Críticas
CRÍTICA: Baby Blues (2013)
![Baby-Blues-2013-6[1]](https://tocaoterror.com.br/wp-content/uploads/2014/08/baby-blues-2013-61.jpg)
Nem o terror asiático se salva de ter filmes ruins. Esse exemplar chinês entra pra categoria “vergonha alheia” com muito requinte e determinação.
Um jovem casal se muda para uma casa linda. Lá, encontram uma boneca deixada pelos donos anteriores e resolvem adotá-la. Em frente à mansão vive um sem-teto que os adverte que eles devem ir embora, mas lógico que é ignorado. Ela é uma blogueira que descobre estar grávida de gêmeos e ele um produtor musical que precisa criar uma música para uma estrela do pop local.

Durante o processo criativo, já em casa, sem querer ele derruba a boneca que cai no teclado formando uma sequência de notas. Tá feita a música! Mas ao ouví-la, a cantora se acidenta gravemente. Daí por diante, várias coisas sinistras começam a acontecer. Flashes da boneca em um movimento meio mangá intercalam todas as sequências mortais da trama para entendermos sua influência nos eventos. Porra! Os caras usam a mesma cena (a boneca apontando o dedão pra tela) de arquivo toda hora, tipo quando Hulk se transformava na série antiga ou quando o Jaspion chamava o Daileon.

Falando nesses vícios, o diretor, Po-Chih Leong (Fora do Alcance com Steven Seagal e O Detonador com Wesley Snipes) é praticamente um Zack Snyder “Made in China”. O cara abusa das inúmeras tomadas de computação gráfica em câmera lenta afim de torná-las épicas, mas acaba por banalizá-las. Não adianta ter uma fotografia cristalina e uma edição rebuscada se isso não serve para a imersão do espectador na história que está sendo contada. As atuações são ruins e não valem um parágrafo sequer para comentar.
Já o terrível roteiro, após nos convencer que a boneca exerce uma influência letal na vida de quem escuta a música ou cruza seu caminho, o mesmo nos apresenta um arco dramático quando um dos gêmeos morre na hora do parto, causando um estado de Baby Blues (tipo um início de depressão pós-parto) justificando assim o nome do longa. Daí em diante, ela passa a agir como se a boneca fosse o bebê morto e assim cria ambos os “filhos” com total apoio do marido (COMO ASSIM?!) que age como se fosse normal aquela situação.

Os efeitos práticos são negativamente hilários, causando total “vergonha alheia” até por se tratar de um filme de 2013. Em um momento, por exemplo, em que a mãe deixa o bebê sobrevivente cair da varanda da casa (!), vemos nitidamente uma boneca daquelas que mija, arrota etc (possivelmente da Estrela – exemplo).
Outro momento ridículo dos efeitos artesanais é quando a boneca maldita, agora andando, segue “chutando”(!) o bebê afim de rolá-lo até a piscina. Estranho porque falhas grotescas como essa contrastam com belos momentos em CGI com câmera lenta que lembram aquela franquia Premonição (Final Destination), onde a morte em si é a vilã. A boneca amaldiçoada, ora atua mais na manipulação do ambiente para conseguir a morte de alguém, ora se mexe ao bom estilo Chucky. Aí você me pergunta: E a boneca é assustadora? Não!

Já falei demais sobre esse filme que só erra. Nem a revelação causa espanto. O irritante é que Baby Blues é um filme que se leva a sério e até que tenta, mas falha miseravelmente em sua tentativa de causar medo. Com um roteiro fraco e uma direção solta, nem o requinte visual ajuda nessa missão básica de um filme de terror. Ah, e o final? Mais clichê impossível!
Veredito: UM CU CAGADO!
Direção: Po-Chih Leong
Roteiro: Bak-Ming Wong
Elenco: Sing Kwan Janelle, Raymond Lam, Hoi-Pang Lo
Origem: China
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Mm9rYz95QgM&w=560&h=315]
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Há dez anos, “Invasão Zumbi” (Train to Busan) chegava como um verdadeiro fenômeno no círculo de fãs de horror. O filme em si não apresentava nenhuma grande inovação no gênero, mas se destacava ao fazer boas cenas de ação (sim, de ação) com os zumbis/infectados num trem que cortava a península coreana.
Agora em “Zona Zero” (Colony), parte da construção da tensão e da ação em meio a uma infestação, ou seria infecção zumbi, se mantém em uma estrutura linear. Desde o início descobrimos quem é o vilão, suas intenções e como irá promover o caos, que na visão dele, na real é parte do renascimento da sociedade humana.

