Críticas
CRÍTICA: Fragmentado (2017)

Em 2015, estreava A VISITA como uma promessa de volta de M. Night Shyamalan (Sexto Sentido, Corpo Fechado, A Vila) ao suspense/horror que tanto o consagrou no fim dos anos 90 e início dos anos 2000. Com a boa receptividade desse thriller de found-footage, ficou aquela expectativa pelo próximo trabalho na esperança de uma possível volta por cima do cineasta. Agora que estamos em 2017, FRAGMENTADO (Split) estreia surpreendendo a todos e confirma o que parecia impossível: M. Night Shyamalan voltou. E voltou chutando bundas!
![Split-Official-Trailer-1-(2017)---M.-Night-Shyamalan-Movie-[VDownloader].mp4_snapshot_00.22_[2017.03.21_04.30.10]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/03/split-official-trailer-1-2017-m-night-shyamalan-movie-vdownloader-mp4_snapshot_00-22_2017-03-21_04-30-101.jpg)
Em FRAGMENTADO, acompanhamos a luta de três garotas pela sobrevivência em cativeiro enquanto reféns de um maníaco chamado Kevin (James McAvoy – X-Men Primeira Classe) que sofre de múltiplas personalidades. Ao mesmo tempo, vemos o empenho da Dra. Fletcher (Betty Buckely – Fim dos tempos, Carrie (1976)) em provar para a comunidade médica que seu paciente não sofre de transtorno algum, mas que ele na verdade “são” 23 pessoas de fato, dividindo um corpo só. Das três garotas sequestradas, Casey Cooke (Anya Taylor-Joy – A Bruxa), a mais retraída e inteligente do grupo, intriga o nosso multifacetado vilão e passa a ser a preferida “deles”.
Aos poucos vamos conhecendo a fundo as quatro principais personas que habitam o corpo de Kevin: Dennis, o frio sequestrador com mania de limpeza; Patrícia, uma senhora autoritária e bem religiosa; Barry, o simpático estilista; e o inocente Hedwig de apenas 9 anos de idade. Apesar de personalidades completamente diferentes, todas acreditam na chegada de uma besta que vai devorar todos os impuros. Também vamos conhecendo mais sobre a sagaz Casey através de flashbacks do seu passado. Nisso, Shyamalam nos confere uma empolgante construção de personagens como não fazia há tempos.
![Split-Official-Trailer-1-(2017)---M.-Night-Shyamalan-Movie-[VDownloader].mp4_snapshot_00.56_[2017.03.21_04.33.25]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/03/split-official-trailer-1-2017-m-night-shyamalan-movie-vdownloader-mp4_snapshot_00-56_2017-03-21_04-33-251.jpg)
Muito bem escrito e dirigido por M. Night Shyamalan, FRAGMENTADO resgata certas assinaturas do cineasta como aparecer no filme, a cor vermelha sempre sinalizando o perigo e até um certo exagero melodramático que beira o cafona. Tecnicamente impecável, Shyamalan é meticuloso em seus enquadramentos e se mostra ainda capaz de construir sequências de extrema tensão, sejam frenéticas ou lentas, como a cena do sequestro logo no início.
As atuações aqui são escenciais para tornar crível toda a situação cabulosa que nos é apresentada: Anya Taylor-Joy, aos poucos nos vai apresentando uma Casey cheia de surpresas mostrando uma evidente evolução da personagem ao longo da trama. Também temos a protetora doutora Fletcher, vivida quase que maternalmente pela não tão conhecida Betty Buckely, que não mede esforços pra salvar seu paciente “deles” mesmo.
![Split-Official-Trailer-1-(2017)---M.-Night-Shyamalan-Movie-[VDownloader].mp4_snapshot_02.13_[2017.03.21_04.29.02]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/03/split-official-trailer-1-2017-m-night-shyamalan-movie-vdownloader-mp4_snapshot_02-13_2017-03-21_04-29-021.jpg)
E claro, temos James McAvoy com seu psicopata de múltiplas personalidades que faz um esforço danado pra criar veracidade para cada personalidade. O ator é mais eficiente do que atrapalhado em suas transformações. Acerta em detalhes sutis como nos trejeitos de Dennis e Patrícia, mas peca no excesso de “caras e bocas”, chegando a canastrice, principalmente quando encarna o menino Hedwig. A ótima química entre McAvoy e Taylor-Joy conta muito para nossa imersão na trama e é o que sustentando todo o clima de urgência do longa.
O roteiro traz um conceito interessante com relação a múltiplas personalidades que, como não sou da área, não sei se já chegou a ser especulada pela comunidade médica, mas que para o filme funciona perfeitamente. Uma pena não poder discorrer nesse aspecto aqui no texto, pois estragaria toda experiência. Recomendo até que seja evitado ao máximo ler certas notícias especulativas com spoliers nas chamadas, mesmo anteriores a estreia, pois pra este que vos escreve, não ler esses conteúdos foi o que me fez ser surpreendido pelo maravilhoso terceiro ato. Pra não dizer que não vi nada, só vi um trailer e foi suficiente.
![Split-Official-Trailer-1-(2017)---M.-Night-Shyamalan-Movie-[VDownloader].mp4_snapshot_01.47_[2017.03.21_04.28.13]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/03/split-official-trailer-1-2017-m-night-shyamalan-movie-vdownloader-mp4_snapshot_01-47_2017-03-21_04-28-131.jpg)
No fim das contas, eu diria que FRAGMENTADO cumpre mais do que promete, já que não temos “apenas” uma reviravolta aqui. E como dito no início, este confirma a volta à boa forma deste cineasta que é tão polarizado pelos cinéfilos. Se você ainda tá cabreiro com Shyamalan e tá com receio de ver esse filme, só digo isso: Assista-o até o último segundo e deleite-se com a cereja do bolo.

