Críticas
CRÍTICA: Kristy (2014)

Por Jarmeson de Lima
Já vimos vários filmes de terror/suspense com uma caçada de “gato e rato”. O que em muitas produções não passa de uma sequência, a “caçada” em “Kristy” acaba sendo o filme inteiro.
A produção é o segundo longa dirigido por Oliver Blackburn, que fez alguns curtas no final da década de 1990 e que fez sua estreia oficial nos cinemas com “Donkey Punch“, em 2008. Estranhamente só depois desses seis anos ele voltou a dirigir e calhou de pegar logo o roteiro de Anthony Jaswinski para jogar nas telas essa longa perseguição de uma hora e vinte e seis minutos.
A história, que é ridiculamente curta, poderia se tornar mais interessante caso as “explicações” que dão mote aos acontecimentos fossem melhores exploradas. É que logo no começo, naquele ritmo frenético e batido que já vimos várias vezes, somos apresentados a inserts de reportagens e vozes em off sobre a morte e o desaparecimento de jovens mulheres em algo que se assemelha a uma seita espalhada pelos Estados Unidos.

Você imagina que isso teria alguma conexão com o que aconteceria em seguida? Se pensou em Sim, acertou. E essa foi só uma das muitas obviedades do roteiro. Daí assistimos ao cotidiano de Justine, uma estudante que acabou ficando sozinha no campus de sua universidade em um feriadão. Só que ela não está tão sozinha assim, uma vez que este é um filme de terror onde coisas precisam acontecer.
A partir de um mero encontro entre uma garota esquisita em um posto de conveniência, descobrimos que Justine passa a ser a vítima da vez, sendo perseguida por gente ainda mais esquisita e que passa a chamá-la de Kristy. Como assim? Calma. Em um dado momento da trama, revela-se que o nome “Kristy” significa “seguidor de Cristo” e que se você mata Cristo, você mata Deus e a seita fica feliz (!). Mas que diabos de lógica é essa, afinal? Deve ser a mesma lógica em incluir no filme um punhado de clichês do gênero e da fuga esconde-esconde aliada às novas tecnologias inserindo cenas de gravação por celular, câmera escondida e outras coisas que não tem motivo.

E como havia falado anteriormente, o restante do filme é apenas esta perseguição dos maníacos a Kristy/Justine, que no meio pro final da trama se revolta contra a situação e resolve enfrentar os seus caçadores que não sabe de onde vieram nem quem são. Os resultados desse contra-ataque são bem inesperados, mas previsíveis.
No final das contas, “Kristy” é um filme que parece bem mais um exercício de construção de cenas do que uma produção fechada em si. É como se o diretor estivesse o tempo todo se esforçando para criar climas em cada cena com a ajudinha do editor de som e daqueles belos cortes de câmera. Só que nisso tudo aí faltou originalidade e uma história menos batida.
Direção: Oliver Blackburn
Roteiro: Anthony Jaswinski
Elenco: Haley Bennett, Ashley Greene e Lucas Till
Origem: EUA
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Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.
Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.
O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.
1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.
Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.
Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão
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O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).
A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.
Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.
O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.
O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.
Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA
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[Por Jarmeson de Lima]
De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)
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alana
13 de junho de 2015 às 17:26
Eu quero saber o nome da cantora que canta nesse filme não consigo achar a musica dela ,só sei que toca lana del rey mas não sei a outra cantora alguém pode me ajudar pfvr,eu agradeceria esse filme e muito legal