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CRÍTICA: Alone (2015)

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Por Júlio César Carvalho

Que o cinema de horror asiático é respeitado e, por consequência, vive sendo refilmado por Hollywood todo mundo sabe. Mas e quando Bollywood decide fazer o mesmo? Pois é exatamente o que “Alone” é: um remake indiano do ótimo horror tailandês de 2007. E claro que eu não poderia deixa de conferir. Me arrependi.

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Na trama, acompanhamos Sanjana. Uma bela moça que vive o relacionamento dos sonhos com seu amor primeiro de infância. Mas quando a mãe dela sofre um acidente e eles precisam voltar para a vila natal da moça, a relação começa a desabar feio. Não que a sogra seja escrota com o cara, mas sim, sua já falecida cunhada que resolve perturbar a vida da irmã que além de viva, está feliz. O detalhe é que elas eram irmãs siamesas e parece que nem a morte consegue as separar.

3fC1r6mO filme começa e somos apresentados ao casal. Logo somos negativamente surpreendidos, quando o cara ao entrar em cena começa a cantar na festa da amada. Seria normal se fosse apenas umas serenata, mas não, o cara abandona o violão e a música aumenta virando número musical superproduzido. Passado isso, o filme volta ao normal e segue por um tempo, mas do nada alguém começa a cantar novamente e temos de aguentar outro clipe musical. É hilário de início, mas começa a ser irritante quando já sacamos que isso vai acontecer mais vezes até o fim.

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As atuações são simplesmente toscas. A direção fica por conta de Bhushan Patel que parece não dar a mínima pra definir o estilo do longa. Ah, o idioma é indiano, mas tem frases inteiras em inglês por parte de todos os personagens e mesclados no mesmo diálogo. Detalhe esse que pode soar estranho e incomodo. Passamos a maior parte do tempo com o casal protagonista, vivido pela modelo e atriz Bipasha Basu e o cantor e modelo Karan Singh Grover, que só fazem caras e bocas com os cabelos ao vento, impecavelmente maquiados e ilumidados.

Ok, tenho de admitir que os poucos efeitos que tem são bons e visualmente o filme é muito bem cuidado. É bonito até demais, eu diria. A maioria das cenas, até parecem tiradas comerciais de turismo de tão cristalinas que são, tirando todo clima de horror na qual a premissa promete. Sem contar os cabelos ao vento e iluminação digna de ensaios fotográficos no estilo comercial da Jequiti, lembrando aquelas produções eróticas do extinto Cine Privê da Band. Chegam a ser hilárias pois, essas sequências, nem sexy conseguem ser. E ainda tem os efeitos sonoros ultra apelativos pra causar sustos gratuitos nas poucas cenas de horror existentes.

Acha que estou exagerando? Como imagino que você não irá assisti-lo, segue umas imagens pra sentir o clima:

Captura de Tela 2015-05-25 às 12.51.11Captura de Tela 2015-05-25 às 14.35.58 Captura de Tela 2015-05-25 às 14.34.04 Alone-2015-Latest-Horror-Movie-HD-Awesome-Wallpaper-45125-11

Mas voltando… o roteiro é previsível e muito mal escrito, mas por incrível que pareça, há bons momentos nessa empreitada cinematográfica. Como por exemplo o inesperado ritual de exorcismo executado por um religioso que lembra o Dhalsin do Street Fighter onde o modus operandi segue bem diferente do catolicismo; e certas referências ao original tailandês, como a cena da praia onde a nossa heroína caminha sozinha, mas percebe um par de pegadas a mais na areia.

Nota-se que eu até que fiz alguns elogios pontuais, mas “Alone” é um filme extremamente problemático em sua narrativa com sua mistura de gêneros onde o horror passa bem longe. Nem a beleza indiscutível da Bipasha Basu (que tem inacreditáveis 36 anos) salva essa bomba mainstream de Bollywood.
Alone-2015-Latest-Horror-Movie-HD-Awesome-Wallpaper-45125-8Nota 01: E vale informar que existe mais um remake indiano para o mesmo filme tailandês chamado de “Chaarulatha” (2012) e um filme filipino muito parecido chamado “GuniGuni” (2012).

Nota 02: Aproveito aqui para indicar o “Alone” original tailandês que aqui no Brasil foi lançado sob o nome escroto e sem sentido de “Espíritos 2 – Você nunca está sozinho“. Critico o título nacional pelo simples fato de o filme não se tratar da continuação do famoso “Espíritos – A morte está ao seu lado“. Sim, aquele filme dos fantasmas nas fotos e com uma cena final pra lá de cabulosa, que também é tailandês e dos mesmos diretores.

