Críticas
CRÍTICA: Maligno (2021)

Eis que o tão esperado novo filme de terror do James Wan estreou e já dá pra adiantar aqui que MALIGNO (Malignant, 2021) vem pra dar o que falar. Antes de qualquer coisa, é preciso lembrar que com JOGOS MORTAIS (Saw, 2004) e INVOCAÇÃO DO MAL (The Conjuring, 2013), o cineasta malaio deu uma chacoalhada na indústria do terror mainstream ocidental, pois ambos os filmes ditaram tendências e viraram grandes franquias. Depois de se aventurar por outros estilos, agora em 2021, este seria uma revisitada ao gênero que o revelou para o mundo, mas que para este que vos escreve, apesar de gostar de alguns filmes do diretor, o filme não agradou não.

Bom… vamos lá! Na trama, tentando ser o menos expositivo possível, acompanhamos Madison (Annabelle Wallis), uma moça que sofre agressões por parte do marido, após sobreviver a uma invasão domiciliar no qual seu parceiro abusivo acaba morto, passa a ser assombrada pelas visões dos assassinatos de um serial killer que tá tocando o terror na cidade. Para entender o que está acontecendo, ela segue atrás de respostas contando com a ajuda da sua irmã e de uma dupla de detetives da polícia local.
Entrar em detalhes da trama de MALIGNO seria estragar a surpresa. Porém dá pra pontuar que se trata de um filme desmantelado que se joga no “massa véio!” onde, no máximo, funciona estéticamente em momentos pontuais por conta da produção de estúdio grande e das habilidades incontestáveis de James Wan na direção. Mas o lance é que temos aqui uma mistura de sub gêneros dos quais nenhum é bem trabalho de fato. Até a premissa, que poderia render algo interessantíssimo, é desenvolvida a partir de um roteiro porcamente escrito à três mãos, cheio de situações bregas e com soluções fáceis que beiram o ridículo.
Isso sem contar o elenco fraco que nos confere personagens mal desenvolvidos e sem carisma, salvando-se apenas a ranzinza – e com razão! – detetive Moss (Michole Briana White) por entregar as melhores falas do longa. Porém, tem duas coisas aqui que devem ser reconhecidas como muito positivas: o conceito cabuloso do serial killer pela ousadia e a sacadinha do título.

Como não seria diferente das demais produções de terror atuais destinadas ao grande público, MALIGNO também se pauta em fazer várias referências. Segundo o próprio Wan, a ideia era fazer algo aos moldes do Giallo italiano, por exemplo. Mas o diretor vai além, e flerta com outros subgêneros e obras – clássicas, cult, trash, enfim – bem como a um cineasta em particular que a simples menção já seria um baita spoiler. E claro que não poderia faltar a auto-referência, visto que Wan é detentor de uma filmografia sólida e marcante.
Apesar dos pesares, é preciso pontuar que MALIGNO é dirigido por alguém que sabe filmar e que carrega suas características típicas, como as cenas nas quais os malassombros desaparecem quando a luz é acesa e sequências longas como uma em específica que é filmada de cima, mostrando que o cara sempre tenta entregar algo criativo de alguma forma.
O filme também conta com uma violência que vai escalonando, chegando a momentos bem gore com efeitos práticos bacanas, mas também temos alguns muitos defeitos em CGI que já nascem datados por serem bem meia boca. Temos até umas cenas que evocam games famosos como os de uma cidade malassombrada e de um tal homem-morcego.

No fim das contas, como se é esperado de uma produção mainstream, MALIGNO é uma produção polida, cheia de pequenas reviravoltas e que atira pra todos os lados, tentando agradar ao nicho mais especializado no gênero como um todo, ao mesmo tempo que visa cativar o público mais novo e casual. Algo que provavelmente vai conseguir, até porque estamos falando de James Wan, que é considerado por muitos, um mestre no que faz.
Título original: Malignant
Direção: James Wan
Roteiro: James Wan, Ingrid Bisu, Akela Cooper
Elenco: Annabelle Wallis, Maddie Hasson, George Young, Michole Briana White
Origem: EUA
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Há dez anos, “Invasão Zumbi” (Train to Busan) chegava como um verdadeiro fenômeno no círculo de fãs de horror. O filme em si não apresentava nenhuma grande inovação no gênero, mas se destacava ao fazer boas cenas de ação (sim, de ação) com os zumbis/infectados num trem que cortava a península coreana.
Agora em “Zona Zero” (Colony), parte da construção da tensão e da ação em meio a uma infestação, ou seria infecção zumbi, se mantém em uma estrutura linear. Desde o início descobrimos quem é o vilão, suas intenções e como irá promover o caos, que na visão dele, na real é parte do renascimento da sociedade humana.

