Críticas
CRÍTICA: My Amityville Horror (2012)

Por Geraldo de Fraga
Danny Lutz tinha apenas 10 anos quando, em 1976, mudou-se com a mãe, o padastro e os dois irmãos mais novos para o número 112 da Ocean Avenue em Amityville, Nova York. Nos 28 dias em que viveu nesse endereço, Danny vivenciou um dos casos de casas assombradas mais famosos da história, que deu origem a um livro, que posteriormente foi adaptado aos cinemas e virou uma franquia de filmes.
Mas ao contrário de sua mãe e padrasto, Kathy e George Lutz, Danny fez questão de fugir de tudo ligado ao caso. Hoje, aos 47 anos, o sobrevivente de Amityville fala sobre o que aconteceu naquela casa pela primeira vez na frente das câmeras. É nisso que o documentário My Amityville Horror (2012), dirigido por Eric Walter, tenta se manter para recontar mais uma vez essa história.

Mas para fazer um documentário sobre algo tão grande, apenas sustentado pelo ponto de vista de um personagem é preciso que esse personagem seja alguém muito carismático, ou ao menos interessante, e que traga um novo viés para a história. Nesse segundo ponto, o filme até acerta. De acordo com Danny, George Lutz, que fez fama e dinheiro, divulgando excessivamente o caso de Amityville em programas de TV, era um grande de um safado. Danny ainda levanta a hipótese de o fenômeno paranormal em Amityville ter sido despertado pelo seu próprio padrasto que, segundo ele, era entusiasta do ocultismo e realizava sessões de magia negra com seus amigos naquela casa.
Porém, Danny não é um personagem interessante a ponto de segurar uma hora e meia de filme. Na maioria das vezes, só ouvimos ele se lamentar de como aquele incidente atrapalhou sua vida e de como foi difícil crescer sendo o “garoto de Amityville”. Se a idéia do diretor era fazer que que o espectador se compadecer com Danny, não funcionou. Em certas horas, você não aguenta mais suas lamentações.

O filme ainda conta com a participação de pessoas importantes no caso, como os jornalistas que cobriram o evento e a famosa investigadora paranormal Lorraine Warrem. Porém a abordagem fica muito centrada em Danny. Não que essa não fosse a idéia do filme, mas deixou tudo muito chato..
Quem quer ver um documentário sobre Amityville espera sempre por muitas imagens de arquivo, já que o caso foi coberto pela mídia na época. Esse foi outro detalhe que o filme ficou devendo. No mais, My Amityville Horror só deve agradar quem realmente tem bastante interesse na história e quer mais um DVD para ter na estante.
Nota: 5,0
Direção: Eric Walter
Roteiro: Neal Parks, Eric Walter
Elenco: Daniel Lutz, Susan Bartell, Laura DiDio
Origem: EUA
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Críticas
CRÍTICA: Exit 8 (2026)

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.
Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.
O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.
1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.
Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.
Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão
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Críticas
CRÍTICA: Maldição da Múmia (2026)

A múmia enquanto personagem no universo de terror surgiu há cerca de 96 anos com a obra homônima estrelada por Boris Karloff. Naquela produção, já se exploravam temas como imortalidade e ressurreição mediante sacrifícios a deuses e divindades egípcias. Com o passar do tempo, o interesse dos produtores pela temática levou à exaustão do subgênero.
Após um hiato, a ideia de uma franquia foi resgatada no final dos anos 90 sob a forma de aventura e comédia com Brendan Fraser. Dezoito anos depois e nove anos atrás, Tom Cruise protagonizou outra versão, desta vez com uma abordagem mais voltada ao horror e à ficção científica, mesclando personagens de um universo literário compartilhado, contando com o Dr. Jekyll e o Mr. Hyde, por exemplo.

Essa tentativa de reboot com monstros clássicos acabou engavetada devido ao fracasso de público e crítica. Foi então que a Blumhouse assumiu a missão de revisitar esses personagens sob um novo viés.
Pelo estúdio, tivemos o excelente “O Homem Invisível”, o regular “Lobisomem” e agora, enfim, “Maldição da Múmia“, que se mostra uma obra essencialmente confusa. Quem assumiu as rédeas desta releitura foi Lee Cronin, assinando a direção e o roteiro, após ganhar notoriedade com A Morte do Demônio: A Ascensão.

Possivelmente animado com a possibilidade de fazer outro filme para a franquia de Sam Raimi, Cronin pegou uma coisa e outra de mitologia egípcia para disfarçar uma história que muito se assemelha às tramas de possessão demoníaca de Evil Dead. Confira:
– Criança frágil, porém sequelada, agindo de forma cruel e violenta com seus entes queridos ✔️
– Entidade demoníaca que se comunica com grunhidos, mas disfarça uma voz doce pra enganar as pessoas ✔️
– Professor/Arqueólogo que pega uma gravação antiga para revelar que existe um culto demoníaco ✔️
– Gore, Vômito Preto, Automutilação, Gosma e Pele Arrancada ✔️
E onde está a múmia nessa história toda? A conexão com o mito das múmias ancestrais é tênue e surge apenas no início da trama, situada no Egito. Uma família tem sua filha sequestrada. Foi dada como desaparecida e só depois de anos, descobrem que ela estava confinada em um sarcófago (!).
Nisso ae entra em ação o CSI do Cairo com uma policial/investigadora obstinada que constrasta com uma equipe médica negligente, que libera a criança “mumificada” em estado catatônico para o convívio familiar porque seria melhor para ela assim (!!). Nesse ponto, o filme descamba para uma sucessão de situações sem sentido e soluções convenientes, tornando-se um drama familiar com toques de terror.

