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CRÍTICA: O Caseiro (2016)

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[Por Osvaldo Neto]

Com boa distribuição da Europa Filmes, O Caseiro é a mais nova aposta do cinema brasileiro de gênero a entrar no circuito comercial. Por conta disso, independente do que será comentado a seguir, encorajamos a presença do público nos cinemas.

Cinema é uma arte extremamente subjetiva. O que pode ser péssimo para você pode ser incrível para outra pessoa. E filmes são realizados e lançados ao mundo para serem vistos. Seria excelente que mais produções nacionais conseguissem o mesmo espaço na mídia e no circuitão que O Caseiro. E para que isso aconteça mais vezes, o apoio do público nas bilheterias é necessário. Sem falar que ainda neste mês de junho, a Europa Filmes também lançou Diário de um Exorcista – Zero em DVD e plataformas on-demand. Devemos parabenizar e prestigiar essa bela iniciativa.

OCaseiro-foto2

Vamos ao filme… Depois de uma introdução onde o espectador é apresentado ao Caseiro do título, conhecemos Davi (Bruno Garcia, também co-produtor), um professor universitário de psicologia. Em sua primeira cena, ele relata o caso abordado no seu best seller, “Psicologia do Sobrenatural“, para os alunos. Trata-se da história de um paciente infantil que conversava e brincava com o fantasma do pai, um homem que simplesmente tinha abandonado ele e a sua mãe. Após um tratamento, o garoto deixou de ver a aparição.

A jovem Renata (Malu Rodrigues) aborda o professor na saída da aula e conta a ele sobre o mal que atinge sua família. Com exceção da garota, todos os familiares acreditam que a sua irmã caçula está sendo atormentada pelo espírito do caseiro que se suicidou naquele local há 40 anos. A entidade não apenas amedronta a criança como também tem lhe causado ferimentos.

OCaseiro-foto1

Davi se dirige rumo ao sítio da família por um fim de semana determinado a encontrar uma explicação racional para os eventos. Ele desconfiará de tudo e de todos, principalmente do pai (Leonardo Pacheco) e da tia (Denise Weinberg) que parecem ter algo a esconder. Coisas estranhas acontecerão durante as noites em que Davi se encontrará hospedado no lar desta família. Teremos revelações surpreendentes! E teremos final com plot twist!

O Caseiro tem sido vendido para o público como um suspense e é o que, de fato, ele é como o leitor pode ter percebido pela sinopse acima. Pena que os seus problemas fiquem mais evidentes quanto mais se pensa ao seu respeito. A começar por uma trama que incomoda bastante por suas inconsistências, como uma morte violenta que ocorre perto da conclusão e a perda de um tempo precioso do espectador com personagens quase descartáveis e outros que o são.

OCaseiro

As atuações irregulares do elenco também não ajudam muito. Bruno Garcia é um ator interessante fazendo tipos como o seu famoso Vincentão de O Auto da Compadecida mas não convence como protagonista aqui. O diretor Julio Santi bem que poderia ter trabalhado um pouco mais no roteiro e com o ator para fazer do Davi um personagem mais carismático e menos sisudo.

Tecnicamente, o longa atinge bons resultados. Com exceção do uso de uma trilha sonora intrusiva, Santi não cai tanto no vício das firulices tão habituais do horror mainstream atual. O realizador se utiliza muito bem de uma fotografia que valoriza as sombras e a luz natural; de uma montagem que deixa o espectador respirar de um plano para outro e da potência que locações bem escolhidas e do trabalho de direção de arte pode trazer para um filme do gênero. E acredite se quiser: não existe um jumpscare sequer em O Caseiro. A sua proposta está mais próxima de filmes como Ecos do Além e Revelação do que Sobrenatural e Invocação do Mal.

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Também é elogiável a intenção do filme em contar essa história com uma narrativa mais densa, calma e sem pressa para a trama e seus personagens serem melhor desenvolvidos. Porém a falta de segurança do diretor e de mais trabalho no roteiro filmado faz com que essa lentidão seja realmente lenta! Os últimos 20 minutos acabam caindo na histeria e no corre-corre que o longa inteiro tinha evitado até então para resolver e tentar (ênfase no tentar) explicar tudo.
O Caseiro termina sendo uma obra tão genérica e convencional que poderia muito bem ser confundida com um dos 50 telefilmes produzidos anualmente para o canal Lifetime, que sedimentou a fórmula de 98% dos suspenses exibidos no Supercine.

