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Críticas

CRÍTICA: A Maldição da Chorona (2019)

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[Por Jarmeson de Lima]

Vou direto ao ponto… faz tempo que não via um filme tão enfadonho e medíocre como “A Maldição da Chorona“. É o sinal de que a fórmula de copiar e colar os clichês da Blumhouse não estão mais surtindo os efeitos que deveriam. Até o visual da Chorona se parece com o da Freira para tentar pegar uma lasquinha do sucesso da antecessora. Por isso é que me espantaria muito se isso vier a fazer sucesso.

Temos aqui a tentativa de levar às telas mundiais uma história que se baseia numa conhecida lenda mexicana. Até o seriado Chaves já fez menção ao tal mito no clássico episódio sobre os “Espíritos Zombeteiros“. Coincidentemente, o sobrenome do diretor também é Chaves, mas no caso, o Michel não fez um filme engraçado, apesar das risadas involuntárias que dei durante o filme.

Na sua introdução, a gente vê muito rapidamente como a personagem que dá nome ao filme caiu em desgraça nos idos do Século XVII. Uma linda mulher casou-se com um rico fazendeiro e teve com ele dois filhos. Ao ver que ele a traiu com outra, resolveu se vingar e matou as suas crianças! (OI?!) Ao perceber o que tinha feito, arrependeu-se e começou a chorar compulsivamente (mais ou menos como certas pessoas hoje em dia após a última eleição).

Trezentos anos se passam e uma família mexicana em Los Angeles se vê enfrentando o espírito possessivo da Chorona que quer ficar com suas crianças para repor a prole. Engana-se, no entanto, quem pensa que a fantasma ataca de uma vez e pronto… ela vai aos poucos deixando sua marca para só depois de uns dias sacrificar os pequenos. Por qual motivo? Nunca saberemos…

Assim como acontece em vários filmes ruins, a personagem tenta alertar do ocorrido, mas ninguém acredita nela e nem na lenda. E por conta das ausências de seus filhos na escola, a mãe é denunciada ao Conselho Tutelar. É neste momento que somos apresentados ao núcleo central do filme em que uma assistente social viúva de dois filhos passa a herdar a ameaça do fantasma latino.

Em meio ao ceticismo do caso anterior mas sendo testemunha ocular de fatos inexplicáveis, a mãe de família branca recorre à Igreja Católica, onde o padre que prontamente sabe de tudo indica a ajuda de um “curandeiro” que estava benzendo pessoas em um funeral. O “curandeiro”, claro, é um mexicano. Mas não basta ele conhecer a fundo as lendas do seu país, ele ainda é um ex-padre que basicamente age como exorcista nas horas vagas.
Esqueça “Superação“! O verdadeiro “Milagre da Fé” está aqui.

Isso tudo acontece em meia hora. Tempo suficiente para me sentir entediado e torcer para que os 60 minutos restantes passem rápido. Infelizmente não passaram. Serviram apenas para repetir clichês e cenas que poderiam estar em qualquer outra produção do horror mainstream nos últimos dez anos. E pra quem tem esperanças de ter bons sustos no cinema, saiba que até essa pegadinha do SBT é mais apavorante.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Curse of La Llorona
Diretor: Michael Chaves
Roteiro: Mikki Daughtry e Tobias Iaconis
Elenco: Linda Cardellini, Raymond Cruz, Patricia Velasquez
País de origem: EUA

P.S.: Por ter produção de James Wan, “A Maldição da Chorona” ainda recebeu a participação especial de um personagem de seu “universo”. Arrisca advinhar quem seria?

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3 Comments

3 Comments

  1. Stuart Marcelo

    17 de abril de 2019 at 10:27

    Hhahahuahuahahahauh nos últimos 2 anos venho compilando uma lista de 100 filmes ruins (mas que são extremamente divertidos). Em geral entra produções toscas dos anos 80, mas volta e meia arrisco uma nova, como Deuses do Egito (2017), que é tão tosco que me diverti pra caralho.
    Vai que a chorona entra pra lista?

  2. Israel Maciel

    22 de abril de 2019 at 23:11

    Minha expectativa era bem baixa, fui mais pela referência ao episódio de “Chaves” q por qq coisa, por isso não me decepcionei, só esperei acabar e aproveitei a gritaria e as tentativas excessivas de jump scares.

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CRÍTICA: Passageiro do Mal (2026)

O trailer de “Passageiro do Mal” já avisava que vinha clichê por aí, mas a minha mente insistiu no clássico “vai que é bom”. Não era.

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Passageiro do Mal

Passageiro do Mal” (Passenger) surgiu do nada (pelo menos para mim) nos últimos meses e, mesmo achando o trailer extremamente genérico e clichê, fiquei tentado a dar uma conferida. No fundo da minha mente ecoava: “vai que é bom e você está só sendo chato”. Então, com a estreia, decidi me arriscar no cinema e tirar minhas conclusões, que veremos a seguir.

A história segue um jovem casal que decide trocar a vida em um grande centro urbano pela aventura de viver pelo campo. Só que eles encontram o terror quando viram alvos de uma entidade demoníaca que caça vidas pelas rodovias. A questão é se eles vão seguir o caminho certo ou acabar dirigindo para a morte certa.

