Críticas
CRÍTICA: The Walking Deceased (2015)

[Por Jarmeson de Lima]
Tava demorando, mas rolou… quem pensou que The Walking Dead e os mais populares filmes de zumbis escapariam incólumes de serem satirizados, errou feio. E taí o resultado: o engraçadinho The Walking Deceased (traduzindo literalmente como: Os Falecidos Andantes).
A fórmula é aquela de sempre. Pegam personagens de filmes conhecidos e juntam todos eles num roteiro sem pé nem cabeça conduzida por um fiapo de história pra motivar cenas cômicas. Neste caso, juntaram a trupe da série de zumbis mais falada do momento e colocaram num mesmo balaio com alguns personagens de Zombieland e Warm Bodies (cujo título nacional me recuso a dizer de tão ridículo que é), com direito a citações a Guerra Mundial Z, Shaun of the Dead e menções a (George) Romero.

Igualzinho, né…
Bem, de forma geral eu não suporto essas sátiras. São todas repletas de piadinhas ruins e clichês que roubariam o troféu que A Praça é Nossa ostenta há anos se fossem rodadas no Brasil. Desde Todo Mundo em Pânico que eu prometi a mim mesmo que não veria mais essas coisas. Mas com o tempo a gente quebra as próprias promessas e cai nessa tentação.
Confesso que fui movido por uma curiosidade mórbida pra saber o que aconteceria se tirassem onda justamente com uma série que deixei de acompanhar por desinteresse e por ter óbvios problemas que transformaram um enredo catastrófico com zumbis numa novela de Vivos x Mortos x Vivos. Ver esta paródia seria meio que uma “vingança” contra o que The Walking Dead se tornou. Só que ele não cumpre bem essa função nem faz o que promete.

Tá vendo essa fumaça, moço?
As cenas de humor que se referem à série são bem óbvias e eventualmente caem no lugar-comum desses filmes de paródia com piadas escatológicas e com maconheiros. Sério galera, ainda é engraçado esse tipo de piada forçada? Ainda tem quem ria ao ver gente peidando ou fumando? Foram os roteiristas da Globo Filmes que deram uma ajudinha nas filmagens? É de lascar. A gente começa a ver essas cenas e bate aquele desânimo…
Mas como ia dizendo… apesar da crise e dos clichês, o filme possui algumas boas sacadas como a imitação exagerada dos piores trejeitos do Rick Grimes original em suas atuações dramáticas. Detalhe: em The Walking Deceased, o personagem se chama Sheriff Lincoln, cujo sobrenome remete a Andrew Lincoln, o ator da série… sacou ae?!
A historinha que move o filme é bem similar ao plot da primeira e segunda temporada de TWD, onde vemos o Sheriff Lincoln acordando de um coma em meio ao Apocalipse Zumbi para encontrar Green Bay e Chicago, dois personagens que parodiam Columbus e Tallahassee, do longa Zombieland. Não demora muito e eles encontram as garotas Brooklyn e Harlem, as quais vocês já devem imaginar de que filme são. Em meio à fuga do hospital, a turma ainda acolhe um zumbi pensativo e romântico, tal qual o protagonista de Warm Bodies.

“Eu quero melão!”
A partir deste momento surgem personagens pelo caminho que só aparecem pra morrer e que vão aprontar altas confusões pra justificar que a trama se desenvolva ao longo de 88 minutos (com créditos). Confesso que ri um pouco em alguns momentos. E como filme de zumbis, não faz tão feio quanto os originais parodiados. Os mortos-vivos estão decentemente maquiados e, se não dão sustos ou causam tensão, ao menos cumprem sua função como coadjuvantes.
No fim das contas, assim como acontece na maioria dessas paródias, as melhores piadas estão no trailer. Se também quiser matar a sua curiosidade a respeito dessa produção que seria chamada de “Walking with the Dead“, posso ainda informar que o roteirista é o mesmo da fraquinha Supernatural Activity, que você acha que viu, mas que na verdade está confundindo com 30 Noites de Atividade Paranormal com a Filha dos Homens que Não Amavam as Mulheres. Resumindo… veja sem nenhuma expectativa e ria se puder.