Título original: Split
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy e Betty Buckely
Ano: 2016/17
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Não sei se vocês lembram, mas rolou uma tentativa fracassada de criar um Dark Universe, projeto que teria os monstros clássicos da Universal revisitados em um tipo de “monstroverso”. A estreia e abandono ocorreu após o flop de “A Múmia” (2017). Após isso, a Blumhouse assumiu o desafio de reformular esses ícones do horror com uma abordagem mais intimista, focada em narrativas mais dramáticas e pessoais, como já visto em “O Homem Invisível” (2020) e agora retomada em “Lobisomem” (2025), ambos escritos e dirigidos por Leigh Whannell.
“Lobisomem” começa nos apresentando o pequeno Blake (Zac Chandler), criança com características de TEA (Transtorno do Espectro Autista) que convive com a criação rígida e controladora de seu pai (interpretado por Sam Jaeger). Em uma caçada pelos bosques do Oregon, a dupla se depara com uma criatura humanóide peluda que por pouco não faz com que virem a caça. Após esse encontro, o pai de Blake, decide que vai caçar o monstro que os índigenas da região chamam de “cara de lobo“.

Trinta anos depois, reencontramos Blake (agora interpretado por Christopher Abbott, o Paulo Betti jovem deles), o carinhoso pai da pequena Ginger (Matilda Firth) que, assim como seu próprio pai, tenta proteger sua filha dos perigos do mundo, só que de uma forma diferente, através de diálogo e compreensão. Sua esposa Charlotte (Julia Garner) é uma jornalista que vive o dilema entre ser uma profissional de sucesso e ser uma mãe mais presente. A reinvenção do relacionamento balançado do casal surge da oportunidade de passar uns dias na antiga casa do pai de Blake, que após anos desaparecido foi oficialmente declarado morto.
No caminho para a casa, Blake joga o caminhão que dirigia para fora da estrada quando quase atropela, vejam só, uma criatura humanóide peluda que consequentemente ataca a família e fere o homem. E vocês sabem o que acontece quando uma pessoa é arranhada por uma criatura que parece um lobisomem, né?

Vale salientar que o “lore” do lobisomem como conhecemos termina aí. Nada de transformação nas noites de lua cheia e nada de bala de prata. A licantropia no filme é tratada como um tipo de doença e não uma maldição. E é tentando fugir do lobisomem exterior que o lobisomem interior de Blake começa a surgir.
Trancados na casa, ele começa a passar por mudanças sensoriais. Seu olfato e audição aumentam, sua visão se altera e a comunicação com a família começa a ficar cada vez mais difícil, fazendo com que ele entre cada vez mais “em seu mundinho”, como reclamava seu pai. Após algumas transformações físicas que remetem mais ao “A Mosca” de Cronenberg que ao “Um Lobisomem Americano em Londres“ o agora papai-lobo vai entrar em um embate com a criatura que espreita lá fora. Só resta saber se isso é para proteger sua família ou se é porque ele vê a família como comida…

Dramas familiares envolvendo licantropia não são bem uma novidade. O filme em alguns momentos inclusive me lembrou “A Maldição da Lua Cheia“, de 1973, com um final choroso tipo “O Campeão” (1979) só que com pelos. Seria o nome da filha do protagonista uma singela homenagem ao canadense “Ginger Snaps” (2000)? Outro filme que também conta com o dilema do homem-lobo tentando proteger sua família é “Lua Negra” (1996) entre muitos outros (Paul Naschy que o diga…).
Um dos maiores trunfos de “Lobisomem” está na fotografia sombria e atmosférica de Stefan Duscio, colaborador frequente de Whannell. O bom design de som intensifica cada momento da transformação de Blake reforçando o horror físico e psicológico do processo mostrado através de uma boa combinação entre efeitos práticos (Uhulll!!!) e CGI.

