Críticas
CRÍTICA: Pobres Criaturas (2024)

Não espere nada de convencional do mesmo diretor que fez “O Lagosta” e “O Sacrifício do Cervo Sagrado“. Diferente do que acharam há um tempo antes da estreia, “Pobres Criaturas” (Poor Things) não é só uma releitura do mito de Frankenstein. Aliás, até pode ser, mas só que do jeitinho de Yorgos Lanthimos. Um jeitinho peculiar que lhe rendeu várias indicações ao Oscar.

Mas vamos aos fatos… “Pobres Criaturas” é adaptado do livro de mesmo nome lançado em 1992 pelo escritor britânico Alasdair Gray, falecido há cinco anos. Bem, a obra de Gray tem uma grande dose de esquisitice que cai como uma luva pro estilo de Yorgos. Detalhe: Tudo o que aparece de bizarro no filme vai sendo mostrado sem maiores explicações prévias, indo deste os gansochorros às parafernálias da mansão do cientista. Fica a cargo do espectador aceitar e ir se acostumando com o espetáculo de insanidades que vai do início ao fim da trama.
Somos apresentados ao nobre doutor GODwill Baxter (Willem Dafoe), cientista que na virada do século XIX vem brincando de deus experimentando coisas com seres vivos. E por ser professor de anatomia, mexer com cadáveres não é algo difícil pra ele. Sendo que até então não tinha conseguido encontrar um corpo natimorto para tentar reanimar.
E é aí que as “vidas” de Bella e de Godwill se cruzam e vivem como se fossem uma família. Sendo que Bella renasceu após o doutor transplantar o cérebro dela com o do bebê que ela carregava na barriga após uma tentativa de suicídio ao pular de uma ponte.

Tá esquisito o suficiente? Então se segura que isso é apenas o início do filme. E a partir daí a história vai piorando ou melhorando a partir daí a depender de sua interpretação. Vemos Bella (Emma Stone) aprender a se locomover sozinha num corpo de adulta e balbuciar palavras enquanto tenta encontrar sentido no seu dia a dia dentro de um casarão enquanto também vai (re)descobrindo sua própria sexualidade.
Depois desse primeiro momento, o filme engata uma marcha e começa a explorar outros cenários e situações assim como a personagem deseja. Pouco a pouco vemos a personagem Bella Baxter tomar consciência do que está acontecendo ao seu redor e passa de uma criatura de poucas palavras para uma mulher que lê Goethe e questiona a hipocrisia e suposta polidez da sociedade.

E de certa forma, isso sim, guarda semelhanças com a obra de Mary Shelley quando vemos a criatura adquirir maior racionalidade e questionar seu papel no mundo. Além disso, de maneira intencional, Yorgos ainda faz alusões ao filme “Frankenhooker” com enquadramentos, planos e poses de Emma Stone.
Como se não bastasse essa trama incomum, temos o visual do filme que é deslumbrante junto dos figurinos usados por Bella Baxter. A direção de arte sai de sequências em preto e branco em uma casa para externas em cenários de cidades como Lisboa e Paris em um colorido saturado para demonstrar junto à personagem de Bella o quão fantástico pode ser o mundo lá fora.
Espere até o final o inesperado porque nesta história as “Pobres Criaturas” não são só as que foram concebidas pela ciência. É um filme fantástico em todos os sentidos e para todos os sentidos.
Título original: Poor Things
Direção: Yorgos Lanthimos
Roteiro: Tony McNamara e Alasdair Gray (livro)
Elenco: Emma Stone, Willem Dafoe, Mark Ruffalo, Ramy Youssef e outros
Ano de lançamento: 2024
* Filme visto em Cabine de Imprensa realizada pela Espaço Z no Cinemark RioMar
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Críticas
CRÍTICA: Ataque Brutal (2026)

A Netflix ataca mais uma vez com um filme de tubarão: “Ataque Brutal” (Thrash). Anunciado meio que de surpresa no mês passado, a gigante do streaming tenta novamente emplacar um sucesso com o terror dos mares e rios. Depois de ter lançado, em 2024, “Sob as Águas do Sena“, agora ela traz o diretor do divertido “Zumbis na Neve” (2009) para comandar essa empreitada.
Vamos à história… Uma pequena cidade na costa dos EUA tem sua rotina drasticamente mudada quando um furacão de escala 5 avança em sua direção. A grande maioria dos moradores decide evacuar, mas alguns desafortunados acabam ficando e terão de lidar com algo pior que a destruição causada pelo fenômeno da natureza: famintos tubarões que aparecem nas ruas inundadas.

Logo de cara, não dá para não lembrar do bem superior “Predadores Assassinos” (2019), cuja premissa é bem similar. A diferença maior entre os longas é que o filme dos crocodilos é uma aula de tensão e horror, enquanto este exemplar com tubarões serve mais como uma paródia.
Os personagens são rasos e as situações vivenciadas por eles são bem clichês e previsíveis; não criei vínculo com nenhum. O fato de saber o destino dos protagonistas tira qualquer chance de criar tensão, além de o roteiro ser muito didático e ter alguns diálogos bem ruins.

