Dicas
DICA DA SEMANA: A Casa do Diabo (2009)

Aproveitando toda a empolgação da estreia e repercussão de MAXXXINE, o tão aguardado fechamento da trilogia da A24 dirigida por Ti West e estrelada pela neta da atriz brasileira, trago aqui um filme de 2009 do mesmo diretor que eu considero o melhor de sua filmografia: A CASA DO DIABO (The House Of The Devil).

A trama é bem simples e direta: uma jovem babá é contratada para tomar conta de um menino em um casarão sinistro que, apesar de achar o contratante esquisitão, aceita pela boa grana, não fazendo ideia do inferno que vai ser aquela noite de eclipse lunar.
Logo de cara, o filme chama a atenção pelo visual típico dos filmes do início dos anos 80. É muito bem feito. Ao contrário de muitos filmes que abusam do neon e falham em emular a estética dessa época parecerendo filtros de Instagram, A CASA DO DIABO acerta em cheio e parece autêntico no design de produção, na paleta de cores lavadas com tons amadeirados e com sangue vermelho vivo, nos enquadramentos e movimentos de câmera característicos, na textura da película… enfim, é impressionante como tudo é convincente.

West segue a “cartilha” dos filmes dos quais ele faz referência e nos conduz numa narrativa sem pressa, na qual prioriza a construção de mundo e da personagem nos fazendo comprar a premissa, preparando bem o terreno para o que está por vir. É muito assertiva a forma que o cineasta usa do clima de pânico satânico que amedrontava os norte-americanos nessas décadas para contextualizar a trama, deixando tudo mais crível.
Como dito, Ti segue a passos lentos naquele estilo slow burn no qual algumas coisas mais tensas vão acontecendo pontualmente, seguindo numa crescente de tensão até que a coisa fica séria. Nesse andamento, o longa fica meio cansativo por boa parte do tempo e só volta a melhorar quando a bagaceira finalmente chega e as coisas são reveladas em meio a gritaria, gore explícito e muito sangue jorrando na tela. Aliás, a trilha sonora quando resolve surtar junto é cabulosa demais!

O elenco manda muito bem e entra na brincadeira, nos conferindo personagens que são caricatos, mas que soam reais dentro de toda atmosfera proposta. O destaque óbvio é para Jocelin Donahue que encarna Sam, a jovem babá, que manda muito e entrega tudo. Também temos a presença do veterano Tom Noonan no papel do esquisito dono da casa, e a breve, e marcante, aparição da Greta Gerwig (conhecida por dirigir Barbie) vivendo a melhor amiga da protagonista.
Simples, honesto e sem vergonha de ser o que é, A CASA DO DIABO não é impecável, mas é um filme que merece ser mais visto pela ótima execução e por cumprir o que promete, sendo para este que vos escreve, o melhor filme do Ti West.
* Disponível no catálogo da Amazon Prime Video / Cindie
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Até que enfim, trago um slasher para a dica da semana. Ultimamente, imagens de um palhaço sinistro tem rodado as redes sociais e despertado o interesse de quem é fã de terror. Estas cenas são do recém lançado ATERRORIZANTE 2 (Terrifier 2, 2022). Mas a dica não é deste, mas sim do seu antecessor: ATERRORIZANTE (Terrifier, 2016), longa de seis anos atrás.

Escrito e dirigido por Damien Leone, ATERRORIZANTE é um slasher brutal no qual acompanhamos um palhaço cabuloso que toca o terror numa noite de Halloween matando qualquer um que cruza seu caminho. O filme tem um roteiro que não se propõe à profundidade e é cheio de situações que forçam a barra pra trama andar, mas compensa pela boa direção.
Bem filmado e fotografado, ATERRORIZANTE tem uma violência extremamente gráfica. É daquela dói de ver! Os efeitos práticos são criativos, funcionam muito bem dentro da proposta e provavelmente vai te fazer desviar o olhar da tela em alguns momentos. A fotografia é bem estilosa e com cores vivas, trazendo um clima mais surreal pra toda trasheira apresentada.

Assim como Myers, Jason e muitos outros em suas respectivas franquias, o palhaço Art é a força que move o filme. Sem dizer nada, David Howard Thornton manda muito bem nas expressões faciais e corporais, nos conferindo um psicopata sádico, debochado e imprevisível, pois quando se acha que ele vai aloprar, ele, não só dobra a aposta, mas subverte qualquer “regra” de assassino em série do gênero que se espera.
É curioso que Art não surge neste “primeiro” filme, mas sim em um curta homônimo de 2011 e em um longa de 2013 chamado ALL HALLOW’S EVE (2013), sendo todos do mesmo diretor/roteirista.

Em suma, é um filme chocante e sem escrúpulos que é recomendável pra quem curte uma bagaceira com muito sangue. Se você é esta pessoa doente, vai fundo que este slasher vai te divertir. ATERRORIZANTE se encontra no catálogo da Amazon Prime Video.
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Mesmo sendo uma produção de baixíssimo orçamento e com um formato bem pouco comercial (o de falso documentário), As Fitas de Poughkeepsie (The Poughkeepsie Tapes, 2007) ganhou uma certa repercussão na internet, graças às famosas listas de “filmes mais perturbadores e blá blá blá”. No entanto, o longa dirigido por John Erick Dowdle pode ser pesado para alguns, na mesma proporção em que não causa nenhum abalo em outras pessoas. Isso fica por conta da sua sensibilidade.