Baseado em conhecimentos e teorias da cyber-biologia, ou biotecnologia, que passam longe da ética, um pesquisador invejoso cria um vírus de laboratório para espalhar em uma importante convenção científica.
E em menos de meia hora de filme já temos uma grande leva de vítimas e de infectados que agem como zumbis maratonistas e triatletas. Depois que rola o primeiro ataque, aí é correria para todo lado. Quem foge ou tenta escapar da horda de criaturas tem q apelar pra se esconder em lojas e corredores do enorme empresarial que abriga centro de convenções e de compras.
Até se veem semelhanças com o “Despertar dos Mortos” (Dawn of The Dead) de George Romero nessa ambientação, mas só ali mesmo porque os monstros agora correm e atacam com verocidade.

Na comparação com o trem pra Busan onde cada vagão continha uma ameaça diferente, neste longa aqui, os sobreviventes precisam se esconder em diferentes andares e escritórios evitando confronto com os infectados. Até porque diferente de mortos-vivos convencionais, estes aqui possuem o diferencial de se comunicar em conjunto por uma consciência coletiva como ocorre com formigas.
Esse aí é inclusive o maior problema do título brasileiro do longa que não faz o menor sentido dar nome de “Zona Zero” quando seu nome original é traduzido como “Colônia” que tem total sintonia com a premissa já mencionada.

Mas mesmo sendo um pouco previsível assim nesta narrativa mais convencional de confinamento e fuga, “Zona Zero” reserva algumas surpresas, já que diante da ameaça e do vilão, não temos como imaginar como isso pode acabar e quem será o último a contar história.
E um dos maiores méritos do longa é usar poucos efeitos digitais e trabalhar bem com atores, figurantes e efeitos práticos bem grotescos. Em época de proliferação de uso de Inteligência Artificial como muleta pra qualquer tipo de cena no cinema, digamos que é um avanço dos coreanos mesmo que isso não seja uma inovação.
Título original: Colony
Direção: Yeon Sang-ho
Roteiristas: Choi Kyu-seok e Yeon Sang-ho
Elenco: Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook
País de origem: Coreia do Sul
* “Zona Zero” estreia nos cinemas brasileiros em 15 de outubro e foi visto pelo Toca o Terror em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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Críticas
CRÍTICA: Meus Mortos Tristes (2026)
Dirigido pelo chileno Pablo Larraín, a minissérie “Meus Mortos Tristes” não foca em assombrações malignas e jumpscares. O papo aqui é drama familiar e crítica social foda com uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas.

Vamos iniciar com uma sinopse sem muitos detalhes, para não estragar a surpresa que acontece já no primeiro episódio de Meus Mortos Tristes (2026), nova minissérie argentina da Netflix. Baseada nos contos da escritora Mariana Enriquez, que também é um dos roteiristas, a obra chegou ao serviço de streaming no dia 24 de setembro.
Ema (Mercedes Morán) é uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas. Após a morte da mãe, ela se muda para a antiga casa, que fica perto de um conjunto habitacional barra pesada, no subúrbio de Buenos Aires.

Com a visita de parentes que moram nos Estados Unidos, Ema descobre que sua sobrinha Julie (Carolina Álvarez) tem a mesma habilidade sobrenatural. O problema é que um evento inesperado faz com que a relação entre vivos e mortos tome grandes proporções na localidade.
Dirigido pelo chileno Pablo Larraín (O Conde, 2023), Meus Mortos Tristes tem quatro episódios e não precisava tanto. Mas isso fica para depois. É importante começar dando o alerta que a minissérie não vai focar em assombrações malignas e jumpscares, o papo aqui é drama familiar e crítica social foda.
Mercedes Morán é o grande destaque. Sua personagem não é nenhuma Lorraine Warren e não vê glamour, nem missão divina, em sua habilidade de se comunicar com espíritos.

