Adepo, Wyatt Russell, Mathilde Ollivier e Pilou Asbæk
Ano de lançamento: 2018
País de origem: EUA

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Resenhas

RESENHA: O Telefone Preto (2022)

Publicados

em

Telefone Preto

O Telefone Preto (The Black Phone), novo horror da Universal Pictures, tem co-produção da ilustríssima Blumhouse, direção de Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade) e roteiro baseado em um conto de Joe Hill, escritor badalado, filho de ninguém menos que Stephen King. Como se não bastasse tudo isso, o vilão ainda é interpretado pelo duas vezes indicado ao Oscar, Ethan Hawke. Bom, o golpe tá aí… cai quem quer.

O filme se passa no subúrbio de North Denver, Colorado, em 1978. A vizinhança está assustada, pois crianças estão sendo raptadas na área. A polícia segue as pistas do serial killer, apelidado pela imprensa de The Grabber (Ethan Hawke), mas pouco se sabe sobre ele, apenas que dirige um furgão e usa balões pretos para encobrir seus ataques.

O tema central do O Telefone Preto é o bullying, problema enfrentado por Finney (Mason Thames), jovem de classe média baixa que é perseguido na escola, e que será a vítima do The Grabber que iremos acompanhar no decorrer do filme. A clássica história de superação dos próprios medos, materializados na figura bizarra do vilão.

Enquanto o garoto é mantido refém, sua irmã Gwen (Madeleine McGraw) corre por fora para convencer as autoridades que seus dons paranormais podem ajudar na busca. Mas o sobrenatural não está presente só nesse recorte da trama. O tal telefone do título é um aparelho quebrado, que fica no cativeiro de Finney, e pelo qual ele recebe ligações das vítimas anteriores. Nas interações, os meninos assassinados tentam ajudá-lo a derrotar o psicopata.

O problema é que O Telefone Preto, em nenhum momento, nos dá qualquer indício de que todo esse enredo vai terminar fora do lugar comum. Nada sai da fórmula hollywoodiana. E com crianças como protagonistas, todos os vícios de produções recentes, como IT – A Coisa e Stranger Things, são requentados, mesmo que a fotografia de Brett Jutkiewicz deixe a obra mais sombria que a tendência atual

Nem Ethan Hawke, que parecia ser o trunfo do filme, pela sua aparência bizarra, se mostra tão ameaçador. Não é preciso mostrar tudo da vida pregressa do antagonista. Muitas vezes, a falta de informação funciona melhor para endossar o mistério sobre seus atos. Só que o roteiro o relegou ao papel de um mascarado que entra e sai de um cômodo, dizendo frases soltas, como se só isso bastasse para externar sua loucura.

Talvez no conto, Joe Hill tenha conseguido lhe dar mais personalidade, mas a trama desenvolvida por Scott Derrickson e C. Robert Cargill pena para trazer qualquer aflição ao espectador. O Telefone Preto é só mais um exemplo de terror que tenta assustar com um personagem feio, um sustinho aqui, outro ali, e uma história universal sobre superação. Recuse a chamada.

Escala de tocância de terror:

Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Scott Derrickson e C. Robert Cargill (baseado no conto de Joe Hill)
Elenco: Mason Thames, Madeleine McGraw e Ethan Hawke
Origem: EUA

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Fúria (2019)

Publicados

em

Rabid

Quando saiu a notícia que iria rolar um remake de RABID, clássico de ninguém menos que David Cronenberg – filme que aqui no Brasil saiu com o título infame de “ENRAIVECIDA NA FÚRIA DO SEXO” – eu fiquei num misto de curiosidade e medo do que viria. Mas aí vi que essa empreitada seria realizada pelas Irmãs Soska e fiquei bem animado, pois as gêmeas diretoras tem uns filmes cabulosos no currículo.

Nesta nova versão (chamada no Brasil de “Fúria“), dirigida por Jen e Sylvia Soska, a partir do roteiro de John Serge no qual elas também assinam, acompanhamos Rose, uma design de moda que se envolve em um acidente e fica com o rosto desfigurado. Sem esperanças de recuperar a aparência e voltar ao mundo da moda, resolve se inscrever numa clínica de estética adepta de um movimento chamado “TRANS-HU-MA-NI-SMO” que não é aceito pela comunidade médica. Como voluntária, acaba se submetendo ao procedimento milagroso que restaura toda estrutura do seu rosto. Não bastasse a aparência, a moça passa a se sentir melhor em todos os sentidos. Mas não demoram a surgir os efeitos colaterais… e eles são pra lá de sinistros.

Em nenhum momento as diretoras escondem sua admiração por Cronenberg. Há referências frequentes de sua obra durante o longa, sendo que uma em especial acaba se destacando de tão gritante que é. E é claro que o sadismo aqui impera, marca registrada das gêmeas cineastas em seus longas anteriores – vide “T IS FOR TORTURE PORN” e “AMERICAN MARY“. E assim como o diretor canadense, as irmãs também são chegadas a um body horror raiz. Aqui, usam e abusam de efeitos práticos pra nos conferir muita nojeira e bizarrice. Em uma cena temos uma “cobra” e uma axila… Bem, basta dizer que esta cena dificilmente será esquecida, por exemplo.

Apesar de seguir a mesma premissa do “RABID” original, este remake tem suas diferenças – o que já é esperado – e a mais importante é a forma com que Rose, vivida por Laura Vandervoort (Biten), é construída. Ao contrário do original, nossa protagonista não passa o filme todo assistindo impassiva às transformações que seu corpo e mente sofrem. Aqui, nossa heroína evolui dentro da trama, passando a ter domínio de suas ações, dando força e profundidade à personagem.

O ponto forte aqui tá no desenvolvimento da personagem principal, como já mencionado, e na violência extremamente gráfica toda artesanal, que garante uma seboseira danada com muito sangue em tela. Infelizmente, a maquiagem dá uns vacilos como na deformidade do rosto da protagonista, o que as vezes fica bem fake. Há também umas cenas toscas aqui e ali, mas os pontos fracos mesmos estão mais em alguns personagens que poderiam simplesmente nem existir, tipo o boyzinho que fica enchendo o saco da moça o filme todo.

Esta nova versão de “RABID” peca por tentar acrescentar mais elementos à trama do que ele precisaria de fato, mas nada que estrague a sua experiência. No fim das contas, o remake das Irmãs Soska agrada e acaba fazendo “bonito”. Pena que esta refilmagem passou meio batida pelo público do gênero e pouco se falou a respeito. Quem ainda tá torcendo o nariz e ainda não viu, tá vacilando.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jen e Sylvia Soska
Roteiro: John Serge e Irmãs Soska
Elenco: Laura Vandervoort, Benjamin Hollingsworth, Ted Atherton
Ano de lançamento: 2019

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Eles Existem (2014)

Publicados

em

EXISTS_poster[1]

Por Júlio César Carvalho

Em 1999, a dupla Daniel Myrick e Eduardo Sánchez concebeu ao mundo o icônico A Bruxa de Blair (The Witch Blair Project) que chamou a atenção por deixar muita gente com a pulga atrás da orelha se perguntando se as imagens exibidas das tais fitas VHS achadas eram reais, ressuscitando assim o estilo found-footage já existente, porém, até então não tão popularizado. 15 anos depois, Eduardo Sánchez revisita estilo que o lançou, mas seria melhor que não o tivesse feito. (mais…)

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Trending