Críticas
CRÍTICA: Bruxa de Blair (2016)

“A Bruxa de Blair” foi indiscutivelmente um marco para o cinema de horror do final dos anos 90, dando um novo fôlego para o subgênero found footage. O sucesso foi tanto que gerou inúmeros clones e uma sequência bem canastrona. Anos depois, surge um novo filme, que é uma continuação dos eventos do primeiro filme e ignorando a malfadada parte 2 com seu “Livro das Sombras”.
O novo filme segue James, irmão de Heather, protagonista do filme original, em seu desejo de descobrir tardiamente o que aconteceu com sua irmã. Mesmo depois de quase 20 anos, ele nutre um desejo de encontrar ela com vida na floresta. Junto a ele vão alguns amigos encabeçados por Lisa, uma estudante de cinema e que fornece os equipamentos necessários para filmagem do documentário que eles estão produzindo através dessa busca.

Ao longo da busca, a equipe ganha reforços de Lane e Talia, casal de namorados e moradores dos arredores da floresta que supostamente encontraram uma fita com imagens sobrenaturais. A pequena equipe então segue para o coração da floresta entusiasmados e alegres, mas é pena para eles que essa felicidade não vai durar muito, pois quando a primeira noite cai, o terror (re)começa.
“Bruxa de Blair” segue a estrutura do primeiro filme, com a já famosa câmera na mão guiada pelos personagens. A grande diferença é o uso das novas tecnologias, como câmeras acopladas nas orelhas dos personagens e o uso de drones. Esses equipamentos criam uma diferença gritante e totalmente verossímil nas situações do filme, afinal sempre me foi meio estranho alguém ser perseguido por algo no meio do nada e não largar a câmera de forma alguma. Esse é o grande charme do novo filme, que apesar disso, não está nem um pouco livre de problemas.
O roteiro de Simon Barrett (parceiro e roteirista dos filmes mais legais do diretor Adam Wingard) é tão simplista que é impossível não se sentir enganado pelas declarações dos realizadores, que afirmavam que veríamos algo novo e ousado. A história é praticamente a mesma do original, com o infeliz acréscimo de explicações desnecessárias e momentos pseudo-gore que destoam da proposta do filme. O uso do mesmo tipo de susto e de forma sequencial torna-se bastante irritante e o público já se vacina esperando o próximo. Além deles, é claro, existem os sustos com aumento de som, típicos de filmes comerciais.
O diretor Adam Wingard (dos ótimos “You’re Next”, “The Guest” e de alguns segmentos da antologia “V/H/S”) entrega uma produção padrão e totalmente convencional, que tirando o já citado uso das tecnologias, parece ter tido preguiça de entregar algo realmente assustador. Tá certo que o roteiro não ajudou, mas as execuções das cenas foram muito aquém do esperado. Não foi dessa vez que a bruxa mais famosa do atual cinema de terror voltou para nos assombrar. E assim fica dado o recado que ela não deve ser profanada e precisa descansar por mais um longo tempo.
Direção: Adam Wingard
Roteiro: Simon Barrett
Elenco: Brandon Scott, Callie Hernandez e Valorie Curry
Ano de Produção: 2016
Distribuição: Paris Filmes

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Críticas
CRÍTICA: Águas Mortais (2026)
“Águas Mortais” é mais um filme de catástrofe com tubarões, trazendo a conhecida fórmula de passageiros ilhados no oceano e predadores famintos à espreita

Filmes de tubarão parecem nunca sair de moda e estreou nesta semana (23/07/26) mais um exemplar de filme de catástrofe com os bichinhos, que tem o “maravilhoso” título de “Águas Mortais” (Deep Water).
A trama acompanha passageiros e tripulantes de um voo com destino a Xangai que se envolvem em um grave acidente quando uma carga explode e causa a queda do avião no meio do Oceano Pacífico. Os sobreviventes terão que descobrir um meio de sair de uma situação que se agrava à medida que vários tubarões famintos querem fazer deles a próxima refeição.

