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DICA DA SEMANA: REC (2007)

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Found Footage é um tipo de produção que divide opiniões desde que A Bruxa de Blair estourou, lá em 1999. O estilo “câmera na mão” virou febre durante bons anos, até mesmo porque se mostrou uma forma muito mais barata de se realizar um filme. Quem é fã de horror sabe da enxurrada de longas desse estilo que inundou o cinema de gênero.

Na minha humilde opinião, a esmagadora maioria pode colocar num saco e jogar no lixo. Por outro lado, alguns se mostraram bons produtos, e uns poucos se transformaram em filmes essenciais, até considerados clássicos modernos.

Um desses exemplos é REC, dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza. Olhando para ele hoje em dia, a mistura Found Footage + zumbis/infectados pode não parecer tão atraente, mas lá em 2007, o filme fez muita gente cagar nas calças e recolocou a Espanha no mapa do terror mundial.

O enredo é simples. Acompanhamos uma equipe de reportagem (uma repórter e um cinegrafista) que gravam um programa específico sobre profissionais que trabalham à noite. Um belo dia, enquanto filmam a rotina do corpo de bombeiros de Barcelona, os dois acompanham o batalhão em um chamado de emergência.

Chegando ao local, eles se deparam com uma infecção que deixa as pessoas descontroladas e agressivas. Quando o prédio é colocado em quarentena, o bicho pega. O fato de o filme se passar praticamente em um cenário, aliado ao estilo “câmera da mão”, dá uma sensação única de claustrofobia. O ritmo acelerado é perfeito e tem uma boa reviravolta no fim (algo que as continuações estragaram).

Está disponível de graça na Pluto TV. Vá sem medo.

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DICA DA SEMANA: Aterrorizante (2016)

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Até que enfim, trago um slasher para a dica da semana. Ultimamente, imagens de um palhaço sinistro tem rodado as redes sociais e despertado o interesse de quem é fã de terror. Estas cenas são do recém lançado ATERRORIZANTE 2 (Terrifier 2, 2022). Mas a dica não é deste, mas sim do seu antecessor: ATERRORIZANTE (Terrifier, 2016), longa de seis anos atrás.

Escrito e dirigido por Damien Leone, ATERRORIZANTE é um slasher brutal no qual acompanhamos um palhaço cabuloso que toca o terror numa noite de Halloween matando qualquer um que cruza seu caminho. O filme tem um roteiro que não se propõe à profundidade e é cheio de situações que forçam a barra pra trama andar, mas compensa pela boa direção.

Bem filmado e fotografado, ATERRORIZANTE tem uma violência extremamente gráfica. É daquela dói de ver! Os efeitos práticos são criativos, funcionam muito bem dentro da proposta e provavelmente vai te fazer desviar o olhar da tela em alguns momentos. A fotografia é bem estilosa e com cores vivas, trazendo um clima mais surreal pra toda trasheira apresentada.

Assim como Myers, Jason e muitos outros em suas respectivas franquias, o palhaço Art é a força que move o filme. Sem dizer nada, David Howard Thornton manda muito bem nas expressões faciais e corporais, nos conferindo um psicopata sádico, debochado e imprevisível, pois quando se acha que ele vai aloprar, ele, não só dobra a aposta, mas subverte qualquer “regra” de assassino em série do gênero que se espera.

É curioso que Art não surge neste “primeiro” filme, mas sim em um curta homônimo de 2011 e em um longa de 2013 chamado ALL HALLOW’S EVE (2013), sendo todos do mesmo diretor/roteirista.

Em suma, é um filme chocante e sem escrúpulos que é recomendável pra quem curte uma bagaceira com muito sangue. Se você é esta pessoa doente, vai fundo que este slasher vai te divertir. ATERRORIZANTE se encontra no catálogo da Amazon Prime Video.

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DICA DA SEMANA: Possessor (2020)

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Para a dica da semana, eu queria algo que fosse no mínimo intrigante. Daí vi que no catálogo da HBO Max entrou o cabulosíssimo POSSESSOR (2020), filme de Brandon Cronenberg – filho de ninguém menos que David Cronenberg – no qual pessoas são possuídas não por demônios, mas por outras pessoas.

Na trama, em um futuro não muito distante, acompanhamos Tasya Vos (Andrea Riseborough), uma espécie de assassina de aluguel que, por meio de uma empresa que detém uma tecnologia de transferência de consciência, possui a mente de outras pessoas para usá-las como veículos para matar seus alvos. O longa abre com uma jovem, nitidamente abalada emocionalmente, está se produzindo para participar de um evento quando, do nada, enfia algo em um plug na sua cabeça. Em seguida ela assassina brutalmente um figurão da alta sociedade em público, acabando morta pela polícia. É dessa forma singela que POSSESSOR começa.

