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CRITICA: O Exorcista do Papa (2023)

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O Exorcista do Papa

Imagine um Bud Spencer que, ao invés de vender bananas em um barco e estapear bandidos, é padre e expulsa demônios de pessoas. É mais ou menos assim que Russell Crowe está em O Exorcista do Papa (2023), filme que estreou esse ano, com o migué de ser inspirado em ‘relatos reais de Gabriele Amorth, o exorcista chefe do Vaticano’.

Então tá. Russell Crowe é o próprio Gabriele Amorth, que vive pra cima e pra baixo em sua lambreta, exorcizando demônios e combatendo os burocratas da Santa Igreja que tentam aposentá-lo. É o clássico herói rebelde de filmes de ação (inclusive, o longa é ambientado nos anos 80, década marcada por esse tipo de clichê).

Mas Amorth não é qualquer exorcista, ele é O Exorcista do Papa. Sendo assim, o sumo pontífice (interpretado por Franco Nero) segura a onda e mantém seu fiel escudeiro intocável, no melhor estilo ‘tu é meu e o bispo não lambe’ (desculpa).

No outro núcleo da história, uma família americana se muda para a Espanha e vai morar em uma abadia que está sendo reformada. No meio das obras, uma força demoníaca é despertada e o menino acaba ficando encapetado. Então, Amorth é chamado para resolver a parada.

O curioso é que essa primeira parte do filme, apesar de tudo ser previsível, faz com que você crie uma certa simpatia pelo personagem principal. Graças a interpretação bonachona de Russell Crowe, Gabriele Amorth é um ótimo personagem de comédia, que bebe, fala palavrão e faz piadas do tiozão do pavê o tempo todo. Infelizmente, como tudo em Hollywood esses dias, um filme sem a menor necessidade ou competência para isso, tenta ser grandioso.

E tome efeito especial, frases de efeitos para lá manjadas saindo da boca do demônio e personagens secundários sem um pingo de carisma. Isso sem contar todo o lugar comum de sessão de exorcismo com orações, artefatos cristãos e menino amarrado na cama. Furo de roteiro tem um monte, mas o pior é que rola um momento ‘passada de pano’ para a Inquisição Espanhola, afim de colocar a Igreja Católica no lado bom da história.

No fim das contas, se O Exorcista do Papa abraçasse uma vibe Evil Dead e se entregasse ao pastelão, daria certo. Infelizmente, a produção preferiu fazer um tipo de cópia barata de Invocação do Mal, inclusive deixando ganchos para continuações em um possível ‘Papaverso’.

Como essa bagaça arrecadou mais de 72 milhões de dólares em sua bilheteria mundial, podemos prever uma nova aventura do padre Amorth em breve. O longa já deixou as salas de cinema no Brasil, mas pode ser visto nas plataformas Amazon Prime Video, Apple TV+, Google Play Filmes e YouTube.

Escala de tocância de terror:

Direção: Julius Avery
Roteiro: Michael Petroni e Evan Spiliotopoulos
Elenco: Russell Crowe, Daniel Zovatto e Alex Essoe
Origem: EUA

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CRÍTICA: Exit 8 (2026)

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Exit 8

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.

Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.

O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.

1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.

Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.

Escala de tocância de terror:

Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão

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CRÍTICA: O Menu (2022)

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O Menu

O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).

A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.

Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.

O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.

O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA

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CRÍTICA: Corrente do Mal (2016)

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Corrente Do Mal

[Por Jarmeson de Lima]

De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)

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