Vou começar deixando claro que o filme é um amontoado de clichês do cinema de catástrofe e que não foi o primeiro a usar essa premissa para inserir tubarões no meio. “Desespero Profundo” (2024) está aí para provar, mesmo sendo bastante inferior ao filme de que estamos falando. Quem já assistiu a filmes do gênero vai se sentir em casa ao esbarrar em estereótipos clássicos, como o herói com traumas, o personagem escroto e, claro, crianças em perigo.
O grande chamariz para mim foi a presença de Ben Kingsley, ator renomado e premiado que faz aqui uma participação especial nos moldes de atores famosos de filmes de catástrofe dos anos 70. O personagem não agrega muito e tem momentos bem piegas no curto tempo em tela. Outro ator famoso é Aaron Eckhart, mais conhecido pelo vilão Duas-Caras na trilogia do Batman de Christopher Nolan.

O diretor “faz-tudo” de Hollywood, Renny Harlin, realiza um trabalho competente aqui, principalmente na cena do acidente e, depois, ao apresentar a ameaça bem aos moldes de “Do Fundo do Mar” (1999) que, por sinal, ele também dirigiu e que guarda semelhanças, como os tubarões de visual PlayStation e velocidade 2.0.
Uma coisa que eu tenho que comentar é a famigerada tela verde, que aqui se faz notar a todo momento em lugares abertos. Fica nítida a artificialidade do mar aberto. Parece que os atores foram “colados” na cena de qualquer jeito, e para cair no vale da estranheza é um pulo.

“Águas Mortais” é um filme extremamente clichê, mas conseguiu me divertir em boa parte do tempo, mesmo pecando por não ser tão corajoso. Em um dia chuvoso e nessa estação invernal, é uma ótima pedida. Já para quem é rato de filme de tubarão, existe uma cena que é praticamente copia e cola de “O Último Tubarão” (L’ultimo squalo, 1981).
Título original: Deep Water
Direção: Renny Harlim
Roteiro:Pete Bridges, Shane Armstrong e S.P Kause
Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley e outros
Ano de lançamento: 2026
* Este texto foi escrito por um humano sem o uso de IA
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Dois anos após o sucesso de Fale Comigo, chega aos cinemas brasileiros o segundo filme dos irmãos Danny e Michael Philippou. Mais uma vez com distribuição da badalada A24, a dupla agora emplaca Faça Ela Voltar (Bring Her Back), um conto de horror suburbano que aborda o luto.

Após perderem o pai, os irmãos Andy (Billy Barratt) e Piper (Sora Wong) são colocados sob os cuidados de Laura (Sally Hawkins), uma ex-assistente social que faz de sua casa uma espécie de lar adotivo. Além deles, vive no local o menino Oliver (Jonah Wren Phillips), uma criança que não se comunica e possui hábitos estranhos.
Não demora para sabermos que Laura tem segundas intenções. Seu objetivo em acolher os órfãos é trazer o espírito da sua filha de volta e colocá-la no corpo de Piper. Para executar esse plano diabólico ela tem em mãos uma fita VHS que contém, literalmente, o passo a passo de um ritual satânico que, entre outras bizarrices, inclui até canibalismo.

Mitologia escatológica à parte, Faça Ela Voltar é mais sobre o sentimento da perda do que qualquer outra coisa. Mesmo retratada na maior parte do tempo como vilã metódica, Laura ainda deixa transparecer seu lado humano. Uma mulher que não aceita a partida da filha e que acaba deturpando seu amor icondicional, por puro desespero.
A dupla de irmãos também ganha sua cota de drama, quando Laura tenta jogar um contra o outro, pois Andy é um empecilho para o que ela planeja. Nada disso, porém, funcionaria se o trio de protagonistas não estivesse tão afiado. Sally Hawkins, Billy Barratt e Sora Wong conseguem passar credibilidade o tempo todo, seja nos momentos sóbrios ou nos sinistros.
O que nos leva para outro destaque do elenco: o pequeno Jonah Wren Phillips. A transformação pela qual seu Oliver passa ao longo da trama já o elevou ao status de mini ícone do terror do ano. São com ele as cenas mais perturbadoras, em ocasiões que fica quase impossível não desviar os olhos da tela.

