Dicas
DICA DA SEMANA: As Chamas do Inferno (1979)

Logo no início de AS CHAMAS DO INFERNO (Don’t go in the House, 1979), um operário de fábrica vê um dos seus colegas sofrer um acidente com fogo. O pobre coitado fica em chamas e o outro sujeito nada faz, apenas assiste a tudo, como se estivesse em um transe hipnótico. Esse homem é Donny Kohler (Dan Grimaldi), o personagem principal da produção.

Kohler volta do trabalho para a casa em que mora com a mãe, apenas para encontrá-la falecida. Livre do domínio desta megera e fanática religiosa, conforme o espectador ficará sabendo com o passar da narrativa, o homem liga o som com o volume nas alturas (coisa que a velha mãe não permitia…) e daí em diante, passa a sair pela cidade
durante a noite, sempre convidando ou dando um jeito de trazer mulheres para o seu lar-doce-lar. Mas não é para curtir um som, um drink, um sexo… e sim, para serem incendiadas vivas pelo sádico Kohler com um lança-chamas. Os corpos carbonizados das vítimas são colocados em cadeiras lado a lado com o cadáver da mãe.
Muito influenciado por obras como “Deranged” e, em particular, “Psicose”, o diretor Joseph Ellison entrega um filme com sequências memoráveis e uma atuação comprometida de Grimaldi, como o perturbado protagonista. A violência é mais sugerida do que explícita, mas nem por isso o filme deixa de ser brutal até mesmo para alguns dos espectadores mais acostumados com produções desse estilo, que em geral contam suas histórias pela perspectiva de um assassino. Curiosamente, a conclusão guarda uma enorme semelhança com o final do posterior “Maniac” (1980), de William Lustig.

Um verdadeiro clássico do VHS e do exploitation setentista, AS CHAMAS DO INFERNO também é um título que fez parte da lista dos famosos ‘Video Nasties’ no Reino Unido dos anos 80 e chegou a ser banido e censurado ao redor do mundo. O filme apenas foi lançado sem cortes no ano de 2011 e pode ser assistido na íntegra na plataforma Tubi.
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Para a dica desta semana eu trago um filme aniversariante: O EXORCISTA III (Exorcist III), escrito e dirigido por Willam Peter Blatty, completa 32 aninhos neste mês de agosto.

O EXORCISTA III é adaptação do livro ESPÍRITO DO MAL / LEGIÃO (Legion, 1983) que é uma continuação direta do livro O EXORCISTA (The Exorcist, 1971). Na trama, o tenente Kinderman investiga uma série de assassinatos que trazem a assinatura do já conhecido serial killer: Gêmeos. O problema é que este assassino está morto há 15 anos. Com a ajuda do amigo padre Joseph Dyer, ambos são levados a revelações cabulosas.

Blatty exibe um domínio enorme na condução do longa. E não é de se espantar, já que é o autor de ambos os livros. Aqui, com a direção em suas mãos, ele imprime sua real visão da própria obra, mantendo um clima constante de tensão como se algo de muito pior fosse acontecer a cada cena. A fotografia do Gerry Fisher é essencial para dar o tom sombrio à trama. Até estátuas sacras dão medo aqui! Sem contar que O EXORCISTA III tem um dos sustos e jumpscares mais cabulosos e inesperados da história do cinema de horror.

Para além da competente produção, o longa conta com a carismática dupla George C. Scott e Ed Flanders, (Kinderman e Dyer respectivamente), Brad Dourif que encarna o assassino de Gêmeos nos conferindo uma performance assustadoramente brilhante e Jason Miller vivendo o sinistro “paciente X”.

É de fato um filme incrível que, para este que vos escreve, por muito tempo foi subestimado por ser o terceiro da franquia O EXORCISTA, quando na verdade deveria ter sido o segundo, já que, como dito no início, se trata da continuação direta do livro. E convenhamos que depois do que rolou em O EXORCISTA 2: O HEREGE, carregar um título desse também não ajuda. Este longa de 1990 poderia ter se chamado simplesmente LEGIÃO como no livro, mas enfim…

Em suma, O EXORCISTA III é um típico terror policial cabuloso que merece ser visto. Ficou curioso? Aproveita que este clássico cult encontra-se no catálogo do HBO Max.
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Muito antes do canal SyFy e da Asylum inventar as bizarrices mutantes de tubarões mesclados com jacarés e coisa do gênero, havia uma turma que pegou carona na fórmula de “Tubarão” e espremeu até o bagaço. Então se você estiver a fim de ver um filme deste tipo sem pensar muito, vá até o YouTube e procure por “Humanoids from the Deep“, também conhecido pelo título genérico de “Monster“.
(mais…)
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Tem filme ruim que se revela bom. Tem superprodução que acaba sendo um fiasco. E tem “Ratos – A Noite do Terror” (Rats – Notte di terrore) que é um caso à parte. Se sacar a ficha técnica vai entender o porquê.
Produzido pela duplinha Bruno Mattei e Claudio Fragasso, esta tosqueira da sétima arte diverte e impressiona da forma que não deveria. O nobre leitor que já deve ter esboçado um sorriso ao ler o nome dos dois italianos, vai certamente se esbaldar com essa joia.
A picaretagem já começa pela autoria. Ao invés de Mattei e Fragasso, quem “assume” a direção é Vincent Dawn, um dos vários codinomes do cineasta pras obras em que ele não se orgulha tanto.

Depois da devida introdução, vamos à história… que se passa em 225 A.B. (After the Bomb) num mundo pós-apocalíptico, onde a população passou a viver no subterrâneo e gangues disputam o território da superfície enfrentando ratos. Sim! Porque ao invés das baratas que sobreviveriam à radiação nuclear, neste filme quem se aproveita do que restou do planeta são os roedores.
Considerando este contexto, não tem muito o que dizer, uma vez que assim como acontece na maioria dessas histórias, os sobreviventes vagam de um canto a outro em busca de proteção e comida. Mas o que eles não contavam é que vão encontrar ratos em quase todo canto. E essas ratazanas estão famintas e sedentas de sangue…

No entanto, não espere grandes cenas e ataques elaborados. Os ratos, sejam eles vivos ou de pelúcia, são literalmente jogados em cima dos personagens. A reação de nojo e repulsa do elenco pode até compensar a atuação um tanto medíocre, mas tudo faz parte do pacote.
E em meio às brigas de gangues rivais e roedores que mordem o rosto, a barriga e os membros das pessoas por dentro e por fora, quem sobrevive até o final do filme presencia uma cena que teria tudo para ser chocante. Teria, claro, porque nas mãos de Mattei/Fragasso, a tal cena fica tão, mas tão bizarra, que só nos resta rir e aplaudir tamanha ousadia.

“Ratos – A Noite do Terror“, obviamente não é pro bico da Netflix, mas pode ser visto e revisto tranquilamente no YouTube para seu deleite.
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