Críticas
CRÍTICA: A Lenda de Candyman (2021)

Bem sabemos que “O Mistério de Candyman” (Candyman, 1992) carrega o título de ser um dos melhores filmes de terror dos anos 90. E mesmo tendo ganho sequências bem inferiores, o personagem ganhou fama e força na cultura pop por conta da presença de Tony Todd que deu forma a esse icônico vilão.
Os anos passaram e agora o cineasta oscarizado Jordan Peele resolveu produz e construir de forma conjunta um roteiro que se baseia na mitologia do filme original. Basicamente como aconteceu com o novo Halloween que é uma sequência/reboot que ignora continuações que vieram depois do primeiro da série.

Em “A Lenda de Candyman” (Candyman, 2021), agora temos a história de um jovem artista em busca de inspiração. Morando em Chicago em uma região vítima de especulação imobiliária e gentrificação, Anthony McCoy (Yahya Abdul-Mateen II) acaba esbarrando na lenda de Candyman e fascinado pelo personagem, quanto mais ele se aprofunda nessa pesquisa, mais mortes vão surgindo e uma espiral de loucura e caos se instala. E a partir da chegada do vilão ao ter seu nome pronunciado 5x na frente do espelho, nada mais será igual para a vida das pessoas em Cabrini-Green.
Mas vamos lá… É bom deixar claro que mesmo que não tenha dirigido o longa, “A Lenda de Candyman” tem todas as características das produções de Jordan Peele. E isso não é ruim, pelo contrário. Mas a pergunta que fica é: a diretora Nia da Costa soube sair da tutela do produtor e teve a liberdade de fato para colocar sua visão da lenda?

Temos aqui uma direção competente que sabe criar cenas visualmente bonitas, inclusive nos momentos de assassinato e mortes grotescas. A direção de atores é competente e todos estão bem em seus papeis. É violento em uma dose aceitável, embora o fã de horror sempre espere algo mais.
Ainda assim, o maior problema do longa é que ele se esquece do terror. Não há tensão nas cenas ou uma sensação de medo… e somado a um roteiro que não deixa claro pra onde a história vai, acabei me decepcionando um pouco porque afinal de contas, também esperava mais.
O filme é ruim? De forma nenhuma. Os temas sociais abordados e questões sempre presentes na obra de Peele são poderosas e necessárias o suficiente para dar um rumo nessa história. E apesar de parecer de longe algo panfletário, o filme não se resume a “propaganda politica” como algumas pessoas vêm dizendo para desmerecê-lo.

“A Lenda de Candyman” é um bom filme sim. O fã do antigo “Candyman” vai gostar de certos momentos com as citações à obra respeitando bastante o material original. Inclusive algo bacana foi recontar os eventos do primeiro filme através de um teatro de sombras, dando um tom mais lúdico a algo tão pesado.
Vale também ficar atento aos créditos finais onde mais informações são mostradas. E para o publico de cinema de horror mainstream um aviso: Não espere jumpscares! A pegada do filme não é essa.
Título original: Candyman
Direção: Nia DaCosta
Roteiro: Nia DaCosta, Jordan Peele e Win Rosenfeld
Elenco: Yayha Abdul-Mateen II, Teyonah Parris, Colman Domingo e outros
País de origem: EUA
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

[Por Jarmeson de Lima]
A frase que quer chamar a atenção do público no poster diz “Office Space meets Battle Royale”. Mais do que um suposto mashup de dois filmes, “Dia de Trabalho Mortal” (The Belko Experiment) é uma metáfora certeira das relações trabalhistas atuais. No contexto brasileiro, o filme torna-se ainda mais perverso tendo em vista as propostas das novas leis onde “o trabalhador pode negociar diretamente com o patrão”, no caso, sem ter uma arma apontada para a cabeça.

«Os modelos de trabalho estão se modernizando e precisamos rever estas leis engessadas»
A ficcional Belko Company é uma dessas empresas pertencentes a uma corporação maior subsidiada em Bogotá, na Colômbia. Seu prédio de vários departamentos e andares é um pouco longe da cidade em si e prevê um certo isolamento e deslocamento que castiga quem não tem carro. Ainda assim, existe um ambiente harmônico e plural, onde os preconceitos institucionais são sublimados.
Certo dia porém, todos os funcionários “nativos” da empresa são dispensados de trabalhar e só quem deve ficar na repartição são os estrangeiros. Imitando o estilo Jigsaw de avisos, uma voz misteriosa lê o seu memorando do terror em um sistema de som interno, avisando que todos os confinados estão fazendo parte de um experimento e que se não matarem uma certa quantidade de pessoas, consequências piores virão. Troque “a voz” pelo “mercado” e veja um passaralho de sangue que ameaça a sobrevivência do seu ambiente de trabalho onde se o patrão não demitir X pessoas, a empresa vai dar prejuízo e 2X vão ficar sem emprego.

