Críticas
CRÍTICA: Corrente do Mal (2016)

[Por Jarmeson de Lima]
De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes.
“Corrente do Mal“(It Follows) parte do princípio que existe uma maldição por aí que cai sobre algumas pessoas e a única forma da vítima se livrar dela é passando esta maldição adiante. Uma vez com este estigma, o “ser” persegue a vítima até matar, sendo que o ritmo com que a perseguição ocorre acaba sendo até mais torturante do que o desfecho. Sabe aquela frase “Você pode fugir, mas não vai escapar“? Pois bem, a entidade do filme literalmente te segue até o fim. A busca incessante e incansável disso aí faz ainda suas vítimas ficarem paranoicas com todo mundo ao seu redor.

Ah sim, mas de que forma as pessoas amaldiçoadas podem passar adiante a maldição? Através do sexo! Aí caberia uma infinidade de metáforas com relação à vida em sociedade, relacionamentos, doenças venéreas e tal, mas creio que não precisaria discutir algo tão óbvio assim, até porque o filme também não se aprofunda nestas questões e deixa tudo subentendido. Mesmo soando clichê, as cenas de sexo não tem nada de excitante e sim frias e mecânicas.
Uma vez que já conhecemos estas regras, logo em seguida vamos acompanhando no decorrer dos minutos o que ocorre com as vítimas dessa entidade. E apesar das regras serem explicadas assim de uma vez, não espere mais respostas fáceis sobre o que aconteceu ou o que virá acontecer. Boa parte do que acontece em “Corrente do Mal” é apenas sugerido e não exatamente revelado, tendo cenas até certo ponto econômicas, mas eficientes. A tática do “menos é mais” funciona aqui mais uma vez e ajuda ao deixar o espectador mais apreensivo sobre o desenrolar da história.

Outro ponto positivo do filme vem do estilo voyeurístico empregado na câmera e em seus zooms para nos envolver com a trama e criar um clima de tensão. Já vimos câmeras subjetivas assim várias vezes no cinema de gênero, mas o bom é que em “It Follows” você também não tem certeza do que ou quem está vendo o quê. O estilo empregado por Mitchel nos coloca no mesmo clima de incerteza e medo que seus personagens estão passando.
É claro que o longa também não é essa maravilha toda que alardearam. Se por um lado o efeito de sugestão é eficaz, as lacunas de tempo no filme também ajudam um pouco a dispersar o efeito do medo. De qualquer forma, no cinema de horror contemporâneo, “Corrente do Mal” é aquela produção acima da média e que pouco a pouco vai conquistar uma boa legião de seguidores(!) assim como foi no caso de “ The Babadook“. Não deixa de ser interessante ver como o estilo dos dois filmes se parecem na montagem e como apostam em roteiros e personagens originais. É essa dose de renovação e ousadia, mesmo com pé no freio, que o cinema de gênero está precisando.

Direção: David Robert Mitchell
Roteiro: David Robert Mitchell
Elenco: Maika Monroe, Keir Gilchrist e Jake Weary
Origem: EUA
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Há dez anos, “Invasão Zumbi” (Train to Busan) chegava como um verdadeiro fenômeno no círculo de fãs de horror. O filme em si não apresentava nenhuma grande inovação no gênero, mas se destacava ao fazer boas cenas de ação (sim, de ação) com os zumbis/infectados num trem que cortava a península coreana.
Agora em “Zona Zero” (Colony), parte da construção da tensão e da ação em meio a uma infestação, ou seria infecção zumbi, se mantém em uma estrutura linear. Desde o início descobrimos quem é o vilão, suas intenções e como irá promover o caos, que na visão dele, na real é parte do renascimento da sociedade humana.

Baseado em conhecimentos e teorias da cyber-biologia, ou biotecnologia, que passam longe da ética, um pesquisador invejoso cria um vírus de laboratório para espalhar em uma importante convenção científica.
E em menos de meia hora de filme já temos uma grande leva de vítimas e de infectados que agem como zumbis maratonistas e triatletas. Depois que rola o primeiro ataque, aí é correria para todo lado. Quem foge ou tenta escapar da horda de criaturas tem q apelar pra se esconder em lojas e corredores do enorme empresarial que abriga centro de convenções e de compras.
Até se veem semelhanças com o “Despertar dos Mortos” (Dawn of The Dead) de George Romero nessa ambientação, mas só ali mesmo porque os monstros agora correm e atacam com verocidade.

