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CRÍTICA: Kairo (2001)

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O cinema de terror oriental quase sempre nos apresenta uma forma nova de contar uma história, refletir sobre o assunto e ainda causar medo. Kairo, também conhecido como Pulse, não é diferente. Apesar de ser de 2001, seus conceitos podem, a princípio, parecerem datados hoje em dia, mas aí você percebe que essa obra está mais atual do que poderíamos imaginar. 

Pulse_Kairo_7

Acompanhamos, em Tokio, a jovem Michi que investiga a morte do amigo que comete suicídio repentinamente, enquanto em outra cidade um rapaz chamado Ryosuke se depara com um site bizarro e recorre a uma técnica em informática para entender do que se trata. Em meio a aparições, suicídios e avisos sobre uma tal “sala proibida” e “fitas vermelhas”, seus caminhos se cruzam e percebem que todo o Japão está sofrendo uma espécie de epidemia suicida provocada pela internet. É com essa premissa aparentemente absurda que Kiyoshi Kurosawa, também responsável pelo ótimo thriller policial Kyua, ou Cure (1997), nos conduz nesse drama sobrenatural cheio de metáforas e questionamentos sobre a vida, solidão, medo e morte.

A direção é simples, direta e criativa. Não há o imediatismo do cinema americano aqui com seu ritmo lento. Essa cadência gera constantemente uma sensação de inquietude no espectador. Um belo exemplo disso é uma cena logo no início em que uma garota procura por seu amigo no apartamento dele e ao fundo é possível ver um vulto por traz de umas cortinas de plástico.

Ela fica estática e o espectador também, ficando assim por segundos e quando você já se acostuma com a aparição aceitando o susto que está por vir, a figura se revela um personagem vivo, causando um alívio na personagem e ao mesmo tempo em você. Esse tipo de coisa logo no começo já te deixa avisado que nem sempre o susto vai ser tão óbvio assim. Genial.

[Movie]Pulse (2001)_01

Os cenários são muito bem explorados com ótimos enquadramentos e movimentos de câmera eficazes. O jogo de luz e sombras também é sempre empregado a favor do resultado esperado. Não há cena gratuita. Há um momento na biblioteca onde o nosso protagonista sente uma presença estranha e resolve conferir de perto, nos conferindo uma ótima sequência. Os efeitos não são primorosos até para sua época, mas isso não compromete em nada. As atuações são boas com destaque para Haruhiko Kato, que vive o confuso e autêntico estudante Ryosuke.

O clima de mistério em Kairo é o ponto forte desse drama sobrenatural japonês. O roteiro não se dá ao trabalho de explicar às claras o que está acontecendo de fato. É o típico filme bom o qual provavelmente será preciso assistir novamente, menos tenso e mais focado no conceito apresentado.

O além aqui é mostrado quase que como um mundo paralelo, que, através de uma “brecha” provocada pela tecnologia, no caso a internet, os espíritos passariam a ter acesso ao mundo dos vivos com mais naturalidade. Os fantasmas não fazem mal diretamente, mas provocam uma transformação comportamental radical em quem os vê.

kairo-pulse-ghost

Kairo é um filme de horror que usa a sugestão constante como principal arma. Começa misterioso e termina mais ainda. Não que faltem conclusões, mas que as apresentadas só levam a outras situações piores. É interessante perceber que tudo nos leva a crer num possível apocalipse fantasmagórico ativado pela tecnologia, ideia que, além de soar bizarra, é bem assustadora.

Detalhe que Kairo é tão interessante que ganhou um remake americano chamado Pulse em 2006, tendo este duas continuações e virando uma trilogia bem mal sucedida, no lado de cá do globo e, provavelmente, no lado de lá também.

Veredicto: ALTAMENTE RECOMENDADO.