A direção dos Philippou em Faça Ela Voltar segue competente, com ótimos enquadramentos e cuidado aos detalhes (preste atenção nos círculos). Como Piper é deficiente visual, a câmara brinca muito com imagens desfocadas, o que faz um paralelo interessante com a condição da personagem.
O roteiro, assinado em parceria com Bill Hinzman, consegue balancear bem o terror e o drama, no entanto deixa um gostinho de quero mais ao esconder muito sobre a origem do ritual. Mas isso é apenas eu reclamando de barriga cheia (o trocadilho fará sentido quando você assistir ao filme).
Título original: Bring Her Back
Direção: Danny Philippou e Michael Philippou
Roteiro: Danny Philippou e Bill Hinzman
Elenco: Sally Hawkins, Billy Barratt e Sora Wong
Origem: Austrália
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Tem épocas em que um filme dá o tom e logo em seguida as produtoras começam a lançar diversas produções similares tentando buscar o público que foi atrás do primeiro hit. Digamos que “Um Lugar Silencioso” começou a onda, “Bird Box” foi atrás, depois veio “O Silêncio” e abriu a porteira para obras da Asylum. E agora, mesmo que a fórmula de uma história em cenário pós-apocalíptico com monstros esteja super batida, os produtores jogaram nos cinemas “A Linha da Extinção” (Elevation) achando que ainda podem surpreender alguém.

De uma forma rápida e sem muitas explicações, o filme começa naquele formato meio manjado de apresentar locuções em off, notícias de calamidades e alertas gerais para a população. Tudo isso para avisar que a Terra foi invadida e o planeta está em um estado de calamidade máxima por conta de criaturas que dizimaram os humanos. Chamados de “Ceifadores”, as criaturas alienígenas meio jurássicas matam humanos e são imunes a balas, mas não conseguem ultrapassar 2.400m de altitude.
Diante deste cenário, restou aos humanos que sobraram morar em vilas nas montanhas e em cidades de grande altitude. E como é um filme norte-americano, vemos no mapa que boa parte dos sobreviventes está no lado oeste do país. Se isso acontecesse no Brasil, a saída seria fugir pra Bolívia e pro Peru para tentar se equilibrar com os hermanos em locais bem mais altos.

Mas aí voltamos à “A Linha da Extinção” que tem este nome por aqui em referência a uma linha que as pessoas conseguiram demarcar no solo para identificar até onde eles podem ir sem serem atacados. Lembra até aquelas antigas perseguições da polícia nas estradas em que as autoridades da lei desistiam da caçada depois que o fugitivo cruzava a fronteira do México. E o motivo pelo qual as criaturas ceifadoras não conseguem cruzar esta linha não é explicado no filme junto com outras informações que são omitidas para deixar no ar um certo mistério.
E quem está no protagonismo desta saga de sobrevivência é Anthony Mackie, como um pai solo que precisa caçar comida e cuidar do filho que tem problemas respiratórios. Junto a ele numa pequena vila em local montanhoso está Morena Baccarin como uma cientista desolada que passa os dias treinando tiro em “escamas” de criaturas tentando descobrir sua fraqueza. Passando perrengues numa escala 7×0, os dois precisam partir para locais abaixo dos limites de 2.400m em busca de tubos de oxigênio para o menino e ir atrás do material de pesquisa dela.

A partir desse momento e justificativa é que a ação começa. Mas não espere cenas impactantes ou algo que lhe faça ficar angustiado pelo destino dos personagens. Tudo é tão genérico e caricato que é mais fácil lhe causar sono. Em determinada cena descobrimos que as criaturas enxergam no escuro e detectam emissão de CO² pela respiração através de um tentáculo/antena junto ao rosto dos personagens. Lembrou de “Alien”? Pois é…
Se por um lado o roteiro nos poupa de explicações demais, por outro lado a gente nota que várias coisas são escondidas propositalmente de forma a nos deixar curiosos por futuras produções caso “A Linha da Extinção” seja bem sucedido nas bilheterias. Só de pensar em continuação, prequel e remake dessa obra, a gente começa a pensar que infelizmente é melhor ter que torcer pelo meteoro.
Título original: Elevation
Direção: George Nolfi
Roteiro: John Glenn, Jacob Roman e Kenny Ryan
Elenco: Anthony Mackie, Morena Baccarin e Maddie Hasson
País de origem: EUA
* Filme assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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