Críticas
CRÍTICA: Halloween Ends (2022)

“Halloween Ends” é o típico filme de encerramento de uma trilogia que não precisava ter existido. Ok, o “novo” “Halloween” em 2018 comemorando 40 anos de lançamento do original teve seus méritos como reboot/requel/whatever, mas o que veio depois não mostrou a que veio.
De memorável em “Halloween Kills” tivemos a turba ensandecida com seu “Evil dies tonight” mas fora esse surto, a história toda também era meio dispensável. Sendo que enfim chegamos a este último capítulo da saga de Michael Myers por hora… (por hora porque nunca sabemos quando a franquia pode ser ressuscitada). Mas olha… em vários momentos eu fiquei incrédulo com o que estava assistindo.

Bem, vamos lá… “Halloween Ends” já se inicia apresentando um novo personagem em uma trama que ninguém se importaria em puxar para a saga. Corey (Rohan Campbell) é chamado para trabalhar como baby-sitter de uma família na noite de Dia das Bruxas em Haddonfield alguns anos após o último aparecimento de Myers… Não bastasse o sujeito estar no local errado e no dia errado, o “cliente” dele é um pirralho que deve ter visto “O Pestinha” e “Esqueceram de Mim” demais. O fato é que nesse breve momento rolou um grave acontecimento que marcou a vida de Corey de uma forma bem negativa.
Depois disso, corta para os títulos. Vemos créditos e imagens de uma Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) estilo “Paz e Amor” que nada mais lembra a personagem reclusa e paranoica bad-ass do primeiro longa da trilogia. Sabe-se lá como e porque, o quarteto de roteiristas achou por bem dizer que a sobrevivente superou os traumas de um cara que tentou matá-la por 40 anos e mostrar que agora ela escreve um livro de auto-ajuda.

Em paralelo, a família vai bem, obrigado. Por sinal, a neta de Laurie que teve sua mãe assassinada no filme anterior agora trabalha de boa e tem tempo suficiente para se envolver amorosamente com desconhecidos. Haja superação! Então se você acompanhou algum dos filmes anteriores, no mínimo, já vai ter percebido que tem algo errado aí.
Não bastasse essa mudança de rumo na história onde aparentemente todo mundo em Haddonfield agora anda tranquilamente ignorando o sumiço do maníaco de máscara branca, a gente como espectador tem que fingir que concorda com o destaque dado a Corey (o mesmo do início da história) para que ele seja o elo que desperta Michael Myers de seu confortável esconderijo.

E como não costumo dar spoilers, encerro a parte narrativa aqui pra ir direto aos finalmentes. Mas quem viu “Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers” (1989) vai até encontrar similaridades nesta nova produção, mas tudo no pior sentido.
Em termos técnicos, vale dizer que a fotografia/imagem do filme é muito escura. Parece que ao invés de criar um clima de mistério, eles querem é esconder algumas falhas ou dar uma disfarçada da pior forma possível.
Confesso que sinceramente não entendi o propósito deste longa. Como homenagem à obra de John Carpenter, ele falha muito. Como produto de horror para o público adolescente, ele erra bem porque mal se vê jumpscares em 1h40 de filme. E como encerramento de uma trilogia, apesar de ser dirigido pelo mesmo realizador dos dois anteriores (David Gordon Green), fica até parecendo que este último ficou na mão de outra pessoa.

Pra não dizer que é tudo uma desgraça, o ato final em que temos o confronto de Laurie com seu velho inimigo até rende algo. Infelizmente todas as cenas que antecedem este momento não merecem nossa atenção apesar de forçarem um gore pra compensar o roteiro que não faz jus ao legado de “Halloween“. Nem Rob Zombie seria capaz de algo assim… ou não, né?!
Título original: Halloween Ends
Direção: David Gordon Green
Roteiro: Paul Brad Logan, Chris Bernier, Danny McBride e David Gordon Green
Elenco: Jamie Lee Curtis, Rohan Campbell, Andi Matichak e outros
Ano de Lançamento: 2022
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Críticas
CRÍTICA: Passageiro do Mal (2026)
O trailer de “Passageiro do Mal” já avisava que vinha clichê por aí, mas a minha mente insistiu no clássico “vai que é bom”. Não era.

“Passageiro do Mal” (Passenger) surgiu do nada (pelo menos para mim) nos últimos meses e, mesmo achando o trailer extremamente genérico e clichê, fiquei tentado a dar uma conferida. No fundo da minha mente ecoava: “vai que é bom e você está só sendo chato”. Então, com a estreia, decidi me arriscar no cinema e tirar minhas conclusões, que veremos a seguir.
A história segue um jovem casal que decide trocar a vida em um grande centro urbano pela aventura de viver pelo campo. Só que eles encontram o terror quando viram alvos de uma entidade demoníaca que caça vidas pelas rodovias. A questão é se eles vão seguir o caminho certo ou acabar dirigindo para a morte certa.

