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Críticas

CRÍTICA: Incidente em Ghostland (2018)

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Ghostland

[Por Geraldo de Fraga]

Lá em 2008, Pascal Laugier escreveu e dirigiu Martyrs, um dos destaques do New French Extremity, movimento composto por filmes transgressivos de diretores franceses na virada do século XXI. Dez anos depois, Pascal revisita suas raízes, reverenciando suas referências e, mais uma vez, investindo na violência.

Em Ghostland, Pauline e suas duas filhas adolescentes herdam uma antiga casa no meio do nada e se mudam para o local. Beth, a mais velha, é uma jovem tímida e fã de histórias de terror, inclusive sonha em ser escritora do gênero. Vera faz o tipo rebelde e não está satisfeita em trocar de cidade. Ambas vivem brigando.

Na primeira noite no novo lar, a família é atacada por dois psicopatas, mas sobrevivem. Após esse incidente, o roteiro dá um salto temporal para mostrar Beth já adulta curtindo o estrelato como uma autora de sucesso, porém ainda traumatizada com seu passado. Muito pior está Vera, que segue vivendo com a mãe na velha casa e sofre de danos psicológicos irreversíveis.

Após uma ligação desesperada da irmã, Beth resolve visitar a família para ver como as coisas estão. Lá, ela descobre que as loucuras de Vera talvez não sejam só coisas da cabeça dela. Muito clichê? Sim, mas é de propósito. O roteiro vai subverter os lugares comuns (ou pelo menos tentar).

O que pode ser dito primeiramente, sem dar spoiler, é que Pascal Laugier não perde a mão quando quer aterrorizar. A caracterização dos vilões é muito estereotipada (falaremos disso a seguir), mas a forma como eles são enquadrados, sem mostrar muito, escondendo detalhes dos seus corpos nas sombras, juntos aos seus movimentos rápidos, é um acerto para deixá-los mais assustadores. A direção de arte também ajuda. A casa caindo aos pedaços, cheia de detalhes esquisitos e bonecos sinistros é um elemento fundamental da trama.

Porém, nem sempre Ghostland acerta em encaixar as homenagens/referências. A influência de Lovecraft tão alardeada ao longo do filme é bem superficial e parece deslocada. Tem também um quê ou outro de O Massacre da Serra Elétrica e lembranças a Stephen King, mas nada que o fã do gênero considere um easter egg. Nesse quesito, Laugier parece ainda ser um iniciante e escorrega nas escolhas.

A subversão dos clichês citada anteriormente também não é essa maravilha toda. Há uma reviravolta para desfazer a trivialidade do início, mas isso não quer dizer que o roteiro se desgarra de coisas óbvias. O maior problema são os vilões padrões (problemas mentais e transexualidade), já tão explorados e que hoje exaltam o preconceito presente em várias produções do gênero ao longo dos anos.

Ghostland funciona muito mais como um revival do New French Extremity, com sua fotografia suja e clima tenso durante quase todo o filme. Se você perdoar os vacilos, terá 1h30 de boa diversão.

Escala de tocância de terror:

Direção: Pascal Laugier
Roteiro: Pascal Laugier
Elenco: Emilia Jones, Taylor Hickson e Crystal Reed
Origem: Canadá/França
Ano de lançamento: 2018

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1 comentário

1 comentário

  1. Ariel Bruno

    1 de julho de 2018 às 14:13

    Achava que fosse só mais um filme americano repetitivo só pelo pôster.
    Vou assistir então.

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Críticas

CRÍTICA: Eles Vão Te Matar (2026)

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Eles Vão Te Matar

Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).

Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantinemeets Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.

Escala de tocância de terror:

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z

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Críticas

CRÍTICA: Obsessão (2026)

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Obsessão

Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.

E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.

Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.

No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.

Escala de tocância de terror:

Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife

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CRÍTICA: Passageiro do Mal (2026)

O trailer de “Passageiro do Mal” já avisava que vinha clichê por aí, mas a minha mente insistiu no clássico “vai que é bom”. Não era.

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Passageiro do Mal

Passageiro do Mal” (Passenger) surgiu do nada (pelo menos para mim) nos últimos meses e, mesmo achando o trailer extremamente genérico e clichê, fiquei tentado a dar uma conferida. No fundo da minha mente ecoava: “vai que é bom e você está só sendo chato”. Então, com a estreia, decidi me arriscar no cinema e tirar minhas conclusões, que veremos a seguir.

A história segue um jovem casal que decide trocar a vida em um grande centro urbano pela aventura de viver pelo campo. Só que eles encontram o terror quando viram alvos de uma entidade demoníaca que caça vidas pelas rodovias. A questão é se eles vão seguir o caminho certo ou acabar dirigindo para a morte certa.

Olha, eu até gosto de filmes ruins quando eles se assumem dessa maneira. Acho, no geral, os filmes da The Asylum divertidíssimos, mas em “Passageiro do Mal” os realizadores foram para a direção mais clichê e imbecil possível, além de se levarem a sério demais. Eu me senti de volta ao início dos anos 2000, época em que filmes de assombração como este apareciam a rodo nos cinemas.

Os protagonistas são sem sal, com pouco carisma e desenvolvimento, enquanto os coadjuvantes são folhas em branco de tão rasos. A ameaça tem um visual bem questionável e pertence àquela categoria de vilões sobrenaturais que, assim que aparecem na tela, soltam um grito “assustador”.

A direção e o roteiro estão de mãos dadas na tentativa de assustar de uma forma que virou piada há décadas. Todas as tentativas de susto são extremamente telegrafadas, e as cenas de gore com CGI ruim enterraram de vez o longa. O diretor que tinha mostrado seu talento nos longas “A Autópsia” e “A Última Viagem do Deméter“, pareceu que aqui só estava interessado no contracheque mesmo.

Um filme claramente descartável que deveria ser uma sobra de streaming, mas que jogaram no cinema para pegar besta e masoquista. Neste caso, fui os dois. Aconselho você a respeitar o seu dinheiro e fazer outra coisa com o valor do ingresso.

Escala de tocância de terror:

Título original: Passenger
Direção: André Øvredal
Roteiro: Zachary Donohue e T.W. Burgess
Elenco: Melissa Leo, Lou Llobell, Jacob Scipio e outros
Duração: 94 min

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