Baseado em conhecimentos e teorias da cyber-biologia, ou biotecnologia, que passam longe da ética, um pesquisador invejoso cria um vírus de laboratório para espalhar em uma importante convenção científica.
E em menos de meia hora de filme já temos uma grande leva de vítimas e de infectados que agem como zumbis maratonistas e triatletas. Depois que rola o primeiro ataque, aí é correria para todo lado. Quem foge ou tenta escapar da horda de criaturas tem q apelar pra se esconder em lojas e corredores do enorme empresarial que abriga centro de convenções e de compras.
Até se veem semelhanças com o “Despertar dos Mortos” (Dawn of The Dead) de George Romero nessa ambientação, mas só ali mesmo porque os monstros agora correm e atacam com verocidade.

Na comparação com o trem pra Busan onde cada vagão continha uma ameaça diferente, neste longa aqui, os sobreviventes precisam se esconder em diferentes andares e escritórios evitando confronto com os infectados. Até porque diferente de mortos-vivos convencionais, estes aqui possuem o diferencial de se comunicar em conjunto por uma consciência coletiva como ocorre com formigas.
Esse aí é inclusive o maior problema do título brasileiro do longa que não faz o menor sentido dar nome de “Zona Zero” quando seu nome original é traduzido como “Colônia” que tem total sintonia com a premissa já mencionada.

Mas mesmo sendo um pouco previsível assim nesta narrativa mais convencional de confinamento e fuga, “Zona Zero” reserva algumas surpresas, já que diante da ameaça e do vilão, não temos como imaginar como isso pode acabar e quem será o último a contar história.
E um dos maiores méritos do longa é usar poucos efeitos digitais e trabalhar bem com atores, figurantes e efeitos práticos bem grotescos. Em época de proliferação de uso de Inteligência Artificial como muleta pra qualquer tipo de cena no cinema, digamos que é um avanço dos coreanos mesmo que isso não seja uma inovação.
Título original: Colony
Direção: Yeon Sang-ho
Roteiristas: Choi Kyu-seok e Yeon Sang-ho
Elenco: Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook
País de origem: Coreia do Sul
* “Zona Zero” estreia nos cinemas brasileiros em 15 de outubro e foi visto pelo Toca o Terror em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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Críticas
CRÍTICA: Meus Mortos Tristes (2026)
Dirigido pelo chileno Pablo Larraín, a minissérie “Meus Mortos Tristes” não foca em assombrações malignas e jumpscares. O papo aqui é drama familiar e crítica social foda com uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas.

Vamos iniciar com uma sinopse sem muitos detalhes, para não estragar a surpresa que acontece já no primeiro episódio de Meus Mortos Tristes (2026), nova minissérie argentina da Netflix. Baseada nos contos da escritora Mariana Enriquez, que também é um dos roteiristas, a obra chegou ao serviço de streaming no dia 24 de setembro.
Ema (Mercedes Morán) é uma médica que consegue ver e ouvir fantasmas. Após a morte da mãe, ela se muda para a antiga casa, que fica perto de um conjunto habitacional barra pesada, no subúrbio de Buenos Aires.

Com a visita de parentes que moram nos Estados Unidos, Ema descobre que sua sobrinha Julie (Carolina Álvarez) tem a mesma habilidade sobrenatural. O problema é que um evento inesperado faz com que a relação entre vivos e mortos tome grandes proporções na localidade.
Dirigido pelo chileno Pablo Larraín (O Conde, 2023), Meus Mortos Tristes tem quatro episódios e não precisava tanto. Mas isso fica para depois. É importante começar dando o alerta que a minissérie não vai focar em assombrações malignas e jumpscares, o papo aqui é drama familiar e crítica social foda.
Mercedes Morán é o grande destaque. Sua personagem não é nenhuma Lorraine Warren e não vê glamour, nem missão divina, em sua habilidade de se comunicar com espíritos.