Escala de tocância de terror:

Direção: Bhushan Patel
Roteiro: Sheershak Anand, Shantanu Ray Chhibber 
Elenco: Bipasha Basu, Karan Singh Grover, Sulabha Arya 
Origem: Índia

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1 comentário

  1. Rodrigo Afonso

    11 de janeiro de 2016 às 19:10

    Adoro terror mas acho uma pena o sofrimento
    Gosto mais de terror a brincar
    Sabem aquele género de terror que não nos pica nos olhos

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Críticas

CRÍTICA: Meus Mortos Tristes (2026)

Dirigido pelo chileno Pablo Larraín, a minissérie “Meus Mortos Tristes” não foca em assombrações malignas e jumpscares. O papo aqui é drama familiar e crítica social foda com uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas.

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Meus Mortos Tristes

Vamos iniciar com uma sinopse sem muitos detalhes, para não estragar a surpresa que acontece já no primeiro episódio de Meus Mortos Tristes (2026), nova minissérie argentina da Netflix. Baseada nos contos da escritora Mariana Enriquez, que também é um dos roteiristas, a obra chegou ao serviço de streaming no dia 24 de setembro.

Ema (Mercedes Morán) é uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas. Após a morte da mãe, ela se muda para a antiga casa, que fica perto de um conjunto habitacional barra pesada, no subúrbio de Buenos Aires.

Com a visita de parentes que moram nos Estados Unidos, Ema descobre que sua sobrinha Julie (Carolina Álvarez) tem a mesma habilidade sobrenatural. O problema é que um evento inesperado faz com que a relação entre vivos e mortos tome grandes proporções na localidade.

Dirigido pelo chileno Pablo Larraín (O Conde, 2023), Meus Mortos Tristes tem quatro episódios e não precisava tanto. Mas isso fica para depois. É importante começar dando o alerta que a minissérie não vai focar em assombrações malignas e jumpscares, o papo aqui é drama familiar e crítica social foda.

Mercedes Morán é o grande destaque. Sua personagem não é nenhuma Lorraine Warren e não vê glamour, nem missão divina, em sua habilidade de se comunicar com espíritos.

Apesar de possuir sensibilidade suficiente para tomar decisões certas, o desdém pelo dom que carrega é sua maior faceta. A relação com a família, incluindo o fantasma da mãe, rende os melhores momentos. Carolina Álvarez, num papel mórbido e cativante, também merece ser lembrada.

Em algumas entrevistas o elenco teceu loas a Larraín, afirmando que o diretor foi o responsável por tirar deles algumas de suas melhores atuações. Como não há sustos e coisas pulando na tela, é a interação entre os personagens que faz a trama andar. E funciona bem.

Outro trunfo de Meus Mortos Tristes é sua ambientação na periferia. A violência do lugar e o clima de abandono da população de baixa renda faz um paralelo com a situação dos desencarnados que aparecem. A fotografia fria e azulada completa o quadro.

Mas, como dito acima, nem tudo são flores nesse túmulo e, talvez, um filme cairia melhor para essa história. O formato em quatro episódios (de 50 minutos cada) estica demais a trama, o que causa alguns problemas de continuidade e a sensação que o programa está enchendo linguiça.

Outra prova disso é que algumas subtramas ficam subvalorizadas, como o arco de Carol (Dolores Fonzi), filha de Ema, que sofre com a relação mal resolvida com a mãe e com uma perda pessoal. Os pais de Julie também são meio esquecidos durante boa parte do roteiro. O mesmo acontece com Lautaro (Germán De Silva), personagem que carrega um passado de amor não correspondido por Ema.

Ainda assim, Meus Mortos Tristes é uma bela fábula sombria, que fala sobre luto, depressão e memória. Sem contar que a minissérie faz um competente comentário sobre a violência desenfreada nas grandes metrópoles da América Latina. Vale o play nas apariciones.

Escala de tocância de terror:

Título original: Mis muertos tristes
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Anastasia Ayazi, Guillermo Calderón, Mariana Enriquez e Pablo Larraín
Elenco: Mercedes Morán, Dolores Fonzi e Carolina Álvarez
Origem: Argentina

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CRÍTICA: Resident Evil (2026)

Esta é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada.

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Resident Evil

A franquia Resident Evil é referência nos videogames, mas penava quando o assunto era adaptação para outras mídias, como TV e cinema, tendo como maior exemplo os filmes estrelados por Milla Jovovich no decorrer de décadas. A franquia tentou um reboot em 2021, mas o desastre veio. Agora, em setembro de 2026, um novo reboot é lançado sob a grife do diretor de “A Hora do Mal“.

