Conecte-se conosco

Críticas

CRÍTICA: Rastro de Maldade (2015)

Publicado

em

Rastro de Maldade

Em 2015, Rastro de Maldade (Bone Tomahawk) veio para nos mostrar que nem tudo está perdido pra o cinema de horror. Temos aqui um filme de faroeste que seria comum se não fosse por uma espécie de tribo de canibais tocando o terror pra cima dos cowboys americanos.

Bone.Tomahawk.2015.1080p.BluRay.6CH.ShAaNiG.mkv_snapshot_01.17.45_[2015.12.21_03.33.56]

Escrito e dirigido pelo estreante S. Craig Zahler, o faroeste de horror tem a seguinte premissa (segundo o IMDB – em tradução livre): Quatro homens seguem em pleno oeste selvagem a fim de resgatar um grupo que fora capturado por “nativos das cavernas”(!). Aí você pensa: Mas que bosta! E é justamente aí que você se engana. Bone Tomahawk já começa bruto e expositivo nos mostrando qual ameaça está por vir. Eis que um pulo temporal de onze dias nos leva para a pacata Bright Hope onde somos apresentados aos nossos heróis em questão.

A competência da produção está principalmente na construção dos personagens. Isso faz muita diferença, pois nos faz se importar com os destinos dos mesmos. Não há aqui, dentre os principais, personagem descartável. Vale destacar Chicory, o velho agente da polícia concebido brilhantemente por Richard Jenkins, que nos rende as melhores falas do filme. Temos também nomes como Kurt Russel (Fuga de Nova York, Enigma de Outro Mundo) encarnando o honesto e carrancudo Xerife Hunt. A linda Lili Simmons no papel da forte Samantha que, por sua vez, é esposa do determinado capataz Arthur O’Dwyer, vivido pelo já conhecido Patrick Wilson (Invocação do Mal, Sobrenatural).

Bone.Tomahawk.2015.1080p.BluRay.6CH.ShAaNiG.mkv_snapshot_00.43.26_[2015.12.21_03.33.21]

Rastro de Maldade mostra pouco, mas mostra “bonito”. É verdade que não é um festival de gore gratuito como no fraquíssimo Canibais de Eli Roth, mas choca muito mais. Há uma morte em particular que vai ficar na sua cabeça. Garanto! A violência visual não se resume apenas a cenas de mutilação, mas tem também certas visões perturbadoras como as das mulheres do clã de canibais. A fotografia também merece destaque com seu tom quente e quase sépia que dá o tom western da proposta. Vale lembrar que apesar de se passar quase que inteiramente durante o dia nos conferindo belas paisagens, Bone Tomahawk rende bons momentos de horror.

Há sim pontos negativos aqui. Como por exemplo, o fato dos tais “trogloditas” – é como são chamados os canibais aqui para serem diferenciados dos índios – praticamente “darem as caras” logo de início. Isso nos dá uma certa vantagem sobre o grupo de resgate que não faz ideia do que os espera, mas também tira um pouco do mistério. Além disso, poderia ser mais curto – 2h12min é um pouco demais – e com uma jornada mais resumida. Ok… é necessária pra desenvolver os personagens, mas há momentos repetitivos sim.

Bone.Tomahawk.2015.1080p.BluRay.6CH.ShAaNiG.mkv_snapshot_00.31.52_[2015.12.21_03.32.28]

Também temos presenças breves, porém ilustres, de alguns já conhecidos como Sid Haig (O Capitão Spaulding de A Casa dos Mil Corpos e Rejeitados pelo Diabo), Zahn MacClarnon (Hanzee da 2ª temp de Fargo) e até Michael Paré (Ruas de Fogo). Em suma, Bone Tomahawk é uma produção competente que é bem executada, tem bons diálogos e bem atuada que deve ser visto por qualquer fã de western e de horror que se preze.

Escala de tocância de terror:

Direção: S. Craig Zahler
Roteiro: S. Craig Zahler
Elenco: Kurt Russel, Patrick Wilson, Lili Simmons e Richard Jerkins
Origem: EUA

👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...

...mas a gente paga! ☠️

Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Que tal fazer um PIX de qualquer valor e nos dar uma forcinha? →

Anarquista, quase cinéfilo, diretor de arte, fotógrafo, cervejeiro, rockeiro doido e crítico/podcaster do Toca o Terror

Clique para comentar

1 comentário

  1. Rafael Strelow Leite

    26 de setembro de 2016 às 13:59

    Western super bem conduzido mesmo.
    O fator Gore eh bem inusitado ao gênero, mas aplicado na hora certa… A “tal morte” nua e crua me atordoou literalmente na cadeira.
    Para um primeiro filme do diretor, merecidos 9,0!

  2. Analina

    7 de fevereiro de 2019 às 09:21

    Sinistrão. As coisas demoram muito pra acontecer, mas quando acontecem são chocantes. Meu personagem favorito foi o do vaidoso Brooder, que era o único com sangue nos olhos, meticuloso… E só um pouco emocional (com a égua, sensacional). A morte foi terrível mesmo, aliás as três, mas a terceira, sem dúvida, a mais impressionante. Ótimas atuações! Acrescentaria um final explosivo, porque curto extermínio do que não presta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Críticas

CRÍTICA: Resident Evil (2026)

Esta é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada.

Publicado

em

Resident Evil

A franquia Resident Evil é referência nos videogames, mas penava quando o assunto era adaptação para outras mídias, como TV e cinema, tendo como maior exemplo os filmes estrelados por Milla Jovovich no decorrer de décadas. A franquia tentou um reboot em 2021, mas o desastre veio. Agora, em setembro de 2026, um novo reboot é lançado sob a grife do diretor de “A Hora do Mal“.