Apesar de possuir sensibilidade suficiente para tomar decisões certas, o desdém pelo dom que carrega é sua maior faceta. A relação com a família, incluindo o fantasma da mãe, rende os melhores momentos. Carolina Álvarez, num papel mórbido e cativante, também merece ser lembrada.
Em algumas entrevistas o elenco teceu loas a Larraín, afirmando que o diretor foi o responsável por tirar deles algumas de suas melhores atuações. Como não há sustos e coisas pulando na tela, é a interação entre os personagens que faz a trama andar. E funciona bem.
Outro trunfo de Meus Mortos Tristes é sua ambientação na periferia. A violência do lugar e o clima de abandono da população de baixa renda faz um paralelo com a situação dos desencarnados que aparecem. A fotografia fria e azulada completa o quadro.
Mas, como dito acima, nem tudo são flores nesse túmulo e, talvez, um filme cairia melhor para essa história. O formato em quatro episódios (de 50 minutos cada) estica demais a trama, o que causa alguns problemas de continuidade e a sensação que o programa está enchendo linguiça.

Outra prova disso é que algumas subtramas ficam subvalorizadas, como o arco de Carol (Dolores Fonzi), filha de Ema, que sofre com a relação mal resolvida com a mãe e com uma perda pessoal. Os pais de Julie também são meio esquecidos durante boa parte do roteiro. O mesmo acontece com Lautaro (Germán De Silva), personagem que carrega um passado de amor não correspondido por Ema.
Ainda assim, Meus Mortos Tristes é uma bela fábula sombria, que fala sobre luto, depressão e memória. Sem contar que a minissérie faz um competente comentário sobre a violência desenfreada nas grandes metrópoles da América Latina. Vale o play nas apariciones.
Título original: Mis muertos tristes
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Anastasia Ayazi, Guillermo Calderón, Mariana Enriquez e Pablo Larraín
Elenco: Mercedes Morán, Dolores Fonzi e Carolina Álvarez
Origem: Argentina
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CRÍTICA: Resident Evil (2026)
Esta é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada.

A franquia Resident Evil é referência nos videogames, mas penava quando o assunto era adaptação para outras mídias, como TV e cinema, tendo como maior exemplo os filmes estrelados por Milla Jovovich no decorrer de décadas. A franquia tentou um reboot em 2021, mas o desastre veio. Agora, em setembro de 2026, um novo reboot é lançado sob a grife do diretor de “A Hora do Mal“.
Um rapaz que trabalha entregando órgãos em hospitais recebe uma oferta tentadora para ir à cidade de Raccoon City, e o que supostamente seria um serviço simples se torna uma luta pela sobrevivência, já que várias aberrações tomaram conta da cidade e arredores.

Aqui já adianto que essa é a melhor adaptação dos games, mesmo que, narrativamente, a única semelhança seja a tragédia que acontece na cidade. As semelhanças estão mais na estrutura de como a nova história é contada, em alguns detalhes visuais que remetem ao material original e no gameplay; sim, em alguns momentos me senti jogando. A história de “Resident Evil” é simples e direta, e me lembrou muito comédias de erro onde tudo o que podia dar errado dá; o protagonista não tem um minuto de paz em quase toda a jornada. A escolha de um civil sem nenhuma qualificação para combate foi acertada, já que ele serve como um espelho para a maioria de nós e gera identificação.

A polêmica sobre os momentos cômicos não me incomodou por boa parte do filme, mas, quando entram em cena outros personagens humanos, a coisa mudou de figura. O que estava divertido e com bons jumpscares se torna uma bobagem que me incomodou muito. Eu sei que é uma sátira, mas não ficou boa para mim, culminando em um clímax que me deu vergonha alheia. O terror está bem representado pelas criaturas nojentas que aparecem no decorrer do filme e que são inspiradas nos monstros dos jogos; elas são ameaçadoras. Tem gore, mas acho que poderia ser mais.
O filme não é ruim, tem boas cenas, diverte e tem bons sustos. O problema maior é que, quanto mais se aproxima do fim, vai ficando mais bobo.
Título original: Resident Evil
Direção : Zack Cregger
Roteiro: Zack Cregger e Shay Hatter
Produtores Executivos: Oliver Berben, Richard Wright, Robert Bernacchi
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry,Kali Reis e outros
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