Dicas
DICA DA SEMANA: Shock – Diversão Diabólica (1984)

Shock – Diversão Diabólica é considerado o primeiro “slasher” nacional (apesar de achar que ele flerta muito mais com o giallo italiano do que com o subgênero americano). Foi bastante comparado a filmes como “Halloween” e “Sexta-Feira 13” em seu lançamento, apesar do diretor Jair Correia bater o pé em afirmar que sequer tinha visto esses filmes e depois que viu, detestou!
Sim… Shock realmente segue a cartilha de 97,8% dos “slashers” onde um grupo de jovens são mortos por um misterioso assassino. Mas as coincidências meio que param por aí. Por exemplo, o filme foge bastante dessas regras ao ter, entre outras coisas: pouquíssimo sangue, boas atuações e bons diálogos.

O longa apesar de ser montado no formato “filme B de terror”, tem bastante “conteúdo”. Ele fala sobre os problemas da transição entre adolescência e vida adulta, sobre o papel da mulher na sociedade, além de ser uma grande metáfora para a repressão que existia no Brasil durante a ditadura. Falas como: “Não é nenhum barato ficar vendo gente morta pra tudo quanto é lado, não… Ficar sendo ameaçado de morte sentindo um puta medo. E nem dentro da minha própria casa eu posso ser livre…” ou a revelação do assassino no final. São claras críticas ao regime.

Enfim, minha dica da semana vale como experiência de ver cinema nacional de gênero. De ver como se dava uma driblada na censura na época. De ver a estreia de Taumaturgo Ferreira no cinema. De ver Aldine Muller fora das pornochanchadas. De ver pq eu era apaixonado pela Mayara Magri.

Recentemente (dia 14 de maio de 2018, pra ser mais exato), um grupo de sortudos teve a oportunidade de assistir na Cinemateca do MAM, no Rio de Janeiro, a uma exibição do filme com a participação da atriz Claudia Alencar. Para os demais mortais que perderam essa sessão, o jeito é se contentar com uma versão VHS-Rip e torcer pra que essa obra seja um dia relançada no mercado nacional com melhor qualidade.
BÔNUS: Tem uma ótima entrevista com o Jair no site do Boca do Inferno. Leia clicando aqui.
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Para a dica desta semana eu trago um filme aniversariante: O EXORCISTA III (Exorcist III), escrito e dirigido por Willam Peter Blatty, completa 32 aninhos neste mês de agosto.

O EXORCISTA III é adaptação do livro ESPÍRITO DO MAL / LEGIÃO (Legion, 1983) que é uma continuação direta do livro O EXORCISTA (The Exorcist, 1971). Na trama, o tenente Kinderman investiga uma série de assassinatos que trazem a assinatura do já conhecido serial killer: Gêmeos. O problema é que este assassino está morto há 15 anos. Com a ajuda do amigo padre Joseph Dyer, ambos são levados a revelações cabulosas.

Blatty exibe um domínio enorme na condução do longa. E não é de se espantar, já que é o autor de ambos os livros. Aqui, com a direção em suas mãos, ele imprime sua real visão da própria obra, mantendo um clima constante de tensão como se algo de muito pior fosse acontecer a cada cena. A fotografia do Gerry Fisher é essencial para dar o tom sombrio à trama. Até estátuas sacras dão medo aqui! Sem contar que O EXORCISTA III tem um dos sustos e jumpscares mais cabulosos e inesperados da história do cinema de horror.

Para além da competente produção, o longa conta com a carismática dupla George C. Scott e Ed Flanders, (Kinderman e Dyer respectivamente), Brad Dourif que encarna o assassino de Gêmeos nos conferindo uma performance assustadoramente brilhante e Jason Miller vivendo o sinistro “paciente X”.

É de fato um filme incrível que, para este que vos escreve, por muito tempo foi subestimado por ser o terceiro da franquia O EXORCISTA, quando na verdade deveria ter sido o segundo, já que, como dito no início, se trata da continuação direta do livro. E convenhamos que depois do que rolou em O EXORCISTA 2: O HEREGE, carregar um título desse também não ajuda. Este longa de 1990 poderia ter se chamado simplesmente LEGIÃO como no livro, mas enfim…

Em suma, O EXORCISTA III é um típico terror policial cabuloso que merece ser visto. Ficou curioso? Aproveita que este clássico cult encontra-se no catálogo do HBO Max.
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Muito antes do canal SyFy e da Asylum inventar as bizarrices mutantes de tubarões mesclados com jacarés e coisa do gênero, havia uma turma que pegou carona na fórmula de “Tubarão” e espremeu até o bagaço. Então se você estiver a fim de ver um filme deste tipo sem pensar muito, vá até o YouTube e procure por “Humanoids from the Deep“, também conhecido pelo título genérico de “Monster“.
(mais…)
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Tem filme ruim que se revela bom. Tem superprodução que acaba sendo um fiasco. E tem “Ratos – A Noite do Terror” (Rats – Notte di terrore) que é um caso à parte. Se sacar a ficha técnica vai entender o porquê.
Produzido pela duplinha Bruno Mattei e Claudio Fragasso, esta tosqueira da sétima arte diverte e impressiona da forma que não deveria. O nobre leitor que já deve ter esboçado um sorriso ao ler o nome dos dois italianos, vai certamente se esbaldar com essa joia.
A picaretagem já começa pela autoria. Ao invés de Mattei e Fragasso, quem “assume” a direção é Vincent Dawn, um dos vários codinomes do cineasta pras obras em que ele não se orgulha tanto.

Depois da devida introdução, vamos à história… que se passa em 225 A.B. (After the Bomb) num mundo pós-apocalíptico, onde a população passou a viver no subterrâneo e gangues disputam o território da superfície enfrentando ratos. Sim! Porque ao invés das baratas que sobreviveriam à radiação nuclear, neste filme quem se aproveita do que restou do planeta são os roedores.
Considerando este contexto, não tem muito o que dizer, uma vez que assim como acontece na maioria dessas histórias, os sobreviventes vagam de um canto a outro em busca de proteção e comida. Mas o que eles não contavam é que vão encontrar ratos em quase todo canto. E essas ratazanas estão famintas e sedentas de sangue…

No entanto, não espere grandes cenas e ataques elaborados. Os ratos, sejam eles vivos ou de pelúcia, são literalmente jogados em cima dos personagens. A reação de nojo e repulsa do elenco pode até compensar a atuação um tanto medíocre, mas tudo faz parte do pacote.
E em meio às brigas de gangues rivais e roedores que mordem o rosto, a barriga e os membros das pessoas por dentro e por fora, quem sobrevive até o final do filme presencia uma cena que teria tudo para ser chocante. Teria, claro, porque nas mãos de Mattei/Fragasso, a tal cena fica tão, mas tão bizarra, que só nos resta rir e aplaudir tamanha ousadia.

“Ratos – A Noite do Terror“, obviamente não é pro bico da Netflix, mas pode ser visto e revisto tranquilamente no YouTube para seu deleite.
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Pacheca (@xpacheca)
23 de maio de 2018 às 13:01
Onde eu acho esse filme?
Jota Bosco
23 de maio de 2018 às 15:49
Clica no “VHS-Rip”, em laranja, no texto