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CRÍTICA: Alien Romulus (2024)

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Alien Romulus

A simples existência de um novo filme da franquia Alien a esta altura é apenas mais uma prova do capitalismo e do anseio desenfreado da indústria cinematográfica em explorar incessantemente os recursos existentes na área de sci-fi/terror. Mas de certa forma isso também reflete um pouco a história de “Alien Romulus” em si.

Temos aqui um planeta longínquo em anos distantes de nossa realidade em que seus habitantes (humanos e sintéticos/androides) são “empregados” a serviço de uma empresa que explora tudo o que o local tem a oferecer. Cansados de trabalharem em um serviço análogo à escravidão num local onde sequer há luz solar, jovens descobrem que há uma estação espacial flutuante abandonada na órbita deste planeta. Com a ajuda de uma pequena nave em uma missão clandestina, resolvem tentar a sorte e dar um pulo nessa estação para escapar para um mundo melhor. Ou seja, vira mais uma metáfora contra a opressão trabalhista.

Mas o que eles não contavam é que a estação espacial também pertencia a uma grande corporação. E como todo grande conglomerado, eles mantinham em segredo uma série de pesquisas de ética contestável e com espécimes nada agradáveis. Lembre-se que nos capítulos anteriores a gente já sacava as más intenções dessas expedições corporativas procurando usar DNA alienígena como arma biológica. Pois bem, daí em diante já dá pra entender como funciona a história deste novo filme, que seguramente é a melhor produção envolvendo um alien xenomorfo dentro dos últimos 30 anos.

Confesso que fiquei desconfiado com as primeiras notícias e com a sinopse que apresentava o perfil favorito dos personagens de Fede Alvarez: jovens em grupo. Sendo que diferente do que imaginava, a missão dos jovens é bem mais convincente conforme explicitei acima. Vale lembrar que “Alien Romulus” nem é prequel nem reboot. É “apenas” mais uma história envolvendo o xenomorfo mas sem precisar dar uma aula a quem está assistindo sobre a ameaça que ele representa.

Por sinal, fiquem aliviados em saber que a criatura não é simplesmente jogada na tela ou vem acompanhada de longas dissertações como Ridley Scott tentou fazer (e falhou) com “Prometeus” e “Covenant“. O xenomorfo aparece em quase todos os seus estágios… da forma parasitária de facehugger ao bichão em pé (curiosamente, o “ovo” surge em um formato diferente e inesperado). O ritmo do filme, por sinal, leva a gente a ficar nessa expectativa de quando ele vai aparecer de vez ou quando vai atacar. Ou seja, um Alien caçador e sacana igual como víamos nos primeiros filmes.

Também não vemos em “Romulus” nenhum personagem tomando atitudes tão burras quanto nas histórias mais recentes. O pensamento de “o que eu faria agora” domina o espectador diante do caminho para o qual seguir, de forma bem parecida com o gameplay de “Alien Isolation“.

De positivo, além do que já citei, temos ainda um bom uso do som (e de sua ausência) em cenas de impacto, mostrando que dá pra imergir a gente num ambiente sonoro claustrofóbico sem apelar só pra explosão e susto. De negativo, bem, tem uma certa preguiça nas soluções do roteiro e uma técnica super manjada para se livrar de aliens no espaço.

Escala de tocância de terror:

Título original: Alien Romulus
Diretor: Fede Alvarez
Elenco: Cailee Spaeny, Aileen Wu, David Jonsson e outros
Roteiro: Fede Álvarez; Rodo Sayagues
Ano de lançamento: 2024

* P.S.: Se por acaso você não viu as produções anteriores, recomendo que ouça o podcast “Cinema Pra Ninguém” que tem dois episódios dedicado à primeira quadrilogia “Alien”.

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CRÍTICA: Exit 8 (2026)

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Exit 8

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.

Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.

O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.

1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.

Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.

Escala de tocância de terror:

Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão

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CRÍTICA: O Menu (2022)

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O Menu

O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).

A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.

Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.

O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.

O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA

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CRÍTICA: Corrente do Mal (2016)

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Corrente Do Mal

[Por Jarmeson de Lima]

De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)

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