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Críticas

GAME: Bloodwash (2021)

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Bloodwash

Jogos de terror sempre existiram. Quem ai não lembram das versões de Halloween e Tubarão para Atari? Lembremos, no entanto, que o gênero só vingou mesmo na era do Playstation 1 com o sucesso de Resident Evil.

O fato é que no avançar das gerações seguintes de consoles, os gráficos fotorrealistas tomaram conta. Mas empresas e fabricantes independentes sem tanta grana assim apostaram em um resgate de gráficos de gerações passadas. Foi com isso que nasceu “Bloodwash”, um survivor horror que nos remete a época de ouro do PS1 e os slashers oitentistas.

A trama do game segue Sara, uma jovem universitária grávida que vive um relacionamento tóxico e está em busca de uma vida melhor. O jogo se inicia em uma noite onde a moça está se preparando para lavar roupas e a máquina de lavar de seu prédio decadente está quebrada.

Pelo desespero em ter que se arrumar para uma entrevista de emprego no dia seguinte, ela segue noite à dentro até uma lavanderia que funciona 24 horas. O problema é que a região é inóspita e a área no entorno também é a de um maníaco conhecido como o “estripador de ventres”. Com isso, já sabem, né?! Seus caminhos se cruzarão o jogador terá que ser habilidoso para que Sarah sobreviverá esta noite.

O game é uma homenagem à era PS1, então não se espante com aqueles gráficos do início da geração 3D com todas as suas limitações. A perspectiva em primeira pessoa, por sinal, foi um acerto, pois evita replicar os controles de tubo com aquela movimentação dura vista em jogos da época. A movimentação da personagem é fluida e bem simples. Aqui você interage com objetos, personagens e ocasionalmente com um revólver. Tudo muito de boa e intuitivo.

O enredo é o puro suco dos slashers, vindo com vários clichês, incluindo personagens que estão só ali para morrer. O clima captado lembra muito aqueles filmes SOV (shot on video) com orçamento baixíssimo, mas que tentavam dar um mínimo de identidade para sua obra. A narrativa é passada como um antigo filme VHS e filtro gráfico, fazendo nos lembrar de uma época em que a gente assistia a filmes com imagens instáveis e tracking que falhava bem nas horas cruciais. E a trilha sonora é digna de nota com um ótimo trabalho para o jogador entrar no clima.

Numa primeira jogada, dá pra terminar em pouco mais de 1 hora se você não se estender demais e deixar a peteca cair. Claro, o jogo tem alguns defeitos como a câmera que é num primeiro momento péssima, mas tem como ajustar nas opções e eu recomendo fortemente que se faça isso. O trabalho de dublagem também não é lá essas coisas… Nas partes mais avançadas a protagonista não esboça nenhuma emoção e parece estar entediada fazendo compras, mas vai que eu sou chato e até nisso ele acaba sendo uma homenagem aos “atores” de slashers?

Finalizando, “Bloodwash” foi uma experiência positiva que me agradou tanto como gamer como fã de slashers. É mais uma prova de que gráficos não são tudo. Consegui ficar tão imerso que voltei a levar sustos de soltar gritos finos e foi muito gostoso sentir aquele medinho e apreensão que muitos games e filmes moderno falham em passar.

Bloodwash está disponivel para PC, PS4, PS5, XBOX ONE, XBOS Series e Nintendo Switch

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"Nós deixamos de procurar os monstros embaixo de nossas camas, quando percebemos que eles estão dentro de nós"

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CRÍTICA: Extermínio – O Templo dos Ossos (2026)

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Extermínio - O Templo dos Ossos

Num lançamento com poucos meses de diferença, chegamos a 2026 com “Extermínio – O Templo dos Ossos” (28 Years Later: The Bone Temple), quarto filme desta franquia. Após o duvidoso “Extermínio: A Evolução” (2025) que deu novos rumos à saga dos infectados, vamos aqui falar o que acontece depois daquela presepada.

Os eventos seguem o final do anterior, quando o garoto descobre o grupo de satanistas desajustados e percebe o quão perigosos e cruéis eles são. Nesse meio tempo, também acompanhamos os esforços do excêntrico Dr. Kelson (Ralph Fiennes), que tenta estabelecer uma conexão pacífica com o infectado brutamontes Alpha, também presente no filme anterior.

Olha, eu até aceito novas abordagens, mas esses novos filmes da série não chamaram minha atenção. Entendo que queiram fugir da repetição e dos clichês de produções neste estilo, mas o que foi apresentado de novo não funcionou para mim. Compreendi a mensagem de que o verdadeiro perigo somos nós mesmos (os humanos) e que tempos sombrios trazem à tona o pior de cada um. Mas isso nem sequer é novidade… George Romero já alertava sobre isso em seus filmes de zumbi décadas atrás.

Exceto pela figura do garoto e do médico, os demais personagens são muito fracos e desenvolvidos da pior maneira possível. Os atores que interpretam os personagens supracitados são excelentes, mas só isso não basta para salvar “Templo dos Ossos“. A gota d’água para mim foi a mudança no motivo dos ataques dos infectados: o que era cru e assustador no original tornou-se ridículo neste novo filme. Mas não vou dar spoiler… confira só se a curiosidade falar mais alto.

Templo dos Ossos” é bastante violento, mas essas cenas são vazias, porque as vítimas desses atos são meros figurantes e você simplesmente não se importa com elas. Sei que a intenção era reforçar a periculosidade do grupo de vilões, mas, mais uma vez, isso não traz novidade alguma.

