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CRÍTICA: O Exorcista – O Devoto (2023)

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O Exorcista - O Devoto

Prezades leitores do Toca o Terror,
ao longo deste 10 anos de site e convivência mais direta com o universo do cinema de horror, confesso que nunca antes presenciei algo tão deplorável quando “O Exorcista – O Devoto“. Vejam só… nesta última década tivemos uma série de filmes que tentaram emular a alma do filme original de William Friedkin, mas que obviamente falharam em gênero, número e grau. Tivemos exorcismo baseado em fatos reais, tivemos exorcismo em estilo found-footage e tivemos até um exorcista a mando do Papa.

Mas eis que 50 anos depois do lançamento daquele clássico, a Blumhouse resolveu investir mais uma vez no tema e resgatar a franquia com uma espécie de continuação/remake/reboot/revival da história. Então tendo isto em mente, preparem-se. “O Exorcista – O Devoto” é uma tragédia. Em vários sentidos. Permitam-me aqui dar alguns spoilers, porque afinal de contas é merecido.

Tenha em conta que este novo filme quer se inserir no cânone original da produção que o finado Friedkin nos deixou como legado trazendo algo daquela atmosfera pros dias atuais. Sendo que tudo é tão superficial que se não fosse o título, mal saberíamos a relação deste longa com os anteriores.

Para não dizer que “O Exorcista – O Devoto” não tem ligação com a obra original, ele resgata no meio do roteiro a personagem de Ellen Burstyn como a mãe da possuída Reagan e tenta pincelar algo a respeito de como ela viveu nos anos posteriores ao exorcismo. Ainda assim, não se deixe enganar. É um fan-service que não se sustenta diante da coleção de absurdos que é o que se chama de roteiro.

E aí diante das inevitáveis comparações com a obra de 1973, o que mais poderiam inventar? Pois creiam… ao invés de uma criança possuída, “O Exorcista – O Devoto” agora tem duas crianças que encarnam demônios! E nenhum dos dois seres malignos é Pazuzu. Aliás, eles nem tem nome nem origem, já que a possessão é realizada numa muito mal contada tentativa de comunicação com espíritos no meio da floresta(!). Algo tipo “Evil Dead” com “Fale Comigo” mas executado da pior forma possível, uma vez que não fica convicente nem pros personagens nem pra ninguém que esteja ali assistindo.

Por sinal, é difícil ter algo convincente ali. Nem o padre se salva. Escolheram um ator que sequer tem jeito ou a impostação necessária para fazer os ritos de exorcismo. Aqui abro parênteses para falar que os diretores de elenco estão vacilando bem na escolha de sacerdotes na ficção, optando por caras jovens, mas que não demonstam um pingo de sofrimento ou resignação necessárias a um papel desta magnitude. E pela cara do sujeito, a gente já imagina que ele não vai dar conta da missão.

Diante da amarelada do padre por conta das burocracias impostas pela diocese, o filme inaugura uma nova modalidade: o Exorcismo Comunitário. Sim, uma espécie de intervenção ecumênica onde estão juntos os pais das crianças, um pastor, uma ex-noviça e uma mulher de religião mística afroamericana. Se em outros filmes similares vemos o ritual como um ponto alto da trama, aqui a tentativa de tirar o demônio do couro das crianças acaba virando uma longa sequência que me provocou sentimentos conflitantes de incredulidade e riso. Rola até uma “briga” entre a fumaça exalada pelos demônios e pelo fogo beatificado.

Não bastasse a precariedade das cenas, o texto tem uma leve inclinação pra doutrinação cristã, onde do nada, uma personagem constata que deveria ter batizado logo sua filha para evitar o mal. Fãs de “Som da Liberdade” e do infame “Nefarious” certamente vão curtir o recado.

Ah, mas assusta? Rola um ou outro jumpscare para dizer que é da estética de horror desta geração, mas nada que lhe tire o sono. É tudo tão desastroso que até os momentos que deveriam ser tensos, ficam naquele lugar-comum de nada-acontece-feijoada. E assim mais uma franquia vai pro ralo por gente que aparentemente odeia filmes do gênero e acha que basta seguir uma fórmula com personagens já conhecidos para garantir uma grande bilheteria. Ou não.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Exorcist – Believer
Diretor: David Gordon Green
Elenco: Ellen Burstyn, Olivia O’Neill, Leslie Odom Jr, Ann Dowd e outros
Ano de lançamento: 2023

P.S.: Só para lhe dar um alento e não perder a fé, indico fortemente “O Exorcista III“, dirigido pelo próprio autor do livro original, William Peter Blatty, que tem uma das maiores cenas de terror da história do cinema.

