Críticas
CRÍTICA: Bairokêshon (2013)
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[Por Júlio César Carvalho]
Antes de tudo, é preciso esclarecer que Bairokêshon não é bem um “filme de terror”, mas sim, um suspense com tema sobrenatural. Na trama, uma pintora conhece um rapaz, casa e vive uma vida rotineira, mas tudo começa desabar ao descobrir que existe uma cópia sua aprontando por aí. Não demora, ela descobre que não é a única a ter duplicadas e se junta a um grupo de apoio a pessoas com o mesmo problema. Daí nos é apresentado, pelo líder do grupo, o fenômeno chamado de “bilocação”.
Segundo ele, as tais cópias seriam uma materialização dos sentimentos mais intensos e reprimidos que, consequentemente, isso se tornaria um perigo em potencial para a vida dos originais. Dito isso, paro por aqui para evitar spoilers sobre esta ótima premissa. Sobre o fenômeno em si, claro que o roteiro cria sua versão, mas se tiverem curiosidade em se aprofundar no assunto, tem muita fonte de pesquisa na internet.
Os personagens são cativantes. Cada personalidade, tanto dos originais como de suas “bilocações”, é bem desenvolvida e cria o vínculo necessário com o espectador. O ótimo roteiro acerta em mostrar que nem sempre a cópia é necessariamente má evitando o maniqueísmo básico e superficial que estamos acostumados do cinema yankee. Além do casal protagonista, todas as subtramas são muito bem exploradas e se resolvem satisfatoriamente. As atuações são acima da média, como a protagonista vivida pela bela Mizukawa Asami. Também merece destaque para a atriz Sakai Wakana que interpreta uma mãe que protege seu o filho enfermo de seu alter ego materializado.
A ótima direção fica a cargo da já experiente no estilo Mari Asato, que também assina o roteiro. Sempre com muita paciência, sutileza e precisão, Asato sabe o quê e como mostrar tudo, de uma maneira muito eficaz. Por exemplo, a cena onde vemos pela primeira vez a “bilocação” da protagonista é simples, bela e assustadora. Lembrando que o longa não se vale de sustos gratuitos sempre te pegando de surpresa. Vale conferir a filmografia da cineasta que, inclusive, está adaptando a versão cinematográfica do clássico, e cabuloso, jogo de horror do Playstation 2: Fatal Frame.
Tecnicamente, Bairokêshon é acima da média. A fotografia não usa uma paleta de cores chamativas mantendo assim um tom mais realista. Os efeitos visuais são simples e eficazes, servindo apenas a trama evitando impressionar gratuitamente. Um detalhe nos olhos das duplicatas pode parecer tosco (ou cômico) e causar incomodo de início, mas com o decorrer do longa acabamos nos acostumando.
Apesar de ter uma pequena queda de ritmo na sua primeira metade, é um bom filme em vários os sentidos. Reviravolta é o que não falta aqui sendo todas bem dosadas durante o desenrolar. Em suma, é um filme que gera debate e tem um final, que diante de tanta covardia e mediocridade ocidental, se mostra corajoso, cruel e apropriado.


Ah! Não é querendo soar pessimista, mas, já soando, não me surpreenderia se Hollywood anunciasse um remake desta obra de arte. Provavelmente com uma versão mais rala do roteiro, mais focada no romance. Com a devida campanha de marketing e os astros da nova geração, bombaria nas bilheterias fácil! Claro que o final seria genérico pra virar uma franquia… enfim, parei com o agouro.
Direção: Mari Asato
Roteiro: Mari Asato (baseado na obra de Haruka Hôjô)
Elenco: Asami Mizukawa, Yôsuke Asari, Chûkichi Kubo
Origem: Japão
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Críticas
CRÍTICA: Maldição da Múmia (2026)

A múmia enquanto personagem no universo de terror surgiu há cerca de 96 anos com a obra homônima estrelada por Boris Karloff. Naquela produção, já se exploravam temas como imortalidade e ressurreição mediante sacrifícios a deuses e divindades egípcias. Com o passar do tempo, o interesse dos produtores pela temática levou à exaustão do subgênero.
Após um hiato, a ideia de uma franquia foi resgatada no final dos anos 90 sob a forma de aventura e comédia com Brendan Fraser. Dezoito anos depois e nove anos atrás, Tom Cruise protagonizou outra versão, desta vez com uma abordagem mais voltada ao horror e à ficção científica, mesclando personagens de um universo literário compartilhado, contando com o Dr. Jekyll e o Mr. Hyde, por exemplo.

Essa tentativa de reboot com monstros clássicos acabou engavetada devido ao fracasso de público e crítica. Foi então que a Blumhouse assumiu a missão de revisitar esses personagens sob um novo viés.
Pelo estúdio, tivemos o excelente “O Homem Invisível”, o regular “Lobisomem” e agora, enfim, “Maldição da Múmia“, que se mostra uma obra essencialmente confusa. Quem assumiu as rédeas desta releitura foi Lee Cronin, assinando a direção e o roteiro, após ganhar notoriedade com A Morte do Demônio: A Ascensão.