Olha, eu até gosto de filmes ruins quando eles se assumem dessa maneira. Acho, no geral, os filmes da The Asylum divertidíssimos, mas em “Passageiro do Mal” os realizadores foram para a direção mais clichê e imbecil possível, além de se levarem a sério demais. Eu me senti de volta ao início dos anos 2000, época em que filmes de assombração como este apareciam a rodo nos cinemas.
Os protagonistas são sem sal, com pouco carisma e desenvolvimento, enquanto os coadjuvantes são folhas em branco de tão rasos. A ameaça tem um visual bem questionável e pertence àquela categoria de vilões sobrenaturais que, assim que aparecem na tela, soltam um grito “assustador”.

A direção e o roteiro estão de mãos dadas na tentativa de assustar de uma forma que virou piada há décadas. Todas as tentativas de susto são extremamente telegrafadas, e as cenas de gore com CGI ruim enterraram de vez o longa. O diretor que tinha mostrado seu talento nos longas “A Autópsia” e “A Última Viagem do Deméter“, pareceu que aqui só estava interessado no contracheque mesmo.

Um filme claramente descartável que deveria ser uma sobra de streaming, mas que jogaram no cinema para pegar besta e masoquista. Neste caso, fui os dois. Aconselho você a respeitar o seu dinheiro e fazer outra coisa com o valor do ingresso.
Título original: Passenger
Direção: André Øvredal
Roteiro: Zachary Donohue e T.W. Burgess
Elenco: Melissa Leo, Lou Llobell, Jacob Scipio e outros
Duração: 94 min
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Críticas
CRÍTICA: Faces da Morte (2026)

Uma rápida pesquisa na internet te explica o que é o Faces da Morte de 1978. Sucesso nas locadoras de vídeo nos anos 80 e 90, a fita era um documentário que prometia cenas de morte reais, algo dificílimo de acessar naquela época. No entanto, muito do que aparece na tela são encenações.
Foi apostando na ‘força’ dessa joça e na ‘memória afetiva’ dos fãs (!), que Daniel Goldhaber e Isa Mazzei escreveram o seu metalinguístico Faces da Morte (Faces of Death, 2026). O curioso é que o filme até consegue criar um bom clima de suspense e levantar questões interessantes. Mas isso só dura até a página 2.

Margot (Barbie Ferreira) trabalha como moderadora de conteúdo em uma plataforma de vídeos. Sofrendo mais do que uma prisioneira da escala 6×1, nossa heroína passa o dia assistindo a todo tipo de porcaria postada pelos usuários. Ela veta ou autoriza o que pode ir para a web.
Um belo dia, aparece em seu monitor a filmagem de uma suposta execução, que a deixa com uma pulga atrás da orelha. Margot, na dúvida, autoriza o conteúdo, achando que é um assassinato fake. Dias depois, outro vídeo nos mesmos moldes a deixa mais desconfiada ainda. É então que ela resolve investigar.

Sem cerimônias, já somos apresentados ao vilão. Arthur Spevak (Dacre Montgomery) é um serial killer/hacker/videomaker, com fixação por fama e muito fã do filme de 1978. É ele quem está postando as imagens que chegam até Margot. Seus assassinatos são reconstituições das cenas vistas no Faces da Morte original.
No começo, o roteiro traça um paralelo interessante sobre o que era tabu no passado e como a violência ficou banalizada em tempos de redes sociais. A própria Margot carrega um passado traumático, depois que uma brincadeira feita para a internet terminou em tragédia pessoal.

A investigação pelos fóruns online criam uma tensão legal também. A deep web podia ser uma parte interessante da trama, mas Daniel Goldhaber (que além de roteirista é o diretor) resolveu que sua obra deveria ser apenas um slasher.
Aí virou filme de assassino mascarado, que sequestra suas vítimas e as tortura psicologicamente, antes de sacramentar o crime. E a criatividade foi de arrasta pra cima.
O psicopata vivido por Dacre Montgomery deveria entregar um comportamento passivo-agressivo, mas o texto é ruim demais para lhe dar credibilidade. Cada frase de efeito é um deslize. Fazer o personagem dizer que está referenciando Faces da Morte porque “todo mundo ama um remake” talvez tenha sido o ápice dessa lambança.

A carismática Margot também fica com sua cota de clichês. Pela milésima vez na história do terror, temos uma protagonista na qual ninguém acredita, por causa do seu ‘passado complicado’. Para piorar, ela ainda começa a fazer burradas em prol das conveniências de roteiro.
Acabou que, assim como seu “avô” de 1978, esse novo Faces da Morte nos enganou. O antigo, porém, entrou para a história pela picaretagem. Esse aqui vai cair no esquecimento rapidinho.
Direção: Daniel Goldhaber
Roteiro: Daniel Goldhaber e Isa Mazzei
Elenco: Barbie Ferreira, Dacre Montgomery e Josie Totah
Origem: EUA
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Críticas
CRÍTICA: Obsessão (2026)

“Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.
E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.
Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.
No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.
Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife
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