Críticas
CRÍTICA: Corra! (2017)

O fotógrafo Chris Washington, interpretado magistralmente por Daniel Kaluuya (Black Mirror, Psychoville), está pra enfrentar um dos maiores terrores que um jovem pode enfrentar: conhecer os pais de sua namorada (Allison Williams). As coisas podem se tornar um pouco piores pelo fato de Chris ser negro e os pais da moça (Bradley Whitford e Catherine Keener) serem brancos.
Após uma viagem um pouco conturbada devido a um acidente de tráfego, o casal chega à bela casa dos Armitage e Chris começa a perceber que as outras pessoas negras que frequentam a morada, os funcionários Walter (Marcus Henderson) e Georgina (Betty Gabriel), se comportam de uma forma meio estranha. Qual será o motivo? Ele em breve descobrirá!

Reforma trabalhista?
Dirigido por Jordan Peele, “Corra!” me remeteu muito à obra de Ira Levin. Esse lance de uma “sociedade” misteriosa formada por brancos ricos e esquisitos (meio que pleonasmo, né?), que vimos em adaptações cinematográficas de seus livros como “As Esposas de Stepford“, de 1975, ou até mesmo em “O Bebê de Rosemary“, de 1968.

“Onde será que eu vi esse povo antes? Será que foi em O Bebê de Rosemary? Será que foi naquele comercial do Cemitério Morada da Paz?”
É esquisito quando você vai assistir um filme de terror mas o que mais te satisfaz são as tiradas sutis de humor do filme. Sejam nas participações sempre ótimas de Rod, o melhor amigo de Chris, interpretado por LilRel Howery ou nos diálogos onde os brancos ricos tentam, sem sucesso, mostrar como não são racistas falando coisas como “votei duas vezes no Obama!” ou “eu conheci Tiger Woods! O melhor!” em uma festa. Isso talvez seja fruto da bagagem do ator/escritor Jordan Peele, que estreia na direção mas que já escreveu (e atuou) em muitas comédias (MADtv, Keanu, Robot Chicken, Childrens Hospital, etc)

“Corra tem uns furos no roteiro que plmdds mas tentar fazer alguém acreditar que as pessoas fazem busca na internet usando o Bing… essa foi foda!” “Hahahahahaha!”
Da forma como está sendo vendido como “filme de terror sobre racismo”, a obra finda frustrando. Tirando algumas poucas situações como a conversa entre o casal sobre se os pais dela sabiam que ele era negro ou a festa acima citada, onde Chris é apresentado para a “sociedade”, pouco se discute sobre o tema e, cá entre nós, racismo é bem mais assustador do que “Corra!”.

Direção e roteiro: Jordan Peele
Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, LilRel Howery
Origem: Estados Unidos
* Filme visto na Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Recife
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Críticas
CRÍTICA: Resident Evil (2026)
Esta é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada.

A franquia Resident Evil é referência nos videogames, mas penava quando o assunto era adaptação para outras mídias, como TV e cinema, tendo como maior exemplo os filmes estrelados por Milla Jovovich no decorrer de décadas. A franquia tentou um reboot em 2021, mas o desastre veio. Agora, em setembro de 2026, um novo reboot é lançado sob a grife do diretor de “A Hora do Mal“.
Um rapaz que trabalha entregando órgãos em hospitais recebe uma oferta tentadora para ir à cidade de Raccoon City, e o que supostamente seria um serviço simples se torna uma luta pela sobrevivência, já que várias aberrações tomaram conta da cidade e arredores.

Aqui já adianto que essa é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada, em alguns detalhes visuais que remetem ao material original e no gameplay; sim, em alguns momentos me senti jogando. A história de “Resident Evil” é simples e direta, e me lembrou muito comédias de erro onde tudo o que podia dar errado dá; o protagonista não tem um minuto de paz em quase toda a jornada. A escolha de um civil sem nenhuma qualificação para combate foi acertada, já que ele serve como um espelho para a maioria de nós e gera identificação.