E a culpa, logo iremos descobrir, que é de um antigo demônio egípcio que destrói lares e coloca familiares uns contra os outros. Podia ser coisa do Necronomicon, mas é só um espírito zombeteiro de cinco mil anos atrás que passa de uma pessoa a outra como num ritual que Cronin viu em “Faça Ela Voltar” e curtiu.
Sim, ele foi capaz de mesclar tudo isso num filme que remete muito pouco à mitologia das múmias. Até tem uma pirâmide subterrânea em uma casa, mas isso, assim como outras coisas, não faz sentido ou não é explicado.

Com uma duração excessiva de mais de duas horas, “Maldição da Múmia” não apresenta novidades. Nem é essa coisa toda horripilante e grotesca… até pode ser para quem não está tão acostumado a cenas mais fortes.
Mas para quem já assistiu aos filmes que o inspiraram, este novo longa soa como uma cópia simplória de fórmulas já consagradas no gênero. E nem dá para culpar o faraó pelo resultado.
Título original: The Mummy
Direção: Lee Cronin
Roteiro: Lee Cronin
Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy, Hayat Kamille e outros
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovido pela Espaço Z
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Críticas
CRÍTICA: Ataque Brutal (2026)

A Netflix ataca mais uma vez com um filme de tubarão: “Ataque Brutal” (Thrash). Anunciado meio que de surpresa no mês passado, a gigante do streaming tenta novamente emplacar um sucesso com o terror dos mares e rios. Depois de ter lançado, em 2024, “Sob as Águas do Sena“, agora ela traz o diretor do divertido “Zumbis na Neve” (2009) para comandar essa empreitada.
Vamos à história… Uma pequena cidade na costa dos EUA tem sua rotina drasticamente mudada quando um furacão de escala 5 avança em sua direção. A grande maioria dos moradores decide evacuar, mas alguns desafortunados acabam ficando e terão de lidar com algo pior que a destruição causada pelo fenômeno da natureza: famintos tubarões que aparecem nas ruas inundadas.

Logo de cara, não dá para não lembrar do bem superior “Predadores Assassinos” (2019), cuja premissa é bem similar. A diferença maior entre os longas é que o filme dos crocodilos é uma aula de tensão e horror, enquanto este exemplar com tubarões serve mais como uma paródia.
Os personagens são rasos e as situações vivenciadas por eles são bem clichês e previsíveis; não criei vínculo com nenhum. O fato de saber o destino dos protagonistas tira qualquer chance de criar tensão, além de o roteiro ser muito didático e ter alguns diálogos bem ruins.

As cenas de ataques são fracas; geralmente, as águas ficam vermelhas e as pessoas são jogadas e arrastadas de um canto a outro. Poderia ser mais gore.
Os efeitos são, no geral, aceitáveis, mas há momentos onde o fundo verde grita. Isso pode tirar a imersão de muitos, mas não tirou a minha porque já estou acostumado a cada tosquice de filme de tubarão que me sinto meio “vacinado”. “Ataque Brutal” é um filme fraco que poderia ter sido muito mais, só que, por ser bem curto, talvez entregue uma possibilidade de diversão rasteira.
Título original: Thrash
Direção: Tommy Wirkola
Roteiro: Tommy Wirkola
Elenco: Phoebe Dynevor, Dijimon Hounsou e outros
Ano de lançamento: 2026
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musicaefantasia
27 de outubro de 2013 at 11:35
Talvez o filme ficasse mais interessante se Danny Lutz, o entrevistado, fizesse um grande desmentido, à moda cética de de tudo que aconteceu. E demonstrasse como seu padrasto forjou tudo. 😎
Claro que aí ficaria pouco interessante para os amantes do terror. 😎
Parabéns por mais uma postagem muito legal: divertida, informativa e crítica.
Rodrigo Orso (@TecnologiaOrso)
7 de julho de 2014 at 03:29
Como fã incondicional de suspense e terror também assisti ao filme e concordo com sua colocação. A meu ver a interrogação deixada entre o sobrenatural e o padrasto armando tudo foi pouco explorada. Na minha opinião vale pipoca e boas horas de conversa sobre todo o universo. Parabéns!
Leandro
25 de outubro de 2015 at 09:46
Acho que não entenderam que o filme não era para ficar bonitinho para os olhos de todos, mas como uma forma de Daniel extravasar a verdade. O cara está visivelmente abalado por tudo que passou durante toda a vida dele. uma criança vivendo sozinha no deserto e se virando sozinha a vida a inteira não vai ser tão bom ator quanto os filhinhos de papai de Hollywood!!!!
Eduardo G N Ferreira
14 de julho de 2016 at 15:52
E vdd tinha tudo pra ser bem interessante mas esse Daniel so lamenta da vida além disso parece claro pra mim que ele tem problemas psicológicos… é um documentário mediano pouco coisa é reveladora e os pontos legais são muito curtos…
Giancarlo Centoundici
10 de julho de 2019 at 10:16
Só do que disse, já perdi a vontade de correr atrás rsrs normalmente as resenhas do site batem muito bem com as minhas, já não Me arrisco mais com bombas pq tenho tempo pra ver só uns 3 filmes por semana.