Direção: Kiyoshi Kurosawa
Roteiro: Kiyoshi Kurosawa
Elenco: Haruhiko Katô, Kumiko Asô, Koyuki
Origem: Japão

https://www.youtube.com/watch?v=JyDf4igNJ38

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Anarquista, quase cinéfilo, diretor de arte, fotógrafo, cervejeiro, rockeiro doido e crítico/podcaster do Toca o Terror

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1 comentário

  1. Natália Flores

    2 de novembro de 2015 às 22:05

    Nossa, eu acabei de ver esse filme e achei voces quando eu tava pesquisando sobre o que o filme significava. Eu entendi outra coisa completamente diferente.
    Dado que as salas proibidas são descritas como lugares que os fantasmas usam para atravessar para o mundo humano e que todos os personagens após estarem em uma delas se matam ou desaparecem, eu cheguei a conclusão que estes sim são os fantasmas. No inicio do filme eles comentam uma super população no mundo dos espiritos, sendo esse o motivo para eles virem para o mundo dos humanos. No final do filme vemos a situação oposta, a maioria das pessoas desapareceram (não existem cadáveres, não existe ninguém) e a personagem principal fala que decidiu ficar e esperar pelo próximo passo. É muita viagem minha?

    • clauber torres

      19 de agosto de 2016 às 00:05

      Onde você viu esse filme? estou procurando pela net com legenda e não acho.

      • judd Cruz

        31 de julho de 2017 às 19:57

        Eu ate achei o filme já com a legenda embutida no bom asianmundi mas a legenda ta fora de sincronia, muito rápida, também baixei em outro site, mas mas o mesmo veio com legendado em inglês com a legenda português separada, quando eu adiciono a legenda em português, ela não permanece, so continua a legenda em inglês. Quem puder me ajudar por favor entra em contato comigo, quero muito esse filme com legendas em português.

      • Mrcloud

        15 de novembro de 2019 às 22:54

        Aqui no Youtube, é só ativar as legendas.
        https://www.youtube.com/watch?v=NfaxVzZPGgo&t=4404s

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CRÍTICA: Eles Vão Te Matar (2026)

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Eles Vão Te Matar

Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).

Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantinemeets Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.

Escala de tocância de terror:

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z

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CRÍTICA: Obsessão (2026)

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Obsessão

Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.

E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.

Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.

No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.

Escala de tocância de terror:

Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife

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CRÍTICA: Passageiro do Mal (2026)

O trailer de “Passageiro do Mal” já avisava que vinha clichê por aí, mas a minha mente insistiu no clássico “vai que é bom”. Não era.

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Passageiro do Mal

Passageiro do Mal” (Passenger) surgiu do nada (pelo menos para mim) nos últimos meses e, mesmo achando o trailer extremamente genérico e clichê, fiquei tentado a dar uma conferida. No fundo da minha mente ecoava: “vai que é bom e você está só sendo chato”. Então, com a estreia, decidi me arriscar no cinema e tirar minhas conclusões, que veremos a seguir.

A história segue um jovem casal que decide trocar a vida em um grande centro urbano pela aventura de viver pelo campo. Só que eles encontram o terror quando viram alvos de uma entidade demoníaca que caça vidas pelas rodovias. A questão é se eles vão seguir o caminho certo ou acabar dirigindo para a morte certa.

Olha, eu até gosto de filmes ruins quando eles se assumem dessa maneira. Acho, no geral, os filmes da The Asylum divertidíssimos, mas em “Passageiro do Mal” os realizadores foram para a direção mais clichê e imbecil possível, além de se levarem a sério demais. Eu me senti de volta ao início dos anos 2000, época em que filmes de assombração como este apareciam a rodo nos cinemas.

Os protagonistas são sem sal, com pouco carisma e desenvolvimento, enquanto os coadjuvantes são folhas em branco de tão rasos. A ameaça tem um visual bem questionável e pertence àquela categoria de vilões sobrenaturais que, assim que aparecem na tela, soltam um grito “assustador”.

A direção e o roteiro estão de mãos dadas na tentativa de assustar de uma forma que virou piada há décadas. Todas as tentativas de susto são extremamente telegrafadas, e as cenas de gore com CGI ruim enterraram de vez o longa. O diretor que tinha mostrado seu talento nos longas “A Autópsia” e “A Última Viagem do Deméter“, pareceu que aqui só estava interessado no contracheque mesmo.

Um filme claramente descartável que deveria ser uma sobra de streaming, mas que jogaram no cinema para pegar besta e masoquista. Neste caso, fui os dois. Aconselho você a respeitar o seu dinheiro e fazer outra coisa com o valor do ingresso.

Escala de tocância de terror:

Título original: Passenger
Direção: André Øvredal
Roteiro: Zachary Donohue e T.W. Burgess
Elenco: Melissa Leo, Lou Llobell, Jacob Scipio e outros
Duração: 94 min

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