Um rapaz que trabalha entregando órgãos em hospitais recebe uma oferta tentadora para ir à cidade de Raccoon City, e o que supostamente seria um serviço simples se torna uma luta pela sobrevivência, já que várias aberrações tomaram conta da cidade e arredores.

Aqui já adianto que essa é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada, em alguns detalhes visuais que remetem ao material original e no gameplay; sim, em alguns momentos me senti jogando. A história de “Resident Evil” é simples e direta, e me lembrou muito comédias de erro onde tudo o que podia dar errado dá; o protagonista não tem um minuto de paz em quase toda a jornada. A escolha de um civil sem nenhuma qualificação para combate foi acertada, já que ele serve como um espelho para a maioria de nós e gera identificação.

A polêmica sobre os momentos cômicos não me incomodou por boa parte do filme, mas, quando entram em cena outros personagens humanos, a coisa mudou de figura. O que estava divertido e com bons jumpscares se torna uma bobagem que me incomodou muito. Eu sei que é uma sátira, mas não ficou boa para mim, culminando em um clímax que me deu vergonha alheia. O terror está bem representado pelas criaturas nojentas que aparecem no decorrer do filme e que são inspiradas nos monstros dos jogos; elas são ameaçadoras. Tem gore, mas acho que poderia ser mais.

O filme não é ruim, tem boas cenas, diverte e tem bons sustos. O problema maior é que, quanto mais se aproxima do fim, vai ficando mais bobo.

Escala de tocância de terror:

Título original: Resident Evil
Direção : Zack Cregger
Roteiro: Zack Cregger e Shay Hatter
Produtores Executivos: Oliver Berben, Richard Wright, Robert Bernacchi
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry,Kali Reis e outros

👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...

...mas a gente paga! ☠️

Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Que tal fazer um PIX de qualquer valor e nos dar uma forcinha? →
Continue lendo

Críticas

CRÍTICA: Águas Mortais (2026)

“Águas Mortais” é mais um filme de catástrofe com tubarões, trazendo a conhecida fórmula de passageiros ilhados no oceano e predadores famintos à espreita

Publicado

em

Águas Mortais

Filmes de tubarão parecem nunca sair de moda e estreou nesta semana (23/07/26) mais um exemplar de filme de catástrofe com os bichinhos, que tem o “maravilhoso” título de “Águas Mortais” (Deep Water).

A trama acompanha passageiros e tripulantes de um voo com destino a Xangai que se envolvem em um grave acidente quando uma carga explode e causa a queda do avião no meio do Oceano Pacífico. Os sobreviventes terão que descobrir um meio de sair de uma situação que se agrava à medida que vários tubarões famintos querem fazer deles a próxima refeição.

Vou começar deixando claro que o filme é um amontoado de clichês do cinema de catástrofe e que não foi o primeiro a usar essa premissa para inserir tubarões no meio. “Desespero Profundo” (2024) está aí para provar, mesmo sendo bastante inferior ao filme de que estamos falando. Quem já assistiu a filmes do gênero vai se sentir em casa ao esbarrar em estereótipos clássicos, como o herói com traumas, o personagem escroto e, claro, crianças em perigo.

O grande chamariz para mim foi a presença de Ben Kingsley, ator renomado e premiado que faz aqui uma participação especial nos moldes de atores famosos de filmes de catástrofe dos anos 70. O personagem não agrega muito e tem momentos bem piegas no curto tempo em tela. Outro ator famoso é Aaron Eckhart, mais conhecido pelo vilão Duas-Caras na trilogia do Batman de Christopher Nolan.

O diretor “faz-tudo” de Hollywood, Renny Harlin, realiza um trabalho competente aqui, principalmente na cena do acidente e, depois, ao apresentar a ameaça bem aos moldes de “Do Fundo do Mar” (1999) que, por sinal, ele também dirigiu e que guarda semelhanças, como os tubarões de visual PlayStation e velocidade 2.0.

Uma coisa que eu tenho que comentar é a famigerada tela verde, que aqui se faz notar a todo momento em lugares abertos. Fica nítida a artificialidade do mar aberto. Parece que os atores foram “colados” na cena de qualquer jeito, e para cair no vale da estranheza é um pulo.

“Águas Mortais” é um filme extremamente clichê, mas conseguiu me divertir em boa parte do tempo, mesmo pecando por não ser tão corajoso. Em um dia chuvoso e nessa estação invernal, é uma ótima pedida. Já para quem é rato de filme de tubarão, existe uma cena que é praticamente copia e cola de “O Último Tubarão” (L’ultimo squalo, 1981).

Escala de tocância de terror:

Título original: Deep Water
Direção: Renny Harlim
Roteiro:Pete Bridges, Shane Armstrong e S.P Kause
Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley e outros
Ano de lançamento: 2026

* Este texto foi escrito por um humano sem o uso de IA

👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...

...mas a gente paga! ☠️

Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Que tal fazer um PIX de qualquer valor e nos dar uma forcinha? →
Continue lendo

Críticas

CRÍTICA: Obsessão (2026)

Publicado

em

Obsessão

“Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.

E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.

Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.

No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.

Escala de tocância de terror:

Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife

👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...

...mas a gente paga! ☠️

Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Que tal fazer um PIX de qualquer valor e nos dar uma forcinha? →
Continue lendo

Trending