As únicas diferenças vem do fato do filme ter português brasileiro como idioma original e da ausência de 4 ou 5 ‘fade in’ e ‘fade out’ que são a deixa para a inserção do intervalo comercial. O resultado final é digno mas não tem como não lamentar o fato que o filme seja tão contido e certinho, não demonstrando qualquer intenção de ousar, correr riscos ou até mesmo de apresentar alguma imagem chocante e memorável ao longo de sua duração. Isso ajudaria O Caseiro a ser um pouco menos esquecível.

Escala de tocância de terror:

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1 comentário

  1. rbneob

    15 de outubro de 2016 às 12:33

    Eu gostei Oswaldo!
    Achei a imagem ou fotografia do filme semelhante de um filme “holliwoodiano”.
    Os plot twist fizeram quebrar muitos clichês no roteiro e isso me deixou feliz.
    Concordo que o protagonista poderia ter sido melhor escolhido, a lentidão muitas vezes deixou mesmo muito “lento” o filme e nao ter nenhum JumpScare, é sacanagem rss. No geral foi muito bom e que bom que é brasileiro, pois o cinema do nosso país tem melhorado muito nas últimas 2 décadas.

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CRÍTICA: Cara-de-Barro (2026)

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Cara-de-Barro

Muita gente vai dizer que “Cara-de-Barro” (Clayface) é a versão masculina de “A Substância“. Mas, mesmo guardando semelhanças por conta do background que envolve o cenário hollywoodiano, este filme da DC Studios tem muito mais similaridades com o obscuro “Darkman – Vingança Sem Rosto” de Sam Raimi.

Calma que chego lá… Primeiro, falemos sobre este lançamento. O atraente e promissor ator Matt Hagen (Tom Rhys Harries) estava no topo do mundo, com indicação ao Oscar e presença garantida em programas de TV e capas de revistas. Até que um dia se envolveu com a namorada de um chefão da máfia. Como era de se esperar, o criminoso não levou a traição numa boa e o acerto de contas veio em forma de retalhar aquele rostinho bonito com um canivete, da maneira mais brutal possível.

Levado ao hospital, Hagen é desenganado após procedimentos que deixaram seu rosto como uma mistura de Chucky com Fofão. Se você tiver fobia de agulhas e lâminas, precisará desviar o olhar várias vezes ao longo da exibição diante de cenas agoniantes, o que foi o meu caso, diga-se de passagem.

Após ter alta, o ex-ator passa a viver nas sombras por conta não só de sua aparência desfigurada, mas também por conta da campanha de difamação promovida pelo chefão da máfia para se safar de acusações, mesmo diante da Justiça corrupta de Gotham City. Sem ter a quem recorrer, Hagen vai atrás de um tratamento experimental com nanocélulas conduzido pela Dra. Caitlin Bates (Naomi Ackie) tentando ver se ao menos salva a própria pele.

O tratamento dá meio certo. Mesmo com efeitos colaterais bizarros, incluindo derretimento facial sem botox estragado, um Hagen movido pelo ódio inicia uma vingança contra quem acabou com sua vida pregressa. E assim como Darkman, que para quem não lembra ou não viu, também era um personagem desfigurado fisicamente por conta da intriga de figurões do submundo do crime, o ator caça um a um os responsáveis, disfarçando sua identidade.

Como seus métodos ultrapassam qualquer limite aceitável de violência e morte, fica difícil manter a empatia. Até porque esse é um dos maiores desafios de filmes solo focados na origem de vilões: apresentar motivações com um passado triste para que o público ignore condutas reprováveis e passe a torcer pelo protagonista.

