Críticas
CRÍTICA: Somos O Que Somos (2013)

[Por Geraldo de Fraga]
Somos O Que Somos (We Are What We Are) é o remake norte-americano do filme mexicano Somos Lo Que Hay (2010). Mas dessa feita, a intenção do diretor Jim Mickle não foi simplesmente refilmar o original da mesma maneira, apenas colocando atores americanos falando inglês. Nessa versão yankee, nota-se algumas mudanças no enredo.
Em We Are What We Are acompanhamos a história de uma família, cuja matriarca acaba de falecer. Ficam o pai, duas filhas jovens e o caçula, um garoto com cerca de oito anos de idade. A partir daí, o pai encarrega a filha mais velha de assumir o lugar da mãe na tarefa de “cuidar da família”, que, nesse caso, significa providenciar comida à mesa. O problema é que a comida em questão não se consegue muito fácil, já que os Parkers são uma família de canibais.

O filme tenta explicar em flashbacks o porquê de a família comer carne humana, mas deixa mais dúvidas do quê respostas. Porém, o chefe da família é um cristão fervoroso que reza o tempo todo “lembrando” a Deus que ele e seus filhos mantém a tradição que lhes foi dada como uma missão divina. Temos aqui o personagem mais legal da trama, interpretado por Bill Sage.
Aliás, todo o elenco está bem. O que estraga We Are What We Are são os furos no roteiro. Vamos lá. O que começa a complicar as coisas para a família Parker são as fortes chuvas que começarm a cair na cidade e que, por consequência, começam a revelar vários ossos em alguns locais.

O médico da cidade é quem encontra um desses ossos e, com a ajuda de um jovem policial, começa a investigação. Então ficamos sabendo que em cerca de 10 anos, mais de 30 pessoas desapareceram nas redondezas, incluindo a filha do médico. E ninguém, eu disse ninguém, conseguiu pegar um casal de canibais e seus três filhos pequenos nesses 10 anos, mesmo eles vivendo normalmente na cidade sem se isolar do resto da população nem nada.
A gente até relevaria esses furos de roteiro, se o filme ao menos nos mostrasse algo de interessante. Mas o marasmo é impressionante. Tudo fica para a cena final, que tenta chocar, mas depois de o filme nos deixar tão entediados, já era tarde demais para surpreender com alguma coisa. Mais uma vez, um remake descartável.
Título nacional: Somos o que Somos
Direção: Jim Mickle
Roteiro: Nick Damici, Jim Mickle
Elenco: Bill Sage, Ambyr Childers, Julia Garner
Origem: EUA, França
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Críticas
CRÍTICA: Resident Evil (2026)
Esta é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada.

A franquia Resident Evil é referência nos videogames, mas penava quando o assunto era adaptação para outras mídias, como TV e cinema, tendo como maior exemplo os filmes estrelados por Milla Jovovich no decorrer de décadas. A franquia tentou um reboot em 2021, mas o desastre veio. Agora, em setembro de 2026, um novo reboot é lançado sob a grife do diretor de “A Hora do Mal“.
Um rapaz que trabalha entregando órgãos em hospitais recebe uma oferta tentadora para ir à cidade de Raccoon City, e o que supostamente seria um serviço simples se torna uma luta pela sobrevivência, já que várias aberrações tomaram conta da cidade e arredores.

Aqui já adianto que essa é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada, em alguns detalhes visuais que remetem ao material original e no gameplay; sim, em alguns momentos me senti jogando. A história de “Resident Evil” é simples e direta, e me lembrou muito comédias de erro onde tudo o que podia dar errado dá; o protagonista não tem um minuto de paz em quase toda a jornada. A escolha de um civil sem nenhuma qualificação para combate foi acertada, já que ele serve como um espelho para a maioria de nós e gera identificação.

