Críticas
CRÍTICA: Desenfreado (2018)

Quem nunca ficou “viajando” pela Netflix horas e horas, muitas vezes sem encontrar nada para assistir que atire a primeira pedra. Nesses meus passeios por gêneros, encontrei uma produção asiática de 2018 que me chamou muito a atenção pelo fato de ter o plot praticamente idêntico ao da série de “Kingdom”. Decidi dar uma conferida então em “Desenfreado” (Rampant), longa do sul-coreano Sung-hoon Kim.

Vamos lá… Séculos atrás, um príncipe herdeiro retorna ao lar apenas para realizar o desejo de seu falecido irmão mais velho. Ao regressar, encontra o lugar mergulhado no caos político e repleto de intrigas de poder. O pior, no entanto, é que algo está trazendo os mortos à vida, sedentos por carne humana, piorando de vez a situação da região. O relutante príncipe se une a um grupo corajoso de aldeões e juntos tentam parar a ameaça.
As semelhanças com Kingdom vão além da premissa. Cenários e figurinos são idênticos e alguns personagens, mesmo diferentes, se assemelham bastante aos da série. Essa versão cinematográfica opta por um caminho mais voltado a ação, embora tenha momentos tensos e aqui vale elogiar a ótima maquiagem dos monstros. Os zumbis lembram em comportamento os que foram vistos no ótimo “Invasão Zumbi” (Train to Busan) e são uma baita ameaça a ser enfrentada, rendendo bons momentos de tensão.

Ainda assim, algo que me incomodou em “Desenfreado” foi o roteiro preguiçoso, deixando certos acontecimentos rasos apelando demais para a conveniência dos fatos. Por exemplo, o tempo de transformação em zumbi varia de acordo com a necessidade da história e acaba cansando. Para quem curte gore, infelizmente pode se decepcionar. Embora haja muito sangue rolando, não vemos a violência e a brutalidade habitual que esse tipo de filme tem.

“Desenfreado” é um bom filme pipoca pra quem gosta de terror, zumbis e lutas. Seguramente é bem melhor que qualquer capítulo da franquia “Resident Evil” por exemplo. Pode assistir de boa nessa quarentena.

Direção: Sung-Hoon Kim
Roteiro: Jo-Yun Hwang, Shin-Yeon Won, Hwang Jo Yoon
Elenco: Hyun Bin, Ji-hye Seo, Tae-hoon Kim e outros
País de origem: Coreia do Sul
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Críticas
CRÍTICA: Águas Mortais (2026)
“Águas Mortais” é mais um filme de catástrofe com tubarões, trazendo a conhecida fórmula de passageiros ilhados no oceano e predadores famintos à espreita

Filmes de tubarão parecem nunca sair de moda e estreou nesta semana (23/07/26) mais um exemplar de filme de catástrofe com os bichinhos, que tem o “maravilhoso” título de “Águas Mortais” (Deep Water).
A trama acompanha passageiros e tripulantes de um voo com destino a Xangai que se envolvem em um grave acidente quando uma carga explode e causa a queda do avião no meio do Oceano Pacífico. Os sobreviventes terão que descobrir um meio de sair de uma situação que se agrava à medida que vários tubarões famintos querem fazer deles a próxima refeição.

Vou começar deixando claro que o filme é um amontoado de clichês do cinema de catástrofe e que não foi o primeiro a usar essa premissa para inserir tubarões no meio. “Desespero Profundo” (2024) está aí para provar, mesmo sendo bastante inferior ao filme de que estamos falando. Quem já assistiu a filmes do gênero vai se sentir em casa ao esbarrar em estereótipos clássicos, como o herói com traumas, o personagem escroto e, claro, crianças em perigo.
O grande chamariz para mim foi a presença de Ben Kingsley, ator renomado e premiado que faz aqui uma participação especial nos moldes de atores famosos de filmes de catástrofe dos anos 70. O personagem não agrega muito e tem momentos bem piegas no curto tempo em tela. Outro ator famoso é Aaron Eckhart, mais conhecido pelo vilão Duas-Caras na trilogia do Batman de Christopher Nolan.

O diretor “faz-tudo” de Hollywood, Renny Harlin, realiza um trabalho competente aqui, principalmente na cena do acidente e, depois, ao apresentar a ameaça bem aos moldes de “Do Fundo do Mar” (1999) que, por sinal, ele também dirigiu e que guarda semelhanças, como os tubarões de visual PlayStation e velocidade 2.0.
Uma coisa que eu tenho que comentar é a famigerada tela verde, que aqui se faz notar a todo momento em lugares abertos. Fica nítida a artificialidade do mar aberto. Parece que os atores foram “colados” na cena de qualquer jeito, e para cair no vale da estranheza é um pulo.