Em “Cara-de-Barro“, contudo, a dinâmica muda de figura. Originalmente, o personagem integra a galeria de vilões do Batman nos quadrinhos desde a década de 1940. Na primeira versão impressa, o humano por trás da criatura era Basil Karlo, também ator. Já neste longa, a história mistura elementos de sua origem ao pegar emprestado o nome de Matt Hagen, a segunda encarnação do monstro nas HQs, em que era retratado como um caçador de tesouros. E bem, na série animada do Batman, ele também não era lá uma figura muito simpática.

Com isso, sem precisar apelar pro fandom da DC e sem querer forçar que o espectador comum entenda o que e quem é, “Cara-de-Barro” ao menos é bem sucedido em apresentar uma história coesa. E apesar de ter uma certa ânsia em criticar a superficialidade das aparências humanas e do sistema que sustenta o entretenimento em Hollywood, o longa de James Watkins aposta alto também nos efeitos visuais e na maquiagem, como era de se esperar, levando uma historinha de boneco para o campo do body-horror.

O ponto fraco mesmo fica no didatismo da crítica social foda em que o espectador é relembrado, a cada duas cenas, de como a indústria cinematográfica também é fútil e descarta seus atores e atrizes quando estes são cancelados. Ainda assim, este filme funciona melhor do que os longas derivados dos vilões do Homem-Aranha que colocaram até criaturas monstruosas como Venom em situações e falas engraçadinhas. Mas não se engane, não há cena bonitinha e alívio cômico em “Cara-de-Barro“. Trata-se de uma história sombria e sem redenção.

Imagem meramente ilustrativa do personagem nos quadrinhos

Escala de tocância de terror:

Título original: Clayface
Diretor: James Watkins
Roteiro: Mike Flanagan e Hossein Amini
Elenco: Tom Rhys Harries, Naomi Ackie, Max Minghella, Joana Ribeiro e outros
Ano de lançamento: 2026

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar no Recife

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CRÍTICA: Zona Zero (2026)

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Zona Zero

Há dez anos, “Invasão Zumbi” (Train to Busan) chegava como um verdadeiro fenômeno no círculo de fãs de horror. O filme em si não apresentava nenhuma grande inovação no gênero, mas se destacava ao fazer boas cenas de ação (sim, de ação) com os zumbis/infectados num trem que cortava a península coreana.

Agora em “Zona Zero” (Colony), parte da construção da tensão e da ação em meio a uma infestação, ou seria infecção zumbi, se mantém em uma estrutura linear. Desde o início descobrimos quem é o vilão, suas intenções e como irá promover o caos, que na visão dele, na real é parte do renascimento da sociedade humana.

Baseado em conhecimentos e teorias da cyber-biologia, ou biotecnologia, que passam longe da ética, um pesquisador invejoso cria um vírus de laboratório para espalhar em uma importante convenção científica.

E em menos de meia hora de filme já temos uma grande leva de vítimas e de infectados que agem como zumbis maratonistas e triatletas. Depois que rola o primeiro ataque, aí é correria para todo lado. Quem foge ou tenta escapar da horda de criaturas tem q apelar pra se esconder em lojas e corredores do enorme empresarial que abriga centro de convenções e de compras.

Até se veem semelhanças com o “Despertar dos Mortos” (Dawn of The Dead) de George Romero nessa ambientação, mas só ali mesmo porque os monstros agora correm e atacam com verocidade.

Na comparação com o trem pra Busan onde cada vagão continha uma ameaça diferente, neste longa aqui, os sobreviventes precisam se esconder em diferentes andares e escritórios evitando confronto com os infectados. Até porque diferente de mortos-vivos convencionais, estes aqui possuem o diferencial de se comunicar em conjunto por uma consciência coletiva como ocorre com formigas.

Esse aí é inclusive o maior problema do título brasileiro do longa que não faz o menor sentido dar nome de “Zona Zero” quando seu nome original é traduzido como “Colônia” que tem total sintonia com a premissa já mencionada.

Mas mesmo sendo um pouco previsível assim nesta narrativa mais convencional de confinamento e fuga, “Zona Zero” reserva algumas surpresas, já que diante da ameaça e do vilão, não temos como imaginar como isso pode acabar e quem será o último a contar história.