E quem curte filmes de zumbi vai sair muito decepcionado, pois as aparições deles não devem durar mais do que cinco minutos no máximo. No fim, fico com os dois primeiros longas da saga e fingir que esses novos filmes nunca existiram.

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CRÍTICA: Anaconda (2025)

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Anaconda

A nostalgia é algo incrível. Lembro-me de assistir ao “Anaconda” original lá em 1997, no cinema e sozinho. Inclusive foi um dos primeiros filmes que vi sozinho. Para um menino de prédio como eu, e com uma mãe superprotetora, foi um avanço e tanto.

Lembro de ter adorado o filme e, quando saiu na locadora, aluguei tantas vezes que cheguei a decorar alguns diálogos. Anos depois, após várias sequências ruins (que vi todas!) foi anunciado esse reboot. Fui conferir com o pé atrás e olha… é ruim mesmo. Aliás, pior!

Na trama, acompanhamos um grupo de amigos adultos que têm em comum o amor pelo cinema de terror, principalmente pelo filme “Anaconda” original. Estagnados na vida, tanto financeira quanto emocionalmente, eles decidem refilmar de forma independente a obra querida, se lançando na Amazônia brasileira. Os problemas de produção são esquecidos quando a famosa cobrona se revela uma ameaça real.

Não me importei quando foi dito que seria uma sátira ao original, que, convenhamos, tirando toda a memória afetiva, é bem trash. A questão é que, mesmo tendo ideias interessantes, como os perrengues do cinema de guerrilha e o amor por isso, tudo é muito raso e esquecido rapidamente.

A parte cômica é extremamente datada, lembrando coisas do final dos anos 90 e início dos anos 2000. Os diálogos estão entre os piores que ouvi este ano, e olha que já assisti a cada bomba…

O terror foi totalmente descartado, e os ataques da cobra são muito sem graça. Ela mal aparece, e seus efeitos são dignos do início da geração do PS4. Para se ter uma ideia, a cobra original era bem mais realista. “Anaconda” está mais interessado em subtramas que não agregam nada e numa metalinguagem batida, que faria o Deadpool ter vergonha.

O elenco está tão perdido que dá até pena. Ninguém se destaca de fato, e até a participação de Selton Mello é tão over que é melhor esquecer. Finalizando: não vale a pena sair de casa para assistir a isso. Esperem sair em algum streaming.

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CRÍTICA: A Empregada (2025)

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A Empregada

Com a presença de Sydney Sweeney e Amanda Seyfried, “A Empregada” (The Housemaid), filme inspirado no livro homônimo de Freida McFadden, não se esforça muito para ser um thriller que apresenta nada menos do que uma temática abordada inúmeras vezes no cinema na relação de patrões e empregados. Justiça seja feita, a história guarda boas reviravoltas e apesar da duração de mais de duas horas, a narrativa flui bem.

A trama começa quando vemos Millie (Sweeney) indo a mais uma entrevista de emprego em que se apresenta como doméstica para uma família ricaça. À primeira impressão, a garota, que tem boa aparência, possui boas qualificações profissionais e poderia estar apta a este ou outro trabalho, mas como possui antecedentes criminais não revelados e mora praticamente num carro, ela mesma não está muito animada com a possibilidade de contratação.

A patroa Nina (Seyfried), também à primeira vista, parece ser gente boa com uma filha e um marido que é símbolo do CEO moderno sempre ocupado, mas com tempo suficiente para se dedicar à família e sua mansão. É neste núcleo familiar que Millie vai lidar no dia-a-dia após ser recrutada fazendo o que pode para deixar o casarão impecável, descansando à noite no quartinho claustrofóbico que fica no sótão.

E não bastou nem um dia de trabalho para que a nova doméstica começasse a suspeitar que esta casa não era nem de longe o emprego que valesse o salário. Instável e com cobranças abusivas de serviços a fazer, Nina passa de patroa boazinha para megera em poucos segundos, escancarando ainda a hipocrisia que certas madames possuem quando estão ao lado de suas amigas ricas.

As situações vão se complicando e até mesmo cenas com forte insinuação sexual aparecem para revelar uma química entre Millie e o chefe de família Andrew (Brandon Sklenar). “A Empregada” vai levando a tensão ao limite, até que no meio do filme, rola o primeiro grande plot-twist para entendermos o contexto da história através de uma diferente perspectiva. É quando descobrimos que os segredos do passado dos personagens são bem mais comprometedores do que vimos na tela.

Até esse momento poderia ser “só” um thriller comum para ser exibido no Supercine num sábado à noite, mas o longa esconde propositalmente várias nuances e vai se revelando em camadas para chegar ao fim com sequências de tortura e vingança como forma de catarse. No fim das contas, mesmo que não escancare o fato desde o começo, o filme de Paul Feig também se mostra uma obra feminista e com apelo de sororidade.

A Empregada” expõe não só relações de poder trabalhista, mas também de classe e de gênero. Aquilo que vemos é uma representação não apenas de uma obra de ficção, mas que nos transporta para um microuniverso de dominação econômica situado praticamente só em uma casa, mas a regra é igual em todo canto: manda quem pode e obedece quem precisa do salário.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Housemaid
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine e Freida McFadden
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried e Brandon Sklenar
Ano de lançamento: 2025

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