Críticas
CRÍTICA: Águas Rasas (2016)

[Por Felipe Macêdo]
Se você achava que estava seguro voltar a nadar no mar, pense de novo, pois nem no raso o perigo dá um descanso. O vilão aquático mais querido da sétima arte está de volta com tudo nesse ano com o novo filme de sobrevivência e horror “Aguas Rasas” (The Shallows), que estreia nesta semana nos cinemas do país.

A história mostra a protagonista Nancy (Blake Lively) tentando se encontrar após a morte da mãe, indo para uma praia paradisíaca onde sua mãe passou um tempo na época da gravidez. A mocinha curte surf e o local parece ser o ideal para essa prática. O problema é que um grande tubarão está a espreita e ataca a garota num local considerado raso para ter uma fera tão grande. Ferida, assustada e refugiada em um arrecife, ela tem que lutar por sua vida, pois a maré está subindo e o tubarão continua à espreita.
O longa segue a fórmula de outros filmes de sobrevivência, onde o protagonista passa por situações extremas e tem que usar a inteligência e as claras limitações visíveis para superar o desafio e talvez sair com vida. Blake Lively carrega o filme sozinha e dá conta do recado, demonstrando toda dor emocional pela perda da mãe e os limites físicos da personagem em momentos angustiantes.

A fotografia é viva, vibrante e combina perfeitamente com a paisagem paradisíaca mostrada, ajudando a dar o tom de tensão nos momentos certos. O diretor Jaume Collet-Serra que já tinha dirigido “A Órfã” e vários filmes do Liam Neeson, dá conta do recado, utilizando vários clichês desse tipo de filme. Vemos imagens em primeira pessoa representando a visão do tubarão e uma barbatana aparecendo em momentos de ataque (essa última em excesso, cansando um pouco) e conduzindo de forma competente as cenas de ação, deixando quem assiste na ponta da cadeira.

O problema do filme é seu clímax exagerado e nada realista onde a protagonista vira uma espécie de McGyver, rendendo cenas de ação mirabolantes. Mesmo assim, isso não compromete tanto o resultado final. No fim das contas, “Águas Rasas” é um bom filme sobre tubarões e passa na média por apresentar uma protagonista forte e carismática, bons sustos e diversão pipoca para todos.

Direção: Jaume Collet-Serra
Elenco: Blake Lively, Sedona Legge e Óscar Jaenada
Distribuidora: Sony / Columbia Pictures
País de origem: EUA
Ano: 2016
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Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.
Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.
O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.
1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.
Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.
Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão
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O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).
A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.
Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.
O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.
O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.
Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA
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[Por Jarmeson de Lima]
De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)
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Quéroul
30 de dezembro de 2016 às 12:47
a parte final é quase um Sharknado. mas o filme é bastante bacana, e a mocinha é muito cativante.
Mariana
2 de fevereiro de 2017 às 17:52
Assisti o filme pela atriz, mas sempre achei os filmes de tubarões bem exagerados sem um porque plausível, já que nos filmes eles sempre parecem ser absurdamente inteligentes e na verdade são um dos animais mais burrinhos do reino animal e ainda fazem os tubarões parecerem monstros assassinos sanguinários, sendo que só atacam porque tem um percepção bem ruim e atacam tudo que se move perto deles… Uma coisa incrível que é muito pouco trabalhada nesses filmes é a percepção deles de cheiro, principalmente de sangue…
Daniela Lopes
28 de setembro de 2018 às 16:49
Confesso que estou cansada de filme de tubarões pelo fato de quase todos mostrarem os animais ‘insistindo” na caça com muito mais alimento disponível ao redor. Se não me falha a memória, o tubarão desse filme tem à sua disposição a carcaça de uma baleia e vai querer a loira de sobremesa? Ah, nem…
Quando vejo documentários de mergulhadores próximos a tubarões (de barriguinha cheia e muito na deles), fico pensando como o roteirista decidiu que enquanto o bicho não devorar os personagens da trama e ser morto no fim, ele não vai largar o osso… trocadilho não intencional.