E um dos maiores méritos do longa é usar poucos efeitos digitais e trabalhar bem com atores, figurantes e efeitos práticos bem grotescos. Em época de proliferação de uso de Inteligência Artificial como muleta pra qualquer tipo de cena no cinema, digamos que é um avanço dos coreanos mesmo que isso não seja uma inovação.

Escala de tocância de terror:

Título original: Colony
Direção: Yeon Sang-ho
Roteiristas: Choi Kyu-seok e Yeon Sang-ho
Elenco: Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook
País de origem: Coreia do Sul

* “Zona Zero” estreia nos cinemas brasileiros em 15 de outubro e foi visto pelo Toca o Terror em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z

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CRÍTICA: Meus Mortos Tristes (2026)

Dirigido pelo chileno Pablo Larraín, a minissérie “Meus Mortos Tristes” não foca em assombrações malignas e jumpscares. O papo aqui é drama familiar e crítica social foda com uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas.

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em

Meus Mortos Tristes

Vamos iniciar com uma sinopse sem muitos detalhes, para não estragar a surpresa que acontece já no primeiro episódio de Meus Mortos Tristes (2026), nova minissérie argentina da Netflix. Baseada nos contos da escritora Mariana Enriquez, que também é um dos roteiristas, a obra chegou ao serviço de streaming no dia 24 de setembro.

Ema (Mercedes Morán) é uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas. Após a morte da mãe, ela se muda para a antiga casa, que fica perto de um conjunto habitacional barra pesada, no subúrbio de Buenos Aires.

Com a visita de parentes que moram nos Estados Unidos, Ema descobre que sua sobrinha Julie (Carolina Álvarez) tem a mesma habilidade sobrenatural. O problema é que um evento inesperado faz com que a relação entre vivos e mortos tome grandes proporções na localidade.

Dirigido pelo chileno Pablo Larraín (O Conde, 2023), Meus Mortos Tristes tem quatro episódios e não precisava tanto. Mas isso fica para depois. É importante começar dando o alerta que a minissérie não vai focar em assombrações malignas e jumpscares, o papo aqui é drama familiar e crítica social foda.

Mercedes Morán é o grande destaque. Sua personagem não é nenhuma Lorraine Warren e não vê glamour, nem missão divina, em sua habilidade de se comunicar com espíritos.

Apesar de possuir sensibilidade suficiente para tomar decisões certas, o desdém pelo dom que carrega é sua maior faceta. A relação com a família, incluindo o fantasma da mãe, rende os melhores momentos. Carolina Álvarez, num papel mórbido e cativante, também merece ser lembrada.

Em algumas entrevistas o elenco teceu loas a Larraín, afirmando que o diretor foi o responsável por tirar deles algumas de suas melhores atuações. Como não há sustos e coisas pulando na tela, é a interação entre os personagens que faz a trama andar. E funciona bem.

Outro trunfo de Meus Mortos Tristes é sua ambientação na periferia. A violência do lugar e o clima de abandono da população de baixa renda faz um paralelo com a situação dos desencarnados que aparecem. A fotografia fria e azulada completa o quadro.

Mas, como dito acima, nem tudo são flores nesse túmulo e, talvez, um filme cairia melhor para essa história. O formato em quatro episódios (de 50 minutos cada) estica demais a trama, o que causa alguns problemas de continuidade e a sensação que o programa está enchendo linguiça.

Outra prova disso é que algumas subtramas ficam subvalorizadas, como o arco de Carol (Dolores Fonzi), filha de Ema, que sofre com a relação mal resolvida com a mãe e com uma perda pessoal. Os pais de Julie também são meio esquecidos durante boa parte do roteiro. O mesmo acontece com Lautaro (Germán De Silva), personagem que carrega um passado de amor não correspondido por Ema.

Ainda assim, Meus Mortos Tristes é uma bela fábula sombria, que fala sobre luto, depressão e memória. Sem contar que a minissérie faz um competente comentário sobre a violência desenfreada nas grandes metrópoles da América Latina. Vale o play nas apariciones.

Escala de tocância de terror:

Título original: Mis muertos tristes
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Anastasia Ayazi, Guillermo Calderón, Mariana Enriquez e Pablo Larraín
Elenco: Mercedes Morán, Dolores Fonzi e Carolina Álvarez
Origem: Argentina

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