* Filme visto na Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no UCI Recife.

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CRÍTICA: Zona Zero (2026)

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Zona Zero

Há dez anos, “Invasão Zumbi” (Train to Busan) chegava como um verdadeiro fenômeno no círculo de fãs de horror. O filme em si não apresentava nenhuma grande inovação no gênero, mas se destacava ao fazer boas cenas de ação (sim, de ação) com os zumbis/infectados num trem que cortava a península coreana.

Agora em “Zona Zero” (Colony), parte da construção da tensão e da ação em meio a uma infestação, ou seria infecção zumbi, se mantém em uma estrutura linear. Desde o início descobrimos quem é o vilão, suas intenções e como irá promover o caos, que na visão dele, na real é parte do renascimento da sociedade humana.

Baseado em conhecimentos e teorias da cyber-biologia, ou biotecnologia, que passam longe da ética, um pesquisador invejoso cria um vírus de laboratório para espalhar em uma importante convenção científica.

E em menos de meia hora de filme já temos uma grande leva de vítimas e de infectados que agem como zumbis maratonistas e triatletas. Depois que rola o primeiro ataque, aí é correria para todo lado. Quem foge ou tenta escapar da horda de criaturas tem q apelar pra se esconder em lojas e corredores do enorme empresarial que abriga centro de convenções e de compras.

Até se veem semelhanças com o “Despertar dos Mortos” (Dawn of The Dead) de George Romero nessa ambientação, mas só ali mesmo porque os monstros agora correm e atacam com verocidade.

Na comparação com o trem pra Busan onde cada vagão continha uma ameaça diferente, neste longa aqui, os sobreviventes precisam se esconder em diferentes andares e escritórios evitando confronto com os infectados. Até porque diferente de mortos-vivos convencionais, estes aqui possuem o diferencial de se comunicar em conjunto por uma consciência coletiva como ocorre com formigas.

Esse aí é inclusive o maior problema do título brasileiro do longa que não faz o menor sentido dar nome de “Zona Zero” quando seu nome original é traduzido como “Colônia” que tem total sintonia com a premissa já mencionada.

Mas mesmo sendo um pouco previsível assim nesta narrativa mais convencional de confinamento e fuga, “Zona Zero” reserva algumas surpresas, já que diante da ameaça e do vilão, não temos como imaginar como isso pode acabar e quem será o último a contar história.

E um dos maiores méritos do longa é usar poucos efeitos digitais e trabalhar bem com atores, figurantes e efeitos práticos bem grotescos. Em época de proliferação de uso de Inteligência Artificial como muleta pra qualquer tipo de cena no cinema, digamos que é um avanço dos coreanos mesmo que isso não seja uma inovação.

Escala de tocância de terror:

Título original: Colony
Direção: Yeon Sang-ho
Roteiristas: Choi Kyu-seok e Yeon Sang-ho
Elenco: Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook
País de origem: Coreia do Sul

* “Zona Zero” estreia nos cinemas brasileiros em 15 de outubro e foi visto pelo Toca o Terror em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z

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CRÍTICA: Meus Mortos Tristes (2026)

Dirigido pelo chileno Pablo Larraín, a minissérie “Meus Mortos Tristes” não foca em assombrações malignas e jumpscares. O papo aqui é drama familiar e crítica social foda com uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas.

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Meus Mortos Tristes

Vamos iniciar com uma sinopse sem muitos detalhes, para não estragar a surpresa que acontece já no primeiro episódio de Meus Mortos Tristes (2026), nova minissérie argentina da Netflix. Baseada nos contos da escritora Mariana Enriquez, que também é um dos roteiristas, a obra chegou ao serviço de streaming no dia 24 de setembro.

Ema (Mercedes Morán) é uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas. Após a morte da mãe, ela se muda para a antiga casa, que fica perto de um conjunto habitacional barra pesada, no subúrbio de Buenos Aires.

Com a visita de parentes que moram nos Estados Unidos, Ema descobre que sua sobrinha Julie (Carolina Álvarez) tem a mesma habilidade sobrenatural. O problema é que um evento inesperado faz com que a relação entre vivos e mortos tome grandes proporções na localidade.

Dirigido pelo chileno Pablo Larraín (O Conde, 2023), Meus Mortos Tristes tem quatro episódios e não precisava tanto. Mas isso fica para depois. É importante começar dando o alerta que a minissérie não vai focar em assombrações malignas e jumpscares, o papo aqui é drama familiar e crítica social foda.