A polêmica sobre os momentos cômicos não me incomodou por boa parte do filme, mas, quando entram em cena outros personagens humanos, a coisa mudou de figura. O que estava divertido e com bons jumpscares se torna uma bobagem que me incomodou muito. Eu sei que é uma sátira, mas não ficou boa para mim, culminando em um clímax que me deu vergonha alheia. O terror está bem representado pelas criaturas nojentas que aparecem no decorrer do filme e que são inspiradas nos monstros dos jogos; elas são ameaçadoras. Tem gore, mas acho que poderia ser mais.
O filme não é ruim, tem boas cenas, diverte e tem bons sustos. O problema maior é que, quanto mais se aproxima do fim, vai ficando mais bobo.
Título original: Resident Evil
Direção : Zack Cregger
Roteiro: Zack Cregger e Shay Hatter
Produtores Executivos: Oliver Berben, Richard Wright, Robert Bernacchi
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry,Kali Reis e outros
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Críticas
CRÍTICA: Águas Mortais (2026)
“Águas Mortais” é mais um filme de catástrofe com tubarões, trazendo a conhecida fórmula de passageiros ilhados no oceano e predadores famintos à espreita

Filmes de tubarão parecem nunca sair de moda e estreou nesta semana (23/07/26) mais um exemplar de filme de catástrofe com os bichinhos, que tem o “maravilhoso” título de “Águas Mortais” (Deep Water).
A trama acompanha passageiros e tripulantes de um voo com destino a Xangai que se envolvem em um grave acidente quando uma carga explode e causa a queda do avião no meio do Oceano Pacífico. Os sobreviventes terão que descobrir um meio de sair de uma situação que se agrava à medida que vários tubarões famintos querem fazer deles a próxima refeição.

Vou começar deixando claro que o filme é um amontoado de clichês do cinema de catástrofe e que não foi o primeiro a usar essa premissa para inserir tubarões no meio. “Desespero Profundo” (2024) está aí para provar, mesmo sendo bastante inferior ao filme de que estamos falando. Quem já assistiu a filmes do gênero vai se sentir em casa ao esbarrar em estereótipos clássicos, como o herói com traumas, o personagem escroto e, claro, crianças em perigo.
O grande chamariz para mim foi a presença de Ben Kingsley, ator renomado e premiado que faz aqui uma participação especial nos moldes de atores famosos de filmes de catástrofe dos anos 70. O personagem não agrega muito e tem momentos bem piegas no curto tempo em tela. Outro ator famoso é Aaron Eckhart, mais conhecido pelo vilão Duas-Caras na trilogia do Batman de Christopher Nolan.

O diretor “faz-tudo” de Hollywood, Renny Harlin, realiza um trabalho competente aqui, principalmente na cena do acidente e, depois, ao apresentar a ameaça bem aos moldes de “Do Fundo do Mar” (1999) que, por sinal, ele também dirigiu e que guarda semelhanças, como os tubarões de visual PlayStation e velocidade 2.0.
Uma coisa que eu tenho que comentar é a famigerada tela verde, que aqui se faz notar a todo momento em lugares abertos. Fica nítida a artificialidade do mar aberto. Parece que os atores foram “colados” na cena de qualquer jeito, e para cair no vale da estranheza é um pulo.

“Águas Mortais” é um filme extremamente clichê, mas conseguiu me divertir em boa parte do tempo, mesmo pecando por não ser tão corajoso. Em um dia chuvoso e nessa estação invernal, é uma ótima pedida. Já para quem é rato de filme de tubarão, existe uma cena que é praticamente copia e cola de “O Último Tubarão” (L’ultimo squalo, 1981).
Título original: Deep Water
Direção: Renny Harlim
Roteiro:Pete Bridges, Shane Armstrong e S.P Kause
Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley e outros
Ano de lançamento: 2026
* Este texto foi escrito por um humano sem o uso de IA
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“Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.
E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.
Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.
No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.
Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife
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Júlio César Carvalho
12 de dezembro de 2013 às 19:15
Nesse caso, o original também é descartável.