Na comparação com o trem pra Busan onde cada vagão continha uma ameaça diferente, neste longa aqui, os sobreviventes precisam se esconder em diferentes andares e escritórios evitando confronto com os infectados. Até porque diferente de mortos-vivos convencionais, estes aqui possuem o diferencial de se comunicar em conjunto por uma consciência coletiva como ocorre com formigas.
Esse aí é inclusive o maior problema do título brasileiro do longa que não faz o menor sentido dar nome de “Zona Zero” quando seu nome original é traduzido como “Colônia” que tem total sintonia com a premissa já mencionada.

Mas mesmo sendo um pouco previsível assim nesta narrativa mais convencional de confinamento e fuga, “Zona Zero” reserva algumas surpresas, já que diante da ameaça e do vilão, não temos como imaginar como isso pode acabar e quem será o último a contar história.
E um dos maiores méritos do longa é usar poucos efeitos digitais e trabalhar bem com atores, figurantes e efeitos práticos bem grotescos. Em época de proliferação de uso de Inteligência Artificial como muleta pra qualquer tipo de cena no cinema, digamos que é um avanço dos coreanos mesmo que isso não seja uma inovação.
Título original: Colony
Direção: Yeon Sang-ho
Roteiristas: Choi Kyu-seok e Yeon Sang-ho
Elenco: Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook
País de origem: Coreia do Sul
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Críticas
CRÍTICA: Meus Mortos Tristes (2026)
Dirigido pelo chileno Pablo Larraín, a minissérie “Meus Mortos Tristes” não foca em assombrações malignas e jumpscares. O papo aqui é drama familiar e crítica social foda com uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas.

Vamos iniciar com uma sinopse sem muitos detalhes, para não estragar a surpresa que acontece já no primeiro episódio de Meus Mortos Tristes (2026), nova minissérie argentina da Netflix. Baseada nos contos da escritora Mariana Enriquez, que também é um dos roteiristas, a obra chegou ao serviço de streaming no dia 24 de setembro.
Ema (Mercedes Morán) é uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas. Após a morte da mãe, ela se muda para a antiga casa, que fica perto de um conjunto habitacional barra pesada, no subúrbio de Buenos Aires.

Com a visita de parentes que moram nos Estados Unidos, Ema descobre que sua sobrinha Julie (Carolina Álvarez) tem a mesma habilidade sobrenatural. O problema é que um evento inesperado faz com que a relação entre vivos e mortos tome grandes proporções na localidade.
Dirigido pelo chileno Pablo Larraín (O Conde, 2023), Meus Mortos Tristes tem quatro episódios e não precisava tanto. Mas isso fica para depois. É importante começar dando o alerta que a minissérie não vai focar em assombrações malignas e jumpscares, o papo aqui é drama familiar e crítica social foda.
Mercedes Morán é o grande destaque. Sua personagem não é nenhuma Lorraine Warren e não vê glamour, nem missão divina, em sua habilidade de se comunicar com espíritos.

Apesar de possuir sensibilidade suficiente para tomar decisões certas, o desdém pelo dom que carrega é sua maior faceta. A relação com a família, incluindo o fantasma da mãe, rende os melhores momentos. Carolina Álvarez, num papel mórbido e cativante, também merece ser lembrada.
Em algumas entrevistas o elenco teceu loas a Larraín, afirmando que o diretor foi o responsável por tirar deles algumas de suas melhores atuações. Como não há sustos e coisas pulando na tela, é a interação entre os personagens que faz a trama andar. E funciona bem.
Outro trunfo de Meus Mortos Tristes é sua ambientação na periferia. A violência do lugar e o clima de abandono da população de baixa renda faz um paralelo com a situação dos desencarnados que aparecem. A fotografia fria e azulada completa o quadro.
Mas, como dito acima, nem tudo são flores nesse túmulo e, talvez, um filme cairia melhor para essa história. O formato em quatro episódios (de 50 minutos cada) estica demais a trama, o que causa alguns problemas de continuidade e a sensação que o programa está enchendo linguiça.

Outra prova disso é que algumas subtramas ficam subvalorizadas, como o arco de Carol (Dolores Fonzi), filha de Ema, que sofre com a relação mal resolvida com a mãe e com uma perda pessoal. Os pais de Julie também são meio esquecidos durante boa parte do roteiro. O mesmo acontece com Lautaro (Germán De Silva), personagem que carrega um passado de amor não correspondido por Ema.
Ainda assim, Meus Mortos Tristes é uma bela fábula sombria, que fala sobre luto, depressão e memória. Sem contar que a minissérie faz um competente comentário sobre a violência desenfreada nas grandes metrópoles da América Latina. Vale o play nas apariciones.
Título original: Mis muertos tristes
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Anastasia Ayazi, Guillermo Calderón, Mariana Enriquez e Pablo Larraín
Elenco: Mercedes Morán, Dolores Fonzi e Carolina Álvarez
Origem: Argentina
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CRÍTICA: Resident Evil (2026)
Esta é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada.

