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CRÍTICA: Fragmentado (2017)

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Fragmentado

Em 2015, estreava A VISITA  como uma promessa de volta de M. Night Shyamalan (Sexto Sentido, Corpo Fechado, A Vila) ao suspense/horror que tanto o consagrou no fim dos anos 90 e início dos anos 2000. Com a boa receptividade desse thriller de found-footage, ficou aquela expectativa pelo próximo trabalho na esperança de uma possível volta por cima do cineasta. Agora que estamos em 2017, FRAGMENTADO (Split) estreia surpreendendo a todos e confirma o que parecia impossível: M. Night Shyamalan voltou. E voltou chutando bundas!

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Em FRAGMENTADO, acompanhamos a luta de três garotas pela sobrevivência em cativeiro enquanto reféns de um maníaco chamado Kevin (James McAvoy – X-Men Primeira Classe) que sofre de múltiplas personalidades. Ao mesmo tempo, vemos o empenho da Dra. Fletcher (Betty Buckely – Fim dos tempos, Carrie (1976)) em provar para a comunidade médica que seu paciente não sofre de transtorno algum, mas que ele na verdade “são” 23 pessoas de fato, dividindo um corpo só. Das três garotas sequestradas, Casey Cooke (Anya Taylor-Joy – A Bruxa), a mais retraída e inteligente do grupo, intriga o nosso multifacetado vilão e passa a ser a preferida “deles”.

Aos poucos vamos conhecendo a fundo as quatro principais personas que habitam o corpo de Kevin: Dennis, o frio sequestrador com mania de limpeza; Patrícia, uma senhora autoritária e bem religiosa; Barry, o simpático estilista; e o inocente Hedwig de apenas 9 anos de idade. Apesar de personalidades completamente diferentes, todas acreditam na chegada de uma besta que vai devorar todos os impuros. Também vamos conhecendo mais sobre a sagaz Casey através de flashbacks do seu passado. Nisso, Shyamalam nos confere uma empolgante construção de personagens como não fazia há tempos.

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Muito bem escrito e dirigido por M. Night Shyamalan, FRAGMENTADO resgata certas assinaturas do cineasta como aparecer no filme, a cor vermelha sempre sinalizando o perigo e até um certo exagero melodramático que beira o cafona. Tecnicamente impecável, Shyamalan é meticuloso em seus enquadramentos e se mostra ainda capaz de construir sequências de extrema tensão, sejam frenéticas ou lentas, como a cena do sequestro logo no início.

As atuações aqui são escenciais para tornar crível toda a situação cabulosa que nos é apresentada: Anya Taylor-Joy, aos poucos nos vai apresentando uma Casey cheia de surpresas mostrando uma evidente evolução da personagem ao longo da trama. Também temos a protetora doutora Fletcher, vivida quase que maternalmente pela não tão conhecida Betty Buckely, que não mede esforços pra salvar seu paciente “deles” mesmo.

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E claro, temos James McAvoy com seu psicopata de múltiplas personalidades que faz um esforço danado pra criar veracidade para cada personalidade. O ator é mais eficiente do que atrapalhado em suas transformações. Acerta em detalhes sutis como nos trejeitos de Dennis e Patrícia, mas peca no excesso de “caras e bocas”, chegando a canastrice, principalmente quando encarna o menino Hedwig. A ótima química entre McAvoy e Taylor-Joy conta muito para nossa imersão na trama e é o que sustentando todo o clima de urgência do longa.

O roteiro traz um conceito interessante com relação a múltiplas personalidades que, como não sou da área, não sei se já chegou a ser especulada pela comunidade médica, mas que para o filme funciona perfeitamente. Uma pena não poder discorrer nesse aspecto aqui no texto, pois estragaria toda experiência. Recomendo até que seja evitado ao máximo ler certas notícias especulativas com spoliers nas chamadas, mesmo anteriores a estreia, pois pra este que vos escreve, não ler esses conteúdos foi o que me fez ser surpreendido pelo maravilhoso terceiro ato. Pra não dizer que não vi nada, só vi um trailer e foi suficiente.

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No fim das contas, eu diria que FRAGMENTADO cumpre mais do que promete, já que não temos “apenas” uma reviravolta aqui. E como dito no início, este confirma a volta à boa forma deste cineasta que é tão polarizado pelos cinéfilos. Se você ainda tá cabreiro com Shyamalan e tá com receio de ver esse filme, só digo isso: Assista-o até o último segundo e deleite-se com a cereja do bolo.

