Críticas
RESENHA 2: Fragmentado (2017)

[Por Gabriela Alcântara]
A mente humana, com todas as suas possibilidades e poderes, vem sendo tema de filmes ao longo de toda a história do cinema. Desde filmes dramáticos/românticos, como Brilho Eterno de uma mente sem lembranças, passando por bons suspenses como Cidade dos Sonhos e ficções científicas, como o não tão bom Lucy. Entre os distúrbios mais interessantes para a construção de uma boa história está o transtorno dissociativo de identidade, popularmente conhecido como múltipla personalidade. É o que acontece quando a identidade é violenta? Quantas identidades uma pessoa afligida por esta doença pode assumir? É possível haver modificação corporal – e até mesmo biológica? Com todas essas e mais algumas questões reunidas em uma só pessoa, nasce Kevin (e todas suas 23 personalidades), personagem principal do filme Fragmentado (Split, M. Night Shyamalan).
![Split-Official-Trailer-1-(2017)---M.-Night-Shyamalan-Movie-[VDownloader].mp4_snapshot_01.28_[2017.03.21_21.14__](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/03/split-official-trailer-1-2017-m-night-shyamalan-movie-vdownloader-mp4_snapshot_01-28_2017-03-21_21-14__.png)
Com uma genial montagem de atrações, Shyamalan constrói um enredo que, ao mesmo tempo que traça um caminho para o espectador, também nos leva a diversas armadilhas. A sensação é de que estamos andando em um labirinto cheio de truques, onde não há sustos grandes mas a tensão é crescente. A construção de cada uma das identidades de Kevin tem um grande papel nisso, e aqui aproveito para elogiar a excelente atuação de James McAvoy, que consegue realmente mudar seu aspecto a cada identidade. É sempre uma boa surpresa quando vemos um ator que só conhecíamos por trabalhos em filmes de super-heróis ou filmes em que ele é apenas um galã passar por um processo tão rico de construção de personagem e realmente entregar ao público a intensidade que o papel demanda.
McAvoy sustena bem o enredo, auxiliado pela jovem Anya Taylor-Joy (Casey), cuja atuação não merece tanto destaque, mas sua personagem trabalha em contraponto a todas as identidades de Kevin. Outra personagem importante é a psiquiatra Dra. Karen Fletcher (Betty Bucley), que na verdade irrita um pouco, por ser daquelas personagens que dão vontade de gritar “querida, você está fazendo uma escolha muito burra”, mas que é extremamente importante para que entendamos o que diabos está acontecendo na mente daquele homem.
![Split-Official-Trailer-1-(2017)---M.-Night-Shyamalan-Movie-[VDownloader].mp4_snapshot_01.28_[2017.03.21_21.14_________](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/03/split-official-trailer-1-2017-m-night-shyamalan-movie-vdownloader-mp4_snapshot_01-28_2017-03-21_21-14_________.png)
Como em todo filme de Shyamalan, vez ou outra surgem discursos meio bregas e o uso de trilha sonora junto a eles que dão todo um tom piegas, inclusive arruinando uma das cenas mais impactantes de confronto entre A Besta e a personagem Casey. Entretanto, diante de todo o universo claustrofóbico e detalhista construído por Shyamalan, a pieguice não consegue estragar Fragmentado. Para quem não tem grandes problemas com isso, ela pode inclusive passar despercebida.
A ambientação e construção do clima são pensados meticulosamente pelo diretor e pelas equipes de fotografia e arte, e isso é visível ao olhar mais atento. Com pouquíssima iluminação natural, passamos o filme inteiro dentro de ambientes fechados, com grande destaque para a escadaria em espiral do consultório da psiquiatra – como se representasse nossa descida à profundidade da mente daquele homem – e também para a claustrofóbica casa de Kevin, onde as paredes parecem fechar-se ao nosso redor e cada canto é ocupado por detalhes que trazem características das personalidades dele, além de apontarem caminhos que serão importantes no desfecho da trama. Mesmo simples roupas penduradas em cabide e uma mesa de escritório com um velho computador, aqui são cheios de significado. Isso tudo, atrelado à uma iluminação meio amarelada em algumas cenas, acrescenta à atmosfera doentia em que Casey e suas amigas raptadas de repente se veem inseridas.
![Split-Official-Trailer-1-(2017)---M.-Night-Shyamalan-Movie-[VDownloader].mp4_snapshot_01.28_[2017.03.21_21.14_____](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/03/split-official-trailer-1-2017-m-night-shyamalan-movie-vdownloader-mp4_snapshot_01-28_2017-03-21_21-14_____.png)
Diante de um cenário em que os diretores de suspense e horror parecem cada vez mais preguiçosos, Fragmentado surge como um respiro bom para a safra de filmes de gênero contemporâneos – pensando especialmente no âmbito mainstream, que chega ao grande público – e arrisco dizer que será um dos melhores filmes do ano.

