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HISTÓRIA: Terror no Cinema Brasileiro

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Laura Cánepa, jornalista e doutora em Multimeios pela Unicamp, é uma especialista na história do cinema de horror no Brasil. Sua tese “Medo de quê? – Uma história do horror nos filmes brasileiros” a levou a diversos eventos do gênero e ajudou a jogar um pouco mais de luz sobre as origens do cinema fantástico no país.
No site A Janela, ela escreveu um artigo sobre a história do horror no cinema nacional. Abaixo transcrevemos parte do texto, onde dá para perceber que não necessariamente José Mojica Marins, o Zé do Caixão, foi o primeiro a fazer filmes de terror no Brasil.
Horror no cinema brasileiro
O que faz o cinema de horror brasileiro parecer um fenômeno raro é, em primeiro lugar, o registro deficiente de nossa tradição “horrífica” de maneira geral, pois esta é freqüentemente mais restrita aos relatos orais ou a manifestações tidas como “de menor importância” pelos estudiosos das artes e da cultura, como a literatura pulp e a de cordel, as histórias em quadrinhos, os relatos jornalísticos sensacionalistas, os programas populares de rádio e televisão, etc – todos, diga-se de passagem, fundamentais para a compreensão do cinema de horror brasileiro em geral, e de Mojica em particular.
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Outro motivo é a dificuldade do cinema brasileiro de preservar sua memória, tanto no que se refere à documentação quanto aos próprios filmes, muitos deles perdidos para sempre – e isso tem impacto em obras de todos os gêneros e de vários períodos, inclusive em produções recentes. Por fim, há, entre os historiadores, certo desprezo pelo cinema popular baseado nos cânones consagrados por Hollywood, o que inclui a maior parte das experiências nacionais em relação ao horror e também ao faroeste, à ficção-científica e a outros gêneros identificados com o cinema dominante.
Apesar de tratar-se de um grupo de filmes diferentes entre si e dispersos historicamente, acredito ser possível identificar algumas grandes categorias a partir das quais se podem organizar os cerca de duzentos longas-metragens de horror brasileiros apontados por esses pesquisadores.
A primeira e mais numerosa se refere ao sensacionalismo e à exploração, e teve início com os trabalhos fundadores de Mojica nos anos 1960. Ao criar seu alter-ego psicopata perseguido por criaturas sobrenaturais, o cineasta contribuiu autoralmente para a história do cinema de horror mundial, combinando vertentes diferentes do gênero e também intensificando o realismo através da assumida precariedade de suas produções, que levavam os atores a extremos de tensão e medo durante as filmagens.
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=ASK8kzLfaRI?feature=player_detailpage&w=640&h=360]
Na esteira de seu sucesso, vários filmes aderiram a uma estética mais chocante e mesmo escandalosa, freqüentemente articulando o gênero horror ao sexploitation, durante o ciclo conhecido como “pornochanchada”, que dialogava com uma tendência verificada em vários países do mundo voltada à realização de filmes de horror divulgados com títulos sugestivos de temática sexual e de extrema violência. Entre as dezenas de filmes que poderiam ser citados, destacam-se AMADAS E VIOLENTADAS (Jean Garrett, 1976), O ESTRIPADOR DE MULHERES (Juan Bajon, 1978), A REENCARNAÇÃO DO SEXO (Luiz Castelini, 1981) e LILIAM – A SUJA (Antonio Meliande, 1981).
Outra categoria também bastante numerosa, mas que abrange títulos mais dispersos, é a dos filmes paródicos, que usaram os clichês do gênero como fonte para brincadeiras anárquicas e metalingüísticas, num paradigma chanchadesco ligado às comédias populares que se desdobrou em diversos estilos e correntes, como o cinema marginal (em obras como MEMÓRIAS DE UM ESTRANGULADOR DE LOIRAS, de Julio Bressane, 1971, e PRATA PALOMARES, de Andre Faria Jr., 1971) e o terrir de Ivan Cardoso (representado por vários sucessos, entre eles AS SETE VAMPIRAS, de 1986), estando presente também na filmografia de cineastas como Amácio Mazaropi (em O JECA CONTRA O CAPETA, 1974) e em algumas comédias menos conhecidas, como O JOVEM TATARAVÔ (Lulu de Barros, 1936) e TRÊS VAGABUNDOS (José Carlos Burle, 1952).
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=gEm3PPEf5Js?feature=player_detailpage&w=640&h=360]
Outro grupo importante de filmes brasileiros ligados ao horror buscou os parâmetros tradicionais ou “clássicos” do gênero, concentrando-se mais na criação de atmosferas ambíguas do que na exposição detalhada e explícita dos fatos horríficos. A prática teve início nos filmes góticos femininos dos estúdios paulistas nos anos 1950 (como MEU DESTINO É PECAR, de Manuel Peluffo, e VENENO, de Gianni Pons, ambos de 1952) e foi retomada por importantes autores do cinema brasileiro nos anos 1970 e 1980, entre os quais Walter Hugo Khouri e Carlos Hugo Christensen, que realizaram, respectivamente, O ANJO DA NOITE (1974) e ENIGMA PARA DEMÔNIOS (1975), entre outros.
Leia o artigo completo aqui:
http://janela.art.br/artigos/horror-no-cinema-brasileiro

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CRÍTICA: Exit 8 (2026)

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Exit 8

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.

Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.

O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.

1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.

Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.

Escala de tocância de terror:

Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão

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CRÍTICA: O Menu (2022)

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O Menu

O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).

A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.

Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.

O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.

O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA

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CRÍTICA: Corrente do Mal (2016)

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Corrente Do Mal

[Por Jarmeson de Lima]

De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)

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