Dicas
DICA DA SEMANA: Eu Enterro os Vivos (1958)

[Por Osvaldo Neto]
Robert Kraft (Richard Boone), um homem bem sucedido, recebe a tarefa de cuidar do cemitério da cidade, que é administrado pela sua família, também dona de uma grande loja local de departamentos. Enquanto não arranja um substituto, ele recebe a assistência de Andy McKee (Theodore Bikel, roubando cenas), um antigo funcionário que trabalha no local há 40 anos e irá se aposentar. É quando Robert se depara com um enorme mapa no escritório que contém todos as sepulturas, as ocupadas (marcadas por alfinetes pretos) e desocupadas (marcadas por alfinetes brancos).
É logo no 1o. dia de trabalho que o sujeito coloca, por engano, os alfinetes pretos nas sepulturas que foram reservadas por um casal. E não é que eles morrem em um acidente de carro no dia seguinte? Depois de colocar outro alfinete preto em um túmulo reservado e essa pessoa também falecer, Robert passa a acreditar e ficar preocupado com a possibilidade de ter adquirido o poder sobrenatural de matar alguém através desse grande mapa no escritório do cemitério.

Essa é a premissa de EU ENTERRO OS VIVOS, um delicioso filme B dos anos 50 feito sob medida para as sessões duplas dos pequenos cinemas de bairro e drive-ins que podiam ser vistos com maus olhos pelo público intelectualizado da época, mas que eram determinantes para o fortalecimento da produção independente do período. Parece que os criadores de DEATH NOTE devem alguma coisa a esse filme, certo?
Richard Boone, mais conhecido pela série O PALADINO DO OESTE e personagens vilanescos em faroestes clássicos como HOMBRE e O RESGATE DE UM BANDOLEIRO, tem aqui um raro papel de protagonista na sua carreira. Seu desempenho como um homem que passa a ficar gradualmente mais perdido e desesperado com a situação na qual se encontra é a alma do filme.

Muito do longa se passa na sala do escritório e o diretor Albert Band (pai de Charles, produtor e proprietário da Full Moon, e Richard, compositor de trilhas como as de PUPPET MASTER, DO ALÉM e RE-ANIMATOR) dá uma aulinha de cinema ao construir tamanho suspense e tensão com tão pouco. Destaque para o inteligente uso da montagem, direção de arte e a maquiagem de Jack Pierce.
Nem tudo são flores, entretanto. EU ENTERRO OS VIVOS tem um final que pode ser visto como decepcionante… ainda assim, isso não tira o brilho de tudo que veio antes.

Bem atuado e feito com garra e muita competência, esse influente filme B merecia ser mais conhecido e também chegou a ser citado por ninguém menos que Stephen King no livro DANÇA MACABRA como um de seus filmes favoritos. EU ENTERRO OS VIVOS encontra-se em domínio público e pode ser assistido agora mesmo através de plataformas como YouTube (link legendado) e Dailymotion.
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Para a dica desta semana eu trago um filme aniversariante: O EXORCISTA III (Exorcist III), escrito e dirigido por Willam Peter Blatty, completa 32 aninhos neste mês de agosto.

O EXORCISTA III é adaptação do livro ESPÍRITO DO MAL / LEGIÃO (Legion, 1983) que é uma continuação direta do livro O EXORCISTA (The Exorcist, 1971). Na trama, o tenente Kinderman investiga uma série de assassinatos que trazem a assinatura do já conhecido serial killer: Gêmeos. O problema é que este assassino está morto há 15 anos. Com a ajuda do amigo padre Joseph Dyer, ambos são levados a revelações cabulosas.

Blatty exibe um domínio enorme na condução do longa. E não é de se espantar, já que é o autor de ambos os livros. Aqui, com a direção em suas mãos, ele imprime sua real visão da própria obra, mantendo um clima constante de tensão como se algo de muito pior fosse acontecer a cada cena. A fotografia do Gerry Fisher é essencial para dar o tom sombrio à trama. Até estátuas sacras dão medo aqui! Sem contar que O EXORCISTA III tem um dos sustos e jumpscares mais cabulosos e inesperados da história do cinema de horror.

