Dicas
DICA: Little Deaths (2011)

Por Queops Negronski
Antes de tudo, é bom saber que Little Deaths, mesmo que em alguns momentos pareça que sim, não é uma antologia de horror convencional. Existe sim, algo de sobrenatural por ali, mas os roteiristas apostaram em determinadas facetas do comportamento humano que conseguem ser mais brutais do que a ficção. E quem ganha com isso é o espectador.
Outra coisa importante de se frisar é que este é um filme sobre casais, pares apaixonados ou não, cujas vidas em determinado momentos dão guinadas um tanto quanto peculiares tendo o nosso olhar por testemunha. Vamos aos curtas do filme:

HOUSE AND HOME [Direção e roteiro de Sean Hogan]
Richard (Luke de Lacey) e Victoria (Siubhan Harrison), um casal de cristãos devotos que acredita que pessoas menos abastadas são meros brinquedos para aplacar suas taras e movimentar sua vida conjugal, têm como hábito ludibriar jovens mulheres sem-tetos em ações que a princípio parecem caridosas, mas que culminam em perversos jogos sexuais. O desfecho que não faz jus ao que vinha sido desenvolvido até ali não compromete este segmento, que pode ser definido como “uma história de predadores”.
![little.deaths.2011_snapshot_00.43.52_[2012.05.03_00.33.13]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2015/01/little-deaths-2011_snapshot_00-43-52_2012-05-03_00-33-13.jpg)
MUTANT TOOL [Escrito e dirigido por Andrew Parkinson]
Jen (Jodie Jameson) é uma ex-viciada em drogas e ex-garota de programa que ganha a vida como traficante, atividade esta que tem lhe dado alguns revezes ultimamente. Jack (Daniel Brocklebank), seu namorado, comanda a operação e é envolvido em outras atividades ilícitas alheias a Jen e ele, preocupado com a integridade física e mental da namorada, a encaminha para um tratamento especializado onde “[…]pode haver efeito colaterais, algumas alucinações leves, sons, luzes, talvez dor de cabeça. Nada pra se preocupar”. Lógico que tudo isso acontece, além de outras coisas mais como experimentos nazistas, uma criatura com propósito surreal + uma droga exclusivíssima. Mutant Tool é um terror/sci-fi de tintas pesadas onde pessoas que vivem à margem das regras sociais estabelecidas constroem seus caminhos com diferentes e inacreditáveis tipos de violência.
![little.deaths.2011_snapshot_00.15.17_[2012.05.03_00.22.37]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2015/01/little-deaths-2011_snapshot_00-15-17_2012-05-03_00-22-37.jpg)
BITCH [Escrito e dirigido por Simon Rumley]
Claire (Kate Breathwaite) e Peter (Tom Sawyer) vivem uma relação baseada em anulamento, desdém, provocações, humilhação e até mesmo amor, onde ele, em sua carência e submissão e reduzido a mero animal de estimação, em determinado momento decide dar um basta. E pra isso, usa como arma de vingança aquilo que Claire mais teme. Se até aqui algumas situações soavam desconfortáveis, a partir desse momento acompanhamos boquiabertos todo o ato final dessa peça amarga de tons predominantemente azulados. Pesado, muito pesado.
Resultado: Três histórias de sangue e morte numa produção com direção segura, roteiros afiados e atuações eficientes que ao final não nos deixa na boca o amargor decorrente da decepção. Merece ser visto!
Direção: Sean Hogan, Andrew Parkinson e Simon Rumley
Roteiro: Sean Hogan, Andrew Parkinson e Simon Rumley
Elenco: Luke de Lacey, Holly Lucas e Siubhan Harrison
Origem: Reino Unido
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=iXsurw0RnrM?rel=0&w=560&h=315]
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Para a dica da semana, eu queria algo que fosse no mínimo intrigante. Daí vi que no catálogo da HBO Max entrou o cabulosíssimo POSSESSOR (2020), filme de Brandon Cronenberg – filho de ninguém menos que David Cronenberg – no qual pessoas são possuídas não por demônios, mas por outras pessoas.

Na trama, em um futuro não muito distante, acompanhamos Tasya Vos (Andrea Riseborough), uma espécie de assassina de aluguel que, por meio de uma empresa que detém uma tecnologia de transferência de consciência, possui a mente de outras pessoas para usá-las como veículos para matar seus alvos. O longa abre com uma jovem, nitidamente abalada emocionalmente, está se produzindo para participar de um evento quando, do nada, enfia algo em um plug na sua cabeça. Em seguida ela assassina brutalmente um figurão da alta sociedade em público, acabando morta pela polícia. É dessa forma singela que POSSESSOR começa.
Tudo em aqui é visualmente intenso e explícito. Tudo mesmo! Brandon usa e abusa dos efeitos práticos pra explorar o horror corporal ao máximo, conferindo cenas que provavelmente vão fazer você desviar o olhar. A violência aqui nunca chega ao caricatural e vão causar incômodo real pela crueza de como é mostrada. Algumas cenas até lembram Dário Argento por conta dos planos detalhes e das cores vibrantes de toda nojeira. Fora o gore, as muitas sequências que ilustram todo horror corporal e mental das personagens são criativas e dolorosas.