“Águas Mortais” é um filme extremamente clichê, mas conseguiu me divertir em boa parte do tempo, mesmo pecando por não ser tão corajoso. Em um dia chuvoso e nessa estação invernal, é uma ótima pedida. Já para quem é rato de filme de tubarão, existe uma cena que é praticamente copia e cola de “O Último Tubarão” (L’ultimo squalo, 1981).
Título original: Deep Water
Direção: Renny Harlim
Roteiro:Pete Bridges, Shane Armstrong e S.P Kause
Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley e outros
Ano de lançamento: 2026
* Este texto foi escrito por um humano sem o uso de IA
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Dois anos após o sucesso de Fale Comigo, chega aos cinemas brasileiros o segundo filme dos irmãos Danny e Michael Philippou. Mais uma vez com distribuição da badalada A24, a dupla agora emplaca Faça Ela Voltar (Bring Her Back), um conto de horror suburbano que aborda o luto.

Após perderem o pai, os irmãos Andy (Billy Barratt) e Piper (Sora Wong) são colocados sob os cuidados de Laura (Sally Hawkins), uma ex-assistente social que faz de sua casa uma espécie de lar adotivo. Além deles, vive no local o menino Oliver (Jonah Wren Phillips), uma criança que não se comunica e possui hábitos estranhos.
Não demora para sabermos que Laura tem segundas intenções. Seu objetivo em acolher os órfãos é trazer o espírito da sua filha de volta e colocá-la no corpo de Piper. Para executar esse plano diabólico ela tem em mãos uma fita VHS que contém, literalmente, o passo a passo de um ritual satânico que, entre outras bizarrices, inclui até canibalismo.

Mitologia escatológica à parte, Faça Ela Voltar é mais sobre o sentimento da perda do que qualquer outra coisa. Mesmo retratada na maior parte do tempo como vilã metódica, Laura ainda deixa transparecer seu lado humano. Uma mulher que não aceita a partida da filha e que acaba deturpando seu amor icondicional, por puro desespero.
A dupla de irmãos também ganha sua cota de drama, quando Laura tenta jogar um contra o outro, pois Andy é um empecilho para o que ela planeja. Nada disso, porém, funcionaria se o trio de protagonistas não estivesse tão afiado. Sally Hawkins, Billy Barratt e Sora Wong conseguem passar credibilidade o tempo todo, seja nos momentos sóbrios ou nos sinistros.
O que nos leva para outro destaque do elenco: o pequeno Jonah Wren Phillips. A transformação pela qual seu Oliver passa ao longo da trama já o elevou ao status de mini ícone do terror do ano. São com ele as cenas mais perturbadoras, em ocasiões que fica quase impossível não desviar os olhos da tela.

A direção dos Philippou em Faça Ela Voltar segue competente, com ótimos enquadramentos e cuidado aos detalhes (preste atenção nos círculos). Como Piper é deficiente visual, a câmara brinca muito com imagens desfocadas, o que faz um paralelo interessante com a condição da personagem.
O roteiro, assinado em parceria com Bill Hinzman, consegue balancear bem o terror e o drama, no entanto deixa um gostinho de quero mais ao esconder muito sobre a origem do ritual. Mas isso é apenas eu reclamando de barriga cheia (o trocadilho fará sentido quando você assistir ao filme).
Título original: Bring Her Back
Direção: Danny Philippou e Michael Philippou
Roteiro: Danny Philippou e Bill Hinzman
Elenco: Sally Hawkins, Billy Barratt e Sora Wong
Origem: Austrália
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A franquia Silent Hill nasceu nos videogames como uma das experiências mais marcantes do horror psicológico, marcada por atmosferas opressivas, simbolismo denso e narrativas que exploram culpa, luto e repressão. No cinema, sua trajetória sempre foi irregular. O primeiro filme, lançado em 2006 sob a direção de Christophe Gans, surgiu de um esforço incomum de respeito ao material original. Gans, conhecedor declarado dos jogos, optou por adaptar o primeiro título da série para explicar a origem da cidade amaldiçoada e sua lógica sobrenatural, criando uma obra visualmente impactante e bem recebida pelos fãs dos games e do gênero.
Já Silent Hill: Revelação (2012), dirigido por M. J. Bassett, seguiu caminho oposto. Sem Gans no comando, o filme tentou funcionar como continuação direta, incorporando elementos do terceiro jogo, mas acabou se tornando um dos exemplos mais problemáticos de adaptação de videogame para o cinema, com narrativa confusa, personagens frágeis e decisões estéticas questionáveis.

