Críticas
CRÍTICA: A Seita Maligna (The Void) (2017)

Ultimamente, os melhores títulos de horror que tem surgido, tem sido filmes com um apelo mais dramático e psicológico do que visualmente escatológico, como A BRUXA (the VVitch, 2016) e FEBRUARY (2016). Eis que então surge, lá do Canadá, A SEITA MALIGNA (THE VOID), que resgata com excelência aquele terror visceral como há muito tempo não se via.
Para evitar spoilers, vou tentar entrar em detalhes o mínimo possível com relação aos acontecimentos e conceitos apresentados no longa.
![The.Void.2016.1080p.WEB-DL.DD5.1.H264-FGT.mkv_snapshot_00.23.01_[2017.04.20_15.37.38]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/04/the-void-2016-1080p-web-dl-dd5-1-h264-fgt-mkv_snapshot_00-23-01_2017-04-20_15-37-38.jpg)
Tenso desde os primeiros segundos, tudo começa com um casal fugindo de uma casa no meio do nada. Já do lado de fora, a garota é atingida por um tiro pelas costas e o cara foge deixando-a pra trás. Dois sujeitos armados se aproximam da moça, que ainda está viva, e ateiam fogo nela sem dó nem piedade. Daí entram os créditos iniciais com imagens da cidadezinha desoladora onde tudo se passará. Até que um policial encontra o rapaz visivelmente ferido na beira da estrada e o leva para o hospital, onde a bagaceira de verdade está prestes a acontecer.
Chegando lá, nos deparamos com um hospital funcionando em condições precárias onde temos duas enfermeiras, um médico, um senhor e uma adolescente grávida. Não demora, as coisas começam a ficar estranhas e o banho de sangue começa a acontecer de fato. E pra piorar, logo todos se veem presos no hospital que está cercado por uma galera armada e encapuzada com um triangulo estampado na cara. Está configurado um verdadeiro suvival horror em que ninguém confia em ninguém e… enfim, o bagulho é louco!
![The.Void.2016.1080p.WEB-DL.DD5.1.H264-FGT.mkv_snapshot_01.01.16_[2017.04.14_00.18.14]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/04/the-void-2016-1080p-web-dl-dd5-1-h264-fgt-mkv_snapshot_01-01-16_2017-04-14_00-18-14.jpg)
Produção independente fruto de crowdfunding, THE VOID é escrito e dirigido pela dupla Jeremy Gillespie e Steven Kostanski que sempre estiveram envolvidos com a parte visual de grandes produções. Gillespie fez parte da equipe de direção de arte de CIRCULO DE FOGO (Pacific Rim, 2013) e da série HANNIBAL por exemplo. Já Kostanski tem uma filmografia bem mais expressiva sendo responsável pelos efeitos especiais de maquiagem de NURSE 3D (2014), HANNIBAL (a série), CLOWN (2014), ABC DA MORTE 2 (2014), A COLINA ESCARLATE (Crimson Peak, 2015) e até… ESQUADRÃO SUICIDA…¯ \ _ (ツ) _ / ¯
Além disso, ambos também estão na equipe do remake de IT do Stephen King que estreia esse ano.
Segundo seus realizadores, o projeto se arrasta há uns 10 anos na tentativa de achar a combinação perfeita entre a estética do horror atual com o gore concebido por efeitos práticos dos anos 80. Parece que conseguiram, pois sem dúvida alguma, o destaque aqui fica para esse aspecto. A cada criatura desfigurada apresentada, é impossível não pensar em filmes como O ENIGMA DE OUTRO MUNDO (The Thing, 1982), VIDEODROME (1983) e HELLRAISER (1987), por exemplo. É puro body horror que graças a um “belíssimo” trabalho de efeitos de maquiagem, chega a causar desconforto de tamanha deformidade das criaturas apresentadas. Há CGI aqui e ali sim, mas nada que tire a sua atenção. Vale destacar também a competente fotografia de Samy Inayeh que consegue o equilíbrio necessário para que o gore absurdo jogado na sua cara não fique banalizado em momento algum.