Possivelmente animado com a possibilidade de fazer outro filme para a franquia de Sam Raimi, Cronin pegou uma coisa e outra de mitologia egípcia para disfarçar uma história que muito se assemelha às tramas de possessão demoníaca de Evil Dead. Confira:
– Criança frágil, porém sequelada, agindo de forma cruel e violenta com seus entes queridos ✔️
– Entidade demoníaca que se comunica com grunhidos, mas disfarça uma voz doce pra enganar as pessoas ✔️
– Professor/Arqueólogo que pega uma gravação antiga para revelar que existe um culto demoníaco ✔️
– Gore, Vômito Preto, Automutilação, Gosma e Pele Arrancada ✔️
E onde está a múmia nessa história toda? A conexão com o mito das múmias ancestrais é tênue e surge apenas no início da trama, situada no Egito. Uma família tem sua filha sequestrada. Foi dada como desaparecida e só depois de anos, descobrem que ela estava confinada em um sarcófago (!).
Nisso ae entra em ação o CSI do Cairo com uma policial/investigadora obstinada que constrasta com uma equipe médica negligente, que libera a criança “mumificada” em estado catatônico para o convívio familiar porque seria melhor para ela assim (!!). Nesse ponto, o filme descamba para uma sucessão de situações sem sentido e soluções convenientes, tornando-se um drama familiar com toques de terror.

E a culpa, logo iremos descobrir, que é de um antigo demônio egípcio que destrói lares e coloca familiares uns contra os outros. Podia ser coisa do Necronomicon, mas é só um espírito zombeteiro de cinco mil anos atrás que passa de uma pessoa a outra como num ritual que Cronin viu em “Faça Ela Voltar” e curtiu.
Sim, ele foi capaz de mesclar tudo isso num filme que remete muito pouco à mitologia das múmias. Até tem uma pirâmide subterrânea em uma casa, mas isso, assim como outras coisas, não faz sentido ou não é explicado.

Com uma duração excessiva de mais de duas horas, “Maldição da Múmia” não apresenta novidades. Nem é essa coisa toda horripilante e grotesca… até pode ser para quem não está tão acostumado a cenas mais fortes.
Mas para quem já assistiu aos filmes que o inspiraram, este novo longa soa como uma cópia simplória de fórmulas já consagradas no gênero. E nem dá para culpar o faraó pelo resultado.
Título original: The Mummy
Direção: Lee Cronin
Roteiro: Lee Cronin
Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy, Hayat Kamille e outros
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovido pela Espaço Z
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CRÍTICA: Ataque Brutal (2026)

A Netflix ataca mais uma vez com um filme de tubarão: “Ataque Brutal” (Thrash). Anunciado meio que de surpresa no mês passado, a gigante do streaming tenta novamente emplacar um sucesso com o terror dos mares e rios. Depois de ter lançado, em 2024, “Sob as Águas do Sena“, agora ela traz o diretor do divertido “Zumbis na Neve” (2009) para comandar essa empreitada.
Vamos à história… Uma pequena cidade na costa dos EUA tem sua rotina drasticamente mudada quando um furacão de escala 5 avança em sua direção. A grande maioria dos moradores decide evacuar, mas alguns desafortunados acabam ficando e terão de lidar com algo pior que a destruição causada pelo fenômeno da natureza: famintos tubarões que aparecem nas ruas inundadas.

Logo de cara, não dá para não lembrar do bem superior “Predadores Assassinos” (2019), cuja premissa é bem similar. A diferença maior entre os longas é que o filme dos crocodilos é uma aula de tensão e horror, enquanto este exemplar com tubarões serve mais como uma paródia.
Os personagens são rasos e as situações vivenciadas por eles são bem clichês e previsíveis; não criei vínculo com nenhum. O fato de saber o destino dos protagonistas tira qualquer chance de criar tensão, além de o roteiro ser muito didático e ter alguns diálogos bem ruins.

As cenas de ataques são fracas; geralmente, as águas ficam vermelhas e as pessoas são jogadas e arrastadas de um canto a outro. Poderia ser mais gore.
Os efeitos são, no geral, aceitáveis, mas há momentos onde o fundo verde grita. Isso pode tirar a imersão de muitos, mas não tirou a minha porque já estou acostumado a cada tosquice de filme de tubarão que me sinto meio “vacinado”. “Ataque Brutal” é um filme fraco que poderia ter sido muito mais, só que, por ser bem curto, talvez entregue uma possibilidade de diversão rasteira.
Título original: Thrash
Direção: Tommy Wirkola
Roteiro: Tommy Wirkola
Elenco: Phoebe Dynevor, Dijimon Hounsou e outros
Ano de lançamento: 2026
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CRÍTICA: Eles Vão Te Matar (2026)

Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).
Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantine” meets “Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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