Para além do óbvio domínio técnico, o cineasta não deixa o estilismo audiovisual apenas como aparato puramente estético, mas sim como recurso para contar a história. Pouco aqui é de fato explicado. Por exemplo, não temos noção do ano em que estamos ou de quem são aquelas pessoas, ficando claro que o canadense não se preocupa nem um pouco em ser didático, preferindo dar pequenas dicas aqui e ali, deixando a maior parte para a imaginação do espectador. Isso seria ruim se a intenção do filme fosse tratar do universo em que tudo se passa, mas como aqui o foco é a questão existencial da protagonista, o pouco que é exposto textualmente é suficiente pra entendermos os conflitos morais e emocionais da assassina de aluguel.
Temos critica social foda em POSSESSOR? Claro que sim! O roteiro, também assinado pelo diretor, não pega leve em apontar o quão vil a política do capitalismo pode ser. Na trama, temos um cenário de vigilância das marcas em nossas vidas que assusta de tão absurdo e de tão próximo da realidade essa mera especulação pode ser. Quem nunca se perguntou se tem alguém nos ouvindo 24h por dia, já que, instantaneamente, propagandas incrivelmente assertivas surgem “como mágica” nas nossas redes sociais?

Intrigante, violento e cabuloso, POSSESSOR é um filme que fica na cabeça e pode ser considerado “intragável” por em questão certas convenções morais. Para este vos escreve, foi um dos melhores filmes de 2020. Aproveita que tá no catálogo da HBO Max e dá uma conferida.
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Uma coisa não podemos negar, o cinema de terror espanhol é ‘classudo’. Mesmo as tosqueiras setentistas de Amando de Ossorio, as maluquices de Álex de la Iglesia ou até os found-footages frenéticos da franquia [REC], todos esses são filmes que têm a ambientação como ponto em comum. Ficaríamos falando horas sobre outros aqui.
O Orfanato (2007) é um belo exemplo disso. Um suspense de casa assombrada que se utiliza de ótimas locações para contar a sua história. Laura (Belén Rueda) volta ao imóvel que, há 30 anos, foi o lar para órfãos onde ela passou parte da infância. Agora adulta, seu plano é reabrir o local e receber novas crianças.

Com ela, estão seu marido Carlos (Fernando Cayo) e o filho Simón (Roger Príncep), de 7 anos. O problema, como você já deve estar imaginando, é que não são apenas pessoas vivas estão habitando o antigo casarão, que fica na Astúrias, no noroeste da Espanha, uma região costeira que caiu como uma luva para a produção.
Falei que a ambientação era legal, mas claro que só isso não sustentaria o filme. Precisamos dar destaque à atuação de Belén Rueda, que se entrega de corpo e alma (perdão pelo trocadilho), quando o sobrenatural dá às caras no roteiro (assinado por Sergio G. Sánchez). O filme ainda lançou J.A. Bayona para Hollywood e o diretor espanhol, hoje, comanda blockbusters como Jurassic World 2: Reino Ameaçado.
Com produção executiva de ninguém menos que Guillermo del Toro, O Orfanato bombou na época. E mesmo abordando um tema tão requentado no cinema fantástico, ganhou notoriedade pela peculiaridades da trama, algo que o distanciou de produções genéricas.

Particularmente acho que o roteiro tem uns furos aqui e ali, mas nada que o desabone. Achei meio forçado o menino lá com um saco na cabeça (tentando criar uma identidade visual para o ‘vilão’), mas entendo que esse tipo de artifício tem um objetivo comercial, então ok.
O que interessa é que O Orfanato segue relevante depois de mais de uma década e se você é assinante da Netflix ou do Amazon Prime Video, corra que o filme está nas duas plataformas.
P.S.: Quem faz uma ponta nesse filme é Edgar Vivar, o eterno Senhor Barriga do seriado mexicano Chaves.
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Vou logo dizendo que sou suspeito na indicação desse filme. Filmes com adultos que interpretam bebês, a meu ver, são praticamente garantia de experiências cinematográficas maravilhosas para não falar em potenciais obras-primas. Minha dica da semana se enquadra perfeitamente nessa segunda categoria.

“The Baby“, de Ted Post, conta a história de uma assistente social chamada Ann Gentry (Anjanette Comer) e sua obsessão pelo jovem de 21 anos que atende por Baby (David Mooney), o caçula da família Wadsworth. Ann está convencida de que as mulheres desse clã disfuncional, formado pela matriarca Ma (Ruth Roman), sua filha mais velha, Germaine (Marianna Hill, irretocável) e pela sádica loira com olhos enlouquecidos Alba (Susanne Zenor) deliberadamente impedem Baby de se desenvolver normalmente. Isso provavelmente porque elas não querem que ele cresça como os detestáveis homens de seus passados. Ann então passa a usar métodos pouco ortodoxos em suas tentativas de resgatar Baby e assim correrá o risco de perder seu emprego e sua vida.

Um filme que começa como um modesto “thriller” setentista feito para a TV mas que, à medida que avança, vai se tornando mais sombrio e distorcido, mesmo durante os momentos mais leves. A competência do elenco faz com que você entre de cabeça nesse universo, por mais absurda que seja a trama e aí quando você percebe, está tão envolvido que precisa ver até onde isso pode ir. E quem vai até o final, não se arrepende.

Eu detesto essa bobagem de “hoje em dia não fariam esse filme” pois isso geralmente vem acompanhado da defesa de um monte de coisa que não acrescenta em nada, mas nesse caso sou eu quem vou dizer tal frase. Hoje em dia “The Baby” não seria feito. Mas não por ser tão politicamente incorreto e sim porque a indústria cinematográfica praticamente perdeu a capacidade de ser originalmente criativa.

Você pode assistir essa belezura gratuitamente no Plex e no Youtube (com legendas traduzíveis, basta habilitar e configurar) clicando aqui ou com qualidade melhor mas sem legendas no Tubi. Boa diversão!
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dan
20 de maio de 2015 às 02:33
Para mim a 1 historia foi a mais bel elaborada,a segunda sem pé nem cabeça e sem nenhuma explicação eficiente ao expectador.fica a sensação de:acabou e agora:?
E a parte a unica coisa que salva são as atuações e o final!