Já o elenco, no geral, até que entrega bem seus personagens dentro da proposta, sendo que o destaque acaba ficando para o veterano Kenneth Welsh que encarna o Dr. Richard Powers de onde acabam vindo as melhores falas do filme.
![The.Void.2016.1080p.WEB-DL.DD5.1.H264-FGT.mkv_snapshot_01.14.31_[2017.04.20_15.31.11]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/04/the-void-2016-1080p-web-dl-dd5-1-h264-fgt-mkv_snapshot_01-14-31_2017-04-20_15-31-11.jpg)
O roteiro de THE VOID também nos reserva algumas surpresas bem intrigantes. Sociedade secreta, culto a deuses de outras dimensões e muitas coisas cabulosas acabam resultando numa atmosfera digna dos contos de H.P. Lovecraft e que, inevitavelmente, traz à mente outros clássicos do estilo como, por exemplo, À BEIRA DA LOUCURA (In the Mouth of Madness, 1995) de John Carpenter e o subestimado horror sci-fi O ENIGMA DO HORIZONTE (Event Horizon, 1997).
![The.Void.2016.1080p.WEB-DL.DD5.1.H264-FGT.mkv_snapshot_00.59.27_[2017.04.20_15.42.37]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/04/the-void-2016-1080p-web-dl-dd5-1-h264-fgt-mkv_snapshot_00-59-27_2017-04-20_15-42-37.jpg)
Para mim, mesmo que geralmente eu prefira, THE VOID finda em um filme curto demais – 1h24min – e que acaba não trabalhando um pouco mais a fundo a interessante mitologia cósmica aqui sugerida.
Apesar deste filme ter um forte apelo nostálgico pra geração 80 (e até 90) acredito que também funcione pra essa geração mais atual baseada em games. É possível relacionar muita coisa tanto no aspecto temático quanto visual. Como deu pra notar, o longa é um prato cheio pra quem quer caçar referências e isso é ótimo, pois além de divertir, funciona como uma pura homenagem aos clássicos literários e cinematográficos do gênero.
![The.Void.2016.1080p.WEB-DL.DD5.1.H264-FGT.mkv_snapshot_01.10.12_[2017.04.20_15.44.15]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2017/04/the-void-2016-1080p-web-dl-dd5-1-h264-fgt-mkv_snapshot_01-10-12_2017-04-20_15-44-15.jpg)
Insano, violento e cabuloso, THE VOID chega pra tocar o terror e mostrar que ainda é possível fazer um filme de gênero mais escancarado, sem receio de algum de ser tratado injustamente como uma produção trash, o que tá longe de ser. Até agora, o melhor filme de terror do ano.
Direção: Jeremy Gillespie, Steven Kostanski
Roteiro: Jeremy Gillespie, Steven Kostanski
Elenco: Aaron Poole, Kenneth Welsh, Daniel Fathers
Origem: Canadá
https://www.youtube.com/watch?v=PvJpUgDhvLc
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Há dez anos, “Invasão Zumbi” (Train to Busan) chegava como um verdadeiro fenômeno no círculo de fãs de horror. O filme em si não apresentava nenhuma grande inovação no gênero, mas se destacava ao fazer boas cenas de ação (sim, de ação) com os zumbis/infectados num trem que cortava a península coreana.
Agora em “Zona Zero” (Colony), parte da construção da tensão e da ação em meio a uma infestação, ou seria infecção zumbi, se mantém em uma estrutura linear. Desde o início descobrimos quem é o vilão, suas intenções e como irá promover o caos, que na visão dele, na real é parte do renascimento da sociedade humana.