Olha, eu até gosto de filmes ruins quando eles se assumem dessa maneira. Acho, no geral, os filmes da The Asylum divertidíssimos, mas em “Passageiro do Mal” os realizadores foram para a direção mais clichê e imbecil possível, além de se levarem a sério demais. Eu me senti de volta ao início dos anos 2000, época em que filmes de assombração como este apareciam a rodo nos cinemas.

Os protagonistas são sem sal, com pouco carisma e desenvolvimento, enquanto os coadjuvantes são folhas em branco de tão rasos. A ameaça tem um visual bem questionável e pertence àquela categoria de vilões sobrenaturais que, assim que aparecem na tela, soltam um grito “assustador”.

A direção e o roteiro estão de mãos dadas na tentativa de assustar de uma forma que virou piada há décadas. Todas as tentativas de susto são extremamente telegrafadas, e as cenas de gore com CGI ruim enterraram de vez o longa. O diretor que tinha mostrado seu talento nos longas “A Autópsia” e “A Última Viagem do Deméter“, pareceu que aqui só estava interessado no contracheque mesmo.

Um filme claramente descartável que deveria ser uma sobra de streaming, mas que jogaram no cinema para pegar besta e masoquista. Neste caso, fui os dois. Aconselho você a respeitar o seu dinheiro e fazer outra coisa com o valor do ingresso.

Escala de tocância de terror:

Título original: Passenger
Direção: André Øvredal
Roteiro: Zachary Donohue e T.W. Burgess
Elenco: Melissa Leo, Lou Llobell, Jacob Scipio e outros
Duração: 94 min

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CRÍTICA: Faces da Morte (2026)

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Faces da Morte

Uma rápida pesquisa na internet te explica o que é o Faces da Morte de 1978. Sucesso nas locadoras de vídeo nos anos 80 e 90, a fita era um documentário que prometia cenas de morte reais, algo dificílimo de acessar naquela época. No entanto, muito do que aparece na tela são encenações.

Foi apostando na ‘força’ dessa joça e na ‘memória afetiva’ dos fãs (!), que Daniel Goldhaber e Isa Mazzei escreveram o seu metalinguístico Faces da Morte (Faces of Death, 2026). O curioso é que o filme até consegue criar um bom clima de suspense e levantar questões interessantes. Mas isso só dura até a página 2.

Margot (Barbie Ferreira) trabalha como moderadora de conteúdo em uma plataforma de vídeos. Sofrendo mais do que uma prisioneira da escala 6×1, nossa heroína passa o dia assistindo a todo tipo de porcaria postada pelos usuários. Ela veta ou autoriza o que pode ir para a web.

Um belo dia, aparece em seu monitor a filmagem de uma suposta execução, que a deixa com uma pulga atrás da orelha. Margot, na dúvida, autoriza o conteúdo, achando que é um assassinato fake. Dias depois, outro vídeo nos mesmos moldes a deixa mais desconfiada ainda. É então que ela resolve investigar.

Sem cerimônias, já somos apresentados ao vilão. Arthur Spevak (Dacre Montgomery) é um serial killer/hacker/videomaker, com fixação por fama e muito fã do filme de 1978. É ele quem está postando as imagens que chegam até Margot. Seus assassinatos são reconstituições das cenas vistas no Faces da Morte original.

No começo, o roteiro traça um paralelo interessante sobre o que era tabu no passado e como a violência ficou banalizada em tempos de redes sociais. A própria Margot carrega um passado traumático, depois que uma brincadeira feita para a internet terminou em tragédia pessoal.

A investigação pelos fóruns online criam uma tensão legal também. A deep web podia ser uma parte interessante da trama, mas Daniel Goldhaber (que além de roteirista é o diretor) resolveu que sua obra deveria ser apenas um slasher.

Aí virou filme de assassino mascarado, que sequestra suas vítimas e as tortura psicologicamente, antes de sacramentar o crime. E a criatividade foi de arrasta pra cima.

O psicopata vivido por Dacre Montgomery deveria entregar um comportamento passivo-agressivo, mas o texto é ruim demais para lhe dar credibilidade. Cada frase de efeito é um deslize. Fazer o personagem dizer que está referenciando Faces da Morte porque “todo mundo ama um remake” talvez tenha sido o ápice dessa lambança.

A carismática Margot também fica com sua cota de clichês. Pela milésima vez na história do terror, temos uma protagonista na qual ninguém acredita, por causa do seu ‘passado complicado’. Para piorar, ela ainda começa a fazer burradas em prol das conveniências de roteiro.

Acabou que, assim como seu “avô” de 1978, esse novo Faces da Morte nos enganou. O antigo, porém, entrou para a história pela picaretagem. Esse aqui vai cair no esquecimento rapidinho.

Escala de tocância de terror:

Direção: Daniel Goldhaber
Roteiro: Daniel Goldhaber e Isa Mazzei
Elenco: Barbie Ferreira, Dacre Montgomery e Josie Totah
Origem: EUA

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CRÍTICA: Obsessão (2026)

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Obsessão

Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.

E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.

Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.

No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.

Escala de tocância de terror:

Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife

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