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CRÍTICA: Cemitério Maldito – A Origem (2023)

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Cemitério Maldito - A Origem

Cemitério Maldito, de 1989, pode não ser uma das melhores adaptações de Stephen King, mas tem seu lugar no coração do fã de terror pelo combo criança assassina + gato macabro + lenda indígena + irmã deformada no porão. O filme, inclusive, fez tanto sucesso que ganhou uma continuação, três anos depois, com Mary Lambert de volta à cadeira de diretora.

Essa segunda parte não fez tanta bilheteria e, até hoje, é meio esnobada pelo grande público, mas não enterrou a trama (perdão pelo trocadilho). Demorou, mas Cemitério Maldito ganhou um remake em 2019, que manteve muitos dos elementos do primeiro filme, mudando apenas algumas coisas no terceiro ato.

E eis que em 2023, a indústria que nos brinda o tempo todo com refilmagens, continuações, spin offs e outros subprodutos, chega com Cemitério Maldito: A Origem (Pet Sematary: Bloodlines). Um prequel produzido direto para o streaming, neste caso a Paramount +, dirigido pela estreante Lindsey Anderson Beer, que assina o roteiro ao lado de Jeff Buhler (roteirista do remake de 2019).

Como é clichê nesse tipo de produção, o protagonista aqui é um dos coadjuvantes do primeiro longa. Judson Crandall (Jackson White), que virá a ser o vizinho idoso do Cemitério Maldito original, é um jovem que vive em Ludlow, no Maine, desde que nasceu. Estamos em 1969 e a Guerra do Vietnã serve como pano de fundo para o relacionamento entres os personagens principais.

Enquanto Judson foi poupado do alistamento, seu amigo Timmy Baterman (Jack Mulhern) foi convocado, encarou os horrores do conflito e ‘retornou’ um pouco ‘diferente’ para sua cidade natal. Bom, é Cemitério Maldito, então você deve saber muito bem o que aconteceu com Timmy. Quem estiver bem de memória, vai se lembrar que uma história parecida é contada por Judson no filme de 1989, mas que não aconteceu com ele, então já temos um lindo ‘foda-se’ com a continuidade.

Outra coisa que se nota é que, enquanto as obras anteriores são focadas na família, com um ou outro coadjuvante útil para a trama, A Origem colocou um monte de gente no roteiro, a maioria sem importância. Alguns até somem durante boa parte do tempo, como a namorada de Judson, Norma (Natalie Alyn Lind), e o pai de Timmy, Bill Baterman (David Duchovny).

O que é incompreensível, pois o arco do personagem de Duchovny é justamente o que trataria sobre o principal tema da franquia: o luto. Mas, vamos lá, afinal a grande estrela aqui é o cemitério de animais, e queremos saber sobre sua origem, para que o local era usado, já que é isso que nos foi prometido. Bom, isso acontece. Mas empolga? Não. O que é explicado não acrescenta muito à mitologia, não há surpresa na revelação, só uma cena de época bem convencional.

O fato é que o filme é ruim em vários aspectos, desde a história contada à parte técnica. Nenhum personagem é bem construído, o que força o roteiro a se utilizar de um monte de diálogos expositivos, vários deles em momentos inoportunos. A própria relação de amizade entre os antagonistas é jogada na tela, simplesmente mostrando uma foto deles na infância ou com algum rápido flashback (aliás o longa é cheio de flashbacks, até mesmo com cenas que vimos há poucos minutos).

As atuações não se destacam por conta do texto ruim. A edição é horrível, toda picotada e várias cenas são muito escuras (problema recorrente em produções atuais). E, bem, o vilão é genérico, pois sua motivação não é lá muito bem resolvida. Enfim, Cemitério Maldito: A Origem foi de arrasta pra cima.

Escala de tocância de terror:

Direção: Lindsey Anderson Beer
Roteiro: Lindsey Anderson Beer e Jeff Buhler (baseado no livro de Stephen King)
Elenco: Jackson White, Natalie Alyn Lind e Forrest Goodluck
Origem: EUA

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CRÍTICA: A Primeira Profecia (2024)

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Primeira Profecia

Após três continuações, um remake e uma série de TV, A Profecia (1976) completou o ciclo da vida de um clássico do terror e ganhou um prequel. A Primeira Profecia (2024), dirigido por Arkasha Stevenson, que assina o roteiro com Tim Smith e Keith Thomas, estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira.

Nesse novo capítulo da história, vamos acompanhar os fatos que precederam o nascimento de Damien. Para isso, somos apresentados a Margaret (Nell Tiger Free), noviça americana que se muda para Roma, onde irá fazer seus votos e seguir uma vida de servidão no convento comandado pela madre Silva (Sonia Braga).

Logo na sua chegada ao local, que também hospeda um orfanato e uma maternidade, ela dá de cara com uma freira esquisita e com uma criança atormentada por pesadelos (e que vive fazendo desenhos esquisitos). Tudo piora quando o padre Brennan (personagem do primeiro filme, agora interpretado por Ralph Ineson) entra em contato para dizer que tem algo sinistro rolando com essa menina.