Baseado em conhecimentos e teorias da cyber-biologia, ou biotecnologia, que passam longe da ética, um pesquisador invejoso cria um vírus de laboratório para espalhar em uma importante convenção científica.
E em menos de meia hora de filme já temos uma grande leva de vítimas e de infectados que agem como zumbis maratonistas e triatletas. Depois que rola o primeiro ataque, aí é correria para todo lado. Quem foge ou tenta escapar da horda de criaturas tem q apelar pra se esconder em lojas e corredores do enorme empresarial que abriga centro de convenções e de compras.
Até se veem semelhanças com o “Despertar dos Mortos” (Dawn of The Dead) de George Romero nessa ambientação, mas só ali mesmo porque os monstros agora correm e atacam com verocidade.

Na comparação com o trem pra Busan onde cada vagão continha uma ameaça diferente, neste longa aqui, os sobreviventes precisam se esconder em diferentes andares e escritórios evitando confronto com os infectados. Até porque diferente de mortos-vivos convencionais, estes aqui possuem o diferencial de se comunicar em conjunto por uma consciência coletiva como ocorre com formigas.
Esse aí é inclusive o maior problema do título brasileiro do longa que não faz o menor sentido dar nome de “Zona Zero” quando seu nome original é traduzido como “Colônia” que tem total sintonia com a premissa já mencionada.

Mas mesmo sendo um pouco previsível assim nesta narrativa mais convencional de confinamento e fuga, “Zona Zero” reserva algumas surpresas, já que diante da ameaça e do vilão, não temos como imaginar como isso pode acabar e quem será o último a contar história.
E um dos maiores méritos do longa é usar poucos efeitos digitais e trabalhar bem com atores, figurantes e efeitos práticos bem grotescos. Em época de proliferação de uso de Inteligência Artificial como muleta pra qualquer tipo de cena no cinema, digamos que é um avanço dos coreanos mesmo que isso não seja uma inovação.
Título original: Colony
Direção: Yeon Sang-ho
Roteiristas: Choi Kyu-seok e Yeon Sang-ho
Elenco: Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook
País de origem: Coreia do Sul
* “Zona Zero” estreia nos cinemas brasileiros em 15 de outubro e foi visto pelo Toca o Terror em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
Críticas
CRÍTICA: Meus Mortos Tristes (2026)
Dirigido pelo chileno Pablo Larraín, a minissérie “Meus Mortos Tristes” não foca em assombrações malignas e jumpscares. O papo aqui é drama familiar e crítica social foda com uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas.

Vamos iniciar com uma sinopse sem muitos detalhes, para não estragar a surpresa que acontece já no primeiro episódio de Meus Mortos Tristes (2026), nova minissérie argentina da Netflix. Baseada nos contos da escritora Mariana Enriquez, que também é um dos roteiristas, a obra chegou ao serviço de streaming no dia 24 de setembro.
Ema (Mercedes Morán) é uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas. Após a morte da mãe, ela se muda para a antiga casa, que fica perto de um conjunto habitacional barra pesada, no subúrbio de Buenos Aires.

Com a visita de parentes que moram nos Estados Unidos, Ema descobre que sua sobrinha Julie (Carolina Álvarez) tem a mesma habilidade sobrenatural. O problema é que um evento inesperado faz com que a relação entre vivos e mortos tome grandes proporções na localidade.
Dirigido pelo chileno Pablo Larraín (O Conde, 2023), Meus Mortos Tristes tem quatro episódios e não precisava tanto. Mas isso fica para depois. É importante começar dando o alerta que a minissérie não vai focar em assombrações malignas e jumpscares, o papo aqui é drama familiar e crítica social foda.
Mercedes Morán é o grande destaque. Sua personagem não é nenhuma Lorraine Warren e não vê glamour, nem missão divina, em sua habilidade de se comunicar com espíritos.

Apesar de possuir sensibilidade suficiente para tomar decisões certas, o desdém pelo dom que carrega é sua maior faceta. A relação com a família, incluindo o fantasma da mãe, rende os melhores momentos. Carolina Álvarez, num papel mórbido e cativante, também merece ser lembrada.
Em algumas entrevistas o elenco teceu loas a Larraín, afirmando que o diretor foi o responsável por tirar deles algumas de suas melhores atuações. Como não há sustos e coisas pulando na tela, é a interação entre os personagens que faz a trama andar. E funciona bem.
Outro trunfo de Meus Mortos Tristes é sua ambientação na periferia. A violência do lugar e o clima de abandono da população de baixa renda faz um paralelo com a situação dos desencarnados que aparecem. A fotografia fria e azulada completa o quadro.
Mas, como dito acima, nem tudo são flores nesse túmulo e, talvez, um filme cairia melhor para essa história. O formato em quatro episódios (de 50 minutos cada) estica demais a trama, o que causa alguns problemas de continuidade e a sensação que o programa está enchendo linguiça.