Título original: Split
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy e Betty Buckely
Ano: 2016/17
* Filme visto na cabine de imprensa promovida pelo Espaço Z na sala do Shopping RioMar
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Há dez anos, “Invasão Zumbi” (Train to Busan) chegava como um verdadeiro fenômeno no círculo de fãs de horror. O filme em si não apresentava nenhuma grande inovação no gênero, mas se destacava ao fazer boas cenas de ação (sim, de ação) com os zumbis/infectados num trem que cortava a península coreana.
Agora em “Zona Zero” (Colony), parte da construção da tensão e da ação em meio a uma infestação, ou seria infecção zumbi, se mantém em uma estrutura linear. Desde o início descobrimos quem é o vilão, suas intenções e como irá promover o caos, que na visão dele, na real é parte do renascimento da sociedade humana.

Baseado em conhecimentos e teorias da cyber-biologia, ou biotecnologia, que passam longe da ética, um pesquisador invejoso cria um vírus de laboratório para espalhar em uma importante convenção científica.
E em menos de meia hora de filme já temos uma grande leva de vítimas e de infectados que agem como zumbis maratonistas e triatletas. Depois que rola o primeiro ataque, aí é correria para todo lado. Quem foge ou tenta escapar da horda de criaturas tem q apelar pra se esconder em lojas e corredores do enorme empresarial que abriga centro de convenções e de compras.
Até se veem semelhanças com o “Despertar dos Mortos” (Dawn of The Dead) de George Romero nessa ambientação, mas só ali mesmo porque os monstros agora correm e atacam com verocidade.

Na comparação com o trem pra Busan onde cada vagão continha uma ameaça diferente, neste longa aqui, os sobreviventes precisam se esconder em diferentes andares e escritórios evitando confronto com os infectados. Até porque diferente de mortos-vivos convencionais, estes aqui possuem o diferencial de se comunicar em conjunto por uma consciência coletiva como ocorre com formigas.
Esse aí é inclusive o maior problema do título brasileiro do longa que não faz o menor sentido dar nome de “Zona Zero” quando seu nome original é traduzido como “Colônia” que tem total sintonia com a premissa já mencionada.

Mas mesmo sendo um pouco previsível assim nesta narrativa mais convencional de confinamento e fuga, “Zona Zero” reserva algumas surpresas, já que diante da ameaça e do vilão, não temos como imaginar como isso pode acabar e quem será o último a contar história.
E um dos maiores méritos do longa é usar poucos efeitos digitais e trabalhar bem com atores, figurantes e efeitos práticos bem grotescos. Em época de proliferação de uso de Inteligência Artificial como muleta pra qualquer tipo de cena no cinema, digamos que é um avanço dos coreanos mesmo que isso não seja uma inovação.
Título original: Colony
Direção: Yeon Sang-ho
Roteiristas: Choi Kyu-seok e Yeon Sang-ho
Elenco: Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook
País de origem: Coreia do Sul
* “Zona Zero” estreia nos cinemas brasileiros em 15 de outubro e foi visto pelo Toca o Terror em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
Críticas
CRÍTICA: Meus Mortos Tristes (2026)
Dirigido pelo chileno Pablo Larraín, a minissérie “Meus Mortos Tristes” não foca em assombrações malignas e jumpscares. O papo aqui é drama familiar e crítica social foda com uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas.

Vamos iniciar com uma sinopse sem muitos detalhes, para não estragar a surpresa que acontece já no primeiro episódio de Meus Mortos Tristes (2026), nova minissérie argentina da Netflix. Baseada nos contos da escritora Mariana Enriquez, que também é um dos roteiristas, a obra chegou ao serviço de streaming no dia 24 de setembro.
Ema (Mercedes Morán) é uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas. Após a morte da mãe, ela se muda para a antiga casa, que fica perto de um conjunto habitacional barra pesada, no subúrbio de Buenos Aires.

Com a visita de parentes que moram nos Estados Unidos, Ema descobre que sua sobrinha Julie (Carolina Álvarez) tem a mesma habilidade sobrenatural. O problema é que um evento inesperado faz com que a relação entre vivos e mortos tome grandes proporções na localidade.
Dirigido pelo chileno Pablo Larraín (O Conde, 2023), Meus Mortos Tristes tem quatro episódios e não precisava tanto. Mas isso fica para depois. É importante começar dando o alerta que a minissérie não vai focar em assombrações malignas e jumpscares, o papo aqui é drama familiar e crítica social foda.
Mercedes Morán é o grande destaque. Sua personagem não é nenhuma Lorraine Warren e não vê glamour, nem missão divina, em sua habilidade de se comunicar com espíritos.