Para além da competente produção, o longa conta com a carismática dupla George C. Scott e Ed Flanders, (Kinderman e Dyer respectivamente), Brad Dourif que encarna o assassino de Gêmeos nos conferindo uma performance assustadoramente brilhante e Jason Miller vivendo o sinistro “paciente X”.

É de fato um filme incrível que, para este que vos escreve, por muito tempo foi subestimado por ser o terceiro da franquia O EXORCISTA, quando na verdade deveria ter sido o segundo, já que, como dito no início, se trata da continuação direta do livro. E convenhamos que depois do que rolou em O EXORCISTA 2: O HEREGE, carregar um título desse também não ajuda. Este longa de 1990 poderia ter se chamado simplesmente LEGIÃO como no livro, mas enfim…

Em suma, O EXORCISTA III é um típico terror policial cabuloso que merece ser visto. Ficou curioso? Aproveita que este clássico cult encontra-se no catálogo do HBO Max.
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Muito antes do canal SyFy e da Asylum inventar as bizarrices mutantes de tubarões mesclados com jacarés e coisa do gênero, havia uma turma que pegou carona na fórmula de “Tubarão” e espremeu até o bagaço. Então se você estiver a fim de ver um filme deste tipo sem pensar muito, vá até o YouTube e procure por “Humanoids from the Deep“, também conhecido pelo título genérico de “Monster“.
(mais…)
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Tem filme ruim que se revela bom. Tem superprodução que acaba sendo um fiasco. E tem “Ratos – A Noite do Terror” (Rats – Notte di terrore) que é um caso à parte. Se sacar a ficha técnica vai entender o porquê.
Produzido pela duplinha Bruno Mattei e Claudio Fragasso, esta tosqueira da sétima arte diverte e impressiona da forma que não deveria. O nobre leitor que já deve ter esboçado um sorriso ao ler o nome dos dois italianos, vai certamente se esbaldar com essa joia.
A picaretagem já começa pela autoria. Ao invés de Mattei e Fragasso, quem “assume” a direção é Vincent Dawn, um dos vários codinomes do cineasta pras obras em que ele não se orgulha tanto.

Depois da devida introdução, vamos à história… que se passa em 225 A.B. (After the Bomb) num mundo pós-apocalíptico, onde a população passou a viver no subterrâneo e gangues disputam o território da superfície enfrentando ratos. Sim! Porque ao invés das baratas que sobreviveriam à radiação nuclear, neste filme quem se aproveita do que restou do planeta são os roedores.
Considerando este contexto, não tem muito o que dizer, uma vez que assim como acontece na maioria dessas histórias, os sobreviventes vagam de um canto a outro em busca de proteção e comida. Mas o que eles não contavam é que vão encontrar ratos em quase todo canto. E essas ratazanas estão famintas e sedentas de sangue…

No entanto, não espere grandes cenas e ataques elaborados. Os ratos, sejam eles vivos ou de pelúcia, são literalmente jogados em cima dos personagens. A reação de nojo e repulsa do elenco pode até compensar a atuação um tanto medíocre, mas tudo faz parte do pacote.
E em meio às brigas de gangues rivais e roedores que mordem o rosto, a barriga e os membros das pessoas por dentro e por fora, quem sobrevive até o final do filme presencia uma cena que teria tudo para ser chocante. Teria, claro, porque nas mãos de Mattei/Fragasso, a tal cena fica tão, mas tão bizarra, que só nos resta rir e aplaudir tamanha ousadia.

“Ratos – A Noite do Terror“, obviamente não é pro bico da Netflix, mas pode ser visto e revisto tranquilamente no YouTube para seu deleite.
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