conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: Maria e João – O Conto das Bruxas (2020)

Publicados

em

Maria e João

Um dos primeiros contatos que temos com o horror vem na forma de contos de fadas, onde bruxas pavorosas e lobos maus literalmente tocam o terror na nossa imaginação infantil. Quando pequeno, me lembro bem de ouvir vinis coloridos que continham essas histórias e o medo que me causava. A ideia dar toques mais sombrios a essas histórias não é nova e filmes como “Malévola” (2014) já se propuseram a fazer isso… Mas agora chegou aos cinemas “Maria e João: O Conto das Bruxas” prometendo uma obra aterrorizante.

Baseado na famosa historinha de “Hansel & Gretel” que aqui foi adaptada com os nomes que conhecemos, vemos Maria (Sophia Lillis) e seu irmão bem mais novo João (Samuel Leakey) que, como a própria personagem conta, tem um relacionamento de carinho e amor desde o seu nascimento. Eles cresceram numa aldeia em algum lugar da Europa, onde presenciaram de perto o caos e pobreza de sua vila e a crescente loucura de sua mãe que não vendo solução para situação os expulsa de casa.

Após uma sequência de eventos perigosos, os irmãos são salvos por um caçador que os aconselha a irem morar com o povo da floresta. Antes disso, ele os adverte a não sair do caminho traçado. Mas aí é claro que eles não seguem totalmente as instruções e encontram um casebre no meio da floresta onde uma misteriosa senhora oferece comida e abrigo escondendo suas verdadeiras intenções.

Logo de cara deixo claro que esse é o filme mais comercial do diretor Oz Perkins, com uma história mais linear e menos interpretativa do que “Enviada do Mal” e “O Último Capítulo”. Isso também não quer dizer seja recomendável para um público de multiplex. O ritmo é lento e é preciso prestar atenção em certos momentos para compreender melhor a trama. Sustos existem, mas numa frequência bem menor.

“Maria e João” é uma ode ao feminino, deixando as ações principais para suas fortes personagens e seus pontos de vista. Pela própria inversão do nome dos personagens no título já dava pra saber que a ênfase seria diferente da que estávamos acostumados. Em muitos momentos o longa me remeteu à “A Bruxa” tratando de temas semelhantes, porém sem o mesmo brilho e impacto. As atrizes seguram bem a onda e dão mais camadas às suas personagens. Alice Krige como Holda (a misteriosa senhora) oferece uma dualidade interessante ao seu papel.

Pena que nem tudo são flores neste conto de fadas… Senti que em momentos o longa teve medo de ousar, mesmo se afastando muito da história clássica. O lado terror meio que foi freado em alguns momentos como se o diretor tivesse medo de pegar pesado demais. Além disso, algumas situações não são desenvolvidas como deveriam e logo são esquecidas pelo roteiro.

Enfim, esta interessante versão do conto “Maria e João” dos Irmãos Grimm pode agradar quem curte um terror mais climático beirando o gótico. Agora quem procura sustos contínuos, sangue jorrando e gritaria vai se decepcionar.

Escala de tocância de terror:

Título original: Gretel & Hansel
Diretor: Oz Perkins
Roteiro: Rob Hayes
Elenco: Sophia Lillis, Alice Krige, Samuel Leakey

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

"Nós deixamos de procurar os monstros embaixo de nossas camas, quando percebemos que eles estão dentro de nós"

Continue lendo
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Resenhas

RESENHA: O Telefone Preto (2022)

Publicados

em

Telefone Preto

O Telefone Preto (The Black Phone), novo horror da Universal Pictures, tem co-produção da ilustríssima Blumhouse, direção de Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade) e roteiro baseado em um conto de Joe Hill, escritor badalado, filho de ninguém menos que Stephen King. Como se não bastasse tudo isso, o vilão ainda é interpretado pelo duas vezes indicado ao Oscar, Ethan Hawke. Bom, o golpe tá aí… cai quem quer.

O filme se passa no subúrbio de North Denver, Colorado, em 1978. A vizinhança está assustada, pois crianças estão sendo raptadas na área. A polícia segue as pistas do serial killer, apelidado pela imprensa de The Grabber (Ethan Hawke), mas pouco se sabe sobre ele, apenas que dirige um furgão e usa balões pretos para encobrir seus ataques.

O tema central do O Telefone Preto é o bullying, problema enfrentado por Finney (Mason Thames), jovem de classe média baixa que é perseguido na escola, e que será a vítima do The Grabber que iremos acompanhar no decorrer do filme. A clássica história de superação dos próprios medos, materializados na figura bizarra do vilão.

Enquanto o garoto é mantido refém, sua irmã Gwen (Madeleine McGraw) corre por fora para convencer as autoridades que seus dons paranormais podem ajudar na busca. Mas o sobrenatural não está presente só nesse recorte da trama. O tal telefone do título é um aparelho quebrado, que fica no cativeiro de Finney, e pelo qual ele recebe ligações das vítimas anteriores. Nas interações, os meninos assassinados tentam ajudá-lo a derrotar o psicopata.

