Conecte-se conosco

Críticas

CRÍTICA: Longlegs – Vínculo Mortal (2024)

Publicado

em

Longlegs - Vínculo Mortal

Sob forte comoção, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira Longlegs: Vínculo Mortal (2024), a quarta produção de Oz Perkins, diretor que já nos presenteou com o ótimo A Enviada do Mal (2015); o chatíssimo O Último Capítulo (2016) e bem bom Maria e João: O Conto das Bruxas (2020).

Quando entrou em cartaz nos EUA, no mês passado, Longlegs arrecadou US$ 22,6 milhões em seu fim de semana de estreia e virou a maior abertura de um filme de terror independente na última década. Mas isso não veio do nada, o longa contou com uma forte campanha de marketing da NEON para atiçar o público antes da estreia, focando principalmente na participação de Nicolas Cage como o vilão.

Na trama, após se revelar como uma espécie de ‘vidente’, a agente do FBI Lee Harker (Maika Monroe) é chamada para participar de uma investigação que não sai do lugar. Durante anos, um serial killer vem fazendo vítimas de uma maneira pra lá de inusitada e deixando, nas cenas dos crimes, cartas misteriosas assinadas com o codinome ‘Longlegs’. Estamos na década de 1990 e os EUA respiram os últimos anos do “pânico satânico”, histeria coletiva que via influência demoníaca em todos os cantos do país.

Desesperado por respostas, o agente Carter (Blair Underwood) deposita todas as suas fichas nas habilidades ‘paranormais’ de Harker. Nossa heroína, então, consegue fazer o caso avançar, o que tira debaixo do tapete uma série de acontecimentos que vão ficando cada vez mais bizarros.

Como o filme não esconde a identidade do assassino, também acompanhamos alguns momentos do cotidiano do infame Longlegs. Se você espera mais um papel insano de Nicolas Cage, pode ficar feliz.

O ator entrega uma interpretação mais que excêntrica, debaixo de uma maquiagem mórbida que o faz parecer uma mistura decadente de Axl Rose com Michael Jackson. O Silêncio dos Inocentes foi uma inspiração óbvia para o personagem, como o próprio Perkins revelou.

Falando nele, o diretor impõe, mais uma vez, o seu estilo ‘lento’ (o famoso slow burn). Essa condução, aliada a uma fotografia com poucas cores, cria um clima carregado. As atuações, igualmente contidas (com exceção de Cage), colaboram para a atmosfera soturna, essencial para a trama.

No entanto, a narrativa arrastada gera seus problemas. Ao economizar nas explicações, durante a maior parte do filme, Perkins faz com que algumas revelações pareçam mal amarradas e, assim, não tão impactantes como deveriam.

Pontas soltas existem, porém o que mais interessa em Longlegs é sua aura perturbadora e pessimista e seus personagens angustiados. Isso pode decepcionar quem espera um thriller sobrenatural convencional, mas deve empolgar, e muito, o público que está em busca de um terror fora da caixa.

Escala de tocância de terror:

Título original: Longlegs
Direção: Oz Perkins
Roteiro: Oz Perkins
Elenco: Maika Monroe, Nicolas Cage, Blair Underwood, Kiernan Shipka e outros
Origem: EUA

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark RioMar

👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...

...mas a gente paga! ☠️

Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Que tal fazer um PIX de qualquer valor e nos dar uma forcinha? →
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Críticas

CRÍTICA: Exit 8 (2026)

Publicado

em

Exit 8

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.

Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.

O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.

1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.

Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.

Escala de tocância de terror:

Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão

👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...

...mas a gente paga! ☠️

Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Que tal fazer um PIX de qualquer valor e nos dar uma forcinha? →
Continue lendo

Críticas

CRÍTICA: O Menu (2022)

Publicado

em

O Menu

O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).

A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.

Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.

O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.

O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA

👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...

...mas a gente paga! ☠️

Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Que tal fazer um PIX de qualquer valor e nos dar uma forcinha? →
Continue lendo

Críticas

CRÍTICA: Corrente do Mal (2016)

Publicado

em

Corrente Do Mal

[Por Jarmeson de Lima]

De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)

👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...

...mas a gente paga! ☠️

Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Que tal fazer um PIX de qualquer valor e nos dar uma forcinha? →
Continue lendo

Trending