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CRÍTICA: Amorteamo (primeiro episódio)

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Por Geraldo de Fraga

Até que demorou para a áurea mística do Recife do século XIX chegar às telas da Rede Globo, tendo em vista que Guel Arraes já havia ambientado outras produções em cenários históricos do Nordeste (vide O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro). Amorteamo, série em cinco episódios que estreou na última sexta-feira, usa a capital pernambucana para contar uma história recheada de vários romances trágicos.

No prólogo, Arlinda (Letícia Sabatella) e seu amante Chico (Daniel de Oliveira) são pegos em flagrante pelo marido ciumento Aragão (Jackson Antunes). Chico é assassinado e então ficamos sabendo que Arlinda está grávida dele. O marido traído aceita cuidar do menino para esconder da sociedade que foi corno, mas trata o pequeno Gabriel com desprezo. Após um salto temporal, o já adulto Gabriel (agora interpretado por Johnny Massaro) vive um romance com Lena (Arianne Botelho), filha da empregada. Esse relacionamento revelará mais um segredo escabroso da trama.

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Apesar de ser ambientada no Recife, conhecida como a capital mais assombrada do Brasil, a principal referência para a diretora Flávia Lacerda e seus roteiristas e produtores é, na verdade, Tim Burton. O diretor americano já retratou Londres e Nova York em épocas parecidas e da mesma forma mórbida e luxuosa, e tudo em Amorteamo remete a ele. A série é um desfile de atuações teatrais, frases de efeito, figurinos exagerados e até mesmo pequenos números musicais.

O universo fantástico do Recife ainda não foi utilizado como poderia, e nem deve ser, pois tudo indica que o mote da série seguirá mesmo sendo o romance. Há sim fantasmas na trama, mas, por enquanto, nenhum está lá para assustar. A personagem de Marina Ruy Barbosa, alardeada como a grande estrela da obra, só entrará em cena a partir do próximo episódio e, como as fotos de divulgação já mostraram, ela deve ser uma espécie de Noiva Cadáver (Olha lá Tim Burton de novo!).

Amorteamo-3

Amorteamo é uma obra de TV aberta, e mesmo que traga referências diferentes e um grande elenco, tem o mesmo defeito de outras produções: não se arrisca além de um figurino peculiar e de uma cenografia sofisticada. Comparada a outros exemplares da dramaturgia global, é inegável que está acima da média, mas isso ainda é muito pouco tendo em vista que há na televisão brasileira uma carência de produções fantásticas que explorem mais o terror e menos o charme gótico. Se Amorteamo irá cativar um novo público que, futuramente, se mostre disposto a consumir o horror nacional no sofá de casa, só o tempo dirá.

Escala de tocância de terror:

Amorteamo
Direção: Flávia Lacerda
Roteiro: Cláudio Paiva, Guel Arraes e Newton Moreno
Elenco: Marina Ruy Barbosa, Johnny Massaro, Letícia Sabatella e Jackson Antunes
Origem: Brasil

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1 comentário

  1. beto

    9 de maio de 2015 às 19:57

    É isso mesmo, Geraldo. Uma oportunidade de se fazer uma coisa nunca vista história da dramartugia deste país se perdeu….

  2. Tilly

    10 de maio de 2015 às 20:12

    Realmente a cenografia, figurino e fotografia são bons, mas o roteiro deixou um pouco a desejar; fora que ficou uma impressão que o roteiro foi resumido para que fosse feito em menos episódios, tanto que o primeiro episodio pareceu que foi feito no x2 do dvd player. Vamos ver se o próximo episodio melhora.

  3. opoderosochofer

    10 de maio de 2015 às 20:29

    Para o padrão das produções globais tá acima da média, mas ainda é pouco

  4. Yasmim Hamanna

    13 de maio de 2015 às 22:08

    Parabéns! Ótima resenha! Não sabia que Recife tinha essa fama de assombrada…

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CRÍTICA: Exit 8 (2026)

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Exit 8

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.

Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.

O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.

1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.

Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.

Escala de tocância de terror:

Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão

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CRÍTICA: O Menu (2022)

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O Menu

O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).

A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.

Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.

O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.

O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA

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CRÍTICA: Corrente do Mal (2016)

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Corrente Do Mal

[Por Jarmeson de Lima]

De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)

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