A franquia Resident Evil é referência nos videogames, mas penava quando o assunto era adaptação para outras mídias, como TV e cinema, tendo como maior exemplo os filmes estrelados por Milla Jovovich no decorrer de décadas. A franquia tentou um reboot em 2021, mas o desastre veio. Agora, em setembro de 2026, um novo reboot é lançado sob a grife do diretor de “A Hora do Mal“.
Um rapaz que trabalha entregando órgãos em hospitais recebe uma oferta tentadora para ir à cidade de Raccoon City, e o que supostamente seria um serviço simples se torna uma luta pela sobrevivência, já que várias aberrações tomaram conta da cidade e arredores.

Aqui já adianto que essa é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada, em alguns detalhes visuais que remetem ao material original e no gameplay; sim, em alguns momentos me senti jogando. A história de “Resident Evil” é simples e direta, e me lembrou muito comédias de erro onde tudo o que podia dar errado dá; o protagonista não tem um minuto de paz em quase toda a jornada. A escolha de um civil sem nenhuma qualificação para combate foi acertada, já que ele serve como um espelho para a maioria de nós e gera identificação.

A polêmica sobre os momentos cômicos não me incomodou por boa parte do filme, mas, quando entram em cena outros personagens humanos, a coisa mudou de figura. O que estava divertido e com bons jumpscares se torna uma bobagem que me incomodou muito. Eu sei que é uma sátira, mas não ficou boa para mim, culminando em um clímax que me deu vergonha alheia. O terror está bem representado pelas criaturas nojentas que aparecem no decorrer do filme e que são inspiradas nos monstros dos jogos; elas são ameaçadoras. Tem gore, mas acho que poderia ser mais.
O filme não é ruim, tem boas cenas, diverte e tem bons sustos. O problema maior é que, quanto mais se aproxima do fim, vai ficando mais bobo.
Título original: Resident Evil
Direção : Zack Cregger
Roteiro: Zack Cregger e Shay Hatter
Produtores Executivos: Oliver Berben, Richard Wright, Robert Bernacchi
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry,Kali Reis e outros
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Andrezza Barbato
5 de junho de 2015 às 09:55
Lendo essa resenha fez até o filme parecer interessante, mas não consegui gostar tanto assim.
O filme não é ruim, mas também não é tudo isso.
Logo no começo ele já prende sua atenção, e desde o começo vc já sente que vai ser um filme tenso e intrigante.
Mas ao decorrer do filme eu já comecei a achar ele muito parado e arrastado. Não tem muita ação, só fica naquela coisa da perseguição e não passa disso.
Poderia ter se aprofundado muito mais no enredo, pois achei muito “superficial”.
Também não gostei muito da atriz principal, achei que ela só ficava com a mesma cara o filme todo kkk
O final também deixou a desejar.
Não é ruim, mas não é aquela Brastemp kkkkk
dan
18 de junho de 2015 às 14:05
concordo contigo Andrezza…pela critica esperava bem mais!
Rafael
28 de abril de 2016 às 10:58
Como eu explico …… o “Ideia” do filme é MUITO interessante … mas no enredo e na execução ao meu ver peca. Tinha potencial para ser um Suspense de 1ª … não foi oque aconteceu , mas ainda assim merece ser visto !
Marcus Vinicius
13 de agosto de 2015 às 17:19
O filme é interessante, principalmente na forma que a câmera trabalha, mas acho que faltou trabalhar um pouco mais o enredo (meio estranho o rapaz saber tanto da maldição pela forma que ele contou ter adquirido). Valeu assistir e realmente inova um pouco, mas não choca muito.
Jonatas
12 de novembro de 2015 às 01:34
Esse filme nao da medo nem em criança
Jan Scorcese
6 de agosto de 2017 às 10:42
Entendam a metáfora do filme e assistam novamente rs.
”Isso vai te seguir” (AIDS, Herpes Genital, sifilis etc)
”E para você escapar (do remorso/da culpa/do medo/ de ter a doeça, pq isso vai mudar sua vida para sempre*) você irá passar para outra pessoa está maldição” (Como vingança, como pessoas fazem em nossa realidade, por exemplo. Ou quando o casal adquiri a doença e decidem ficar juntos como o filme subtende)
A metáfora geral é que você pode passar, você pode fugir, você pode se matar, você pode fazer tratamento, mas se não hover cura : ela sempre estará lá.
Na minha opinião o filme é bom, nada mais que isso kk o terror psicológico que ele te propõe é intrigante, mas não me passou nada além de reflexões e suspense kk