Críticas
CRÍTICA: IT – Capítulo 2 (2019)

[Por Geraldo de Fraga]
It: Capítulo Dois (2019) foi pensado e executado para ser épico. O longa teve um orçamento de aproximadamente 70 milhões de dólares, quase o dobro do seu antecessor, e a campanha publicitária alardeou que, com suas 2h49, ele seria um dos filmes de terror mais longos da história. Soma-se a isso um elenco estrelado com Jessica Chastain e James McAvoy e temos o blockbuster do gênero do ano.

Essa megalomania, porém, é uma faca de dois gumes (na questão artística, não lucrativa, claro). Ao mesmo tempo em que a obra se adequa ao festival visual que vemos hoje em dia e se aproxima de filmes de super heróis e aventura, perde-se a atmosfera do horror. Tudo é muito grande, barulhento, com uma ânsia de mostrar demais, sendo que se esquece de amedrontar nos detalhes.
A história, como todo mundo sabe, se passa exatos 27 anos após o ‘clube dos perdedores’ dar uma surra no famigerado Pennywise. Naquela época, eles fizeram um juramento de retornar, caso ‘a coisa’ desse as caras de novo. Quando os ataques sobrenaturais voltam a acontecer, Mike (Isaiah Mustafa), o único que nunca deixou a cidade de Derry, convoca o resto da turma para cumprir a promessa e ajudar a deter a ameaça.

Na pressa para estabelecer esse cenário, algumas coisas são atropeladas. Se na primeira parte da história, há todo um cuidado com os personagens, ao explorar seus dramas e medos, até mesmo sem deixar de fora temas espinhosos como abuso sexual e racismo, na continuação o mais importante é ostentar os efeitos especiais.
Não sabemos direito que tipo de pessoas nossos heróis se tornaram, apenas que suas lembranças são confusas em relação ao embate com o “palhaço criatura” em Derry. Assim, pouco se cria de empatia com os protagonistas em sua fase adulta e fica até forçado o interesse em se reunir depois de tantos anos.

Cabe a Mike refazer essa conexão, trazendo os ‘perdedores’ de volta à realidade. Durante todos esses anos, ele estudou, pesquisou e ficou obcecado pela origem da entidade. Assim, o personagem serve de guia na nova jornada, além de apresentar a solução para matar de vez o Pennywise.
O roteiro aposta então em um texto que exalta memórias e recordações. E o maior reflexo disso são os flashbacks que trazem de volta o elenco infantil, em cenas feitas para exaltar a amizade e amarrar pontas soltas do passado.
Em se tratando de uma grande produção hollywoodiana, era de se esperar que It: Capítulo Dois exaltasse momentos de superação e desse ao público uma mensagem de que tudo ficaria bem. O problema é que ele se perde em vários momentos e embaralha tensão, alívio cômico e romance, deixando tudo superficial e repetitivo.

Há de se levar em conta a dificuldade de adaptar um livro tão extenso e confuso, que o próprio Stephen King já declarou ter escrito sob o efeito de álcool e outras ‘coisitas mas’. Quem leu e assistiu ao filme, disse que o resultado foi satisfatório no quesito visual e em seu desfecho. Aos fãs mais aficcionados, há ainda um vasto repertório de easter eggs para ser caçado na tela.
Surfando na onda do anterior, essa continuação fará rios de dinheiro e venderá action figures a torto e a direito, cumprindo a função pela qual foi planejado. Por outro lado, o show de pirotecnia, jump scares e criaturas descartáveis, nas suas quase 3 horas de projeção, serão pouco lembradas após a sessão degustada com um balde de pipoca gigante e um refrigerante de 1 litro.

Direção: Andy Muschietti
Roteiro: Gary Dauberman (baseado no livro de Stephen King)
Elenco: Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader
Origem: EUA
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Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).
Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantine” meets “Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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“Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.
E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.
Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.
No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.
Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife
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Críticas
CRÍTICA: Passageiro do Mal (2026)
O trailer de “Passageiro do Mal” já avisava que vinha clichê por aí, mas a minha mente insistiu no clássico “vai que é bom”. Não era.

“Passageiro do Mal” (Passenger) surgiu do nada (pelo menos para mim) nos últimos meses e, mesmo achando o trailer extremamente genérico e clichê, fiquei tentado a dar uma conferida. No fundo da minha mente ecoava: “vai que é bom e você está só sendo chato”. Então, com a estreia, decidi me arriscar no cinema e tirar minhas conclusões, que veremos a seguir.
A história segue um jovem casal que decide trocar a vida em um grande centro urbano pela aventura de viver pelo campo. Só que eles encontram o terror quando viram alvos de uma entidade demoníaca que caça vidas pelas rodovias. A questão é se eles vão seguir o caminho certo ou acabar dirigindo para a morte certa.

Olha, eu até gosto de filmes ruins quando eles se assumem dessa maneira. Acho, no geral, os filmes da The Asylum divertidíssimos, mas em “Passageiro do Mal” os realizadores foram para a direção mais clichê e imbecil possível, além de se levarem a sério demais. Eu me senti de volta ao início dos anos 2000, época em que filmes de assombração como este apareciam a rodo nos cinemas.
Os protagonistas são sem sal, com pouco carisma e desenvolvimento, enquanto os coadjuvantes são folhas em branco de tão rasos. A ameaça tem um visual bem questionável e pertence àquela categoria de vilões sobrenaturais que, assim que aparecem na tela, soltam um grito “assustador”.

A direção e o roteiro estão de mãos dadas na tentativa de assustar de uma forma que virou piada há décadas. Todas as tentativas de susto são extremamente telegrafadas, e as cenas de gore com CGI ruim enterraram de vez o longa. O diretor que tinha mostrado seu talento nos longas “A Autópsia” e “A Última Viagem do Deméter“, pareceu que aqui só estava interessado no contracheque mesmo.

Um filme claramente descartável que deveria ser uma sobra de streaming, mas que jogaram no cinema para pegar besta e masoquista. Neste caso, fui os dois. Aconselho você a respeitar o seu dinheiro e fazer outra coisa com o valor do ingresso.
Título original: Passenger
Direção: André Øvredal
Roteiro: Zachary Donohue e T.W. Burgess
Elenco: Melissa Leo, Lou Llobell, Jacob Scipio e outros
Duração: 94 min
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