Tudo em aqui é visualmente intenso e explícito. Tudo mesmo! Brandon usa e abusa dos efeitos práticos pra explorar o horror corporal ao máximo, conferindo cenas que provavelmente vão fazer você desviar o olhar. A violência aqui nunca chega ao caricatural e vão causar incômodo real pela crueza de como é mostrada. Algumas cenas até lembram Dário Argento por conta dos planos detalhes e das cores vibrantes de toda nojeira. Fora o gore, as muitas sequências que ilustram todo horror corporal e mental das personagens são criativas e dolorosas.

Para além do óbvio domínio técnico, o cineasta não deixa o estilismo audiovisual apenas como aparato puramente estético, mas sim como recurso para contar a história. Pouco aqui é de fato explicado. Por exemplo, não temos noção do ano em que estamos ou de quem são aquelas pessoas, ficando claro que o canadense não se preocupa nem um pouco em ser didático, preferindo dar pequenas dicas aqui e ali, deixando a maior parte para a imaginação do espectador. Isso seria ruim se a intenção do filme fosse tratar do universo em que tudo se passa, mas como aqui o foco é a questão existencial da protagonista, o pouco que é exposto textualmente é suficiente pra entendermos os conflitos morais e emocionais da assassina de aluguel.

Temos critica social foda em POSSESSOR? Claro que sim! O roteiro, também assinado pelo diretor, não pega leve em apontar o quão vil a política do capitalismo pode ser. Na trama, temos um cenário de vigilância das marcas em nossas vidas que assusta de tão absurdo e de tão próximo da realidade essa mera especulação pode ser. Quem nunca se perguntou se tem alguém nos ouvindo 24h por dia, já que, instantaneamente, propagandas incrivelmente assertivas surgem “como mágica” nas nossas redes sociais?

Intrigante, violento e cabuloso, POSSESSOR é um filme que fica na cabeça e pode ser considerado “intragável” por em questão certas convenções morais. Para este vos escreve, foi um dos melhores filmes de 2020. Aproveita que tá no catálogo da HBO Max e dá uma conferida.

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DICA DA SEMANA: O Orfanato (2007)

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O Orfanato

Uma coisa não podemos negar, o cinema de terror espanhol é ‘classudo’. Mesmo as tosqueiras setentistas de Amando de Ossorio, as maluquices de Álex de la Iglesia ou até os found-footages frenéticos da franquia [REC], todos esses são filmes que têm a ambientação como ponto em comum. Ficaríamos falando horas sobre outros aqui.

O Orfanato (2007) é um belo exemplo disso. Um suspense de casa assombrada que se utiliza de ótimas locações para contar a sua história. Laura (Belén Rueda) volta ao imóvel que, há 30 anos, foi o lar para órfãos onde ela passou parte da infância. Agora adulta, seu plano é reabrir o local e receber novas crianças.

Com ela, estão seu marido Carlos (Fernando Cayo) e o filho Simón (Roger Príncep), de 7 anos. O problema, como você já deve estar imaginando, é que não são apenas pessoas vivas estão habitando o antigo casarão, que fica na Astúrias, no noroeste da Espanha, uma região costeira que caiu como uma luva para a produção.

Falei que a ambientação era legal, mas claro que só isso não sustentaria o filme. Precisamos dar destaque à atuação de Belén Rueda, que se entrega de corpo e alma (perdão pelo trocadilho), quando o sobrenatural dá às caras no roteiro (assinado por Sergio G. Sánchez). O filme ainda lançou J.A. Bayona para Hollywood e o diretor espanhol, hoje, comanda blockbusters como Jurassic World 2: Reino Ameaçado.

Com produção executiva de ninguém menos que Guillermo del Toro, O Orfanato bombou na época. E mesmo abordando um tema tão requentado no cinema fantástico, ganhou notoriedade pela peculiaridades da trama, algo que o distanciou de produções genéricas.

Particularmente acho que o roteiro tem uns furos aqui e ali, mas nada que o desabone. Achei meio forçado o menino lá com um saco na cabeça (tentando criar uma identidade visual para o ‘vilão’), mas entendo que esse tipo de artifício tem um objetivo comercial, então ok.

O que interessa é que O Orfanato segue relevante depois de mais de uma década e se você é assinante da Netflix ou do Amazon Prime Video, corra que o filme está nas duas plataformas.

P.S.: Quem faz uma ponta nesse filme é Edgar Vivar, o eterno Senhor Barriga do seriado mexicano Chaves.

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