A polêmica sobre os momentos cômicos não me incomodou por boa parte do filme, mas, quando entram em cena outros personagens humanos, a coisa mudou de figura. O que estava divertido e com bons jumpscares se torna uma bobagem que me incomodou muito. Eu sei que é uma sátira, mas não ficou boa para mim, culminando em um clímax que me deu vergonha alheia. O terror está bem representado pelas criaturas nojentas que aparecem no decorrer do filme e que são inspiradas nos monstros dos jogos; elas são ameaçadoras. Tem gore, mas acho que poderia ser mais.
O filme não é ruim, tem boas cenas, diverte e tem bons sustos. O problema maior é que, quanto mais se aproxima do fim, vai ficando mais bobo.
Título original: Resident Evil
Direção : Zack Cregger
Roteiro: Zack Cregger e Shay Hatter
Produtores Executivos: Oliver Berben, Richard Wright, Robert Bernacchi
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry,Kali Reis e outros
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Críticas
CRÍTICA: Águas Mortais (2026)
“Águas Mortais” é mais um filme de catástrofe com tubarões, trazendo a conhecida fórmula de passageiros ilhados no oceano e predadores famintos à espreita

Filmes de tubarão parecem nunca sair de moda e estreou nesta semana (23/07/26) mais um exemplar de filme de catástrofe com os bichinhos, que tem o “maravilhoso” título de “Águas Mortais” (Deep Water).
A trama acompanha passageiros e tripulantes de um voo com destino a Xangai que se envolvem em um grave acidente quando uma carga explode e causa a queda do avião no meio do Oceano Pacífico. Os sobreviventes terão que descobrir um meio de sair de uma situação que se agrava à medida que vários tubarões famintos querem fazer deles a próxima refeição.

Vou começar deixando claro que o filme é um amontoado de clichês do cinema de catástrofe e que não foi o primeiro a usar essa premissa para inserir tubarões no meio. “Desespero Profundo” (2024) está aí para provar, mesmo sendo bastante inferior ao filme de que estamos falando. Quem já assistiu a filmes do gênero vai se sentir em casa ao esbarrar em estereótipos clássicos, como o herói com traumas, o personagem escroto e, claro, crianças em perigo.
O grande chamariz para mim foi a presença de Ben Kingsley, ator renomado e premiado que faz aqui uma participação especial nos moldes de atores famosos de filmes de catástrofe dos anos 70. O personagem não agrega muito e tem momentos bem piegas no curto tempo em tela. Outro ator famoso é Aaron Eckhart, mais conhecido pelo vilão Duas-Caras na trilogia do Batman de Christopher Nolan.

O diretor “faz-tudo” de Hollywood, Renny Harlin, realiza um trabalho competente aqui, principalmente na cena do acidente e, depois, ao apresentar a ameaça bem aos moldes de “Do Fundo do Mar” (1999) que, por sinal, ele também dirigiu e que guarda semelhanças, como os tubarões de visual PlayStation e velocidade 2.0.
Uma coisa que eu tenho que comentar é a famigerada tela verde, que aqui se faz notar a todo momento em lugares abertos. Fica nítida a artificialidade do mar aberto. Parece que os atores foram “colados” na cena de qualquer jeito, e para cair no vale da estranheza é um pulo.

“Águas Mortais” é um filme extremamente clichê, mas conseguiu me divertir em boa parte do tempo, mesmo pecando por não ser tão corajoso. Em um dia chuvoso e nessa estação invernal, é uma ótima pedida. Já para quem é rato de filme de tubarão, existe uma cena que é praticamente copia e cola de “O Último Tubarão” (L’ultimo squalo, 1981).
Título original: Deep Water
Direção: Renny Harlim
Roteiro:Pete Bridges, Shane Armstrong e S.P Kause
Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley e outros
Ano de lançamento: 2026
* Este texto foi escrito por um humano sem o uso de IA
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“Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.
E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.
Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.
No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.
Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife
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Lucas Oliveira Gonçalves
12 de maio de 2017 às 22:58
Todo o terror do filme é tirado de clichês óbvios de outros filmes. Você acerta o que vai acontecer antes, e isso faz perder a graça. Fora que esse filme é cheio de esteriótipos sobre o negro, que para pessoas que não se interessam pelo assunto ou apenas desconhecem, não perceberão o quanto isso pode ser prejudicial. Mais uma vez colocam o negro apenas para sofrer, afinal da forma que é passado, da a impressão de que é apenas isso que nos resta. lamentável, mas a mistura não deu certo não.
Vitória Maciel
25 de maio de 2017 às 18:17
Na verdade o filme mostra o lado como ainda muitos dos brancos veem os negros, com um olhar de superioridade e autoritarismo. Tendo uma grande mensagem passada de forma genial, deixando claro que pessoas negras atualmente ainda sofrem esse tipo de preconceito.
Marisa
27 de agosto de 2017 às 20:00
Transplante cerebral, vida eterna para milionários.
Marisa
27 de agosto de 2017 às 20:01
Digo da consciência humana, tb lembra a vida das vítimas de tortura por satélite, experimentação ilegal não consensual, tortura mental da forma mais hedionda, terror mutilação e assassinato através de uma arma de energia dirigida ao cérebro humano.