Críticas
CRÍTICA: Drácula – A Última Viagem do Deméter (2023)

“Drácula: A Última Viagem do Deméter“, filme de André Øvredal (de “Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro” e “A Autópsia“) nos traz uma livre adaptação do diário de bordo do capitão Eliot (Liam Cunningham). Assim como no capítulo do livro de Bram Stoker, é através das páginas desse registro que saberemos como toda a tripulação da escuna russa Deméter será eliminada por uma misteriosa criatura, membro após membro, até o terrível final do próprio capitão que mais tarde será encontrado amarrado ao leme de sua embarcação, arrastada até a costa britânica, perto de Whitby Harbour.

Assistir um filme sobre o navio que trouxe o conde Drácula para a Inglaterra pode soar meio como assistir “A Paixão de Cristo”… A gente já sabe como acaba, resta ver como as peças se encaixarão para que a história chegue no final. Mas nessa adaptação conhecemos alguns personagens que não estão no livro, o que já traz novos elementos à equação. O médico e astrônomo Clemens (Corey Hawkins), o neto do capitão, Toby (Woody Norman) e a clandestina Anna (Aisling Franciosi). A descoberta da jovem, encontrada dentro de uma caixa à beira da morte, está diretamente ligada a tudo de misterioso que virá adiante, reforçando a supestição de que mulher à bordo era um mau presságio. A destruição de toda a carga viva (porcos, cabras, galinhas, porcos) e do fiel cachorro Huck serão apenas o início das desventuras que a tripulação terá de enfrentar.

O longa vem com uma produção caprichada e uma fotografia bem cuidada, que me remeteu em várias cenas ao subestimado “Drácula” dirigido em 1979 por John Badham, e com uma criatura inspirada no até hoje assustador Conde Orloff de “Nosferatu” (que também viria a inspirar Kurt Barlow, de “Salem’s Lot“). “Drácula: A Última Viagem do Deméter” consegue prender a atenção do espectador com uma narrativa lenta, que pode não agradar muito o pessoal que gosta de sustos fáceis, mas que a meu ver, encaixa muito bem com o clima da longa jornada dentro do navio. E faz isso de forma bem eficiente, com boas atuações e boa carga dramática durante os dois primeiros atos.

Infelizmente todo esse bom trabalho vai meio por água abaixo no último terço do filme. Confesso que o final bobo chega a dar um pouco de raiva (mas depois da sessão eu fui almoçar e antes de terminar o prato, a raiva já tinha passado). Outra coisa que faz falta é o fato de construírem todo um clima como o do “Drácula” com Frank Langella (acima citado), mas deixarem de fora um dos pontos fortes da obra: uma trilha sonora marcante. Isso teria feito uma grande diferença no resultado final.
Por fim, acredito que a equipe tenha ficado bem orgulhosa com o resultado final da criatura (com todo mérito, vale salientar). Pense num bicho feio da porra!… Mas bem que podiam mostrar ela um pouquinho menos. Eu manteria o Drácula (interpretado na forma ‘humana’ por Javier Botet) nas sombras, que é o seu lugar.

A estreia oficial será no dia 24 de agosto nos cinemas do Brasil.

Título original: The Last Voyage of the Demeter
Direção: André Øvredal
Roteiro: Bragi F. Schut, Zak Olkewicz e Bram Stoker
Elenco: Javier Botet, Corey Hawkins, Aisling Franciosi, Liam Cunningham, David Dastmalchian, Woody Norman e outros
Ano de lançamento: 2023
Sinopse: Baseado no livro “Drácula” de Bram Stoker, a história se passa a bordo do navio Demeter, onde uma tripulação condenada enfrenta eventos estranhos e aterrorizantes durante a viagem.
* Filme visto na Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no UCI Kinoplex Shopping Recife
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Críticas
CRÍTICA: Passageiro do Mal (2026)
O trailer de “Passageiro do Mal” já avisava que vinha clichê por aí, mas a minha mente insistiu no clássico “vai que é bom”. Não era.

“Passageiro do Mal” (Passenger) surgiu do nada (pelo menos para mim) nos últimos meses e, mesmo achando o trailer extremamente genérico e clichê, fiquei tentado a dar uma conferida. No fundo da minha mente ecoava: “vai que é bom e você está só sendo chato”. Então, com a estreia, decidi me arriscar no cinema e tirar minhas conclusões, que veremos a seguir.
A história segue um jovem casal que decide trocar a vida em um grande centro urbano pela aventura de viver pelo campo. Só que eles encontram o terror quando viram alvos de uma entidade demoníaca que caça vidas pelas rodovias. A questão é se eles vão seguir o caminho certo ou acabar dirigindo para a morte certa.