«Justiça do Trabalho não deveria nem existir»
Em meio a reações histéricas, opiniões otimistas acerca do que foi dito e gente que quer se manter isentona, logo caem as máscaras e o comportamento egoísta e corporativista toma conta. Em pouco tempo, os mais inescrupulosos saem na frente dessa “selva” e dão um foda-se pras questões morais depois que o bicho pega e todos vêem que a ameaça é real. A diferença é que participando deste “jogo” estão no mesmo balaio os trabalhadores de serviço gerais e os gerentes.
Quem tenta escapar rapidamente descobre que todos os acessos do prédio foram literalmente lacrados e nenhuma comunicação com o mundo externo é possível. Também dá pra fazer um paralelo com todas as vezes em que denúncias trabalhistas contra certas empresas vazam por aí, mas que não ganham a devida atenção devido à blindagem da imprensa para limpar a barra da corporação.

«Existe grande probabilidade do trabalhador morrer antes de se aposentar»
Por mais que você não creia que um filme norte-americano como esse suscite essas questões, é inevitável não fazer todas estas análises. O mais incrível é que “The Belko Experiment” é fruto de um violento roteiro de James Gunn (Guardiões da Galáxia) com direção de Greg McLean (Wolf Creek).
Com atuações de rostos conhecidos por algumas séries e produções famosas, “The Belko Experiment” vai além do típico filme de matança e sobrevivência. Ao abordar este espinhoso ambiente trabalhista em um contexto contemporâneo, ele nos coloca no lugar dos personagens pra ver se seríamos “promovidos” ou “demitidos” diante das implicações éticas envolvidas.

Diretor: Greg McLean
Roteirista: James Gunn
Elenco: John Gallagher Jr., Melonie Diaz, Adria Arjona e Michael Rooker
País de origem: EUA
Ano de lançamento: 2017
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
Críticas
CRÍTICA: Águas Mortais (2026)
“Águas Mortais” é mais um filme de catástrofe com tubarões, trazendo a conhecida fórmula de passageiros ilhados no oceano e predadores famintos à espreita

Filmes de tubarão parecem nunca sair de moda e estreou nesta semana (23/07/26) mais um exemplar de filme de catástrofe com os bichinhos, que tem o “maravilhoso” título de “Águas Mortais” (Deep Water).
A trama acompanha passageiros e tripulantes de um voo com destino a Xangai que se envolvem em um grave acidente quando uma carga explode e causa a queda do avião no meio do Oceano Pacífico. Os sobreviventes terão que descobrir um meio de sair de uma situação que se agrava à medida que vários tubarões famintos querem fazer deles a próxima refeição.

Vou começar deixando claro que o filme é um amontoado de clichês do cinema de catástrofe e que não foi o primeiro a usar essa premissa para inserir tubarões no meio. “Desespero Profundo” (2024) está aí para provar, mesmo sendo bastante inferior ao filme de que estamos falando. Quem já assistiu a filmes do gênero vai se sentir em casa ao esbarrar em estereótipos clássicos, como o herói com traumas, o personagem escroto e, claro, crianças em perigo.
O grande chamariz para mim foi a presença de Ben Kingsley, ator renomado e premiado que faz aqui uma participação especial nos moldes de atores famosos de filmes de catástrofe dos anos 70. O personagem não agrega muito e tem momentos bem piegas no curto tempo em tela. Outro ator famoso é Aaron Eckhart, mais conhecido pelo vilão Duas-Caras na trilogia do Batman de Christopher Nolan.

O diretor “faz-tudo” de Hollywood, Renny Harlin, realiza um trabalho competente aqui, principalmente na cena do acidente e, depois, ao apresentar a ameaça bem aos moldes de “Do Fundo do Mar” (1999) que, por sinal, ele também dirigiu e que guarda semelhanças, como os tubarões de visual PlayStation e velocidade 2.0.
Uma coisa que eu tenho que comentar é a famigerada tela verde, que aqui se faz notar a todo momento em lugares abertos. Fica nítida a artificialidade do mar aberto. Parece que os atores foram “colados” na cena de qualquer jeito, e para cair no vale da estranheza é um pulo.