Apesar de possuir sensibilidade suficiente para tomar decisões certas, o desdém pelo dom que carrega é sua maior faceta. A relação com a família, incluindo o fantasma da mãe, rende os melhores momentos. Carolina Álvarez, num papel mórbido e cativante, também merece ser lembrada.
Em algumas entrevistas o elenco teceu loas a Larraín, afirmando que o diretor foi o responsável por tirar deles algumas de suas melhores atuações. Como não há sustos e coisas pulando na tela, é a interação entre os personagens que faz a trama andar. E funciona bem.
Outro trunfo de Meus Mortos Tristes é sua ambientação na periferia. A violência do lugar e o clima de abandono da população de baixa renda faz um paralelo com a situação dos desencarnados que aparecem. A fotografia fria e azulada completa o quadro.
Mas, como dito acima, nem tudo são flores nesse túmulo e, talvez, um filme cairia melhor para essa história. O formato em quatro episódios (de 50 minutos cada) estica demais a trama, o que causa alguns problemas de continuidade e a sensação que o programa está enchendo linguiça.

Outra prova disso é que algumas subtramas ficam subvalorizadas, como o arco de Carol (Dolores Fonzi), filha de Ema, que sofre com a relação mal resolvida com a mãe e com uma perda pessoal. Os pais de Julie também são meio esquecidos durante boa parte do roteiro. O mesmo acontece com Lautaro (Germán De Silva), personagem que carrega um passado de amor não correspondido por Ema.
Ainda assim, Meus Mortos Tristes é uma bela fábula sombria, que fala sobre luto, depressão e memória. Sem contar que a minissérie faz um competente comentário sobre a violência desenfreada nas grandes metrópoles da América Latina. Vale o play nas apariciones.
Título original: Mis muertos tristes
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Anastasia Ayazi, Guillermo Calderón, Mariana Enriquez e Pablo Larraín
Elenco: Mercedes Morán, Dolores Fonzi e Carolina Álvarez
Origem: Argentina
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
Críticas
CRÍTICA: Resident Evil (2026)
Esta é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada.

A franquia Resident Evil é referência nos videogames, mas penava quando o assunto era adaptação para outras mídias, como TV e cinema, tendo como maior exemplo os filmes estrelados por Milla Jovovich no decorrer de décadas. A franquia tentou um reboot em 2021, mas o desastre veio. Agora, em setembro de 2026, um novo reboot é lançado sob a grife do diretor de “A Hora do Mal“.
Um rapaz que trabalha entregando órgãos em hospitais recebe uma oferta tentadora para ir à cidade de Raccoon City, e o que supostamente seria um serviço simples se torna uma luta pela sobrevivência, já que várias aberrações tomaram conta da cidade e arredores.

Aqui já adianto que essa é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada, em alguns detalhes visuais que remetem ao material original e no gameplay; sim, em alguns momentos me senti jogando. A história de “Resident Evil” é simples e direta, e me lembrou muito comédias de erro onde tudo o que podia dar errado dá; o protagonista não tem um minuto de paz em quase toda a jornada. A escolha de um civil sem nenhuma qualificação para combate foi acertada, já que ele serve como um espelho para a maioria de nós e gera identificação.

A polêmica sobre os momentos cômicos não me incomodou por boa parte do filme, mas, quando entram em cena outros personagens humanos, a coisa mudou de figura. O que estava divertido e com bons jumpscares se torna uma bobagem que me incomodou muito. Eu sei que é uma sátira, mas não ficou boa para mim, culminando em um clímax que me deu vergonha alheia. O terror está bem representado pelas criaturas nojentas que aparecem no decorrer do filme e que são inspiradas nos monstros dos jogos; elas são ameaçadoras. Tem gore, mas acho que poderia ser mais.
O filme não é ruim, tem boas cenas, diverte e tem bons sustos. O problema maior é que, quanto mais se aproxima do fim, vai ficando mais bobo.
Título original: Resident Evil
Direção : Zack Cregger
Roteiro: Zack Cregger e Shay Hatter
Produtores Executivos: Oliver Berben, Richard Wright, Robert Bernacchi
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry,Kali Reis e outros
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: Tumba Aberta (2013)
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: February (2015)
-

Críticashá 7 anosCRÍTICA: Banana Splits – O Filme (2019)
-

Críticashá 13 anosCRÍTICA: Begotten (1991)
-

Críticashá 5 anosCRÍTICA: O Homem nas Trevas (2016)
-

Dicashá 7 anosCURIOSIDADES: 13 Fatos que Você não Sabia sobre Jason e a Franquia Sexta-Feira 13
-

Críticashá 5 anosCRÍTICA: O Estranho Thomas (2013)
-

Críticashá 5 anosCRÍTICA: O Que Nos Mantêm Vivos (2018)




