As cenas de ataques são fracas; geralmente, as águas ficam vermelhas e as pessoas são jogadas e arrastadas de um canto a outro. Poderia ser mais gore.
Os efeitos são, no geral, aceitáveis, mas há momentos onde o fundo verde grita. Isso pode tirar a imersão de muitos, mas não tirou a minha porque já estou acostumado a cada tosquice de filme de tubarão que me sinto meio “vacinado”. “Ataque Brutal” é um filme fraco que poderia ter sido muito mais, só que, por ser bem curto, talvez entregue uma possibilidade de diversão rasteira.
Título original: Thrash
Direção: Tommy Wirkola
Roteiro: Tommy Wirkola
Elenco: Phoebe Dynevor, Dijimon Hounsou e outros
Ano de lançamento: 2026
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Críticas
CRÍTICA: Eles Vão Te Matar (2026)

Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).
Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantine” meets “Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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CRÍTICA: A Noiva! (2026)

Passados dois séculos, Frankenstein segue vivaço na cultura pop. Menos de seis meses depois do lançamento do filme de Guillermo del Toro, chega aos cinemas A Noiva! (The Bride!). O longa, escrito e dirigido por Maggie Gyllenhaal, revisita o universo de Mary Shelley em um thriller noir carregado de empoderamento feminino.
Longe das montanhas e castelos decadentes do horror gótico, a história de A Noiva! começa na glamurosa Chicago da década de 1930. Ao aprontar umas e outras em um jantar repleto de homens perigosos, a jovem Ida (Jessie Buckley) acaba assassinada pelos capangas do chefe da máfia local.

Nesse mesmo espaço de tempo, o monstro de Frankenstein (Christian Bale) chega à cidade em busca da Dra. Euphronius (Annette Bening), renomada especialista em “reanimação”. Com várias súplicas e chantagens sentimentais, Frank convence a cientista a lhe ajudar na missão de conseguir uma companhia amorosa.
Assim, Ida acaba desenterrada e trazida de volta à vida, sem memória, predestinada a subir ao altar. A noiva, porém, é fodona e não está muito disposta a ser bela, recatada e do lar. Sua não submissão, no entanto, desperta ainda mais o interesse de Frank. Infelizmente, após brigarem em um inferninho local, o casal passa a ser perseguido pela polícia e embarca numa fuga pelos EUA.
Como esperado, Maggie Gyllenhaal usa os monstros de Shelley (e seus, agora) para montar uma fábula sobre os rejeitados pela sociedade, sobretudo os do sexo feminino. Seria piegas, se não fosse pelo roteiro esperto, que não deixa nada cair no melodrama. A protagonista não quer favor de ninguém, ela quer exatamente o que lhe pertence: o protagonismo.

Com esse papel, Jessie Buckley entra de vez no panteão das atrizes de destaque da atualidade. Arrastando tudo nesta temporada de premiações, por seu trabalho em Hamnet, a irlandesa está totalmente elétrica (com o perdão do trocadilho), dos trejeitos do que seria uma morta-viva reanimada, passando pelo visual e sotaque carregado. Em pouco mais de duas horas de filme, sua personagem vai de desapegada, à amante amorosa e a líder revolucionária, sem perder a personalidade do caos em pessoa.
Ao seu lado, Christian Bale entende perfeitamente seu status de coadjuvante e entrega um Frankenstein apaixonado e porradeiro na medida certa. Outra figura secundária de destaque é a detetive Myrna Mallow (Penélope Cruz), que serve para escancarar como o machismo não persegue apenas os feios e marginalizados.

Da metalinguagem, com a própria Mary Shelley dando as caras na trama, até diversas referências a clássicos de terror, Gyllenhaal se joga de cabeça no cinema de gênero como uma fã apaixonada. Em um determinado momento, Frank e Ida entram em uma sessão que exibe um longa com Bela Lugosi e saem correndo de lá, perseguidos por uma multidão que carrega tochas. Absolute fan service!
A Noiva tem pouca presença no livro de 1818 (nem chega a ganhar vida), mas conquistou notoriedade com a figura de Elsa Lanchester, no clássico de 1935. De lá para cá, ganhou versões alternativas, como em A Prometida (1985) e Penny Dreadful (2014). Já seu visual dos Monstros da Universal inspirou personagens de algumas animações ao longo dos anos, tendo Comando das Criaturas como o exemplo mais recente.
Com Jessie Buckley, ela tem agora sua variante mais marcante depois de quase um século. Interessante esse filme chegar aos cinema quando os Epstein Files e inúmeros casos de violência contra mulheres estampam as manchetes do Brasil e do Mundo. Queremos e precisamos de uma Noiva caçadora de red pills.
NDE: Tem uma cena pós-crédito
Direção: Maggie Gyllenhaal
Roteiro: Maggie Gyllenhaal
Elenco: Jessie Buckley, Christian Bale e Penélope Cruz
Origem: EUA
* Filme assistido na Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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