Escala de tocância de terror:

Título original: Split
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy e Betty Buckely
Ano: 2016/17

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5 comentários

1 comentário

  1. Everson

    24 de março de 2017 às 13:38

    Não vejo a hora de assistir

  2. paulo

    1 de maio de 2017 às 15:20

    ja assisti e recomendo um filme que te deixa vidrado na tela o tempo todo

  3. Lili

    22 de outubro de 2017 às 22:42

    Já assisti, realmente é muito bom!

  4. Hugo Palmeirense

    5 de março de 2018 às 15:32

    Ótimo, com final empolgante, muita ação e suspense, me surpreendeu

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CRÍTICA: Zona Zero (2026)

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Zona Zero

Há dez anos, “Invasão Zumbi” (Train to Busan) chegava como um verdadeiro fenômeno no círculo de fãs de horror. O filme em si não apresentava nenhuma grande inovação no gênero, mas se destacava ao fazer boas cenas de ação (sim, de ação) com os zumbis/infectados num trem que cortava a península coreana.

Agora em “Zona Zero” (Colony), parte da construção da tensão e da ação em meio a uma infestação, ou seria infecção zumbi, se mantém em uma estrutura linear. Desde o início descobrimos quem é o vilão, suas intenções e como irá promover o caos, que na visão dele, na real é parte do renascimento da sociedade humana.

Baseado em conhecimentos e teorias da cyber-biologia, ou biotecnologia, que passam longe da ética, um pesquisador invejoso cria um vírus de laboratório para espalhar em uma importante convenção científica.

E em menos de meia hora de filme já temos uma grande leva de vítimas e de infectados que agem como zumbis maratonistas e triatletas. Depois que rola o primeiro ataque, aí é correria para todo lado. Quem foge ou tenta escapar da horda de criaturas tem q apelar pra se esconder em lojas e corredores do enorme empresarial que abriga centro de convenções e de compras.

Até se veem semelhanças com o “Despertar dos Mortos” (Dawn of The Dead) de George Romero nessa ambientação, mas só ali mesmo porque os monstros agora correm e atacam com verocidade.

Na comparação com o trem pra Busan onde cada vagão continha uma ameaça diferente, neste longa aqui, os sobreviventes precisam se esconder em diferentes andares e escritórios evitando confronto com os infectados. Até porque diferente de mortos-vivos convencionais, estes aqui possuem o diferencial de se comunicar em conjunto por uma consciência coletiva como ocorre com formigas.

Esse aí é inclusive o maior problema do título brasileiro do longa que não faz o menor sentido dar nome de “Zona Zero” quando seu nome original é traduzido como “Colônia” que tem total sintonia com a premissa já mencionada.

Mas mesmo sendo um pouco previsível assim nesta narrativa mais convencional de confinamento e fuga, “Zona Zero” reserva algumas surpresas, já que diante da ameaça e do vilão, não temos como imaginar como isso pode acabar e quem será o último a contar história.

E um dos maiores méritos do longa é usar poucos efeitos digitais e trabalhar bem com atores, figurantes e efeitos práticos bem grotescos. Em época de proliferação de uso de Inteligência Artificial como muleta pra qualquer tipo de cena no cinema, digamos que é um avanço dos coreanos mesmo que isso não seja uma inovação.

Escala de tocância de terror:

Título original: Colony
Direção: Yeon Sang-ho
Roteiristas: Choi Kyu-seok e Yeon Sang-ho
Elenco: Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook
País de origem: Coreia do Sul

* “Zona Zero” estreia nos cinemas brasileiros em 15 de outubro e foi visto pelo Toca o Terror em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z

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CRÍTICA: Meus Mortos Tristes (2026)

Dirigido pelo chileno Pablo Larraín, a minissérie “Meus Mortos Tristes” não foca em assombrações malignas e jumpscares. O papo aqui é drama familiar e crítica social foda com uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas.

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Meus Mortos Tristes

Vamos iniciar com uma sinopse sem muitos detalhes, para não estragar a surpresa que acontece já no primeiro episódio de Meus Mortos Tristes (2026), nova minissérie argentina da Netflix. Baseada nos contos da escritora Mariana Enriquez, que também é um dos roteiristas, a obra chegou ao serviço de streaming no dia 24 de setembro.

Ema (Mercedes Morán) é uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas. Após a morte da mãe, ela se muda para a antiga casa, que fica perto de um conjunto habitacional barra pesada, no subúrbio de Buenos Aires.

Com a visita de parentes que moram nos Estados Unidos, Ema descobre que sua sobrinha Julie (Carolina Álvarez) tem a mesma habilidade sobrenatural. O problema é que um evento inesperado faz com que a relação entre vivos e mortos tome grandes proporções na localidade.