Um rapaz que trabalha entregando órgãos em hospitais recebe uma oferta tentadora para ir à cidade de Raccoon City, e o que supostamente seria um serviço simples se torna uma luta pela sobrevivência, já que várias aberrações tomaram conta da cidade e arredores.

Aqui já adianto que essa é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada, em alguns detalhes visuais que remetem ao material original e no gameplay; sim, em alguns momentos me senti jogando. A história de “Resident Evil” é simples e direta, e me lembrou muito comédias de erro onde tudo o que podia dar errado dá; o protagonista não tem um minuto de paz em quase toda a jornada. A escolha de um civil sem nenhuma qualificação para combate foi acertada, já que ele serve como um espelho para a maioria de nós e gera identificação.

A polêmica sobre os momentos cômicos não me incomodou por boa parte do filme, mas, quando entram em cena outros personagens humanos, a coisa mudou de figura. O que estava divertido e com bons jumpscares se torna uma bobagem que me incomodou muito. Eu sei que é uma sátira, mas não ficou boa para mim, culminando em um clímax que me deu vergonha alheia. O terror está bem representado pelas criaturas nojentas que aparecem no decorrer do filme e que são inspiradas nos monstros dos jogos; elas são ameaçadoras. Tem gore, mas acho que poderia ser mais.

O filme não é ruim, tem boas cenas, diverte e tem bons sustos. O problema maior é que, quanto mais se aproxima do fim, vai ficando mais bobo.

Escala de tocância de terror:

Título original: Resident Evil
Direção : Zack Cregger
Roteiro: Zack Cregger e Shay Hatter
Produtores Executivos: Oliver Berben, Richard Wright, Robert Bernacchi
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry,Kali Reis e outros

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CRÍTICA: Águas Mortais (2026)

“Águas Mortais” é mais um filme de catástrofe com tubarões, trazendo a conhecida fórmula de passageiros ilhados no oceano e predadores famintos à espreita

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Águas Mortais

Filmes de tubarão parecem nunca sair de moda e estreou nesta semana (23/07/26) mais um exemplar de filme de catástrofe com os bichinhos, que tem o “maravilhoso” título de “Águas Mortais” (Deep Water).

A trama acompanha passageiros e tripulantes de um voo com destino a Xangai que se envolvem em um grave acidente quando uma carga explode e causa a queda do avião no meio do Oceano Pacífico. Os sobreviventes terão que descobrir um meio de sair de uma situação que se agrava à medida que vários tubarões famintos querem fazer deles a próxima refeição.

Vou começar deixando claro que o filme é um amontoado de clichês do cinema de catástrofe e que não foi o primeiro a usar essa premissa para inserir tubarões no meio. “Desespero Profundo” (2024) está aí para provar, mesmo sendo bastante inferior ao filme de que estamos falando. Quem já assistiu a filmes do gênero vai se sentir em casa ao esbarrar em estereótipos clássicos, como o herói com traumas, o personagem escroto e, claro, crianças em perigo.

O grande chamariz para mim foi a presença de Ben Kingsley, ator renomado e premiado que faz aqui uma participação especial nos moldes de atores famosos de filmes de catástrofe dos anos 70. O personagem não agrega muito e tem momentos bem piegas no curto tempo em tela. Outro ator famoso é Aaron Eckhart, mais conhecido pelo vilão Duas-Caras na trilogia do Batman de Christopher Nolan.

O diretor “faz-tudo” de Hollywood, Renny Harlin, realiza um trabalho competente aqui, principalmente na cena do acidente e, depois, ao apresentar a ameaça bem aos moldes de “Do Fundo do Mar” (1999) que, por sinal, ele também dirigiu e que guarda semelhanças, como os tubarões de visual PlayStation e velocidade 2.0.

Uma coisa que eu tenho que comentar é a famigerada tela verde, que aqui se faz notar a todo momento em lugares abertos. Fica nítida a artificialidade do mar aberto. Parece que os atores foram “colados” na cena de qualquer jeito, e para cair no vale da estranheza é um pulo.

“Águas Mortais” é um filme extremamente clichê, mas conseguiu me divertir em boa parte do tempo, mesmo pecando por não ser tão corajoso. Em um dia chuvoso e nessa estação invernal, é uma ótima pedida. Já para quem é rato de filme de tubarão, existe uma cena que é praticamente copia e cola de “O Último Tubarão” (L’ultimo squalo, 1981).

Escala de tocância de terror:

Título original: Deep Water
Direção: Renny Harlim
Roteiro:Pete Bridges, Shane Armstrong e S.P Kause
Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley e outros
Ano de lançamento: 2026

* Este texto foi escrito por um humano sem o uso de IA

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