Direção: Scott Dow
Roteiro: Tim Ogletree
Elenco: Dave Sheridan, Sophie Taylor Ali, Joey Oglesby
Origem: EUA
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Críticas
CRÍTICA: Faces da Morte (2026)

Uma rápida pesquisa na internet te explica o que é o Faces da Morte de 1978. Sucesso nas locadoras de vídeo nos anos 80 e 90, a fita era um documentário que prometia cenas de morte reais, algo dificílimo de acessar naquela época. No entanto, muito do que aparece na tela são encenações.
Foi apostando na ‘força’ dessa joça e na ‘memória afetiva’ dos fãs (!), que Daniel Goldhaber e Isa Mazzei escreveram o seu metalinguístico Faces da Morte (Faces of Death, 2026). O curioso é que o filme até consegue criar um bom clima de suspense e levantar questões interessantes. Mas isso só dura até a página 2.

Margot (Barbie Ferreira) trabalha como moderadora de conteúdo em uma plataforma de vídeos. Sofrendo mais do que uma prisioneira da escala 6×1, nossa heroína passa o dia assistindo a todo tipo de porcaria postada pelos usuários. Ela veta ou autoriza o que pode ir para a web.
Um belo dia, aparece em seu monitor a filmagem de uma suposta execução, que a deixa com uma pulga atrás da orelha. Margot, na dúvida, autoriza o conteúdo, achando que é um assassinato fake. Dias depois, outro vídeo nos mesmos moldes a deixa mais desconfiada ainda. É então que ela resolve investigar.

Sem cerimônias, já somos apresentados ao vilão. Arthur Spevak (Dacre Montgomery) é um serial killer/hacker/videomaker, com fixação por fama e muito fã do filme de 1978. É ele quem está postando as imagens que chegam até Margot. Seus assassinatos são reconstituições das cenas vistas no Faces da Morte original.
No começo, o roteiro traça um paralelo interessante sobre o que era tabu no passado e como a violência ficou banalizada em tempos de redes sociais. A própria Margot carrega um passado traumático, depois que uma brincadeira feita para a internet terminou em tragédia pessoal.

A investigação pelos fóruns online criam uma tensão legal também. A deep web podia ser uma parte interessante da trama, mas Daniel Goldhaber (que além de roteirista é o diretor) resolveu que sua obra deveria ser apenas um slasher.
Aí virou filme de assassino mascarado, que sequestra suas vítimas e as tortura psicologicamente, antes de sacramentar o crime. E a criatividade foi de arrasta pra cima.
O psicopata vivido por Dacre Montgomery deveria entregar um comportamento passivo-agressivo, mas o texto é ruim demais para lhe dar credibilidade. Cada frase de efeito é um deslize. Fazer o personagem dizer que está referenciando Faces da Morte porque “todo mundo ama um remake” talvez tenha sido o ápice dessa lambança.

A carismática Margot também fica com sua cota de clichês. Pela milésima vez na história do terror, temos uma protagonista na qual ninguém acredita, por causa do seu ‘passado complicado’. Para piorar, ela ainda começa a fazer burradas em prol das conveniências de roteiro.
Acabou que, assim como seu “avô” de 1978, esse novo Faces da Morte nos enganou. O antigo, porém, entrou para a história pela picaretagem. Esse aqui vai cair no esquecimento rapidinho.
Direção: Daniel Goldhaber
Roteiro: Daniel Goldhaber e Isa Mazzei
Elenco: Barbie Ferreira, Dacre Montgomery e Josie Totah
Origem: EUA
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Críticas
CRÍTICA: Obsessão (2026)

“Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.
E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.
Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.
No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.
Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife
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Críticas
CRÍTICA: Exit 8 (2026)

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.
Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.
O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.
1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.
Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.
Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão
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A verdade
1 de abril de 2019 at 04:03
Cara, só acho que você deixou de assistir TWD por conta do motivo errado.
Na boa, essa coisa de “ain tinha que focar nos zumbis e mostrar uma cura” fica pra Resident Evil. TWD tem uma pegada mais “Mad Max” e esse tipo de coisa de cura e foco nos zumbis não combina com a proposta da série.
O que é ruim da série de TV é que ela se distanciou MUITO do material de origem, além de sair matando gente que nem deveria morrer.
Eu curto pra caramba Resident, mas cada um na sua proposta.