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CRÍTICA: Pisque Duas Vezes (2024)

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Pisque Duas Vezes

Nas décadas de 1960 e 1970 era comum nos filmes de terror a figura do milionário excêntrico recluso e sem escrúpulos. De lá pra cá, a renda deles aumentou, ficaram bilionários, passaram a fazer filantropia de fachada e viraram celebridades de mídia, ganhando fãs e defensores de graça. Ridicularizar a classe alta com seus novos hábitos namasté gratiluz, entretanto, não é novidade, inclusive temos exemplos recentes no universo do horror tipo “O Menu” e “Piscina Infinita” em que a luta de classes ganha vida.

Mas o que chama atenção em “Pisque Duas Vezes” (Blink Twice) da estreante Zoë Kravitz é justamente a forma como conduzir uma história que envolve um bilionário de tech que leva convidados/as para uma ilha particular onde todo mundo pode curtir as férias que sempre quiseram. Toda essa introdução até parece episódio de um desses realities de gente bonita em clima de paquera num paraíso tropical.

Com cores vibrantes, contraste visual e uma trilha afiada, a gente imerge no mundo animado de festinhas de gente rica sem freio. Imagine só estar no lugar da protagonista, a garçonete Frida (Naomi Ackie) que tem a chance de se infiltrar no baile de gala que o multibilionário Slater King (Channing Tatum) promove e no fim da noite ir para um after em seu resort de luxo.

Um típico sonho que lentamente vira pesadelo quando cada convidado começa a não lembrar bem o que fez durante a noite anterior. Mas depois de um farto jantar com bebidas, ervas e drogas sintéticas, quem ficaria sóbrio, não é mesmo?!

Em um constante clima de tensão, mistério e paranoia, Kravitz revela pouco a pouco o que está por trás da farra de dias sem fim em uma trama que é amedrontadora especialmente para as mulheres. “Pisque Duas Vezes” ainda apresenta boas atuações e um elenco de coadjuvantes que vai de Christian Slater e Geena Davis até Kyle MacLachlan e Haley Joel Osment para a gente matar saudade dessa turma na tela junto a novos rostos.

O roteiro de Zoë Kravitz começou a ser escrito em 2017, durante o movimento #MeToo, que expunha magnatas norte-americanos acusados de crimes sexuais. “Entre as situações que eu tinha visto, experimentado, lido, que aconteceram com amigas minhas, eu senti que se falava ainda muito pouco sobre a dinâmica entre homens e mulheres“, conclui Zoë.

E quando pensamos que a história vai se encaminhando para uma resolução previsível, chega uma reviravolta interessante para saciar a sede de vingança das testemunhas do caso. No fim, “Pisque Duas Vezes” traz aquele tipo de coisa que esconde algo perigoso atrás de rostos sorridentes em fotos pras redes sociais.

Escala de tocância de terror:

Título original: Blink Twice
Direção: Zoë Kravitz
Roteiro: Zoë Kravitz e E.T. Feigenbaum
Elenco: Naomi Ackie, Channing Tatum, Alia Shawkat, Christian Slater e outros
Ano de lançamento: 2024

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark RioMar

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CRÍTICA: Exit 8 (2026)

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Exit 8

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.

Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.

O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.

1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.

Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.

Escala de tocância de terror:

Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão

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CRÍTICA: O Menu (2022)

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O Menu

O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).

A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.

Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.

O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.

O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA

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CRÍTICA: Corrente do Mal (2016)

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Corrente Do Mal

[Por Jarmeson de Lima]

De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)

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