“Lobisomem” não apenas revive o legado dos monstros da Universal, mas também redefine como esses personagens podem ser explorados no cinema moderno. Whannell entrega uma obra que é tanto um thriller quanto um drama emocional, talvez um pouco menos que “O Homem Invisível”, mas com potencial para que outras criaturas, como Frankenstein ou o Monstro da Lagoa Negra, sejam trazidas de volta às telas.

Título original: Wolf Man
Direção: Leigh Whannell
Roteiro: Leigh Whannell e Corbett Tuck
Elenco: Christopher Abbott, Julia Garner, Matilda Firth
País de origem: EUA
BASTIDORES
TRAILER
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark RioMar
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).
Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantine” meets “Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
Críticas
CRÍTICA: Águas Mortais (2026)
“Águas Mortais” é mais um filme de catástrofe com tubarões, trazendo a conhecida fórmula de passageiros ilhados no oceano e predadores famintos à espreita

Filmes de tubarão parecem nunca sair de moda e estreou nesta semana (23/07/26) mais um exemplar de filme de catástrofe com os bichinhos, que tem o “maravilhoso” título de “Águas Mortais” (Deep Water).
A trama acompanha passageiros e tripulantes de um voo com destino a Xangai que se envolvem em um grave acidente quando uma carga explode e causa a queda do avião no meio do Oceano Pacífico. Os sobreviventes terão que descobrir um meio de sair de uma situação que se agrava à medida que vários tubarões famintos querem fazer deles a próxima refeição.

Vou começar deixando claro que o filme é um amontoado de clichês do cinema de catástrofe e que não foi o primeiro a usar essa premissa para inserir tubarões no meio. “Desespero Profundo” (2024) está aí para provar, mesmo sendo bastante inferior ao filme de que estamos falando. Quem já assistiu a filmes do gênero vai se sentir em casa ao esbarrar em estereótipos clássicos, como o herói com traumas, o personagem escroto e, claro, crianças em perigo.
O grande chamariz para mim foi a presença de Ben Kingsley, ator renomado e premiado que faz aqui uma participação especial nos moldes de atores famosos de filmes de catástrofe dos anos 70. O personagem não agrega muito e tem momentos bem piegas no curto tempo em tela. Outro ator famoso é Aaron Eckhart, mais conhecido pelo vilão Duas-Caras na trilogia do Batman de Christopher Nolan.

O diretor “faz-tudo” de Hollywood, Renny Harlin, realiza um trabalho competente aqui, principalmente na cena do acidente e, depois, ao apresentar a ameaça bem aos moldes de “Do Fundo do Mar” (1999) que, por sinal, ele também dirigiu e que guarda semelhanças, como os tubarões de visual PlayStation e velocidade 2.0.
Uma coisa que eu tenho que comentar é a famigerada tela verde, que aqui se faz notar a todo momento em lugares abertos. Fica nítida a artificialidade do mar aberto. Parece que os atores foram “colados” na cena de qualquer jeito, e para cair no vale da estranheza é um pulo.

“Águas Mortais” é um filme extremamente clichê, mas conseguiu me divertir em boa parte do tempo, mesmo pecando por não ser tão corajoso. Em um dia chuvoso e nessa estação invernal, é uma ótima pedida. Já para quem é rato de filme de tubarão, existe uma cena que é praticamente copia e cola de “O Último Tubarão” (L’ultimo squalo, 1981).
Título original: Deep Water
Direção: Renny Harlim
Roteiro:Pete Bridges, Shane Armstrong e S.P Kause
Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley e outros
Ano de lançamento: 2026
* Este texto foi escrito por um humano sem o uso de IA
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: Tumba Aberta (2013)
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: February (2015)
-

Críticashá 7 anosCRÍTICA: Banana Splits – O Filme (2019)
-

Críticashá 13 anosCRÍTICA: Begotten (1991)
-

Críticashá 5 anosCRÍTICA: O Homem nas Trevas (2016)
-

Dicashá 7 anosCURIOSIDADES: 13 Fatos que Você não Sabia sobre Jason e a Franquia Sexta-Feira 13
-

Críticashá 5 anosCRÍTICA: O Estranho Thomas (2013)
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: A Visita (2015)



























Everson
24 de março de 2017 às 13:38
Não vejo a hora de assistir
paulo
1 de maio de 2017 às 15:20
ja assisti e recomendo um filme que te deixa vidrado na tela o tempo todo
Lili
22 de outubro de 2017 às 22:42
Já assisti, realmente é muito bom!
Hugo Palmeirense
5 de março de 2018 às 15:32
Ótimo, com final empolgante, muita ação e suspense, me surpreendeu