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CRÍTICA: Aniquilação (2018)

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Aniquilacao

Eis que vemos a Netflix apostando mais uma vez em uma produção de ficção científica. Apesar de ter estreado em território nacional na polêmica plataforma de streaming, o destino de “Aniquilação” (Annihilation) era mesmo o cinema. Os cenários psicodélicos com plantas e criaturas estranhas com mutações lovecraftianas combinariam bem com as telas gigantes em que nos habituamos a ver tais produções.

Aniquilação“, estrelado por ninguém menos que a estrela Natalie Portman e do novo astro Oscar Isaac (coincidentemente em pontas opostas na saga Star Wars), nos mostra um mundo em que um estranho acontecimento gera uma zona misteriosa além das leis da natureza. Em um flashback que entremeia a narrativa do filme, Lena (Portman) tenta reconstituir a ida de seu grupo ao epicentro de toda a confusão, sendo que nem ela sabe como e porque sobreviveu.

Como boas testemunhas que somos – nós, os espectadores – vamos tentando descobrir o que danado está acontecendo no tal Brilho, uma região costeira com um farol e que foi mantida isolada e em total sigilo pelo governo após ser atingida por um objeto do espaço. Ficamos então sabendo que a ida de Lena e mais quatro exploradoras não foi a primeira expedição a adentrar o local, que tem uma espécie de campo de força que acaba com qualquer tentativa de conexão com o mundo como conhecemos.

Com a direção precisa de Alex Garland, o mesmo diretor e roteirista de “Ex Machina“, este seu novo longa mantém um pouco do ritmo (lento) do anterior, fato que pode desagradar boa parte da audiência. Ainda assim, não se deixe levar por isso… o visual, os efeitos e o fator surpresa de “Aniquilação” vão lhe prender até o fim.

Pena que divergências entre executivos da Paramount e o diretor fez com que a distribuição do filme além da internet fosse limitada. Mas ao menos isso garantiu a integridade do seu roteiro e sem final hollywoodiano. E olha que o final nem é assim tão cabeçudo, mas a julgar pelo número de videos no YouTube que se propõem a “explicar” o que aconteceu… melhor deixar quieto.

Escala de tocância de terror:

Direção: Alex Garland
Roteiro: Alex Garland e Jeff VanderMeer (livro)
Elenco: Natalie Portman, Oscar Isaac, Jennifer Jason Leigh
Origem: EUA
Ano de lançamento: 2018

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CRÍTICA: Exit 8 (2026)

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Exit 8

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.

Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.

O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.

1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.

Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.

Escala de tocância de terror:

Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão

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CRÍTICA: O Menu (2022)

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O Menu

O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).

A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.

Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.

O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.

O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA

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CRÍTICA: Corrente do Mal (2016)

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Corrente Do Mal

[Por Jarmeson de Lima]

De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)

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