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CRÍTICA: A Luz do Demônio (2022)

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A Luz do Demônio

Nos últimos dez anos vimos uma série de filmes de exorcismo genéricos e sem oferecer nada marcante. Considerando o histórico acima, lamentavelmente informamos que “A Luz do Demônio” (Prey for the Devil) é mais um desses exemplares sem brilho. Em comum com a maioria temos padres e religiosos que perderam a fé e tentam pela última vez enfrentar os males das trevas.

Desta vez nem dá pra culpar o excesso de jumpscares por algo que queiram esconder porque os poucos que existem são ineficazes na arte de assustar. O que eventualmente pode ser lembrado do filme além dos pequenos e graves furos de roteiro são alguns efeitos visuais. Mas convenhamos, é mais que obrigação deste tipo de produção entregar algo que seja esteticamente assustador e grotesco.

Para dar ao longa um certo verniz de seriedade, “A Luz do Demônio” puxa casos supostamente reais de possessões que tiveram intervenção do Vaticano. Passamos então a ver nos dias atuais uma universidade-hospital em Boston onde padres aprendem sobre rituais religiosos mais complexos e as freiras cuidam dos pacientes em “observação”.

Numa dessas, a Irmã Ann (Jacqueline Byers) passa a se apegar à jovem Natalie (Posy Taylor), interna que tem uns 8 anos e que já demonstra sinais de que está com o diabo no corpo. E devido a traumas de infância e de um passado recente, a jovem freira se interessa pelos casos de possessão com mais afinco do que deveria chegando a se esgueirar para ver aulas de forma clandestina.

Mas como o código canônico não permite que freiras exerçam rituais de exorcismo, cabe aos sacerdotes mais velhos a ingrata tarefa. E diante de homens de pouca fé e que nem têm convicção no que recitam, o demônio se aproveita da menina e resta à pobre Ann ter q dialogar e negociar a alma da criança ao seu modo.

Ou seja, vocês vão poder ver tudo menos um exorcismo tradicional aqui. Nesse sentido, a gente até se compadece das personagens em alguns momentos, principalmente quando fica escancarado o jogo de poder e o machismo da Igreja. Mas como tudo é mal construído, logo você esquece e volta a torcer para que o filme acabe logo.

No fim, “A Luz do Demônio” é um longa dispensável. Obras como “Exorcistas do Vaticano” e “O Exorcismo de Emily Rose” até exploram melhor essas questões burocráticas e veladas dos rituais católicos pela Santa Sé. Mas se for pra ver algo que dê mais medo e saiba trabalhar mais a religiosidade e o enfrentamento da fé diante dos demônios, a série “30 Monedas” da HBO faz mais bonito. Ou seja, essa luz se apaga rapidinho pra quem é mais exigente.

Escala de tocância de terror:

Título original: Prey for the Devil
Direção: Daniel Stamm
Roteiristas: Robert Zappia, Todd R. Jones, Earl Richey Jones
Elenco: Jacqueline Byers, Virginia Madsen, Colin Salmon
Ano de lançamento: 2022

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CRÍTICA: Exit 8 (2026)

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Exit 8

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.

Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.

O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.

1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.

Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.

Escala de tocância de terror:

Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão

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CRÍTICA: O Menu (2022)

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O Menu

O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).

A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.

Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.

O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.

O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA

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CRÍTICA: Corrente do Mal (2016)

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Corrente Do Mal

[Por Jarmeson de Lima]

De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)

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