O problema é que O Telefone Preto, em nenhum momento, nos dá qualquer indício de que todo esse enredo vai terminar fora do lugar comum. Nada sai da fórmula hollywoodiana. E com crianças como protagonistas, todos os vícios de produções recentes, como IT – A Coisa e Stranger Things, são requentados, mesmo que a fotografia de Brett Jutkiewicz deixe a obra mais sombria que a tendência atual

Nem Ethan Hawke, que parecia ser o trunfo do filme, pela sua aparência bizarra, se mostra tão ameaçador. Não é preciso mostrar tudo da vida pregressa do antagonista. Muitas vezes, a falta de informação funciona melhor para endossar o mistério sobre seus atos. Só que o roteiro o relegou ao papel de um mascarado que entra e sai de um cômodo, dizendo frases soltas, como se só isso bastasse para externar sua loucura.

Talvez no conto, Joe Hill tenha conseguido lhe dar mais personalidade, mas a trama desenvolvida por Scott Derrickson e C. Robert Cargill pena para trazer qualquer aflição ao espectador. O Telefone Preto é só mais um exemplo de terror que tenta assustar com um personagem feio, um sustinho aqui, outro ali, e uma história universal sobre superação. Recuse a chamada.

Escala de tocância de terror:

Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Scott Derrickson e C. Robert Cargill (baseado no conto de Joe Hill)
Elenco: Mason Thames, Madeleine McGraw e Ethan Hawke
Origem: EUA

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Fúria (2019)

Publicados

em

Rabid

Quando saiu a notícia que iria rolar um remake de RABID, clássico de ninguém menos que David Cronenberg – filme que aqui no Brasil saiu com o título infame de “ENRAIVECIDA NA FÚRIA DO SEXO” – eu fiquei num misto de curiosidade e medo do que viria. Mas aí vi que essa empreitada seria realizada pelas Irmãs Soska e fiquei bem animado, pois as gêmeas diretoras tem uns filmes cabulosos no currículo.

Nesta nova versão (chamada no Brasil de “Fúria“), dirigida por Jen e Sylvia Soska, a partir do roteiro de John Serge no qual elas também assinam, acompanhamos Rose, uma design de moda que se envolve em um acidente e fica com o rosto desfigurado. Sem esperanças de recuperar a aparência e voltar ao mundo da moda, resolve se inscrever numa clínica de estética adepta de um movimento chamado “TRANS-HU-MA-NI-SMO” que não é aceito pela comunidade médica. Como voluntária, acaba se submetendo ao procedimento milagroso que restaura toda estrutura do seu rosto. Não bastasse a aparência, a moça passa a se sentir melhor em todos os sentidos. Mas não demoram a surgir os efeitos colaterais… e eles são pra lá de sinistros.

Em nenhum momento as diretoras escondem sua admiração por Cronenberg. Há referências frequentes de sua obra durante o longa, sendo que uma em especial acaba se destacando de tão gritante que é. E é claro que o sadismo aqui impera, marca registrada das gêmeas cineastas em seus longas anteriores – vide “T IS FOR TORTURE PORN” e “AMERICAN MARY“. E assim como o diretor canadense, as irmãs também são chegadas a um body horror raiz. Aqui, usam e abusam de efeitos práticos pra nos conferir muita nojeira e bizarrice. Em uma cena temos uma “cobra” e uma axila… Bem, basta dizer que esta cena dificilmente será esquecida, por exemplo.

Apesar de seguir a mesma premissa do “RABID” original, este remake tem suas diferenças – o que já é esperado – e a mais importante é a forma com que Rose, vivida por Laura Vandervoort (Biten), é construída. Ao contrário do original, nossa protagonista não passa o filme todo assistindo impassiva às transformações que seu corpo e mente sofrem. Aqui, nossa heroína evolui dentro da trama, passando a ter domínio de suas ações, dando força e profundidade à personagem.

O ponto forte aqui tá no desenvolvimento da personagem principal, como já mencionado, e na violência extremamente gráfica toda artesanal, que garante uma seboseira danada com muito sangue em tela. Infelizmente, a maquiagem dá uns vacilos como na deformidade do rosto da protagonista, o que as vezes fica bem fake. Há também umas cenas toscas aqui e ali, mas os pontos fracos mesmos estão mais em alguns personagens que poderiam simplesmente nem existir, tipo o boyzinho que fica enchendo o saco da moça o filme todo.

Esta nova versão de “RABID” peca por tentar acrescentar mais elementos à trama do que ele precisaria de fato, mas nada que estrague a sua experiência. No fim das contas, o remake das Irmãs Soska agrada e acaba fazendo “bonito”. Pena que esta refilmagem passou meio batida pelo público do gênero e pouco se falou a respeito. Quem ainda tá torcendo o nariz e ainda não viu, tá vacilando.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jen e Sylvia Soska
Roteiro: John Serge e Irmãs Soska
Elenco: Laura Vandervoort, Benjamin Hollingsworth, Ted Atherton
Ano de lançamento: 2019

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Eles Existem (2014)

Publicados

em

EXISTS_poster[1]

Por Júlio César Carvalho

Em 1999, a dupla Daniel Myrick e Eduardo Sánchez concebeu ao mundo o icônico A Bruxa de Blair (The Witch Blair Project) que chamou a atenção por deixar muita gente com a pulga atrás da orelha se perguntando se as imagens exibidas das tais fitas VHS achadas eram reais, ressuscitando assim o estilo found-footage já existente, porém, até então não tão popularizado. 15 anos depois, Eduardo Sánchez revisita estilo que o lançou, mas seria melhor que não o tivesse feito. (mais…)

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Trending