Críticas
CRÍTICA: As Fábulas Negras (2015)

Rodrigo Aragão, diretor de Mangue Negro (2008), A Noite do Chupacabras (2011) e Mar Negro (2013) lança seu mais novo longa, As Fábulas Negras. Projeto que envolve, além dele, claro, alguns dos principais nomes do gênero no país como Petter Baiestorf e Joel Caetano. E pra fechar com chave de ouro, nada mais que José Mojica Marins (Sim!! José Mojica Marins, porra!!!!).

“Mané Castelo Rá-tim-bum, rapá! Isso é coisa de criança! Prefiro trabalhar com Rodrigo Aragão”
O filme começa com um grupo de crianças fantasiadas de super-heróis (criação deles mesmos, nada de paladinos cruzados imperialistas!!! Desculpem… me empolguei) que brincam na mata e que decidem contar “causos” aterrorizantes, num tipo de disputa pra ver quem assusta mais. As histórias eu conto a seguir…
O Monstro do Esgoto

O segmento que abre a antologia conta a história de um prefeito corrupto que desvia verbas de saneamento (entre outras) deixando a cidade, literalmente, se atolar na merda. Mas aqui se faz e aqui se paga, né? O diretor Rodrigo Aragão coloca em prática toda sua experiência na área dos efeitos e maquiagem garantindo ao espectador muita tripa, miolos e sangue. Gore de primeira!
Pampa Feroz

♪ ♫ Meu cãozinho Xuxo / O que eu sinto por você / Só com palavras / Não sei dizer ♪ ♫
Nesse segmento, Petter Baiestorf nos traz uma tradicional história de lobisomem com gostinho de chimarrão e muito humor negro! Os capatazes de um fazendeiro (interpretado pelo eterno parceiro do diretor, Cesar “Coffin” Souza) estão sendo assassinados de forma violenta e misteriosa. Seria obra de um lobisomem ou isso é “crendice popular”? O jagunço que resolve “investigar” o caso, vai descobrir da pior maneira…
O Saci

Lembram das travessuras do saci do Sítio do Pica Pau Amarelo? Multiplica por 1000, joga sangue por cima e vc tem uma breve previsão do que o casal protagonista vai passar ao se meter com essa criatura da mata! Quem manda ignorar os avisos do preto velho (interpretado pelo sensacional Markus Konká)?!! É ótimo ver Mojica (Sim!! José Mojica Marins, porra!!!!) na frente e por trás das câmeras nesse segmento.
A Loira do Banheiro

Quem nunca ouviu falar da “menina do algodão” ou da “loira do banheiro? Pois é… o terror dos banheiros colegiais agora chega às telas do cinema numa história intrigante e bem diferente de outras produções que envolvem a personagem. Da trupe reunida pra essa antologia, Joel Caetano pode ser considerado “o 9vinho” mas, com certeza, tem um futuro brilhante pela frente.
A Casa de Iara

Acho esse segmento, dirigido por Aragão, o créme-de-la-créme (ui!) da antologia. Iara, que é rejeitada por seu marido por causa de uma amante, vai contar com a ajuda do próprio Cramunhão (Walderrama dos Santos, a eterna cobaia dos quilos de maquiagens de Rodrigo) para realizar uma terrível vingança. Além da história que dispensa diálogos, de toda sensualidade reprimida (no caso da esposa, interpretada pela ótima Kika Oliveira) ou nada reprimida (no caso da amante, interpretada por Márcia Coqueiro. Oi, Márcia! Caso você espirre, saúde!), o conto ainda se mescla com o segmento dos meninos e fecha a obra com um final pra lá de interessante.
Enfim… Assistir As Fábulas Negras é ter o prazer de ver uma galera com vontade de fazer cinema de horror, fortalecendo nomes tanto na direção quanto nas atuações e revelando outros (tipo as crianças, que estão ótimas!). Você acaba de ver o filme e já fica na expectativa do que vem por aí pela frente. Que essa turma bacana continue o excelente trabalho e que venham As Fábulas Negras 2, 3, 4…


Título original: As Fábulas Negras
Direção Geral: Rodrigo Aragão
Direção: Rodrigo Aragão, Petter Baiestorf, Joel Caetano e José Mojica Marins (Sim!! José Mojica Marins, porra!!!!)
Roteiro “Crianças na Mata”, “O Monstro do Esgoto” “O Saci” e “A Casa de Iara”: Rodrigo Aragão
Roteiro “Pampa Feroz”: Petter Baiestorf
Roteiro “A Loira do Banheiro”: Joel Caetano
Elenco: Cesar Souza, Markus Konká, Kika Oliveira e Walderrama dos Santos
Origem: Brasil
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Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).
Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantine” meets “Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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“Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.
E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.
Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.
No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.
Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife
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Críticas
CRÍTICA: Passageiro do Mal (2026)
O trailer de “Passageiro do Mal” já avisava que vinha clichê por aí, mas a minha mente insistiu no clássico “vai que é bom”. Não era.

“Passageiro do Mal” (Passenger) surgiu do nada (pelo menos para mim) nos últimos meses e, mesmo achando o trailer extremamente genérico e clichê, fiquei tentado a dar uma conferida. No fundo da minha mente ecoava: “vai que é bom e você está só sendo chato”. Então, com a estreia, decidi me arriscar no cinema e tirar minhas conclusões, que veremos a seguir.
A história segue um jovem casal que decide trocar a vida em um grande centro urbano pela aventura de viver pelo campo. Só que eles encontram o terror quando viram alvos de uma entidade demoníaca que caça vidas pelas rodovias. A questão é se eles vão seguir o caminho certo ou acabar dirigindo para a morte certa.

Olha, eu até gosto de filmes ruins quando eles se assumem dessa maneira. Acho, no geral, os filmes da The Asylum divertidíssimos, mas em “Passageiro do Mal” os realizadores foram para a direção mais clichê e imbecil possível, além de se levarem a sério demais. Eu me senti de volta ao início dos anos 2000, época em que filmes de assombração como este apareciam a rodo nos cinemas.
Os protagonistas são sem sal, com pouco carisma e desenvolvimento, enquanto os coadjuvantes são folhas em branco de tão rasos. A ameaça tem um visual bem questionável e pertence àquela categoria de vilões sobrenaturais que, assim que aparecem na tela, soltam um grito “assustador”.

A direção e o roteiro estão de mãos dadas na tentativa de assustar de uma forma que virou piada há décadas. Todas as tentativas de susto são extremamente telegrafadas, e as cenas de gore com CGI ruim enterraram de vez o longa. O diretor que tinha mostrado seu talento nos longas “A Autópsia” e “A Última Viagem do Deméter“, pareceu que aqui só estava interessado no contracheque mesmo.

Um filme claramente descartável que deveria ser uma sobra de streaming, mas que jogaram no cinema para pegar besta e masoquista. Neste caso, fui os dois. Aconselho você a respeitar o seu dinheiro e fazer outra coisa com o valor do ingresso.
Título original: Passenger
Direção: André Øvredal
Roteiro: Zachary Donohue e T.W. Burgess
Elenco: Melissa Leo, Lou Llobell, Jacob Scipio e outros
Duração: 94 min
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opoderosochofer
27 de fevereiro de 2015 às 09:29
Tem previsão de quando estreará de fato?
Como é que Bosco sabe a canção do cachorro Xuxo?