Dirigido pelo chileno Pablo Larraín (O Conde, 2023), Meus Mortos Tristes tem quatro episódios e não precisava tanto. Mas isso fica para depois. É importante começar dando o alerta que a minissérie não vai focar em assombrações malignas e jumpscares, o papo aqui é drama familiar e crítica social foda.

Mercedes Morán é o grande destaque. Sua personagem não é nenhuma Lorraine Warren e não vê glamour, nem missão divina, em sua habilidade de se comunicar com espíritos.

Apesar de possuir sensibilidade suficiente para tomar decisões certas, o desdém pelo dom que carrega é sua maior faceta. A relação com a família, incluindo o fantasma da mãe, rende os melhores momentos. Carolina Álvarez, num papel mórbido e cativante, também merece ser lembrada.

Em algumas entrevistas o elenco teceu loas a Larraín, afirmando que o diretor foi o responsável por tirar deles algumas de suas melhores atuações. Como não há sustos e coisas pulando na tela, é a interação entre os personagens que faz a trama andar. E funciona bem.

Outro trunfo de Meus Mortos Tristes é sua ambientação na periferia. A violência do lugar e o clima de abandono da população de baixa renda faz um paralelo com a situação dos desencarnados que aparecem. A fotografia fria e azulada completa o quadro.

Mas, como dito acima, nem tudo são flores nesse túmulo e, talvez, um filme cairia melhor para essa história. O formato em quatro episódios (de 50 minutos cada) estica demais a trama, o que causa alguns problemas de continuidade e a sensação que o programa está enchendo linguiça.

Outra prova disso é que algumas subtramas ficam subvalorizadas, como o arco de Carol (Dolores Fonzi), filha de Ema, que sofre com a relação mal resolvida com a mãe e com uma perda pessoal. Os pais de Julie também são meio esquecidos durante boa parte do roteiro. O mesmo acontece com Lautaro (Germán De Silva), personagem que carrega um passado de amor não correspondido por Ema.

Ainda assim, Meus Mortos Tristes é uma bela fábula sombria, que fala sobre luto, depressão e memória. Sem contar que a minissérie faz um competente comentário sobre a violência desenfreada nas grandes metrópoles da América Latina. Vale o play nas apariciones.

Escala de tocância de terror:

Título original: Mis muertos tristes
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Anastasia Ayazi, Guillermo Calderón, Mariana Enriquez e Pablo Larraín
Elenco: Mercedes Morán, Dolores Fonzi e Carolina Álvarez
Origem: Argentina

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CRÍTICA: Resident Evil (2026)

Esta é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada.

Publicado

em

Resident Evil

A franquia Resident Evil é referência nos videogames, mas penava quando o assunto era adaptação para outras mídias, como TV e cinema, tendo como maior exemplo os filmes estrelados por Milla Jovovich no decorrer de décadas. A franquia tentou um reboot em 2021, mas o desastre veio. Agora, em setembro de 2026, um novo reboot é lançado sob a grife do diretor de “A Hora do Mal“.

Um rapaz que trabalha entregando órgãos em hospitais recebe uma oferta tentadora para ir à cidade de Raccoon City, e o que supostamente seria um serviço simples se torna uma luta pela sobrevivência, já que várias aberrações tomaram conta da cidade e arredores.

Aqui já adianto que essa é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada, em alguns detalhes visuais que remetem ao material original e no gameplay; sim, em alguns momentos me senti jogando. A história de “Resident Evil” é simples e direta, e me lembrou muito comédias de erro onde tudo o que podia dar errado dá; o protagonista não tem um minuto de paz em quase toda a jornada. A escolha de um civil sem nenhuma qualificação para combate foi acertada, já que ele serve como um espelho para a maioria de nós e gera identificação.

A polêmica sobre os momentos cômicos não me incomodou por boa parte do filme, mas, quando entram em cena outros personagens humanos, a coisa mudou de figura. O que estava divertido e com bons jumpscares se torna uma bobagem que me incomodou muito. Eu sei que é uma sátira, mas não ficou boa para mim, culminando em um clímax que me deu vergonha alheia. O terror está bem representado pelas criaturas nojentas que aparecem no decorrer do filme e que são inspiradas nos monstros dos jogos; elas são ameaçadoras. Tem gore, mas acho que poderia ser mais.

O filme não é ruim, tem boas cenas, diverte e tem bons sustos. O problema maior é que, quanto mais se aproxima do fim, vai ficando mais bobo.

Escala de tocância de terror:

Título original: Resident Evil
Direção : Zack Cregger
Roteiro: Zack Cregger e Shay Hatter
Produtores Executivos: Oliver Berben, Richard Wright, Robert Bernacchi
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry,Kali Reis e outros

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