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Críticas

CRÍTICA: Infinity Pool (2023)

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Infinity Pool

Vivemos em um mundo onde os ricos fazem o que querem, resguardados pela impunidade que protege as classes mais abastadas da sociedade? Sim, todo mundo sabe. E não são poucas as obras cinematográficas que criticam o mau caratismo da high society. Só pra focar em exemplos recentes, temos Parasita (2019), A Caçada (2020) e O Menu (2022). No seu terceiro longa metragem, Brandon Cronenberg (Antiviral e Possessor) entra com tudo no tema.

Em Infinity Pool, começamos acompanhando o casal James (Alexander Skarsgård) e Em (Cleopatra Coleman), que está hospedado em um resort de luxo no país fictício de Li Tolqa. Essa nação de terceiro mundo é retratada como extremamente perigosa, com índices altíssimos de criminalidade, então o único lugar seguro para turistas é o hotel.

James é um escritor frustrado. O motivo da viagem, inclusive, é relaxar para recuperar a inspiração e voltar a escrever, o que acaba fazendo com que aquele momento de lazer se transforme em tédio. Tudo muda quando eles conhecem Gabi (Mia Goth) e Alban (Jalil Lespert).

Ao contrário de James e Em, esse casal já visitou o resort várias vezes, entende tudo sobre Li Tolqa e tem até contatos para sair e entrar do hotel sem grandes complicações. É numa dessas escapadas que ocorre um acidente e James acaba preso. Na delegacia, porém, ele descobre que sua conta bancária pode livrá-lo da pena de morte imposta pelo regime do país… ou quase isso.

Esse detalhe da trama ficará em segredo para não estragar a surpresa do espectador, ou seja: o que acontece na cadeia de Li Tolqa… fica na cadeia de Li Tolqa.

A partir daí, Infinity Pool é um mergulho (ok, desculpa) no mundo daqueles que podem tudo, de acordo com a grana que lhes sobra e com a ética que lhes falta. Essa ‘crítica social foda’ pode parecer batida, vide os exemplos citados no início desse texto, mas a peculiaridade da narrativa (textual e visual) traz um novo formato ao debate.

Ao deixar a cadeia, James se vê livre de qualquer amarra social e se joga na vida louca, junto a outros ex-detentos abastados, igualmente sádicos e sedentos por sexo, drogas e assassinatos. Sua guia nessa viagem despudorada é Gabi. E se você acha que Mia Goth está bem em X e Pearl, precisa vê-la aqui.

Alexander Skarsgård cumpre seu papel como o novato do grupo, perdido nas novas emoções, mas é Goth quem personifica, com perfeição, o prazer doentio daquele bonde sem freio, que emula, em alguns momentos, os drugues de Laranja Mecânica, inclusive com referências visuais. A trama até abre espaço para criticar sistemas corruptos que compactuam com as atitudes inconsequentes da elite, desde que bem pagos.

O filme vem polemizando pelas cenas picantes (existe até a promessa de uma versão sem cortes, logo mais). Só que o que perturba mesmo em Infinity Pool é saber que o comportamento dos personagens está mais próximo do mundo real do que imaginamos. E caso a ‘artimanha’ mostrada para fugir da justiça existisse de verdade, ela seria usada sem qualquer peso na consciência. Li Tolqa é aqui, mas não é pro seu bico.

Escala de tocância de terror:

Direção: Brandon Cronenberg
Roteiro: Brandon Cronenberg
Elenco: Alexander Skarsgård, Mia Goth e Cleopatra Coleman
Origem: Canadá

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Críticas

CRÍTICA: Eles Vão Te Matar (2026)

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Eles Vão Te Matar

Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).

Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantinemeets Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.

Escala de tocância de terror:

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z

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Críticas

CRÍTICA: Obsessão (2026)

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Obsessão

Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.

E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.

Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.

No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.

Escala de tocância de terror:

Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife

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CRÍTICA: Passageiro do Mal (2026)

O trailer de “Passageiro do Mal” já avisava que vinha clichê por aí, mas a minha mente insistiu no clássico “vai que é bom”. Não era.

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Passageiro do Mal

Passageiro do Mal” (Passenger) surgiu do nada (pelo menos para mim) nos últimos meses e, mesmo achando o trailer extremamente genérico e clichê, fiquei tentado a dar uma conferida. No fundo da minha mente ecoava: “vai que é bom e você está só sendo chato”. Então, com a estreia, decidi me arriscar no cinema e tirar minhas conclusões, que veremos a seguir.

A história segue um jovem casal que decide trocar a vida em um grande centro urbano pela aventura de viver pelo campo. Só que eles encontram o terror quando viram alvos de uma entidade demoníaca que caça vidas pelas rodovias. A questão é se eles vão seguir o caminho certo ou acabar dirigindo para a morte certa.

Olha, eu até gosto de filmes ruins quando eles se assumem dessa maneira. Acho, no geral, os filmes da The Asylum divertidíssimos, mas em “Passageiro do Mal” os realizadores foram para a direção mais clichê e imbecil possível, além de se levarem a sério demais. Eu me senti de volta ao início dos anos 2000, época em que filmes de assombração como este apareciam a rodo nos cinemas.

Os protagonistas são sem sal, com pouco carisma e desenvolvimento, enquanto os coadjuvantes são folhas em branco de tão rasos. A ameaça tem um visual bem questionável e pertence àquela categoria de vilões sobrenaturais que, assim que aparecem na tela, soltam um grito “assustador”.

A direção e o roteiro estão de mãos dadas na tentativa de assustar de uma forma que virou piada há décadas. Todas as tentativas de susto são extremamente telegrafadas, e as cenas de gore com CGI ruim enterraram de vez o longa. O diretor que tinha mostrado seu talento nos longas “A Autópsia” e “A Última Viagem do Deméter“, pareceu que aqui só estava interessado no contracheque mesmo.

Um filme claramente descartável que deveria ser uma sobra de streaming, mas que jogaram no cinema para pegar besta e masoquista. Neste caso, fui os dois. Aconselho você a respeitar o seu dinheiro e fazer outra coisa com o valor do ingresso.

Escala de tocância de terror:

Título original: Passenger
Direção: André Øvredal
Roteiro: Zachary Donohue e T.W. Burgess
Elenco: Melissa Leo, Lou Llobell, Jacob Scipio e outros
Duração: 94 min

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