Apesar de possuir sensibilidade suficiente para tomar decisões certas, o desdém pelo dom que carrega é sua maior faceta. A relação com a família, incluindo o fantasma da mãe, rende os melhores momentos. Carolina Álvarez, num papel mórbido e cativante, também merece ser lembrada.
Em algumas entrevistas o elenco teceu loas a Larraín, afirmando que o diretor foi o responsável por tirar deles algumas de suas melhores atuações. Como não há sustos e coisas pulando na tela, é a interação entre os personagens que faz a trama andar. E funciona bem.
Outro trunfo de Meus Mortos Tristes é sua ambientação na periferia. A violência do lugar e o clima de abandono da população de baixa renda faz um paralelo com a situação dos desencarnados que aparecem. A fotografia fria e azulada completa o quadro.
Mas, como dito acima, nem tudo são flores nesse túmulo e, talvez, um filme cairia melhor para essa história. O formato em quatro episódios (de 50 minutos cada) estica demais a trama, o que causa alguns problemas de continuidade e a sensação que o programa está enchendo linguiça.

Outra prova disso é que algumas subtramas ficam subvalorizadas, como o arco de Carol (Dolores Fonzi), filha de Ema, que sofre com a relação mal resolvida com a mãe e com uma perda pessoal. Os pais de Julie também são meio esquecidos durante boa parte do roteiro. O mesmo acontece com Lautaro (Germán De Silva), personagem que carrega um passado de amor não correspondido por Ema.
Ainda assim, Meus Mortos Tristes é uma bela fábula sombria, que fala sobre luto, depressão e memória. Sem contar que a minissérie faz um competente comentário sobre a violência desenfreada nas grandes metrópoles da América Latina. Vale o play nas apariciones.
Título original: Mis muertos tristes
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Anastasia Ayazi, Guillermo Calderón, Mariana Enriquez e Pablo Larraín
Elenco: Mercedes Morán, Dolores Fonzi e Carolina Álvarez
Origem: Argentina
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CRÍTICA: Resident Evil (2026)
Esta é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada.

A franquia Resident Evil é referência nos videogames, mas penava quando o assunto era adaptação para outras mídias, como TV e cinema, tendo como maior exemplo os filmes estrelados por Milla Jovovich no decorrer de décadas. A franquia tentou um reboot em 2021, mas o desastre veio. Agora, em setembro de 2026, um novo reboot é lançado sob a grife do diretor de “A Hora do Mal“.
Um rapaz que trabalha entregando órgãos em hospitais recebe uma oferta tentadora para ir à cidade de Raccoon City, e o que supostamente seria um serviço simples se torna uma luta pela sobrevivência, já que várias aberrações tomaram conta da cidade e arredores.

Aqui já adianto que essa é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada, em alguns detalhes visuais que remetem ao material original e no gameplay; sim, em alguns momentos me senti jogando. A história de “Resident Evil” é simples e direta, e me lembrou muito comédias de erro onde tudo o que podia dar errado dá; o protagonista não tem um minuto de paz em quase toda a jornada. A escolha de um civil sem nenhuma qualificação para combate foi acertada, já que ele serve como um espelho para a maioria de nós e gera identificação.

A polêmica sobre os momentos cômicos não me incomodou por boa parte do filme, mas, quando entram em cena outros personagens humanos, a coisa mudou de figura. O que estava divertido e com bons jumpscares se torna uma bobagem que me incomodou muito. Eu sei que é uma sátira, mas não ficou boa para mim, culminando em um clímax que me deu vergonha alheia. O terror está bem representado pelas criaturas nojentas que aparecem no decorrer do filme e que são inspiradas nos monstros dos jogos; elas são ameaçadoras. Tem gore, mas acho que poderia ser mais.
O filme não é ruim, tem boas cenas, diverte e tem bons sustos. O problema maior é que, quanto mais se aproxima do fim, vai ficando mais bobo.
Título original: Resident Evil
Direção : Zack Cregger
Roteiro: Zack Cregger e Shay Hatter
Produtores Executivos: Oliver Berben, Richard Wright, Robert Bernacchi
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry,Kali Reis e outros
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