O que joga contra A Primeira Profecia, e contra esse tipo de ‘história de origem’, é que já sabemos o que acontece num futuro próximo. A conspiração satânica vence, Damien nasce e é entregue ao embaixador americano para que cresça no meio político. Tá tudo lá no clássico de Richard Donner.

Então o que quer que tenha acontecido até o bebê do mal vir ao mundo não foi muito relevante. Aí o roteiro do prequel precisa criar mistérios onde não tem muita margem para isso. A saída mais fácil é apostar no horror gráfico, mesmo que isso rompa com o clima atmosférico do original, com jumpscares, risadas fantasmagóricas, aparições.

Alguns desses artifícios funcionam, principalmente para audiências mais sensíveis. Outros, porém, não surtem efeito, como a repetição da morte por enforcamento, incluindo a última frase da suicida (não é spoiler, isso está no trailer). Olhares mais atentos vão notar ainda referências a outras produções clássicas como o Bebê de Rosemary (1968) e Possessão (1981).

No entanto, não faltam esforços para dar personalidade ao longa, o que é alcançado com o protagonismo feminino. Arkasha Stevenson consegue tirar de Nell Tiger Free uma boa atuação que faz com que sua Margaret desperte simpatia ao longo do filme. É aí onde diretora e atrizes se juntam em harmonia para levantar temas como perda da fé, submissão, maternidade, sexo e até mesmo sororidade.

O trio de roteiristas também acerta ao levantar questões sobre o poder da religião sobre as massas, mas não dá para se alongar sem revelar detalhes específicos da trama. No fim das contas, A Primeira Profecia fica numa categoria curiosa: é irrelevante e desnecessário como prequel (fazendo até referências constrangedoras), mas se mostra uma obra melhor que a média do que vem sendo feito no terror mainstream. Isso, vamos combinar, ninguém profetizou.

Escala de tocância de terror:

Direção: Arkasha Stevenson
Roteiro: Arkasha Stevenson, Tim Smith e Keith Thomas
Elenco: Nell Tiger Free, Ralph Ineson e Sonia Braga
Origem: EUA
Ano de lançamento: 2024

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CRÍTICA: Obsessão (2026)

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Obsessão

Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.

E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.

Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.

No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.

Escala de tocância de terror:

Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife

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CRÍTICA: Bom Menino (2025)

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Bom Menino

O filme que viralizou nos últimos meses, graças ao seu protagonista canino em um filme de terror, estreia em pleno Halloween, nos cinemas nacionais. No entanto, “Bom Menino” (Good Boy) não se resume apenas à fofura do doguinho (e adianto que ele é muito fofo mesmo).

Na trama, acompanhamos Indy, um cachorro leal que se muda com seu tutor para uma casa no meio da floresta, após o homem enfrentar um sério problema de saúde. O cão percebe imediatamente que há algo de errado com o local, e, com o tempo, essas manifestações sobrenaturais colocarão suas vidas em perigo.

Indy é, indiscutivelmente, a estrela do filme. Garanto que muitos atores gostariam de ter metade de seu carisma e presença de tela. Em poucos minutos de projeção, já estamos torcendo por ele. O trabalho de adestramento foi impecável, e é difícil imaginar o esforço que o realizador, que também é o tutor real do animal deve ter tido. Desde as cenas de afeto até as de terror, nota-se o cuidado e a boa realização em “Bom Menino“.

O diretor acerta ao usar enquadramentos e jogos de câmera quase sempre na perspectiva de Indy. Em alguns momentos, me lembrei do desenho dos Muppets Babies, em que nunca vemos o rosto da babá, embora aqui, em planos mais convencionais, sejam mostrados vislumbres ou o rosto inteiro dos personagens humanos.

O terror aqui é mais contido: uma sombra aqui e ali, vultos passageiros, mas sem o uso de trilha sonora alta ou aparições exageradas. O ritmo é lento, e a ambientação vai da casa inicialmente decrépita à mata semienevoada, com suas árvores sinistras.

Temos um longa envolto a uma atmosfera de desconforto e medo. Não espere sustos frequentes e jumpscares. Eles existem, mas em quantidade bem menor.

Apesar de em termos técnicos, a coisa funcionar, nem tudo são flores. Mesmo sendo um filme curto, com pouco mais de 70 minutos, é possível notar que a história seria mais bem contada em um curta ou média-metragem. Existem recursos narrativos que se repetem pelo menos três vezes em uma clara tentativa de esticar a duração.

A trama é a clássica da casa mal-assombrada, e a verdadeira inovação está em ser contada sob a perspectiva do cachorro. É algo eficiente que não teria o mesmo destaque se fosse narrada por humanos.

“Bom Menino” é uma agradável surpresa neste ano, dando novo fôlego a uma história que já vimos inúmeras vezes. Indy é um poço de carisma e fofura. Podem assistir sem medo, mas não espere um filme de gritos e sustos constantes.

Escala de tocância de terror:

Título original: Good Boy
Direção: Ben Leonberg
Roteiro: Ben Leonberg e Alex Cannon
Elenco: Indy, Shane Jensen, Arielle Friedman

* Filme visto em Cabine de Imprensa virtual promovida pela Espaço Z

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