Outra prova disso é que algumas subtramas ficam subvalorizadas, como o arco de Carol (Dolores Fonzi), filha de Ema, que sofre com a relação mal resolvida com a mãe e com uma perda pessoal. Os pais de Julie também são meio esquecidos durante boa parte do roteiro. O mesmo acontece com Lautaro (Germán De Silva), personagem que carrega um passado de amor não correspondido por Ema.
Ainda assim, Meus Mortos Tristes é uma bela fábula sombria, que fala sobre luto, depressão e memória. Sem contar que a minissérie faz um competente comentário sobre a violência desenfreada nas grandes metrópoles da América Latina. Vale o play nas apariciones.
Título original: Mis muertos tristes
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Anastasia Ayazi, Guillermo Calderón, Mariana Enriquez e Pablo Larraín
Elenco: Mercedes Morán, Dolores Fonzi e Carolina Álvarez
Origem: Argentina
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
Críticas
CRÍTICA: Resident Evil (2026)
Esta é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada.

A franquia Resident Evil é referência nos videogames, mas penava quando o assunto era adaptação para outras mídias, como TV e cinema, tendo como maior exemplo os filmes estrelados por Milla Jovovich no decorrer de décadas. A franquia tentou um reboot em 2021, mas o desastre veio. Agora, em setembro de 2026, um novo reboot é lançado sob a grife do diretor de “A Hora do Mal“.
Um rapaz que trabalha entregando órgãos em hospitais recebe uma oferta tentadora para ir à cidade de Raccoon City, e o que supostamente seria um serviço simples se torna uma luta pela sobrevivência, já que várias aberrações tomaram conta da cidade e arredores.

Aqui já adianto que essa é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada, em alguns detalhes visuais que remetem ao material original e no gameplay; sim, em alguns momentos me senti jogando. A história de “Resident Evil” é simples e direta, e me lembrou muito comédias de erro onde tudo o que podia dar errado dá; o protagonista não tem um minuto de paz em quase toda a jornada. A escolha de um civil sem nenhuma qualificação para combate foi acertada, já que ele serve como um espelho para a maioria de nós e gera identificação.

A polêmica sobre os momentos cômicos não me incomodou por boa parte do filme, mas, quando entram em cena outros personagens humanos, a coisa mudou de figura. O que estava divertido e com bons jumpscares se torna uma bobagem que me incomodou muito. Eu sei que é uma sátira, mas não ficou boa para mim, culminando em um clímax que me deu vergonha alheia. O terror está bem representado pelas criaturas nojentas que aparecem no decorrer do filme e que são inspiradas nos monstros dos jogos; elas são ameaçadoras. Tem gore, mas acho que poderia ser mais.
O filme não é ruim, tem boas cenas, diverte e tem bons sustos. O problema maior é que, quanto mais se aproxima do fim, vai ficando mais bobo.
Título original: Resident Evil
Direção : Zack Cregger
Roteiro: Zack Cregger e Shay Hatter
Produtores Executivos: Oliver Berben, Richard Wright, Robert Bernacchi
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry,Kali Reis e outros
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: Tumba Aberta (2013)
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: February (2015)
-

Críticashá 7 anosCRÍTICA: Banana Splits – O Filme (2019)
-

Críticashá 13 anosCRÍTICA: Begotten (1991)
-

Críticashá 5 anosCRÍTICA: O Homem nas Trevas (2016)
-

Dicashá 7 anosCURIOSIDADES: 13 Fatos que Você não Sabia sobre Jason e a Franquia Sexta-Feira 13
-

Críticashá 5 anosCRÍTICA: O Estranho Thomas (2013)
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: A Visita (2015)































Rosana Dias
13 de maio de 2017 às 20:13
Vi ontem, realmente muito a ver com Lovecraft, adorei as criaturas.
Van Burmann
1 de junho de 2017 às 14:28
Adorei esse filme, além de ter muito a ver com Lovecraft me lembrou muito filmes do Cronenberg!
Luana
20 de agosto de 2017 às 21:11
Ótimo filme, realmente um dos melhores desse ano, e o Canadá vem trazendo ótimos filmes
Lucas Coelho
5 de janeiro de 2018 às 19:06
muito ruim, perda de tempo