Para mim, o filme é bem cabuloso e eficiente na forma escolhida para contar a história. Como dito acima, acompanhamos um ‘mockumentary‘ sobre um serial killer chamado ‘o Carniceiro do Rio’, que ataca na região de Poughkeepsie, no estado de Nova York. Após uma caçada sem muito sucesso, a polícia acaba encontrando uma casa onde o assassino guarda milhares de fitas de vídeo com imagens dos crimes cometidos por ele.
O filme então segue a linha da clássica reportagem policial, alternando depoimentos de investigadores, legistas, parentes das vítimas, etc; com as gravações encontradas nas tais fitas em estilo found-footage. O roteiro é todo costurado com a intenção de criar suspense com a parte ‘documental’, para depois chocar com as imagens do assassino atacando e torturando suas vítimas.

Algumas coisas são meio forçadas, como a tentativa de apresentar o serial killer como alguém brilhante, que engana todas as autoridades que o perseguem redefinindo o modus operandi do psicopata clássico. Isso tem o objetivo de justificar porque ele passou tanto tempo sem ser preso, mas fica exagerado.
Por outro lado, o elenco (100% desconhecido do grande público) faz com que o formato jornalístico fique bem crível. Além disso, a trama dá destaque para uma vítima específica, Cheryl Dempsey (Stacy Chbosky), que é uma das partes mais perturbadoras da história. Enfim, As Fitas de Poughkeepsie é um dos melhores filmes dentro do seu subgênero e merece uma assistida. Se vai lhe dar pesadelos, aí é outra coisa. Confira na Darkflix+.
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Quando “Uma Sombra na Nuvem” (Shadow in the Cloud) foi lançado, surgiram diversas críticas pesadas e comentários negativos a seu respeito. A priori fiquei com pé atrás e bem desconfiado desse hate todo por dois motivos: primeiro por ser um filme de terror/suspense com uma guerra como pano de fundo e em segundo, por ser de uma diretora. No caso, a neo-zelandesa Roseanne Liang se aventurando no gênero em uma grande produção.
Eis que o tempo passou e agora o filme entrou no catálogo da Prime Video. E lhes confesso que a “curta” duração de 1h23min também me ajudou a matar a curiosidade a respeito deste filme tão polêmico.

Veja só como é a história de “Uma Sombra na Nuvem“: a oficial Garrett (Chloë Grace Moretz) sobe à bordo de um avião de caça em 1943 numa base área aliada na Nova Zelândia. Ela embarca trazendo consigo ordens confidenciais para proteger um pacote com um conteúdo delicado e ultrasecreto.
O “problema” no caso é que ela é uma mulher e nesta tripulação só existem homens tóxicos. E nem é preciso ir longe pra imaginar que mesmo sem considerar o período histórico, os soldados ali não estavam para serem gentis com a convidada.
A todo instante ela se vê vítima de bullying e assédio com gracejos, piadinhas e tentativas de diminuí-la pelo que é e representa, mesmo sendo uma militar. O constrangimento é tamanho que o único lugar que lhe oferecem para viajar é em um compartimento embaixo da aeronave que serve como torre de artilharia.

Assim que decolam, partimos para encarar com ela a situação de estar em um avião de guerra sobrevoando o Pacífico em meio ao momento mais crítico daquele conflito mundial. Mas o que nem ela e nem os demais tripulantes esperavam é que uma criatura aparecesse junto da fuselagem no vôo.
Isso lembra alguma coisa? É uma referência direta ao famoso episódio “Pesadelo a 20 mil pés” da série “Além da Imaginação” onde um passageiro vê um monstro do lado de fora do avião, mas ninguém ali acredita nele… A história é tão boa que também ganhou também uma sequência no filme “No Limite da Realidade” e mais um bocado de paródias.
Voltemos… No caso do filme neo-zelandês, quem primeiro avisa o “gremlin” é a oficial Garrett, e que logo é chamada de histérica e paranoica pela equipe. É quando se inicia uma árdua batalha contra esse bicho sem que ela sequer possa pedir ajuda, uma vez que a tripulação cortou a comunicação com ela pra não lhe ouvir reclamar.

Mas não pense que falei demais. Isso tudo é literalmente só o começo de um longa que vai além de ser um filme de guerra ou de horror. “Uma Sombra na Nuvem” tem obviamente muito de um sci-fi nostálgico, tem sequências quase cartunescas e muito de teatro, além de ser recheado de sequências inesperadas (inesperadas mesmo!).
Vale avisar que grande parte das cenas da primeira metade dele se passa em um único cenário onde ouvimos mais do que vemos o que acontece. Porém, se engana quem acha que isso diminui ou torna a ação menor. Tudo só reforça a tensão, a claustrofobia e a angústia dos personagens que precisam reagir a ameaças de aviões kamikazes e ao gremlin que está tentando entrar na aeronave.
Bem conduzido, “Uma Sombra na Nuvem” deve ser o pesadelo de todo Incel que vai buscando um filme de monstro e acaba vendo personagens femininas empoderadas e um discurso antimachista por trás.
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