É nesse contexto de expectativas baixas e legado ambíguo que surge Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno, marcando o retorno de Christophe Gans à franquia e prometendo, desta vez, uma adaptação mais direta de Silent Hill 2, um dos jogos mais celebrados, senão o mais celebrado, de toda a série.
O novo filme acompanha James Sunderland (Jeremy Irvine), um homem comum devastado pela perda de sua companheira, Mary (Hannah Emily Anderson). Preso a um luto que parece não encontrar resolução, James recebe uma carta inesperada da mulher que acredita estar morta, convidando-o a retornar a Silent Hill, o lugar que marcou a história do casal, seu “lugar especial”. Movido pela esperança e pela negação, ele parte rumo à cidade.

Ao chegar, encontra uma Silent Hill irreconhecível: coberta por uma névoa espessa, praticamente deserta e infestada por criaturas grotescas que parecem materializar traumas e culpas. James passa a atravessar ruas, prédios abandonados e versões distorcidas da cidade em busca de respostas. No caminho, surgem figuras conhecidas pelos fãs do jogo, como Laura (Evie Templeton), Angela (Eve Macklin) e Eddie (Pearse Egan), todos personagens marcados por dores próprias e que refletem diferentes facetas do sofrimento humano.

Entre fugas desesperadas, encontros com monstros icônicos e lembranças fragmentadas de seu relacionamento com Mary, James é forçado a confrontar não apenas os horrores externos de Silent Hill, mas também verdades enterradas em sua própria consciência.
À primeira vista, Regresso para o Inferno parece cumprir o que promete: é, de longe, o filme mais próximo de uma adaptação direta de Silent Hill 2. Cenários, criaturas, uma boa trilha sonora (composta por Akira Yamaoka) e até movimentos corporais dos monstros demonstram um cuidado evidente em recriar a experiência do jogo. Algumas sequências funcionam bem, especialmente quando a direção aposta na atmosfera: a névoa constante, o silêncio interrompido por chiados no rádio e a presença ameaçadora de figuras como Pyramid Head ainda causam impacto.

No entanto, essa fidelidade excessiva se revela um dos principais problemas do filme. Ao condensar uma experiência de oito a dez horas em pouco mais de noventa minutos, a narrativa perde densidade. Personagens secundários surgem mais como referências para fãs do que como figuras dramáticas, pois não há tempo para desenvolver seus conflitos. Para quem não conhece o jogo, o roteiro oferece pouca contextualização e para quem conhece, quase nada de novo.
As tentativas de expandir a relação entre James e Mary por meio de flashbacks também é de dividir opiniões. Embora a intenção seja aprofundar emocionalmente os personagens e torná-los mais ambíguos, essas adições acabam suavizando a brutalidade existencial que faz do jogo uma obra tão perturbadora. Em vez de intensificar o horror psicológico, o filme frequentemente recorre a explicações e melodramas que enfraquecem o impacto simbólico da história e, em alguns momentos, alteram elementos centrais do enredo original de forma questionável.

Tecnicamente, o longa sofre com limitações visíveis. Alguns efeitos digitais parecem inacabados, com cenários artificiais e criaturas que alternam entre o assustador e o pouco convincente. As atuações também não ajudam: Jeremy Irvine entrega um James funcional, mas restrito a correr, gritar e parecer confuso durante boa parte do filme, enquanto Hannah Emily Anderson tem pouco espaço para construir uma Mary que vá além da figura etérea e idealizada.

No fim, Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno não é um desastre completo. Ele acerta ao recuperar a identidade visual e sonora de Silent Hill e ao tratar o horror com mais seriedade. Ainda assim, falha em compreender plenamente as diferenças entre videogame e cinema. Ao reproduzir imagens e eventos quase como um espelho do jogo, mas sem traduzir sua complexidade emocional e interativa para a linguagem cinematográfica, o filme acaba se tornando uma sombra pálida de sua própria inspiração.
Para fãs da franquia, o longa pode funcionar como uma curiosidade ou um complemento visual. Para quem busca uma experiência realmente perturbadora de horror psicológico, a melhor opção continua sendo revisitar Silent Hill 2 no controle ou no teclado, onde a culpa, o silêncio e o medo ainda falam mais alto.

Título original: Return to Silent Hill
Direção: Christophe Gans
Roteiro: Christophe Gans, William Josef Schneider e Sandra Vo-Anh, baseado no jogo de Keiichiro Toyama
Elenco: Jeremy Irvine, Hannah Emily Anderson e Evie Templeton
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em pré-estreia promovida pela Espaço Z no Cinemark RioMar Recife
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