“Águas Mortais” é um filme extremamente clichê, mas conseguiu me divertir em boa parte do tempo, mesmo pecando por não ser tão corajoso. Em um dia chuvoso e nessa estação invernal, é uma ótima pedida. Já para quem é rato de filme de tubarão, existe uma cena que é praticamente copia e cola de “O Último Tubarão” (L’ultimo squalo, 1981).
Título original: Deep Water
Direção: Renny Harlim
Roteiro:Pete Bridges, Shane Armstrong e S.P Kause
Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley e outros
Ano de lançamento: 2026
* Este texto foi escrito por um humano sem o uso de IA
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Dois anos após o sucesso de Fale Comigo, chega aos cinemas brasileiros o segundo filme dos irmãos Danny e Michael Philippou. Mais uma vez com distribuição da badalada A24, a dupla agora emplaca Faça Ela Voltar (Bring Her Back), um conto de horror suburbano que aborda o luto.

Após perderem o pai, os irmãos Andy (Billy Barratt) e Piper (Sora Wong) são colocados sob os cuidados de Laura (Sally Hawkins), uma ex-assistente social que faz de sua casa uma espécie de lar adotivo. Além deles, vive no local o menino Oliver (Jonah Wren Phillips), uma criança que não se comunica e possui hábitos estranhos.
Não demora para sabermos que Laura tem segundas intenções. Seu objetivo em acolher os órfãos é trazer o espírito da sua filha de volta e colocá-la no corpo de Piper. Para executar esse plano diabólico ela tem em mãos uma fita VHS que contém, literalmente, o passo a passo de um ritual satânico que, entre outras bizarrices, inclui até canibalismo.

Mitologia escatológica à parte, Faça Ela Voltar é mais sobre o sentimento da perda do que qualquer outra coisa. Mesmo retratada na maior parte do tempo como vilã metódica, Laura ainda deixa transparecer seu lado humano. Uma mulher que não aceita a partida da filha e que acaba deturpando seu amor icondicional, por puro desespero.
A dupla de irmãos também ganha sua cota de drama, quando Laura tenta jogar um contra o outro, pois Andy é um empecilho para o que ela planeja. Nada disso, porém, funcionaria se o trio de protagonistas não estivesse tão afiado. Sally Hawkins, Billy Barratt e Sora Wong conseguem passar credibilidade o tempo todo, seja nos momentos sóbrios ou nos sinistros.
O que nos leva para outro destaque do elenco: o pequeno Jonah Wren Phillips. A transformação pela qual seu Oliver passa ao longo da trama já o elevou ao status de mini ícone do terror do ano. São com ele as cenas mais perturbadoras, em ocasiões que fica quase impossível não desviar os olhos da tela.

A direção dos Philippou em Faça Ela Voltar segue competente, com ótimos enquadramentos e cuidado aos detalhes (preste atenção nos círculos). Como Piper é deficiente visual, a câmara brinca muito com imagens desfocadas, o que faz um paralelo interessante com a condição da personagem.
O roteiro, assinado em parceria com Bill Hinzman, consegue balancear bem o terror e o drama, no entanto deixa um gostinho de quero mais ao esconder muito sobre a origem do ritual. Mas isso é apenas eu reclamando de barriga cheia (o trocadilho fará sentido quando você assistir ao filme).
Título original: Bring Her Back
Direção: Danny Philippou e Michael Philippou
Roteiro: Danny Philippou e Bill Hinzman
Elenco: Sally Hawkins, Billy Barratt e Sora Wong
Origem: Austrália
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: Tumba Aberta (2013)
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: February (2015)
-

Críticashá 7 anosCRÍTICA: Banana Splits – O Filme (2019)
-

Críticashá 13 anosCRÍTICA: Begotten (1991)
-

Críticashá 5 anosCRÍTICA: O Homem nas Trevas (2016)
-

Dicashá 6 anosCURIOSIDADES: 13 Fatos que Você não Sabia sobre Jason e a Franquia Sexta-Feira 13
-

Críticashá 5 anosCRÍTICA: O Estranho Thomas (2013)
-

Críticashá 10 anosCRÍTICA: A Bruxa (2016)


