Olha, eu até gosto de filmes ruins quando eles se assumem dessa maneira. Acho, no geral, os filmes da The Asylum divertidíssimos, mas em “Passageiro do Mal” os realizadores foram para a direção mais clichê e imbecil possível, além de se levarem a sério demais. Eu me senti de volta ao início dos anos 2000, época em que filmes de assombração como este apareciam a rodo nos cinemas.
Os protagonistas são sem sal, com pouco carisma e desenvolvimento, enquanto os coadjuvantes são folhas em branco de tão rasos. A ameaça tem um visual bem questionável e pertence àquela categoria de vilões sobrenaturais que, assim que aparecem na tela, soltam um grito “assustador”.

A direção e o roteiro estão de mãos dadas na tentativa de assustar de uma forma que virou piada há décadas. Todas as tentativas de susto são extremamente telegrafadas, e as cenas de gore com CGI ruim enterraram de vez o longa. O diretor que tinha mostrado seu talento nos longas “A Autópsia” e “A Última Viagem do Deméter“, pareceu que aqui só estava interessado no contracheque mesmo.

Um filme claramente descartável que deveria ser uma sobra de streaming, mas que jogaram no cinema para pegar besta e masoquista. Neste caso, fui os dois. Aconselho você a respeitar o seu dinheiro e fazer outra coisa com o valor do ingresso.
Título original: Passenger
Direção: André Øvredal
Roteiro: Zachary Donohue e T.W. Burgess
Elenco: Melissa Leo, Lou Llobell, Jacob Scipio e outros
Duração: 94 min
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Críticas
CRÍTICA: Faces da Morte (2026)

Uma rápida pesquisa na internet te explica o que é o Faces da Morte de 1978. Sucesso nas locadoras de vídeo nos anos 80 e 90, a fita era um documentário que prometia cenas de morte reais, algo dificílimo de acessar naquela época. No entanto, muito do que aparece na tela são encenações.
Foi apostando na ‘força’ dessa joça e na ‘memória afetiva’ dos fãs (!), que Daniel Goldhaber e Isa Mazzei escreveram o seu metalinguístico Faces da Morte (Faces of Death, 2026). O curioso é que o filme até consegue criar um bom clima de suspense e levantar questões interessantes. Mas isso só dura até a página 2.

Margot (Barbie Ferreira) trabalha como moderadora de conteúdo em uma plataforma de vídeos. Sofrendo mais do que uma prisioneira da escala 6×1, nossa heroína passa o dia assistindo a todo tipo de porcaria postada pelos usuários. Ela veta ou autoriza o que pode ir para a web.
Um belo dia, aparece em seu monitor a filmagem de uma suposta execução, que a deixa com uma pulga atrás da orelha. Margot, na dúvida, autoriza o conteúdo, achando que é um assassinato fake. Dias depois, outro vídeo nos mesmos moldes a deixa mais desconfiada ainda. É então que ela resolve investigar.

Sem cerimônias, já somos apresentados ao vilão. Arthur Spevak (Dacre Montgomery) é um serial killer/hacker/videomaker, com fixação por fama e muito fã do filme de 1978. É ele quem está postando as imagens que chegam até Margot. Seus assassinatos são reconstituições das cenas vistas no Faces da Morte original.
No começo, o roteiro traça um paralelo interessante sobre o que era tabu no passado e como a violência ficou banalizada em tempos de redes sociais. A própria Margot carrega um passado traumático, depois que uma brincadeira feita para a internet terminou em tragédia pessoal.

A investigação pelos fóruns online criam uma tensão legal também. A deep web podia ser uma parte interessante da trama, mas Daniel Goldhaber (que além de roteirista é o diretor) resolveu que sua obra deveria ser apenas um slasher.
Aí virou filme de assassino mascarado, que sequestra suas vítimas e as tortura psicologicamente, antes de sacramentar o crime. E a criatividade foi de arrasta pra cima.
O psicopata vivido por Dacre Montgomery deveria entregar um comportamento passivo-agressivo, mas o texto é ruim demais para lhe dar credibilidade. Cada frase de efeito é um deslize. Fazer o personagem dizer que está referenciando Faces da Morte porque “todo mundo ama um remake” talvez tenha sido o ápice dessa lambança.

A carismática Margot também fica com sua cota de clichês. Pela milésima vez na história do terror, temos uma protagonista na qual ninguém acredita, por causa do seu ‘passado complicado’. Para piorar, ela ainda começa a fazer burradas em prol das conveniências de roteiro.
Acabou que, assim como seu “avô” de 1978, esse novo Faces da Morte nos enganou. O antigo, porém, entrou para a história pela picaretagem. Esse aqui vai cair no esquecimento rapidinho.
Direção: Daniel Goldhaber
Roteiro: Daniel Goldhaber e Isa Mazzei
Elenco: Barbie Ferreira, Dacre Montgomery e Josie Totah
Origem: EUA
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CRÍTICA: Obsessão (2026)

“Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.
E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.
Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.
No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.
Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife
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