Mercedes Morán é o grande destaque. Sua personagem não é nenhuma Lorraine Warren e não vê glamour, nem missão divina, em sua habilidade de se comunicar com espíritos.

Apesar de possuir sensibilidade suficiente para tomar decisões certas, o desdém pelo dom que carrega é sua maior faceta. A relação com a família, incluindo o fantasma da mãe, rende os melhores momentos. Carolina Álvarez, num papel mórbido e cativante, também merece ser lembrada.

Em algumas entrevistas o elenco teceu loas a Larraín, afirmando que o diretor foi o responsável por tirar deles algumas de suas melhores atuações. Como não há sustos e coisas pulando na tela, é a interação entre os personagens que faz a trama andar. E funciona bem.

Outro trunfo de Meus Mortos Tristes é sua ambientação na periferia. A violência do lugar e o clima de abandono da população de baixa renda faz um paralelo com a situação dos desencarnados que aparecem. A fotografia fria e azulada completa o quadro.

Mas, como dito acima, nem tudo são flores nesse túmulo e, talvez, um filme cairia melhor para essa história. O formato em quatro episódios (de 50 minutos cada) estica demais a trama, o que causa alguns problemas de continuidade e a sensação que o programa está enchendo linguiça.

Outra prova disso é que algumas subtramas ficam subvalorizadas, como o arco de Carol (Dolores Fonzi), filha de Ema, que sofre com a relação mal resolvida com a mãe e com uma perda pessoal. Os pais de Julie também são meio esquecidos durante boa parte do roteiro. O mesmo acontece com Lautaro (Germán De Silva), personagem que carrega um passado de amor não correspondido por Ema.

Ainda assim, Meus Mortos Tristes é uma bela fábula sombria, que fala sobre luto, depressão e memória. Sem contar que a minissérie faz um competente comentário sobre a violência desenfreada nas grandes metrópoles da América Latina. Vale o play nas apariciones.

Escala de tocância de terror:

Título original: Mis muertos tristes
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Anastasia Ayazi, Guillermo Calderón, Mariana Enriquez e Pablo Larraín
Elenco: Mercedes Morán, Dolores Fonzi e Carolina Álvarez
Origem: Argentina

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CRÍTICA: Resident Evil (2026)

Esta é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada.

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Resident Evil

A franquia Resident Evil é referência nos videogames, mas penava quando o assunto era adaptação para outras mídias, como TV e cinema, tendo como maior exemplo os filmes estrelados por Milla Jovovich no decorrer de décadas. A franquia tentou um reboot em 2021, mas o desastre veio. Agora, em setembro de 2026, um novo reboot é lançado sob a grife do diretor de “A Hora do Mal“.

Um rapaz que trabalha entregando órgãos em hospitais recebe uma oferta tentadora para ir à cidade de Raccoon City, e o que supostamente seria um serviço simples se torna uma luta pela sobrevivência, já que várias aberrações tomaram conta da cidade e arredores.

Aqui já adianto que essa é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada, em alguns detalhes visuais que remetem ao material original e no gameplay; sim, em alguns momentos me senti jogando. A história de “Resident Evil” é simples e direta, e me lembrou muito comédias de erro onde tudo o que podia dar errado dá; o protagonista não tem um minuto de paz em quase toda a jornada. A escolha de um civil sem nenhuma qualificação para combate foi acertada, já que ele serve como um espelho para a maioria de nós e gera identificação.

A polêmica sobre os momentos cômicos não me incomodou por boa parte do filme, mas, quando entram em cena outros personagens humanos, a coisa mudou de figura. O que estava divertido e com bons jumpscares se torna uma bobagem que me incomodou muito. Eu sei que é uma sátira, mas não ficou boa para mim, culminando em um clímax que me deu vergonha alheia. O terror está bem representado pelas criaturas nojentas que aparecem no decorrer do filme e que são inspiradas nos monstros dos jogos; elas são ameaçadoras. Tem gore, mas acho que poderia ser mais.

O filme não é ruim, tem boas cenas, diverte e tem bons sustos. O problema maior é que, quanto mais se aproxima do fim, vai ficando mais bobo.

Escala de tocância de terror:

Título original: Resident Evil
Direção : Zack Cregger
Roteiro: Zack Cregger e Shay Hatter
Produtores Executivos: Oliver Berben, Richard Wright, Robert Bernacchi
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry,Kali Reis e outros

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